sábado, julho 27, 2013

Debaixo de um manto

Debaixo de um manto por vezes me escondo, noutras me mascaro. Não é que tenha medo, não que precise me refugiar, mas há momentos, lugares e fragmentos de vida que puxam por nós de tal forma que somos levados pela torrente da insanidade que assola os outros. Já não basta a nossa e temos que levar com a dos outros...por mais só que me sinta, há um manto que me aconchega nos seus braços, nos quais posso repousar, deixar-me levar pela infinidade do desconhecido.

Por muita luz que exista nesta realidade, tenho dias que não a sinto. 
Por mais agonia que sinta dentro de mim, sei que essa luz bem que tenta, mas não me ilumina, já que a escuridão ocupou o lugar dela.

(Este texto foi escrito com base no que sinto e nas palavras sábias de uma pessoa, uma amiga, que diz tanta coisa e talvez não saiba, mas a sua luz é tanta que por mais agonia e solidão que uma pessoa sinta, sabe que dela uma coisa pode sentir e ver, uma luz, como poucas que eu já vi...debaixo de um manto vivo, e mesmo assim vi essa luz...)

Estas são as suas palavras...

A vida é inglória enquanto vivida
Nada nos satisfaz
Nada nos fascina…

Ó triste sina!
Tão só e tão fria
Tão triste e melancólica
Numa tarde de agonia…

Agonia que se sente
Agonia que atrofia
Por muito que o sol brilhe
Nada se ilumina….

Deixo uma música para acompanhar este texto, só podia, mas todos queremos um novo mundo, no qual tudo é perfeito e os lunáticos ficam à porta à espera de uma oportunidade para golpearem o sistema, mas essa por mais golpes que leve, está preparada...julgamos nós...não está...

domingo, julho 21, 2013

O Desperdício

Não vou aqui falar de reciclagem, nem nada que tenha a ver com esse tema. É bem provável que amanhã quando reler estas palavras, vou pensar com os meus amigos botões "sinceramente" pois por vezes temos à nossa frente um daqueles pianos, a cor não interessa, podem ser brancos, pretos, podem ter o banquinho ou não, o que realmente é importante é ter à nossa disposição um conjunto de teclas. Talvez esteja a tocar nas mesmas de sempre, mas a razão tem caminhos insinuantes, que tanto seduzem como me prendem. 

Hoje sinto-me liberto. Há dias que me sinto escravo dos meus próprios pensamentos, com umas correntes à volta dos pulsos e uma mordaça bem juntinho da boca. Aí sou vitima de um outro tipo de desperdício, mas esse nem me aquece nem me arrefece. Bem que poderia ser gelatina, solidificar era um cabo para tormentas, e que venha o Adamastor porque também eu lhe teria uma lição para lhe dar.

O problema reside no desperdício que sei que me foge das mãos, dos meus sonhos, dos meus pensamentos. Ele evapora-se através do meu suor, foge das minhas intenções, infiltra-se onde não deve e corroí a razão que todos os dias me dá as verdades inquestionáveis que tanto preciso.

A minha juventude está a ser desperdiçada. Faço alguma coisa para a contrariar? Não, pois claro que não.

Se digo que a minha alma é velha, talvez o meu desperdício apenas esteja a seguir a linha que o destino com tanto cuidado e apreço costurou nos rebordos de quem eu sou. 

Como gostaria de desfazer o trabalho que tem sido feito. Se ficasse apenas em linhas, fios e sei lá mais o quê, não me importaria, alguém teria que pegar numa agulha e costurar-me de volta. Certamente não deixaria aqui uma das músicas que apunhalou a caixinha mágica que tenho dentro de mim...se a abro já não sei o que vai sair de lá.

 

sábado, julho 06, 2013

Fios

Por mais estranho que possa parecer, senti que me estavam a cortar um fio, um dos dois que sentia dentro de mim. 

Com um, não sei o que virá, nem o que a próxima página me irá dar para ler. Receio que seja o fim do livro, ou talvez seja apenas mais um volume de uma enciclopédia que está a ser escrita com o passar do anos. Mas eles pesam, e pesam muito.

Se há pessoas que acreditam que há mensagens escritas no céu, eu estou nos dias que acredito que existem mensagens encriptadas, tatuadas na pele de desconhecidos, talhadas no sentimentalismo alheio ou na penumbra de sombras sem paradeiro. A mensagem que li hoje é daquelas que poderia revolucionar meio mundo, e falo do meu. Teria que viajar no tempo e voltar a ter 10 anos, talvez aí os 100% dos meus fios seriam usados de uma outra forma, e por mais tesouras que o destino tivesse, não deixaria que dos 99% passasse. 

Se os fios são o parasita de uma tesoura, estou feito. O corte irá ser dado e num ápice deixarei atrás de mim o fio desfiado à espera que alguém o apanhe, como se fosse um balão perdido no meio de algo que nem eu sei bem como definir. 

Se as minhas lágrimas (que não as deito para fora) fossem usadas, que fosse por um grande amor.