quinta-feira, novembro 30, 2006

Ilusões


São as ilusões que tenho que acabam por ser as acendalhas da fogueira que me faz sentir vivo e entusiástico?
Fico comovido com os pauzinhos a arderem, com as pequenas labaredas que sorrateiramente querem brincar com o vento e mesmo assim insistem na folia, mesmo sabendo que por serem descuidadas, a sua luz se apagará com o toque dos dedos do vento.

É prejudicial ficarmos um certo tempo agarrados ao que nos passa pela cabeça, mesmo sabendo que nada de útil se retirará de um devaneio qualquer?
São das tais questões inebriadas da rotina do meu pensamento. Viver iludido acabasse vivendo uma ilusão constante que só nos dá fogueiras abrasivas, corriqueiras e maldizentes.
O fogo queima-nos por dentro, deixa marcas, queimaduras e cicatrizes que com o passar do tempo se dilaceram a si próprias com a esperança de que as rugas da mágoa acabem por se tornarem no místico encantamento do rio que habita no nosso coração.

Acende-se uma fogueira, com pequenos pedaços de madeira, prestes a serem devorados pela insensatez furiosa do desejo ardente do fogo. Ele consome tudo o que pode, deixa em cinza o que não precisa e voltamos ao mesmo...o vento com os seus dedinhos afastará de nós o resíduo do que em tempos foi uma fogueira…

Ilusões, puros e enfatuados delírios que fomentam certos sonhos. Uns acabam por se tornarem na realidade que nos circunda com as suas paredes de cetim e correias de pele e cabedal. Outros refugiam-se nos ecos da sua presunção, com temor de que ao piscar olhos o cenário que faz parte de nós desapareça e acabemos por nos sentirmos num pedestal suspenso por duas cordas prestes a serem consumidas pelo fogo.

Não há voltas a dar quando o fogo faz parte do nosso consumismo humano ao desbarato.

Com fogo se queima, com fogo nos alimentamos, com fogo nos deitamos para acabarmos por nos sentir pior que a nossa própria tormenta…a que existe para além do que é óbvio para os outros mas que para nós, é só mais um capitulo da nossa história.

Acabo por ser mais uma pessoa veemente, iludida com o que vê, com o que sente, com o que esperar um dia poder dizer que viveu com toda a paixão que tinha dentro dela…sim pensando melhor, vou ver se arranjo mais acendalhas para poder apreciar o fogo da fogueira que tanto anseio construir. O vento será bem-vindo, estou a contar com ele.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Never Is A Promise (Letra de Fiona Apple)


You'll never see the courage I know
Its colors' richness won't appear within your view
I'll never glow - the way that you glow
Your presence dominates the judgements made on you

But as the scenery grows, I see in different lights
The shades and shadows undulate in my perception
My feelings swell and stretch; I see from greater heights
I understand what I am still too proud to mention - to you

You'll say you understand, but You don't understand
You'll say you'd never give up seeing eye to eye
But never is a promise, and you can't afford to lie

You'll never touch - these things that I hold
The skin of my emotions lies beneath my own
You'll never feel the heat of this soul
My fever burns my jock itched crotch me
Deeper than I've ever shown - to you

You'll say, Don't fear your dreams, it's easier than it seems
You'll say you'd never let me fall from hopes so high
But never is a promise and you can't afford to lie

You'll never live the life that I live
I'll never live the life that wakes me in the night
You'll never hear the message I give
You'll say it looks as though I might give up this fight

But as the scenery grows, I see in different lights
The shades and shadows undulate in my perception
My feelings swell and stretch, I see from greater heights
I realize what I am now too smart to mention - to you

You'll say you understand, you'll never understand
I'll say I'll never wake up knowing how or why
I don't know what to believe in, you don't know who I am
You'll say I need appeasing when I start to cry
But never is a promise and I'll never need a lie

Isto para dizer que por mais que nos digam que nos entendem, nunca o conseguem fazer a 100%.
Há coisas que até nós próprios não as conseguimos as ver como sendo nossas.
You'll never touch - these things that I hold / The skin of my emotions lies beneath my own / You'll never feel the heat of this soul…é estranho como consegue-se jogar com os sentimentos e fazer deles algo mais que coisas passegeiras.

Por partilhar esta fantástica letra, espero não cair no erro de sugerir o tal cliche, nunca digas nunca ou algo do genero, não é a minha intenção.

O NUNCA acaba por ser uma promessa como nos diz a letra, e por isso o melhor é não fazer promessas sejam elas quais forem e é como ela diz, que o nunca é uma promessa e eu nunca precisei de uma mentira...mas quem é que precisa?


segunda-feira, novembro 27, 2006

...

Reticências, três pontinhos alinhados em fila indiana, deixam sempre alguma coisa por dizer no ar, meros sacos plásticos que esvoaçam no ar, esperando um dia esbarrar contra o céu, alcançando o seu limite.
Sempre que os tatuo, seja num simples texto, ou num texto em que falo de algo que me transcende para além do que é obvio para mim, fico à espera que o resultado final seja mais que um conjunto de palavras encadeadas umas nas outras, porque geralmente é o resultado que tenho.

Os três pontinhos até podem ser divertidos, para uns podem ser um jogo de advinhas, ficar na dúvida no que queríamos ter dito. Para outros representa a nossa incapacidade de nos alongar num determinado tema. Acabamos por vezes por ficar pela a nossa incapacidade de ultrapassar as metas que definimos ao longo da nossa vida!

Eu fico rendido quando leio algo que acaba com os … aí é como se estivesse a planear uma batalha contra alguém que é mais forte que eu, mesmo assim não é motivo para baixar os braços, não tenho que procurar um lençol velho para fazer uma bandeira branca…paz eu quero mas quando eu bem entender, uma guerra saudável nunca deixo de a enfrentar, pode demorar algum tempo…há a estratégia, a perícia a ser domada, os locais a serem estudados e claro as armas a serem usadas…não basta termos nas mãos um revolver para apertar o gatilho, isso por si só não basta, temos que ter em conta as consequências…é o que tenho feito…

Os três pontinhos…é como a história do lobo mau e dos três porquinhos. O lobo quer comer os porcos, dá cabo da casa de dois deles, a de palha e a de madeira. Felizmente estou na casa de tijolos e aí fico com os meus irmãos, o distraído e o trapalhão, um conjunto em harmonia, que no seu todo fazem quem eu sou!

Deixar alguma coisa por dizer, é alongar uma conversar a ter, e sei bem o que isso é.
Às vezes tive que pensar, repensar no que poderia dizer para não ter que usar e abusar da futilidade dos três pontos negros seguidos um dos outros.
Não apetece às vezes com um dedo fazer um remate com que cada ponto seja atirado para o infinito, abismo do que se quer dizer, o que não se diz, ou que fica por dizer?

Ficar com a língua presa numa armadilha nocturna, ficar com as palavras engasgadas no meio de uma corrente de aço, só nos faz ser um peão na encruzilhada do que é o mal maior.
Tudo o que nos leva a ser um ponto de interrogação, tem direito a uma cerimónia, onde as honras fazem os proveitos e esses fazem o que somos, películas para o filme de alguém desconhecido.

Deixar uma meia palavra por dizer, é ficar a meio da caminhada, caminhando a pé coxinho, sempre com a esperança que um dia, ou uma noite a nossa sombra deixe de o ser mais uma sombra, que passe a ser mais que a falácia que pretendemos que seja…

Adeus…é o que digo ao que é mais delicado para mim, um diamante tem que ser lapidado.
Diz-me tenho que ser o lustre para tu o limpares, ficar reluzente como uma bola de luzes, prestes a saltar fora dos olhos?
Não haverá melodia que te faça saltar da pista de dança e olhar nos olhos de quem te desafia? Eu nunca serei um desafio para ninguém, nem um concurso de quem concorrer quer é ganhar o primeiro prémio!
Acabo por ser simplesmente os … fica sempre algo por dizer, uma partícula a ser acrescentada ao pó que me dá a forma que tenho…

Sou mais que um enigma, um puzzle de mil de uma peças. Sou alguém que se refugia num estado apático, singelo com pouco mais para dar no início, mas quando se chega ao fim da meta, olha para ti próprio e verás que acabamos sempre por termos à nossa frente o tal puzzle quase completo, falta mesmo só uma outra peça, um detalhe irrisório, sem importância.

A fila indiana de pontos irá um dia chegar ao seu limite, aí deixam de dar um ar da sua graça. Acabam por ser um ponto final, um ponto de interrogação e porque não um ponto de exclamação.
Chegará o dia em que deixarei de ser esta fonte de coisas por dizer, acabarei por ser o ponto final numa fase da minha vida, fazer a tal pergunta a mim mesmo e com a exclamação que vive em mim, direi a alguém que temos que abraçar o melhor que temos em nós…

sábado, novembro 25, 2006

"Chasing Car" A minha interpretação :-)


"Chasing Cars"

We'll do it all
Everything
On our own

We don't need
Anything
Or anyone

If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?

I don't quite know
How to say
How I feel

Those three words
Are said too much
They're not enough

If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?

Forget what we're told
Before we get too old
Show me a garden that's bursting into life

Let's waste time
Chasing cars
Around our heads

I need your grace
To remind me
To find my own

If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?

Forget what we're told
Before we get too old
Show me a garden that's bursting into life

All that I am
All that I ever was
Is here in your perfect eyes, they're all I can see

I don't know where
Confused about how as well
Just know that these things will never change for us at all

If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?


“Chasing Cars” dos Snow Patrol é daquelas músicas que me enche o ouvido, e faz a minha alma transpirar sensações, como se bastasse abrir a torneira que todos nós temos cá dentro, e ver um rio de emoções a flutuar pelo ar…

Pelo menos uma vez na vida, sentimos que temos que fazer tudo por nós próprios…não vale a pena estar à espera que A B ou C nos diga o que queremos ouvir, ou que nos faça ver a realidade como ela é pintada, com aguarelas, com tinta da china ou mesmo com um borrão, um mero resultado de uma borracha velha e gasta.
O resultado desse estado de espirito é ficarmos tão cheios de nós próprios que o nosso ego nos diz que afinal não precisamos mesmo de nada nem de ninguém, para quê nos dar-mos ao trabalho de tentar reorganizar as nossas ideias consoante o bom ou mau humor do tal A B ou C? Pois…

Quantas foram as vezes que por mais macaquinhos que saltassem nos galhos das árvores que habitam as nossas cabeças, não conseguíamos dizer o que estava a remoer dentro de nós? Não é preciso fazer um inventário, aliás acho que esse tipo de coisas não se fazem…

As tais 3 palavras que a letra da música diz, podem ser tantas…”Eu te amo”, “Não faz mal”, “Sinto tua falta”, “Ouve com atenção”, “Olha para mim”, “Vai à merda”, “Não me chateies”, “Preciso de ti”…podem dizer um mundo de coisas, um ponto de partida para uma longa jornada de toma lá dá cá, mas nunca serão suficientes.
É preciso esburacar a crosta do que está por cima dela, dizer apenas aquelas 3 palavras é secar o tempo mal as dizemos, e nem a chuva é capaz de dar água suficiente para as voltar a dar de beber a quem as diz e a quem as recebe.

Quantas vezes ao longo da nossa vida, nos dizem o que está certo e o que está errado? Que o bom e o mau andam de mãos andas, e temos que ser nós a causa e o efeito a sua separação?

Irá chegar uma altura da nossa vida que estaremos fartos e velhos para ficarmos limitados pelo o que nos foi ensinado, por isso no meu caso abro mão disso e abraço o que me dizem todos os dias…

Lembras-te de quando nos desenhos animados, quando um deles batia com a cabeça e ficava a ver estrelas a circular sob a sua cabeça? Então e porque não carros…por mim ficava era num desses carros e ver a pessoa a perder o seu tempo, mas por outro lado os carros ganham velocidade sempre que o pé espeta-se contra o acelerador…nesse caso preferiria estar a perder o meu tempo atrás desses carros…

Tem graça quando o vocalista refere “I need your grace to remind me to find my own” é que por vezes o que é dado como garantido na nossa vida fica esquecido no meio de tanta coisa. Todos nós temos uma percentagem de graciosidade, a que nos é possível ter, é claro…há coisas que se tem, outras que se vai tendo e infelizmente as que perdemos sem darmos conta.
Dizem que o céu é o limite, não acredito…intriga-me saber o que está por detrás dele…a sua graciosidade não é o que vemos, mas sim o que está para além de…nos pessoas somos o céu, o nosso céu que caminha todos os dias a passo de caracol…nunca queremos ver o que está por detrás do que vemos ao espelho ou será que queremos e afinal tudo não passa de uma partida do nosso olhar e não do que sentimos?

Tudo o que sou, tudo o que eu sempre fui…como eles dizem, é a fórmula que dá o resultado que temos hoje, neste momento, em que eu escrevo isto e tu estás a ler. Mal acabamos de fazer uma coisa, um número, ou uma letra é adicionada à fórmula e daí teremos outro resultado…do facto de escolhermos ir para norte ou para sul, a um destino querer chegar, poderemos nunca lá ir, mas o objectivo é esse, mas será que isso basta?

Por fim…quantas vezes estamos tão cansados de tudo e de todos, que o que nos apetece mais fazer é dormir, deitarmo-nos seja lá onde for, no meio da estrada, num relvado semeado de flores ou num parque infantil a ouvir as gargalhadas das crianças quando elas ainda não sabem que um dia terão a mesma vontade?
Às vezes tenho uma necessidade de fazer esse convite a alguém que partilhe do mesmo sintoma.
Por vezes quero é ficar num estado não apático mas visionário, utópico ou fantasista e dar asas ao que me faz querer ficar assim, e por fim esquecer o mundo, as pessoas, as trivialidades que nos são impostas por ter que ser…

…por essas razões todas é que esta música me diz tanto, todos os dias, em todos os momentos que me faz querer deitar. Fechar os olhos e esquecer o mundo de que faço parte…para poder abrir os olhos e mais tarde os querer voltar a fechar…

Anatomia de Grey

Tenho seguido esta fantástica série, sim podemos pensar "mais uma série de médicos" mas não é só isso, ela foca as relações das pessoas e a complexidade que é viver num mundo em que o trabalho se mistura com a vida pessoal.

Cada episódio tem pelo menos uma cena memorável, bem definida, que pela sua humanidade deixa em mim a vontade de querer voltar a vê-la...é daquelas coisas que gostamos e por mais que queiramos deixar passar ao lado não conseguimos.


Não posso deixar de referir as músicas de cada episódio. Elas estão entarameladas no contexto da história, definem determinados momentos que por vezes até se tornam mágicos no sentido em que uma série de televisão o consegue ser.
Por exemplo a foto que coloquei no blog (que até está apropriada para a época festiva que se aproxima…)refere-se a uma cena da segunda série, está tão bem ideada que escolhi essa para demonstrar a originalidade que esta série consegue ter.
Ficar debaixo de uma árvore de Natal, olhar as luzes que piscam, umas a fugir das outras, os reflexos nos nossos olhos…bem o melhor é ver mesmo a cena, não a consigo defini-la com palavras…

sexta-feira, novembro 24, 2006

Estar apaixonado ou talvez não…

Hoje estava no trabalho quando uma colega (tenho que lhe chamar isso senão ela começa com as suas coisas…) disse que eu estava apaixonado.
Fiquei a pensar qual a razão dela ter dito tal coisa. Por vezes deixamos transparecer algo que foge de nós, e portanto ficamos iludidos com o que se passa à nossa volta, e pior não damos conta dos nossos sentimentos em relação a uma determinada coisa.

Estar apaixonado…não o estou, não daria a minha vida para o estar. Daria tudo o resto para o conseguir.
Soltar as amarras que me prendem ao subsolo que todos os dias me diz que está na altura de quebrar a âncora, de soltar as correntes, dar asas aos sentimentos, olhar para o infinito e saber que para lá daquela linha, vou-me encontrar, não num mero reflexo de um espelho que vejo todos os dias, mas no brilho que por vezes tenho quando quero alguma coisa, quando fico frágil como um copo de cristal prestes a adormecer no chão, estilhaçado em mil e um pedaços.

Começo a pensar se a paixão é o rótulo que podemos colocar no que sentimos quando é mais forte que o que a razão nos devia dizer, ou talvez o alfinete que se espeta na nossa pele para não nos deixar cair num fosso sentimental.

Estar apaixonado ou não…o que isso interessa, ao menos deu-me para deixar aqui um pequeno texto, no qual fico na dúvida o que é realmente estar apaixonado ou talvez não…

quinta-feira, novembro 23, 2006

A vida de alguém!

Pode parecer estranho, mas a vida de alguém pode nos tocar tanto que ficamos perdidos no meio dela. São pequenas histórias que ao longo dos anos fazem um todo ser mais que um apanhado de sentimentos, desabafos…lembranças escritas que ficam penduradas no tempo, nem que seja numa simples página de um blog.

Sempre me interessei pelo o conteúdo que nós – PESSOAS – temos, umas gostam de o partilhar com o mundo todo, outras ficam no seu canto à espera que um dia o céu caia para deixarem os seus medos serem levados pela corrente da vida.

O que mais me toca é saber que sou especial, como todos nós somos,cada um à sua maneira!

Cada vez mais sinto uma sede de absorver tudo o que as pessoas têm para me dar, seja uma palavra, um mimo, um sorriso, um abraço, um olhar, um pestanejar de olhos, um suspiro…um grito em silêncio, um aperto de mãos, a partilha de algo que não seja somente passar o tempo.

Por vezes penso que a minha vida não tem sumo…ou seja por mais que eu a aperte só me irão sair palavras, meras aglomerações de letras que todas juntas fazem uma frase, um texto, um livro, um testamento…enfim acabo sempre por dar-me a conhecer mais pelas palavras do que pela minha iniciativa incessante em mim.

Quase tudo é tão banal na minha vida, a maioria poderia fechá-la numa caixa de papelão e deixar ganhar contornos de teias de aranhas…mas tenho sempre um pedaço de mim a guardar na caixita mais reluzente que possa encontrar.
Nessa aí com o prazer que tenho de beijar, guardarei o que mais precioso tenho em mim…a vontade de encontrar não a alma gémea…isso é praticamente impossível. Contento-me com alguém que poderei encontrar quando menos esperar, sem bater à porta, sem ter que responder “sim”, “não” ou “talvez”, sem ter que fazer das minhas emoções carrinhos de choque.

A vida de alguém…poderá ser a tua ou não, mas isso não interessa, porque o que realmente importa é o que sentimos quando alguém nos faz sentir como eu me sinto…

domingo, novembro 19, 2006

Naquele Breve Instante


Das mãos surgiu uma gota de amor
Da pele um pequeno laço,
Dos lábios um susurro
E dos braços uma grande perda
Uma grande dor.

Sentamo-nos no horizonte
À espera da chama do amor
O vento levou-a
E nós olhamos
E ficando assim
Amamo-nos.

Dãos mãos surgiu um pequenho retalho
Da pele uma leve partícula de pó,
Dos lábios um beijo
E dos braços um aperto sentido
Correspondido.

O tempo passou
Não a voar
Mas devagar,
Os minutos avançaram
Congelaram
Para sempre o sentimento na memória
Naquele breve Instante.

(Escrito a 17/10/05)

sexta-feira, novembro 17, 2006

O que nos toca...


Não é estranho ler algo que alguém escreveu, e sentirmos o que estivemos a ler, ou melhor a sobrevoar um território que não era o nosso, mas ao mesmo tempo acabou por ser tão próximo de nós que ficamos sem jeito quando acabamos de ler a tal frase profunda? Ou um texto atulhado não de tralha ou de palha seca, mas de palavras cheias de emoções, trilhos que nos guiam pelo meio de tanta adversidade que a vida nos impõe?

Estranho é saber que os ventos podem soprar todos numa direcção, mas quando queremos, sabemos os evitar, recuar quando é preciso, calcar quando nos exigem…e agora que acabei de ler algo que me tocou, o que posso eu fazer, para além de querer falar sobre isso…ocupar o pensamento de algo tão único é estar preenchido como me sinto eu agora.

As dúvidas que surgem antes de termos uma conversa com alguém especial


Pergunto-me se vale a pena termos determinadas conversas.
Elas, as conversas, conseguem marcar passo no que pretendemos na vida.
Muitas das vezes temos dentro de nós tópicos recheados de palavras meigas e doces, ou frias e indelicadas.

Sabemos que mal se abre a boca, o que for dito nos dará um fruto maduro ou verde. Pode-se cair no erro de se ser precipitado, em que a vontade faz de nós gato sapato…A impulsividade por vezes é tão dura quanto a pedra que se intromete no nosso sapato.
Noutras ocasiões, por causa do nosso medo em abrir o nosso coração, faz desse medo, um tema de análise, ficamos dias, semanas ou até meses a perscrutar os motivos da vontade que se alojou no nosso coração.
Há quem acabe por ficar apenas com os sentimentos de perda de tempo…mais valia ter arriscado é o que nos pode vir à cabeça. Noutras ganha-se é tempo, e o desfecho da conversa pode ser encantador, sem fogo de artifício, sem um céu resplandecente e cintilante. Mas mesmo assim dentro de nós sabemos que foi bem gasto, não houve perde de tempo.

quinta-feira, novembro 09, 2006


É novidade para mim, estar num blog a divagar desta forma tão natural...é o ínicio, não de um diário, não de uma página em branco para a preencher quando da minha cabeça o mar de pensamentos transbordar.