"Parece que o amor chega não só sem se fazer anunciar, mas também tão acidentalmente, tão aleatoriamente, que te faz pensar porque é que tu, porque é que alguém há-de acreditar nas leis de causa e efeito"
Acabei de ler "A Rainha de Gelo" de Michael Cunningham e tive a sorte de encontrar mais uma daquelas frases que tornam um livro especial. Apesar de não ter gostado do livro, valeram-me as frases que por lá encontrei, até porque vão ao encontro da minha forma de pensar, de ver a vida e de sonhar.
Por mais que pense que o amor aparece findo do nada, que se apresenta sem mais nem menos, há momentos, escrupulosos do destino, que me fazem desacreditar nessa teoria. Acaba por não ser mais que uma fuga do sentimentos, canalizada para o que os outros querem e esperam encontrar e não o que eu quero e preciso para me sentir vivo.
Continuo vivo, continuo a sonhar, e vivo porque é a lei da vida, mas sabem o que realmente penso: amor há quando a paixão deixa de fazer as malas, e o desejo começa a andar com uma venda nos olhos. Se somos todos uns filhos da ****, então o melhor é ninguém se queixar, pois quem semeia, colhe tempestades. Daí ter todo o direito de reclamar o que tenho todo o direito, pois eu apenas semeio árvores com bons frutos (quero enganar a quem?!). E aonde eles estão? Não os vejo. Será que tenho que fazer o mesmo que os outros? Esqueçam, a vida é demasiado bela para passar a vê-la como uma feia adormecida.

Pelos vistos alguém me conhece um pouco, talvez mais que as pessoas que estão perto de mim. A D. disse que o filme "500 Days of Summer" era a minha cara, nunca o tinha visto. Pelos os atores (Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt) vi logo que o filme tinha alguma coisa que me poderia fazer gostar mas quando o vi (e neste momento faltam-me os minutos finais...) foi comprovar o que me tinham dito. É a minha cara, uma história de amor, que no filme anda de trás para a frente, da frente para o futuro. A cumplicidade entre a dupla de atores é genial, os diálogos credíveis, os cenários palco dos meus sonhos, e depois há aqueles pequenos pormenores que fazem toda a diferença...é o que eu gosto de ver num filme que retrata o amor na sua forma mais doentia.
Cada vez mais o amor para mim não tem crédito, se fosse um banco já o tinha fechado. As pessoas são demasiado egoístas (começando por mim) pois não querem abrir mão do que já têm, do que julgam ter e do que julgam que irão ter.
O meu coração continua aberto, mas o que há mais são cegos com bengalas mal direcionadas.
500 Days of Summer?! E porque não uma eternidade? É assim que vejo o amor, duma forma ilusória, com paixão, sentimento e pequenas faíscas dum conto de fadas. O amor bate à porta, mas só quem a abre é que poderá contar a sua história. E eu acredito na lei da causa e efeito.
Espero que os últimos minutos de "500 Days of Summer" não me façam rever a minha teoria do amor, pois a ficção por mais que seja irreal, a realidade tem momentos que mais parecem findos dum filme...