São as ilusões que tenho que acabam por ser as acendalhas da fogueira que me faz sentir vivo e entusiástico?
Fico comovido com os pauzinhos a arderem, com as pequenas labaredas que sorrateiramente querem brincar com o vento e mesmo assim insistem na folia, mesmo sabendo que por serem descuidadas, a sua luz se apagará com o toque dos dedos do vento.
É prejudicial ficarmos um certo tempo agarrados ao que nos passa pela cabeça, mesmo sabendo que nada de útil se retirará de um devaneio qualquer?
São das tais questões inebriadas da rotina do meu pensamento. Viver iludido acabasse vivendo uma ilusão constante que só nos dá fogueiras abrasivas, corriqueiras e maldizentes.
O fogo queima-nos por dentro, deixa marcas, queimaduras e cicatrizes que com o passar do tempo se dilaceram a si próprias com a esperança de que as rugas da mágoa acabem por se tornarem no místico encantamento do rio que habita no nosso coração.
Acende-se uma fogueira, com pequenos pedaços de madeira, prestes a serem devorados pela insensatez furiosa do desejo ardente do fogo. Ele consome tudo o que pode, deixa em cinza o que não precisa e voltamos ao mesmo...o vento com os seus dedinhos afastará de nós o resíduo do que em tempos foi uma fogueira…
Ilusões, puros e enfatuados delírios que fomentam certos sonhos. Uns acabam por se tornarem na realidade que nos circunda com as suas paredes de cetim e correias de pele e cabedal. Outros refugiam-se nos ecos da sua presunção, com temor de que ao piscar olhos o cenário que faz parte de nós desapareça e acabemos por nos sentirmos num pedestal suspenso por duas cordas prestes a serem consumidas pelo fogo.
Não há voltas a dar quando o fogo faz parte do nosso consumismo humano ao desbarato.
Com fogo se queima, com fogo nos alimentamos, com fogo nos deitamos para acabarmos por nos sentir pior que a nossa própria tormenta…a que existe para além do que é óbvio para os outros mas que para nós, é só mais um capitulo da nossa história.
Acabo por ser mais uma pessoa veemente, iludida com o que vê, com o que sente, com o que esperar um dia poder dizer que viveu com toda a paixão que tinha dentro dela…sim pensando melhor, vou ver se arranjo mais acendalhas para poder apreciar o fogo da fogueira que tanto anseio construir. O vento será bem-vindo, estou a contar com ele.






