sábado, novembro 21, 2009
Talvez
But I will, I will, I will"
Mais palavras para quê...um talvez aqui neste oceano tem toda a razão de ser. Não quero escrever as palavras "FIM" porque o fim só acontecerá quando já cá não estiver.
sábado, novembro 14, 2009
Fogo
Sinto-me a arder, e não é por uma nobre causa, não é por ti nem por ninguém. Quero ver as minhas pegadas tatuadas no chão, só não sei se as vou querer ver passado uns dias, semanas, meses...
Sinto-me a arder, como sempre me senti quando vi os anos que me esperam, e os vi como as folhas de um caderno perdido algures, sem dono, sem ninguém que escrevesse nele.
Sinto-me a arder...Queria que fosse por paixão, por beijos levados pelo vento e mais tarde recebidos por alguém. Não gosto de mim, e daí ser impossível de gostar de alguém.
Sinto-me a arder, bem que poderia beber veneno acompanhado por vinho...e a tua boca era o poço da vida...
(Resolvi escrever um pouco, talvez por causa da junção de tanta coisa, mas no fundo as cinzas dizem mais do que possam imaginar e vou pegar numa vassoura e guardar as que restam neste chão em que piso todos dos dias.)
terça-feira, outubro 06, 2009
Ciao Paris Away We Go
Se estivesse nos meus dias, o que aqui deixo (uns trailers...) daria-me mil e uma razões (fora as outras) para voltar a pegar na minha história (que semana após semana está mais esquecida que as promessas dos políticos) e vir aqui e com poucas palavras escrever montanhas russas de palavras que nem sempre quem as lê pesca os peixes que por lá nadam...
Ciao Paris Away We Go...quem pensou que a razão da minha ausência era ter estado uns tempo em Paris errou (até que não me importava de lá ir..nunca vi Paris de noite!). Ciao, Paris e Away We Go são filmes que estava curioso de os ver, e gostei dos 3, posso dizer que todos eles têm aquilo que me faz apaixonar...o lado humano das pessoas. Enquanto "Ciao" vai por caminhos simplistas, e "Away We Go" mostra o percurso de um peculiar casal, "Paris" é o típico filme de me deixar KO...mosaico humano...mas todos eles o são...fiquei de alma lavada quando os vi, senti-me inspirado a cá vir, mas certamente não seria isto que escreveria se estivesse nos dias em que as palavras eram as minhas melhores amigas. Espero que gostem dos trailers e mais que isso...que vejam os filmes...
sábado, setembro 12, 2009
Algodão Doce

Nos teus beijos de algodão doce, meus lábios sorveriam o açúcar que deles gotejaria e pelo teu pescoço, minhas mãos o percorriam até chegar ao teu coração.
Sinto o teu corpo contra o meu, como se ele fosse a minha alma quando fecho os olhos e sonho…
Nos teus beijos de algodão doce, a tua cadência embrenhasse na minha…o compasso de espera não seria uma dança a sós, nem a tua voz soaria a falso, pois o trompete neste momento diz-me que afinal se as tais nuvens cor-de-rosa que me fazem lembrar o algodão doce existem é por alguma razão.
Não me sinto nas nuvens, mas sei que esse sentimento não é descabido…shiiiiiuuuuu não digas nada agora, ouve apenas…Vem cá…quero os teus beijos de algodão de doce, só assim estarei nas nuvens…e a cor é o menos!
(este texto é o resultado da música "Islands blues" de Koop...é uma mistura de Jazz com não sei mais o quê, mas é uma música que me seduz sempre que a ouço e nada melhor que um beijo imaginário para a acompanhar, já que um beijo real é ficção)
sábado, setembro 05, 2009
Ácido

A tua voz é ácido que se infiltra nas paredes dos meus ouvidos. Os tímpanos ficam inundados duma seiva que não resulta em folhas de papel, mas mesmo assim deixa escrever em mim padrões melódicos, sons e lacunas preenchidas de gatafunhos sonantes…o tempo é capaz de curar feridas abertas e porque é que teimamos tapá-las com pensos rápidos?
A tua voz continua a ser o ácido que desfaz o entulho, liberta a liberdade encafuada em fados de outros tempos e abre a sala de dança para os pins e pons electrónicos que juntamente com as elogias mundanas fazem do nosso dia o triunfo duma vida…e devemos querer sempre mais…mas nunca nos contentamos com o que temos.
A tua voz felizmente é ácido e é dele que preciso…desfaz-me nos teus lábios e leva-me contigo até onde a tua voz consiga ir…não me importo com gritos, desde que a ouça, é sinal que o ácido não acabou…conta-me coisas...e de mim espero poder dar o ácido que dizem que tenho, mas que recuso aceitá-lo.
domingo, agosto 30, 2009
The Informers
Porque acredito que nesta sociedade, vidas se cruzam, e por isso estamos todos ligados, filmes como Crash e Magnolia fazem parte do leque de filmes que gosto, aprecio, dizem-me muito, fazem-me pensar na vida e blah blah blah o resto é fácil de imaginar.Há um escritor controverso que eu adoro chamado Bret Easton Ellis, e se não estou em erro com The Informers fica a faltar "Glamorama" e "Lunar Park" serem adaptados. Apenas não vi "Less Than Zero"..."American Psycho" foi um filme que é o que é e nem comento, e quanto a "The Rules of Attraction" apesar do filme ser +/- prefiro o livro, até já o li pelo menos 3 vezes, talvez porque na altura não sabia bem o que era a atracção por alguém. Hoje sei, e mesmo assim fico por vezes tentado a reler o livro mais uma vez. A obra deste escritor não a posso recomendar a ninguém por várias razões, a escrita é corrosiva, negra, confusa, um pouco exagerada, mas a realidade por vezes não é assim?
Posso dizer que com "The Informers" a tal lista de filmes com a fórmula de vidas que se cruzam aumentou. Adorei o filme, apesar de que no livro o que é escrito é em forma de pequenas histórias, eles optaram por pegar em algumas e fazer um filme...e que filme.
O filme desenrolasse em 1983 e a imagem que o Bret Easton Ellis tem a sociedade está lá espelhada. É certo que nessa altura o mundo era uma concha bem diferente da actual e as pérolas de outros tempos agora são simples rascunhos escritos por quem vive correndo todos os riscos. Não querendo falar em demasia da história, o filme mostra o que é o amor, a droga, os vícios, a ambição, a falta de coerência, e em que por vezes tudo vale e a falta de valores acaba por ser uma arma mortal...afinal de contas era o ano de 1983 em que a vida pedia que fosse vivida a todo o gás e como diz uma das personagens (o actor em causa morreu recentemente se não estou em erro) há coisas que uma pessoa tem que estar disposta a fazer para subir na vida...se pensarmos bem, quem viu ou irá ver o filme, há coisas que não mudam...o amor continua a ser amor, a droga mantém-se infiltrada nas veias da sociedade, os vícios facilmente são camuflados, a ambição justifica os meios, e a falta de coerência é o prato do dia, e quem tem fome acaba por comer.
Adorei o filme por muitas razões...deixo o trailer e espero que gostem, o elenco é do melhor, e se não estou em erro a cena final é como uma porta aberta para uma outra realidade...sobre essa mesma cena, fui ao livro que há uns anos não abria encontrar essa história. Ela estava lá, e na altura em que a li não percebi o sentido...o filme fecha com uma chave de ouro a meu ver. Mas é a minha humilde opinião sobre um filme que acredito que grande parte das pessoas não irá gostar.
Quem puder ver o filme, veja e corra o risco de no final pensar que é o filme banal, um pouco frio e blah blah blah...nos dias que correm o blah blah blah é o mais fácil de se escrever. Fico por aqui!
(Estou ainda a ver se consigo organizar as minhas ideias de modo a que consiga comentar com cabeça os textos que tenho lido nos blogs que visito. Sei que estou em falta mas por mais que queira escrever é complicado.)
domingo, agosto 23, 2009
Marion Cotillard

Aproveito para partilhar aqui um filme que já há uns anos com ela e com um outro actor francês que também gosto muito (que por sinal é o marido da Marion). "Jeux D'enfant" foi uma surpresa e foi aí que descobri uma excelente actriz chamada de Marion Cotillard. Este filme tem um pouco de tudo, comédia, romance, drama e um final que é daqueles que faz abrir brechas...e mais não digo. Adorei!
sábado, agosto 22, 2009
Espaços Vazios
Quantas vezes sinto-me como um espaço vazio e nada faço para o ver preenchido.
Quantas vezes sei que a culpa é minha, esqueço-me que há um mundo lá fora, e fico no meu, à espera que o fim do mundo aconteça. Assim tudo ficaria resolvido, não precisaria de procurar uma agulha num palheiro nem teria que disfarçar o que sinto. E quem julga que o que sinto é o que alguns sentem, estão enganados, sou especial, tenho que pensar desta forma, só assim faz sentido o beco sem saída em que me vejo quando paro para pensar e por vezes o faço. Resta-me a migalha que consigo agarrar quando estou demasiado ocupado para me desligar do que sinto.
Quantas vezes depois das férias tenho forças para aos poucos e poucos fazer a diferença no meu quotidiano, e com o passar do tempo, cruzo os braços e vejo a vida a passar. No fundo não devo querer o mesmo que os outros têm, ou o que aparentemente os outros querem e têm ou julgam ter…acredito que nem tudo o que se vê é a realidade de quem sente.
Quantas vezes o meu coração fica apertado dentro do meu corpo apesar do espaço em branco e vazio.
Quantas vezes já tentei afastar de mim pensamentos que adormecem em mim e não os consigo acordar. Quantas vezes esqueço-me de que há sonhos que vale a pena dar-lhe pernas para andar, mas esqueço-os…é a forma como vejo as coisas, quando vejo a realidade pintada com cores reais e não com as que gostaria que fossem.
Nas férias esqueci-me do espaço vazio que sinto dentro de mim. Já contava com isso, e ainda tive direito a uma miragem, um sorriso e um aceno de cabeça que me fez duvidar da minha capacidade de bom observador. Nada muda quando deveria, é como se um choque em cadeia pudesse fazer a diferença na monotonia que é o desenrolar duma vida.
Por vezes quero ir para lugares desconhecidos, mas grande parte do tempo prefiro ficar onde estou, senti-me agasalhado, não corro o risco de sentir frio e fome, mas acabo por sentir o frio da alma e a fome do coração. Que se lixe o lixo que entulha os pensamentos.
quarta-feira, agosto 19, 2009
Indignação
O que aqui escrevo aconteceu eram cerca da 1 e pouca da madrugada do dia 13, tinha eu acabado de regressar ao continente. A viagem de avião foi complicada porque o avião ficou sem gerador e o resultado foi um atraso de quase 1 hora, e tanto eu como os restantes passageiros sofremos com o calor dentro do avião. Sem gerador não havia nada para ninguém...mas tudo se resolveu.
Quando saí do aeroporto para apanhar um táxi pensava eu que o meu regresso à minha terra seria calmo. Ainda tinha pela frente uma viagem de carro de cerca de 1 hora e meia, e porque tinha que ir buscar o carro ao aeroporto militar em Figo Maduro (não sou militar caso fiquem a pensar...) entrei no táxi e disse que era para ir para esse sítio que pelos vistos os taxistas de Lisboa não gostam muito. Talvez tenham algum problema com militares e dão apenas a desculpa que a "corrida" é curta.
Saímos da zona do aeroporto civil e não foi preciso muito para o taxista começar a discutir comigo. Como sou bem educado, disse que compreendia que era aborrecido apanhar uma seca de 2 horas à espera de clientes, e aparecer um que quer ir para o aeroporto militar (paguei 7 euros mas não devia ter pago um chavo!!!! já vão perceber a razão) que o dinheiro que fariam é pouco. Tentei mostrar-lhe compaixão mas o homem estava para implicar. Como não é a primeira vez que esse tipo de discussão acontece, disse-lhe isso, e aí ele veio com a história de que quando se vai a um restaurante e se é mal servido nunca mais lá se volta. Mas ele não tem um táxi para prestar um serviço? Se não queria levar-me aonde eu queria que mude de profissão!
Depois disse-me que eu devia ter ido apanhar o táxi na zona das partidas! Que ridículo, isso tem alguma lógica?! Disse-lhe que também eu tinha apanhado uma seca de viagem, que ainda tinha que ir buscar o carro e fazer uma viagem longa. Depois veio com a sugestão de deixar o carro no aeroporto, e eu disse-lhe quem é que pagaria por isso? Claro que não era ele.
Estávamos prestes a chegar à porta de armas do aeroporto militar e disse-lhe que se para o ano fosse à minha terra, que voltaria a apanhar um táxi no mesmo local. ou seja, o correcto. Tínhamos chegado, parou o carro bruscamente, disse-me que eram 7 euros, tirou a mala do porta bagagens, paguei-lhe, e ele ao entrar no carro disse que esperava que eu tivesse um acidente de carro e que morresse. Fiquem sem pinga de sangue porque nunca na vida ninguém me tinha rogado uma praga. Respondi-lhe "igualmente" (senti-me mal por ter dito isso mas já me disseram que é normal). Depois de arrancar ainda gritou em plenos pulmões umas barbaridades que associei ao facto de ele pensar que eu faria parte da forças armadas.
Infelizmente não apontei a matricula do carro, de qualquer forma faço questão de comunicar o acontecido ao sindicato dos taxistas, é que por uns pagam os outros. Não vai servir de nada, mas ao menos fico de consciência tranquila.
Fiquei com medo de pegar no carro, que não era meu, e era a segunda vez que o conduzia. Todo o caminho até casa o que ele me disse não me saía da cabeça. Fiquei e estou indignado porque esse senhor não fez mais que a sua obrigação. Tentei ser compreensivo e levei em troca um desejo mórbido da parte dele. Só espero que o feitiço não se vire contra o feiticeiro, porque nesse caso a tal frase de quem ri por último ri melhor não fará parte da legenda do que eu possa sentir.
Abomino esse tipo de comportamentos.
quinta-feira, julho 30, 2009
Ninho de Borboletas

Ultimamente não tenho conseguido fazer uma das coisas que mais me dá prazer...escrever. Tenho deixado de lado o blog. Há correntes que me prendem os braços, as pernas, que entalam as palavras nas portas que quero abrir e não consigo...já tentei as janelas, mas elas são cortinas de ferro, em que o invisível é o que mais se vê e ninguém o sente...eu sinto. Tenho o sentido e muito.
Estou prestes a ir de férias...deveria estar a transbordar de alegria e entusiasmo, mas não estou, já me passou pela cabeça desistir da viagem e enfiar-me no meu mundo. Acredito que neste momento devo contrariar esse meu estado de espírito. Espero que quando sair do avião e sentir as minhas raízes a ganharem vida fique ao menos mais tranquilo, porque o coração não vai deixar de bombar sangue pelas veias, e tenho que saber aproveitar os momentos que estão para vir.
Não sei porque funciono desta forma, como uma máquina que tem dias que deveria ir para uma reparação a fundo. Mas não sou, e tenho que me conformar.
Não sei quando voltarei a este espaço, mas espero que quando vier que não seja para falar das borboletas que não param de agitar as asas. E quando o regresso já fizer parte da rotina, espero retomar as visitas aos vossos blogs.
Até daqui a umas semanas :-)
sexta-feira, julho 17, 2009
Sexo Oral
Primeiro a tua língua molha o meu
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor.
Este poema da Inês Pedrosa tem a sua razão de ser. Há algumas semanas atrás, estava eu de regresso ao trabalho, era quase meio-dia e a vontade de trabalhar era pouca. Digamos que a vida está sempre a nos surpreender...não tenho o hábito de falar com Deus, mas quando falo faço questão de lhe perguntar o que realmente me está na alma. E foi o caso. E até pode ser uma contradição esse meu tipo de conversa para algumas pessoas, mas confesso, perco algum do meu tempo, segundos infinitos a tentar encontrar respostas para perguntas que a mim não são descabidas. E penso que para Ele também não o são.
Com as mãos coladas ao volante perguntei-lhe porque porque razão é que eu estando entupido de amor não consigo ver-me livre dele, o amor que sinto, e me entope dia após dia e faço de conta que não se passa nada.
Passados uns segundos, ouvia na rádio Antena 3 (a rádio da minha eleição) uma das locutoras a declamar (e bem) o poema da Inês Pedrosa "Sexo Oral" (não conhecia) e creio que a resposta me foi dada. O amor tem muito que se lhe diga , eu sinto-o, mas não consigo deformá-lo nas formas que eu quero. Há dias que leio vezes sem esse poema, como se fosse uma das música da banda sonora do momento. Mas o momento que vivo pouco ou nada tem a ver com esse tipo de sentimento, em que a oralidade crava as garras no sexo e faz dele um transporte para explodir o que se sente. Sinto muita coisa e não há nada que o faça real. Um sonho, um pesadelo, a vida de outra pessoa que não a minha. Daqui a 2 semanas vêm as férias...será que as vou ter? Depois Setembro...e aí não sei como vou sentir-me...já me sinto um peixe fora de água, e não há aquário capaz de suportar o meu peso!!!
segunda-feira, junho 22, 2009
II Pause
Tenho que fazer uma pausa neste blog.Não sei se é de apenas de um ou dois dias, mas há já alguns que não escrevo nada, não é que não tenha nada para escrever, até tenho.
Que a imagem fale por si.
Cada um pode tirar a conclusão que quiser, mas forçar o que não deve ser forçado só dá maus resultados, e este oceano...digamos que é uma praia interdita a mim próprio...não a quero sujar, nem encher de entulho.
Mas tentarei fazer os possíveis para ir acompanhando os blogs que visito :-)
Até já!
sexta-feira, junho 12, 2009
S3X Na Concha
Your sex is on fireConsumed
With what's just transpired
As últimas horas voltaram a ser o que chamo de desafio ao desalento, porque sei quem sou, sei o que quero, e o que não quero, e o grande problema é quando pressinto que o que está para vir é mais do mesmo...uma quantidade avassaladora de feromônios prestes a serem mais fortes que eu. E o resultado é o mesmo de sempre, fico entupido de desejos, e esqueço-me de os libertar.
Sinto-me oco e vazio, e a culpa não é de ninguém, apenas minha porque a concha em que vivo, com o passar dos dias e dos anos está a ficar pequena, e todos os dias pergunto-me "como será o dia de amanhã?". E honestamente não sei, e tenho receio da resposta!
domingo, junho 07, 2009
Regina (E não estou a referir-me aos chocolates!)
Em parte a Regina Spektor faz algumas dessas perguntas...gosto da diferença nas pessoas, gosto da que vejo e ouço nela, e pensando eu que sou diferente, talvez me esteja a enganar-me todos os dias, talvez eu seja igual a ti, ao teu vizinho e ao teu melhor amigo, talvez eu pense que sou daquelas peças que não encaixa em nenhuma outra, talvez não seja bem assim, talvez até seja...talvez Deus neste momento esteja a rir-se de mim, mas porque ninguém se ri dele, vou parar agora, porque o tal sinal vermelho está à minha frente, e mesmo sem sol, o brilho que sai de lá está-me a ofuscar a vista. Será que devo temer a expulsão do paraíso? Que nada, o paraíso não é aqui, mas será que há um?
sexta-feira, junho 05, 2009
De volta à Terapia
Estou de volta à terapia, não é a minha, mas se há uns meses fiquei vidrado em "In Treatment" agora que já vi o primeiro episódio da 2ª temporada, acho que a parte de uma boa conversa veio à baila. Esta é daquelas séries que sugiro a quem gosta de conversar, e não são conversas da treta. Quantas vezes os problemas dos outros não são parecidos com os nossos? Não sendo o meu caso, eu não resisti e fiz deste meu texto um dois em um, é que estando eu de volta à terapia, faço questão de deixar aqui uma pequena mostra do que é "In treatment".
sexta-feira, maio 29, 2009
Heart Explosion...Oh Yeah!!!!
"When your heart explodes is it deathly cold?There is a magic world parallel
so leave your daily hell"
São palavras da Tori Amos, do novo album "Abnormally Attacted To Sin" e sendo um álbum que à partida foi uma desilusão, aos poucos e poucos entendi a visão que ela queria transmitir. Não é o seu melhor album, longe disso, mas já tenho uma mão cheia de músicas que não me canso de ouvir.
Porque o exerto que aqui deixo fala de uma explosão, se é passional ou não, se é passageira ou permanente não sei...talvez tenha que dar mais atenção ao motivo porque é que uma música me diz tanto, é que há razões lógicas, sentimentos inexplicáveis, motivos desfigurados, paixões descabidas, momentos com prazo de validade, vidas que se cruzam...e como diz a Tori Amos, se há um mundo mágico paralelo ao nosso, talvez tenha mesmo que deixar de lado o inferno do quotidiano (se é que ele existe na realidade, não dizem que há coisas que ardem e não se vêm?) sem querer dramatizar o que não é palco desse efeito, acho que preciso mesmo duma explosão, se for do coração, que seja, desde que seja uma...
terça-feira, maio 26, 2009
Back To The 90's
Essa década passou, está quase no fim...afinal ainda não me apaixonei, e duvido que isso aconteça. Talvez no fundo do meu ser eu não queira...mas se acontecer é porque distraí-me, só pode...
Anos 90?! Por causa do dia de hoje, lembrei-me desta música..."Hearts are broken everyday" diz a Jewel...o meu continua intacto, mas ganho alguma coisa com isso? Não sendo uma questão de ganhos ou percas, também não fico a dever nada a ninguém.
sábado, maio 23, 2009
A Gota de Água?
Será que o ser humano tem a capacidade de sentir que o que está para vir é a gota de água? Aquela que todos dizem "é a gota de água" e tudo o que faz parte do futuro é como se fosse o palhaço triste dum circo que já teve melhores dias?Será que por mais extenso que seja um oceano, uma gota de água fará alguma diferença? Será que o impacto dela na água irá causar ondas e mais ondas como se um lençol translúcido fosse o escudo protector que ao longo de anos foi a casa de alguém?
Será que vale a pena pegar no que sentimos, e fazer disso a nossa libertação? Será que vale mesmo a pena? Não dizem que os actos dos outros acabam por ser o reflexo dos nossos? Será que é assim que as coisas funcionam? Será que estou a perder o meu precioso tempo a questionar o que não é questionável? Será que na minha realidade há alguma coisa que possa dizer que é precioso? O meu amor? Dahhhh serei eu egoísta ao ponto de não o querer partilhar? Será que o que tenho dentro de mim é um zero à direita da vírgula? Será que tem algum sentido as consequências do passado, quando no presente todos fogem delas e o futuro é um buraco negro onde a ficção é o tubo de escape da nossa nave? Ops da minha nave?
Será que é mesmo a gota de água que está na próxima página? Não queria pensar nisso, mas tudo indica que sim, aliás, fecho-me em copas, e o baralho tem não sei quantas mais cartas...eu até era bom a matemática!
sexta-feira, maio 22, 2009
Timidez Vs Eles estão de volta!
A minha timidez não é um defeito, é apenas a forma que eu arranjei ao longo de 30 anos me proteger das intempéries que a vida tem. Não gosto delas, não quero saber delas, não me dão nada. Acabo sempre por dar a elas parte de mim. Muitas vezes nem sou eu o centro dos movimentos ondulatórios que convergem para um único sentido, e eu mesmo sabendo que faço parte das ramificações, fico no meu lugar, o mesmo de sempre, como se eu fosse um espectador de extrema importância. Esqueço-me que também eu estou a viver, e não deveria apenas ver os outros a fazerem o mesmo que eu.
Dizia eu que estava diferente, eu até posso estar, eu até mostrei partes de mim que nunca na vida pensei o fazer, eu até já vi coisas que julgava serem ficção, eu até já desci quase ao fundo do poço e esqueci-me que há sempre duas vias, há sempre o bem e o mal. Optei pela neutralidade, aquela que me faz constantemente ser o espectador e não o interveniente.
Há alguns dias alguém me disse aonde é que estava a minha nave, e passado alguns dias, percebo ainda melhor a ideia que algumas pessoas (senão grande parte) têm de mim. Basicamente a teoria da bola de neve tem a sua razão de ser...vejamos...se a transpormos a bola de neve não no contexto de vários acontecimentos mas de sentimentos as coisas até que ficam mais claras. É nesse virar de página que estou entalado.
Ah é verdade...I have a new best friend!!!! Uma afta na ponta da língua...castigo de Deus? Não é...não peco em actos, apenas nos pensamentos.
Ps- E por falar em naves, eles estão de volta...se não sabem, os lagartos dos anos 80 voltam a atacar a planeta Terra em 2010...quem é que não se lembra de "V" eu lembro-me...e a nova versão tem uma mais valia...a actriz Elizabeth Mitchel (a.k.a. Juliet Burke de Lost...é daquelas mulheres em que a sua beleza é um palco onde gostaria de estar bem perto...e gostos não se discutem...).
Certamente as diferenças serão notórias...


domingo, maio 17, 2009
True Blood







sábado, maio 16, 2009
A Minha Primeira Vez
Após ter queimado não sei quantos neurónios depois de ter visto a final da 5ª temporada de Lost, estava ansioso por ver o final da 5ª temporada de Grey's Anatomy. Após 1 hora e vinte e poucos minutos, não aguentei, as lágrimas vieram-me aos olhos...a minha primeira vez. (chorar a ver uma série de televisão!!!)..que ridículo, estar a ver uma série de televisão, e não aguentar com a onda de sentimentos...por vezes a tristeza que as imagens têm podem causar danos colaterais, que não se contam com eles, e eu já sabia que numa das cenas a surpresa não teria impacto. Sou perspicaz, e até numa série consigo ser, mas por mais surpresas que estejam reservadas na vida, por mais reviravoltas que possam acontecer na ficção, eu não contava ter a reacção que tive. Será que quer dizer alguma coisa? Não me interessa, se faço figura triste em escrever estas palavras, que seja...enquanto as lágrimas me caiam pela cara abaixo, retirei o DVD do leitor, guardei-o na caixa, fui até ao meu quarto, procurei o álbum da SIA, abri o leitor de cd's, e ouvi "Breath Me" e chorei durante mais 2 minutos a tal...foi a forma que consegui para aproveitar as lágrimas, chorei pelo o que vi e pelo o que senti.
Eu ainda não tive a oportunidade de dizer a alguém "amo-te" mas como dizia a Meredith, tem toda a razão de ser, deixamos passar as oportunidades, e elas não esperam por nós, e neste momento vejo uma porta dum elevador a abrir, dum lado uma mulher vestida para um baile, do outro lado um homem fardado, e o meu coração faz bump bump bump sempre que penso nisso. Vá lá, a ficção vez-me chorar graças à final da 5ª temporada de Grey's Anatomy, enquanto a realidade faz-me ser forte como um murro no estômago.


quinta-feira, maio 14, 2009
quarta-feira, maio 06, 2009
"A Vida Depois de Deus" VIII - Urânio Empobrecido
Senti-me como se estivesse a viver a vida de outra pessoa. Estava a começar a ver-me como uma pessoa dentro de uma história pela primeira vez há muitos anos. Quase nem me apetecia dormir nessa noite, pois não queria que essa sensação se desvanecesse. Na realidade, sentia-me tão diferente que, pela primeira noite em muitos meses, decidi não tomar as pilulazinhas amarelas.
Dormi profundamente, a noite inteira, a concentração de pílulas amarelas no meu sangue diminuiu, miligrama a miligrama, como o urânio empobrecido.
sexta-feira, maio 01, 2009
A Vida Depois de Deus - Sem Aspas
Acabei por entrar num edifício. Era o que mais próximo tinha dum lar. A luz infiltrava-se em tudo o que era espaço, e o vazio estava manchado de cores com várias tonalidades de gemas de ovos. Senti o calor, mas a ferocidade do que ia dentro de mim era mais forte que eu, estava em chamas sem labaredas à vista. Tinha uma âncora pronta a encontrar um cais, mas só via mar, nada mais que água…nenhum porto de abrigo onde atracar.
Entrei num quarto, pensava que era o meu. Deitei-me na cama que lá estava, como se fosse uma criança que tivesse sido contemplada com um castigo. Dispensava sentir a dor que me trespassava como um espinho duma rosa…foi quando tu entraste no quarto, e trazias contigo algo que não me recordo bem o que era, que deixei de me sentir atrofiado. Talvez fosse um livro, um álbum de fotografias, uma revista, um livro de banda desenhada. Fiz tudo por tudo para me lembrar, mas acabo sempre por ter “brancas” como a neve…
…fizeste-me sorrir, não sei se foram as tuas palavras, ou se era por causa do que estávamos a ler e a ver. Por estarmos juntos, deitados…parecia que nada mais importava além da nossa atracção um pelo outro. À medida que folheavas o livro, (nem sei o que chamar aquilo) ouvia os passos das pessoas que freneticamente cirandavam dum lado para o outro. O som das páginas a serem viradas, não ficaram a sós com o silêncio. As solas dos sapatos dessas mesmas pessoas chiavam no linóleo encerado como travões a precisarem de uma pequena manutenção.
Com um gesto meu, o descuido que à partida nada quereria dizer, despoletou o que chamo de “o princípio do fim” fim esse que não o vivi, muito menos o senti. Sem querer toquei-te no cabelo. Se era castanho claro, loiro, ou castanho-escuro não sei. A intensidade da luz do sol era tanta, que as cores ganharem colorações que não eram as reais. Com o atrevimento que julgava não ter, fui entrelaçando fios do teu cabelo nos meus dedos. Não sei quantas voltas e reviravoltas eles deram, sei que passado uns segundos (que bem podiam ter durado uma eternidade) despertei do estado de transe em que estava mergulhado dos pés à cabeça. Remeti-me para o meu “galho”. Não dizem que cada macaco deve ficar no seu galho? Foi o que pensei, e pensei mal…talvez por sentires que me estava a afastar de ti, deslizaste o teu corpo contra o meu. Voltei a entrelaçar os dedos no teu cabelo…e como um bom ciclo vicioso, deixaste de lado o livro, e eu deixei em paz o teu cabelo. Olhaste para mim com uns olhos que estão a mil anos-luz de os recordar, e eu para ti olhei…caminhamos para o beijo…
Agora pergunto-me aonde é que estás, porque o púlpito já não tem público, a cama está vazia e não tenho o tal livro comigo…
Quando acordei do sonho, senti-me em paz. Não preciso de muito para me sentir assim. Fiquei com a seguinte pergunta no ar: Até aonde o caminho nos levaria?
Continuo a não saber quem tu és…Porque há músicas que fazem todo o sentido...
quinta-feira, abril 30, 2009
"A Vida Depois de Deus" VII - A Pessoa Certa
- O que é lhe parece que eu sou agora? Por favor, é tudo o que quero saber.
Talvez achem que o que eu preciso é de me apaixonar e que talvez nunca tenha conhecido a pessoa certa. Ou talvez nunca tenha percebido exactamente o que quero da vida enquanto o relógio vai dando horas.
Qualquer coisa.
Tal como a maior parte das pessoas, fui ao fundo algumas vezes: em quartos de motel, por exemplo, deitado ao lado de corpos nus em cidades de que não me lembro o nome, olhando para telefones sem ninguém a quem ligar. E também me deixei prender algumas vezes e nisso perdi meses e anos, mas acho que me safei com as células cinzentas intactas. E, afinal, o que é que isso interessa?
(É o penúltimo excerto do livro "A Vida Depois de Deus" do Douglas Coupland. que aqui vou deixar...apesar deste excerto me dizer alguma coisa, fica de fora os quartos de motel, e os corpos nus nas cidades que pelos vistos a personagem não sabia. Quem me conhece minimamente sabe que eu encontro nos acasos da vida, ligações para tudo e mais alguma coisa. A razão que me levou a pegar neste livro está bem viva dentro de mim, não é que esteja a querer procurar ligações em algo que não tem nada a ver, é que tem mesmo...)
quarta-feira, abril 29, 2009
"A Vida Depois de Deus" VI - A Paisagem
Há tantas coisas que vocês não sabem de mim, coisas que não vos disse...Por exemplo, que tenho família, que acho que Deus existe, que já fui criança, que me apaixonei duas vezes e que nenhuma delas durou. Mas, afinal que interessa isto tudo quando se acaba sozinho? O que é a nossa memória? O que é a nossa história? Até que ponto uma parte de nós é paisagem e até que ponto fazemos parte dela?
(Porque hoje é um dia não, este excerto vem mesmo a calhar. A minha memória é sacaninha quando faz com que o que veja e sinta seja apenas uma mera paisagem sem direito a miragem...)
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sexta-feira, abril 24, 2009
"A Vida Depois de Deus" V - O Tempo que Passou
(Mais um excerto do livro "A Vida Depois de Deus", talvez o último. Apesar de ser pequeno, este excerto diz-me muito porque tenho dias que não sei como é que fui capaz de deixar o tempo passar por mim...)
domingo, abril 19, 2009
"A Vida Depois de Deus" IV - Os Medos
Ora eu sou uma pessoa afectuosa, mas custa-me muito mostrá-lo.
Quando era mais novo, costumava preocupar-me muito a ideia de ficar só, de ninguém me amar ou de ser incapaz de amor. À medida que os anos foram passando, as minhas preocupações mudaram. Passei a temer ter-me tornado incapaz de uma relação, de oferecer intimidade. Sentia-me como se o mundo vivesse dentro de uma casa confortável à noite e eu estivesse cá fora, e ninguém me visse por estar cá fora de noite. Mas agora estou dentro da casa e sinto-me precisamente na mesma.
Aqui sozinho, agora, todos os meus medos irrompem, os medos que julguei enterrar para sempre quando me casei: medo da solidão; medo de que estar sempre a apaixonar-me e a desapaixonar-me tornasse mais difícil amar; medo de nunca sentir o verdadeiro amor; medo que alguém se apaixonasse por mim, ficasse extremamente próximo, a saber tudo de mim, e depois desligasse a ficha; medo de que o amor só fosse importante até certo ponto depois do qual tudo é negociável.
Durante muitos anos, vivi uma vida solitária e achava a vida boa. Mas sabia que se não explorasse a intimidade e partilhasse a intimidade com mais alguém, a vida nunca iria além de certo ponto. Lembro-me de pensar que, se não soubesse o que ia dentro de outra cabeça além da minha, ia explodir.
O telefone toca. É ela. Conto-lhe uma ideia que tive. Digo-lhe como é estranho estarmos presos dentro dos nossos corpos durante setenta anos e não podermos, em todo esse tempo, nem uma vez, digamos, estacionar os nossos corpos numa caverna por um intervalo de cinco minutos e flutuar, livres dos laços da Terra. Depois conto-lhe os medos que tinha há anos. Conto-lhe que pensava que a intimidade com outra alma era o mais próximo com sair do meu corpo que podia alcançar.
Ela pergunta, mas alguma vez fomos íntimos? Até onde fomos íntimos? Claro que havia as habituais familiaridades – os nossos corpos, as nossas descargas corporais, máculas, excreções, um saber enciclopédico dos grunhidos normais do outro, o conhecimento das fraquezas primárias do outro, os nossos pecadilhos alimentares, os nossos estilos de mudar de canal com o telecomando. E no entanto…
E no entanto?
E no entanto, no fundo, ter-nos-emos alguma vez dado completamente um ao outro? Saberá algum de nós como é realmente partilhar-se? Imagina que a casa está a arder e eu vou salvar uma coisa: qual é? Sabes? Imagina que estou a afundar-me e procuro dentro de mim, para a salvar, aquela recordação que sou eu: qual é? Sabes? Que coisas ia cada um de nós buscar? Não sabemos. Passados todos estes anos, não sabemos.
(Outro excerto do livro "A Vida Depois de Deus" e por mais palavras que se possam encaixar na minha pessoa, no que sinto e no que tenho a dizer, fico-me mesmo pelo medo, é que ele anda aonde menos espero e quando dou pela presença dele, só tenho vontade de fechar a porta na sua cara, e nem sempre a boa educação tem ao frutos desejados. Shame on her!)
quinta-feira, abril 16, 2009
"A Vida Depois de Deus" III - Preciso de Acetona
(Mais um excerto do livro "A Vida Depois de Deus" do Douglas Coupland e já agora alguém tem por aí um pouco de acetona? É que o verniz ganhou vida!)
sábado, abril 11, 2009
"A Vida Depois de Deus" I - Pornografia e Buracos
As nossas conversas nunca são fáceis, mas à medida que eu – nós – envelhecemos, todos achamos que devemos ter conversas. Queima-nos por dentro a necessidade de partilhar com outros o que sentimos. Depois de uma certa idade, a sinceridade deixa de saber a pornografia. É como se o porreirismo que marcara a nossa juventude fosse ele mesmo um retrovírus que só nos deixa sentir vazios. Cheios de buracos.
(excerto do livro “A Vida Depois de Deus” de Douglas Coupland…tenho andado a folhear este livro de pequenas histórias e já tenho alguns excertos para deixar aqui. Porque fazem sentido, porque me dizem alguma coisa e no fundo significam em parte o que em palavras não consigo escrever. Talvez por receio de admitir certas coisas que sinto, ou que não as querer aceitar. A minha sinceridade quando tiver o aroma a pornografia, alguém que me avise, é importante saber esse tipo de coisas. Quanto ao vazio e aos buracos, tenho na mão uma linha de cor azul e uma agulha feita de aço. Os buracos da minha alma estão aos poucos e poucos a serem tapados com os retalhos alheios que deixam de o ser quando ficam tatuados em mim.)
"A Vida Depois de Deus" II - A Pessoa que Sou
(Mais um excerto do livro "A Vida Depois de Deus" de Douglas Coupland...este pedaço de letras encaixa perfeitamente na pessoa que sou agora. Neste momento, o relógio marca a hora e os minutos e o resto fica-se pelos caminhos que percorri até hoje. Os outros, que ficaram para trás por burrice minha ignorei-os. Agora resta-me a esperança que vá aproveitar os que mais frutos me poderão dar, mas não sei, acho que se ficasse bem longe da pessoa que sou, as coisas seriam bem diferentes, mas estaria tranquilo? Seria eu próprio? Há coisas que são o resultado da culpa da minha vontade, outras estão anos luz do que se pode dizer que é uma obrigação...hoje quero adormecer e sonhar. As coisas boas que ainda não fiz, estarão num outro patamar...)