Vim cá, porque preciso deste espaço, escrever e de certa forma ouvir as paredes a falarem comigo. Sussurros lânguidos de sofridão, parábolas e metáforas invertidas no tempo, pois é mesmo isso que sinto, uma inversão da realidade, em que sou encostado contra a parede e sentir que o chão não é fixo, e tudo abana, até que a minha alma salta fora de mim, e me vê como os outros me vêem, um vulto parado a olhar de fora para dentro.
Cada vez mais nesta vida a minha certeza é um dado que atiro, mas ao contrário dos 6 lados, este meu dado é estranho, e quando preciso de me sentir tranquilo, tudo é fugaz, embrulhado em mil e um pensamentos e sabem o que me dói? A alma, apenas e porque não sou tão forte como julgava, e muito menos perspicaz como acreditava ser.
Tenho a mente desfeita em pedaços e se vim cá, foi porque não consigo falar do que sinto. Não sou assim tão aberto, mas não me quero fechar novamente mas neste momento é isso que preciso.
Ignorance Is a Bliss? Ohhh Yeah e Nothing feels better than this...quando comecei a escrever neste Oceano e falava da tal música do Snow Patrol "Chasing Cars", hoje não me sinto tão diferente da pessoa desse tempo, e porque o tempo dos carros voltou, desta vez faria-me bem estar no meio deles, a dançar ao som do Khalid...
Há álbuns que ao longo destes anos acabaram por ficar como "amigos", estão sempre lá quando preciso deles, dizem-me coisas doces quando preciso de mel para a minha alma, e me abraçam quando penso que já não aguento mais. Desde os Sigurs Rós com "Takk", Fiona Apple com "Tidal" ou Tori Amos com "From the Choirgirl Hotel". Faz umas semanas que ouvi a álbum de estreia da Surma (que é portuguesa!) com o seu álbum de estreia "Antwerpen", e que viagem foi estar a ouvir. Não o consigo classificar. Sempre que o ouço é uma viagem que faço, a paisagens feitas de sons, preenchidas de camadas, umas mais frias que outras, pintalgadas de melodias que me aquecem num turbilhão suave e nostálgico...e acabo sempre por descobrir os pequenos pormenores musicais que tanto gosto. Um ruído vindo do nada, uma batida florescida dum silêncio que exige um fechar de olhos, e ir até onde os sonhos me possam levar. "Antwerpen" é um glaciar de sons, vozes e emoções entrelaçadas de mistérios que me levam a um país que está no meu sonho impossível de alcançar: Islândia! Pois bem, parece que fiz um novo "amigo". E este é especial!
Depois veio a vaga musical brasileira, e eu nunca fui de ouvir músicas com a doçura do outro lado do atlântico. Acredito que a vida nos dá o mais belo nas formas mais simples. Primeiro veio a Mallu Magalhães com um som que roça vários géneros e foi esse mesmo roçar que me ajudou a acordar todos os dias sabendo que teria a sua companhia enquanto conduzia até ao trabalho. E do nada apareceu Anavitória e porque nunca ouvi a música "Trevo" na rádio (agora sei que passa) com a participação do Diogo Piçarra, foi algo do destino, a conjugação de vários factores que agora eu sei, preciso de sons doces para que eu consiga ficar sossegado, até porque...
...até porque se há algo que não consigo é o ter, o sossego...preciso de um aconchego mental, um abraço ensurdecedor que me deixe à beira de um ataque de felicidade, que me faça sorrir até não conseguir fechá-lo, que me beije da mesma forma que me beijam...
...e é bom ter "amigos" destes, que aparecem por obra do destino e do acaso...
Tenho estado a ouvir em loop o novo álbum da Lana Del Rey "Lust For Life" no meu carro e a companhia tem sido excelente, e confesso que acabou por ser inesperada, daquelas que pensamos que é mais do mesmo, as mesmas conversas, os problemas de sempre e as aflições constantes, porque verdade seja dita, há momentos desses, que nos cortam a vontade de partilhar seja o que for. É como se o centro das atenções fosse um enorme umbigo e de lá só sai pedidos de auxilio. E os nossos?! Vou ali refazer a minha lista e depois venho cá...Ah ah ah deixa-me rir, para depois chorar um pouco.
Voltando à Lanita, neste novo álbum, ela me seduziu ao ponto de me fazer querer umas algemas nos pulsos e umas valentes palmadas num sitio que eu só eu. São várias as músicas que me cativaram, entre elas o trio maravilha: "13 Beaches" + "Cherry" + "White Mustang" mas não posso esquecer por exemplo "Change" que me faz lembrar "Creep" dos Radiohead. Ok tenho ter um problema auditivo. WTF só me faltava esse...
...mas depois de semanas a fio, e sem agulha para o prender num pica, pica, e volta a picar agora tenho "Native Invaders" a ruiva Tori Amos e fazer-me companhia nas 4 rodas. Estava mesmo de pé atrás com esse novo álbum, porque esta cantora tem uma infinidade de temas que adoro, e saber que há novas músicas fez tremelicar os alicerces da minha alma. Agora posso relaxar e ouvir as ondas que se soltam do piano ou as vibrações das cordas que saltitam da viola de algumas das suas novas canções. Porque é um álbum acabadinho de ser ouvido, já são várias as músicas que forram esta minha alma que anseia sempre por algo agri-doce em termos sonoros, até porque o azedo da vida é sempre oferecido e impigido da forma menos natural mas voltando às músicas, e só para salientar algumas, as que mais me fazem quer ouvir vezes sem conta são: "Reindeer King" + "Wildwood" + "Chocolate Song" + "Bang" + "Mary's Eyes" e fico por aqui porque neste momento...
...e sim neste momento já sei que por estar tatuado posso morrer antecipadamente ah ah ah, fartei-me de rir com a noticia, não só pelo teor, mas pela estupidez humana, porque se faz mal, paciência...fumar também mata, beber em demasia também, foder com tudo e com todos sem protecção poderá fazer o mesmo, fora uma série de coisas. Acho que todos nós temos uma sentença de morte antecipada, é pena a forma como as pessoas lidam com as noticias, e mostram o horror de alguém tatuar o corpo. Se fizessem o mesmo com o que realmente importa, certamente ganhariam mais nesta vida, até porque o dom da palavra é verdadeiro quando a essência da vida está espelhada nela. E pelo o que hoje já li, o ser humano não vale a ponto de um corno, e estou a referir-me dos pequeninos...
...e porque neste momento estou a ouvir "Reindeer King" vou deixar este espaço por mais um tempo e voltar para o reino que me dá uns beijos feitos de gomos de laranja, doces e bem sumarentos. É o que por vezes me vale. Um reinado de emoções mas sem rei, porque acabamos por ser todos um, e saber isso é uma forma de abraço, sem braços nem mãos, mas que sinto das mil e uma formas que os sentimentos me dão.
Esta manhã senti-o, o desalento como se fosse um
figurante encostado à minha sombra, que neste momento por mais que
benévola que ela seja, não me deixa estar bem.
Não me sinto bem.
Não sinto que seja capaz de arrumar as mil e uma
ideias que vivem dentro de mim, nas gavetinhas que estão espalhadas
na minha mente e no meu coração. Tanto espaço vago, mas
sinceramente hoje senti-me atulhado…preciso da minha concha,
preciso de me afastar desta realidade, e não há fuga possível. É
quase como estar na estrada dos tijolos amarelos do mundo de Oz e o
único caminho é esse mesmo, percorrer pedrinhas reluzentes, mas no
meu caso sem o brilho.
Esta manhã senti-o, o desalento e triste fiquei,
e nem sei bem se ainda estou. Acho que se pudesse voltar a ser quem
eu era quando abri este espaço, seria sem pensar duas vezes, nem que
fosse por umas horas. Sinto-me cheio, mas nem tudo são coisas boas.
Não consigo filtrar nada, não consigo separar o que deveria deixar
para trás, e no que devo concentrar toda a minha força.
Há dias em que os braços pesam muito e a minha
vontade é de os deixar esticados que nem carapaus secos ao sol, mas
quem é que se pode dar a esse luxo?
E por falar em luxos, o descontrolo latente na
esfera da luxuria é perspicaz de nos fazer repensar nas nossas
escolhas passadas, deixando as do presente à sua mercê. As do
futuro? Essas estão nas nossas mãos, e tomara eu conseguir ter este
meu desalento nelas e num bater de palmas conseguir respirar fundo…e
não consigo!
Eu sei que há já algum tempo que não vinha cá, e certamente irá passar mais algum sem vir cá novamente, as razões não existem, apenas já não sinto aquela vontade em escrever, por mais coisas que tenha a partilhar.
Sinto uma espécie de nudismo nas palavras...
...mas a razão que me leva vir cá, é muito simples. Estive 7 dias na Galiza, em Sanxenxo e não vou estar a escrever que adorei, que me fez bem, ou isto ou aquilo porque isso eu vivi e não tenho palavras para as descrever mas acima de tudo tive a melhor companhia que poderia desejar, senti-me sempre abraçado sem na verdade o estar fisicamente.
A razão que me leva a vir cá é ter aprendido uma lição...fui à praia de Bascuas e nessa praia se faz nudismo, aliás é uma praia mesmo para se fazer isso. É uma praia familiar, onde todos estão à vontade e talvez 5% não o fazem. No primeiro dia quando vi tanta gente nua fiquei de boca aberta pois nunca tinha ido a uma praia com tanta gente sem vergonha do seu corpo, no 2ª dia lá estava eu (um dos poucos) de calções, mas no terceiro dia, pensei e resolvi fazer o mesmo, e o desconforto veio ao de cima, até as pernas me tremeram quando saí da toalha para caminhar, pois não pensem que as pessoas ficam só a torrar ao sol, lá se caminha e muito.
O que é certo é que no 4ª dia o desconforto já não existia e senti-me bem e a lição é mesmo essa, sentirmos-nos bem com o corpo que temos. Nessa praia havia bebés, crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhotes. Pessoas como por exemplo com corpos de peles flácidas ou corpos tonificados mas na realidade, o importante era estarmos à vontade e isso todos nós estávamos. A vergonha em estar nu está na nossa cabeça, e foi isso que aprendi e gostei, gostei muito...
Não posso negar que vi corpos que me chamaram a atenção e quando o digo não faço distinção no sexo, apenas eram pessoas que tinham um belo corpo e nada mais que isso. Nem posso negar que o bichinho do nudismo ou naturismo, nem sei bem a diferença, está já dentro de mim.
Foram dias mágicos e com essa lição aprendida, e sabendo o quanto me custa estar com cerca de 12 kg a mais no meu corpo sinto-me mais rico, porque cresci enquanto estava bem...
Curiosidades nessa praia são algumas, desde um jovem casal que deveria de estar era em casa a fazer o que estavam a fazer, pois tocar-se no rabo à frente de crianças a mim não é assim tão normal...outra curiosidade é que essa praia vale por mais que 2 pois quando a maré está baixa, transforma-se em 3 praias, pois dá para contornar umas rochas e numa das pontas temos uma espécie de piscina, na outra, a zona que diria ser gay pois estes meus olhos viram coisas que são um perigo para os menores mas com cuidado todos são felizes por lá, ou melhor, nem todos, pois estava lá um rapaz que sentimos pena dele, ninguém o queria, não para companhia, mas para o que que a vossa mente já está a imaginar. A nostalgia já vive em mim e a saudade veste-se de verde, pois dentro de mim há esperança que um dia volte lá!
E até breve!
(não estranhem a opção de não existir a opção para comentários, na verdade vim aqui escrever para mim, como nos velhos tempos...quem quiser "falar" comigo facilmente o fará!)
E se a Hanna Baker tivesse tido um blogue? Estaria
ela viva, e não teria violentamente cortado a vida de si e abraçado
a morte como se a alternativa fosse essa e apenas essa?
Mas antes de mais, quem era Hanna Baker?
Personagem do livro “13 Reasons Why” de Jay Asher que neste ano surge
em formato de uma série da Netflix. A história dessa miúda de 17
anos aparentemente é simples.
Hanna decide suicidar-se e antes de o fazer grava
13 cassetes, nas quais aponta as razões que a levaram à morte, e as
envia a alguém…
E não querendo escrever nenhum spoiler, apenas
escrevo que a história é dura e triste, como por vezes a vida é e
só quem passa por situações pelas quais a personagem passou é que
poderá tentar entender, até porque acho verdadeiramente ninguém
conseguirá fazê-lo. O que passa dentro da cabeça de alguém, não é um livro aberto aos outros, mas sim um cofre sem direito da código de abertura.
O livro ainda não o li, a série já vi e adorei.
Fez-me recuar no tempo em que não queria sair da cama e ir para a
escola, e porque tinha que ir, ia sempre de mãos dadas com a solidão que ainda hoje é uma das minhas melhores amigas.
Tenho esse ponto em comum com Hanna Baker, mas
tenho mais, mas fico-me por este, porque de uma forma ou de outra,
esse ponto leva a um outro e uma reta surge, e no caso dela, levou-a
um beco sem saída, no meu, a um atalho.
Por vezes em determinadas cenas, ficava com o
coração apertado e por mais parvo que seja, queria apenas lhe dar
um abraço. A solidão é fodida, cola-se a nós, reveste-nos e
protege-nos de uma forma inconcebível para a maioria de nós.
Por causa dela (da solidão) na minha adolescência
ganhei uma concha.Que por acaso fez-me criar este espaço, para não me sentir tão só.
A pergunta que faço no inicio deste post não é
descabida, porque se a Hanna Baker tivesse tido um blogue, acredito
que estaria por cá.
Eu estou, mas não sei bem ao certo se estaria se
não o tivesse criado. Talvez a solidão fosse mais forte que eu, me
levasse a concha e tornando-me num sem abrigo emocional, perdesse o
amor à vida como Hanna perdeu.
Este Oceano é para mim um amigo, mas não fala,
não sente, não sorri nem ri. Não me abraça e muito menos comunica
comigo, mas sempre me ouviu.
E se dizem que a vida só tem sentido
partilhando-a, há mais de 10 anos que o faço aqui, acima de tudo comigo mesmo.
“13 Reasons Why” tão cedo não me saíra da
cabeça, até porque cicatrizes da adolescência muitos de nós
temos. Por vezes as minhas ganham vida, e falam comigo, ouvem-me e
não é bem delas que gostaria um retorno.
Quando acabo um livro e se guardo algo que me fez pensar, o torna especial, mesmo que a história seja simples e banal. E foi o caso com o livro " A Sul da Fronteira, A oeste do sol" do Haruki Murakami.
O livro conta a história do Hajime que enquanto criança cria uma amizade com a Shimamoto, ambos filhos únicos e com um elo de ligação peculiar. Mas porque a vida é feita de ciclos, afastam-se e anos mais tarde voltam a reencontrar-se.
Todas as histórias que li deste escritor têm sempre um mistério a pairar no ar, como se esta nossa vida fosse já por si só monótona, e nada melhor que a adoçar ou apimentar nas doses certas. E neste livro acontece isso mesmo. Mesmo sendo um livro tão leve, o que retive é mesmo o mistério em torno da Shimamoto. O que ficou por contar, faz toda a diferença...
E porque este livro me fez pensar, partilho aqui o motivo: "Às vezes pensava que se pudesse chorar me sentiria mais aliviado. Mas não sabia por que chorar. Por quem chorar. Era demasiado egoísta para chorar pelos outros, demasiado velho para chorar por mim."
Há livros assim, bons! E quanto ao chorar? Faço por mim, pelos outros e pelos animais. Sei que deveria ser ainda mais egoísta, mas no que toca à velhice, não há nada a fazer. A fronteira do tempo não se guia pela rosa dos ventos, e o sol não faz o parar.
Dei-me conta que tenho um grupo selectivo de pessoas que bem poderia fazer parte dum mundo secreto, mundo esse que viveria numa das minhas algibeiras, apenas e porque aparentam ser queridos e fofinhos. Mas verdade seja dita, nem com todos falei, nem com todos estive mais que 1 minuto mas mesmo assim o termo "queridos e fofinhos" é o mais certo.
Falando deles...temos a estrunfina, de cabelo pintado de azul, sempre vestida de preto. Há já algum tempo que não nos cruzamos, mas o que mais me chamou à atenção foi mesmo a cor azul. Uma das vezes, armada em princesa beijei-lhe a mão. Ahhh atenção, a princesa não era eu, poderia era ser um sapo, talvez até seja um...
Depois temos a menina/mulher que sabiamente saber usar os seus melhores atributos e o principal foi mesmo os óculos de massa preta. Não resisto a uns, fico vidrado quando vejo uma mulher bonita, elegante e cheia de charme. Cheguei ao ponto de lhe mostrar fotos da cantora Ingrid Michaelson, e para quê?! Para mostrar que consigo ser um cromo...mas não consigo ser um, sou um e ponto final.
E num abrir e fechar de olhos temos a garota do vestido azul, no meio de uma multidão no Bairro Alto. Eloquentemente passou à minha frente, e mesmo assim chamou-me à atenção. Era bonita? Sim era, e não foi o vestido que a fez vir parar à minha algibeira. Foi a trancinha que magicamente estava no seu cabelo. Os pequenos pormenores por vezes matam-me!
Não pensem que são só mulheres, até porque temos o caso do Clark Kent, sim esse mesmo que por vezes se transforma em Super-homem. Não deve de o ser, mas corpo tem, é grande, e "inchado", e sabe mexer muito bem as ancas quando a música assim exige. Não sei bem em que campeonato joga, mas para estar na minha algibeira, isso não interessa.
Agora que já falei deste meu mundo secreto, já deixou em parte de o ser. Mas tenho que introduzir mais um elemento a este grupo restrito de pessoas queridas e fofinhas e não sendo bem uma pessoa, Groot é um querido e fofinho (personagem do filme Guardiões da Galáxia), que por vezes com mau feitio ganhou um bilhete de ida para dentro da minha algibeira.
E vocês também têm um mundo secreto nas vossas algibeiras?
Estas últimas + que 96 horas têm sido recheadas, repletas de serpentinas que alegram o meu céu, que estando longe da minha boca, me fazem saborear algo tão único, uma vertente do paraíso quando estamos prestes a morrer, condenados a uma vida de algemas feitas de ferro e fogo.
Estes últimos dias, + que 96 horas, foram retalhos de momentos, toques suaves como o veludo, beijos trocados no meio de uma multidão, húmidos de tesão, salivados de prazer e mais que isso, um sentimento que nem o azul das nuvens do meu ego seria capaz de descrever.
Quero mais, quero me encostar contra uma parede, e entre nós estar alguém tão especial que me faz esquecer que não estou sozinho, e quando sei e sinto que não o estou, o resto não importa, mesmo quando me dizem que comigo era toda a noite, quando ela (a noite) já estava mais que destinada, o céu azul, um verão antecipado, suor a escorrer pelos poros, sorrisos entrelaçados e algo tão especial, como se o Rio Tejo, que como maravilha que é, me desse um presente.
E o presente, é o tal azul, a cor que mais gosto, que me faz sentir nas nuvens...
Never Broken” da cantora Jewel foi o livro que
acabei de ler. Uma biografia bem interessante que me empolgou durante
cerca de 3 meses.
Em 1994/1995 Jewel apareceu na minha vida com “Who
will save your soul”, “you were meant for me” e “Foolish
games” do álbum de estreia “Pieces of you” que até hoje é um
dos álbuns que mais gosto de ouvir.
Falando do livro…a Jewel é uma mulher que
começou do nada, vivia no Alasca, nem água canalizada em casa
tinha, e aos 15 anos saiu de casa e acabou por viver no seu carro
durante algum tempo.
No livro fala do pai e da mãe, e enquanto uma
relação foi-se fortificando até aos dias de hoje, a outra
desmoronou-se como se fosse um castelo de cartas.
Eu sempre gostei dela, uma mulher com voz de
menina, doce e frágil mas depois de ter lido o livro comprovei que
há sempre muito mais para ser contado do que o que sabemos pela
comunicação social.
Há vários contornos da sua vida bastantes
curiosos, desde a relação com Sean Penn antes de ser conhecida até
ao interesse do Bob Dylan por ela por causa das suas canções e a forma
como as escrevia.
Agora entendo o porquê das mudanças que a Jewel
teve ao longo da sua vida, e claro que falo em termos musicais, desde
o pop ao country, passando por álbuns de Natal (que adoro!) e
canções de embalar, sem esquecer os livros.
Sempre pensei que ela e a mãe tivessem uma
relação forte, até diria intima mas na verdade a Jewel sofreu
muito por causa do carácter negro da sua mãe, e acabou por ficar na
bancarrota por culpa dela. Há anos que já não faz parte da sua
vida.
Até hoje ela sente falta da mãe, não da que lhe
deu a vida mas de uma mãe, a que faz justiça ao nome MÃE.
Após vários álbuns editados, e alguns livros
publicados (um deles adoro e faz parte deste Oceano “A Night
without Armour” pois já aqui deixei alguns quando criei este
espaço) esta mulher fará sempre parte da minha vida, de uma fase em
que tinha os meus 17/18 anos, foi ela que me fez gostar da
simplicidade das canções, da nudez que os acordes da guitarra por
vezes despem e acima de tudo fez-me companhia quando não tinha
ninguém com que falar. Por vezes ainda sinto essa solidão. Por vezes sinto a vida como a Economia, vivemos de ciclos
e nada mais que isso.
No livro, magnificamente escrito, a Jewel no final
faz referência a uma série de particularidades, algumas do senso
comum outras nem por isso.
Numa dessas passagens Jewel diz:
“Spend time in silence. Take time to get to know yourself and your
genius in stillness. This also lets your soul speak. Its voice is
quiet and you must choose to turn an ear to it. Any endeavor in your
life, be it creative, business, or personal, will benefit from
spending time alone and exploring your own thoughts, ideas, and
dreams.”
Ainda dizem que a nossa vida dava um filme, e
claro que sim, e como sabemos há vidas em livros e este é um dos
casos, se bem que muito ficou por contar…e para fechar este post
deixo as seguintes palavras da Jewel “A heart can break only if it
is closed- if it remains open there is nothing to break”.