E se a Hanna Baker tivesse tido um blogue? Estaria
ela viva, e não teria violentamente cortado a vida de si e abraçado
a morte como se a alternativa fosse essa e apenas essa?
Mas antes de mais, quem era Hanna Baker?
Personagem do livro “13 Reasons Why” de Jay Asher que neste ano surge
em formato de uma série da Netflix. A história dessa miúda de 17
anos aparentemente é simples.
Hanna decide suicidar-se e antes de o fazer grava
13 cassetes, nas quais aponta as razões que a levaram à morte, e as
envia a alguém…
E não querendo escrever nenhum spoiler, apenas
escrevo que a história é dura e triste, como por vezes a vida é e
só quem passa por situações pelas quais a personagem passou é que
poderá tentar entender, até porque acho verdadeiramente ninguém
conseguirá fazê-lo. O que passa dentro da cabeça de alguém, não é um livro aberto aos outros, mas sim um cofre sem direito da código de abertura.
O livro ainda não o li, a série já vi e adorei.
Fez-me recuar no tempo em que não queria sair da cama e ir para a
escola, e porque tinha que ir, ia sempre de mãos dadas com a solidão que ainda hoje é uma das minhas melhores amigas.
Tenho esse ponto em comum com Hanna Baker, mas
tenho mais, mas fico-me por este, porque de uma forma ou de outra,
esse ponto leva a um outro e uma reta surge, e no caso dela, levou-a
um beco sem saída, no meu, a um atalho.
Por vezes em determinadas cenas, ficava com o
coração apertado e por mais parvo que seja, queria apenas lhe dar
um abraço. A solidão é fodida, cola-se a nós, reveste-nos e
protege-nos de uma forma inconcebível para a maioria de nós.
Por causa dela (da solidão) na minha adolescência
ganhei uma concha.Que por acaso fez-me criar este espaço, para não me sentir tão só.
A pergunta que faço no inicio deste post não é
descabida, porque se a Hanna Baker tivesse tido um blogue, acredito
que estaria por cá.
Eu estou, mas não sei bem ao certo se estaria se
não o tivesse criado. Talvez a solidão fosse mais forte que eu, me
levasse a concha e tornando-me num sem abrigo emocional, perdesse o
amor à vida como Hanna perdeu.
Este Oceano é para mim um amigo, mas não fala,
não sente, não sorri nem ri. Não me abraça e muito menos comunica
comigo, mas sempre me ouviu.
E se dizem que a vida só tem sentido
partilhando-a, há mais de 10 anos que o faço aqui, acima de tudo comigo mesmo.
“13 Reasons Why” tão cedo não me saíra da
cabeça, até porque cicatrizes da adolescência muitos de nós
temos. Por vezes as minhas ganham vida, e falam comigo, ouvem-me e
não é bem delas que gostaria um retorno.


















































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