terça-feira, novembro 22, 2016

#54 Vs Cebola Vs Âncoras



Devo de ser como uma cebola, pois à medida que me vou dando a conhecer, camada após camadas, um ardume paira sob os olhos, e lágrimas atrás de lágrimas surgem, que nem formigas em fila indiana, num dia árduo de trabalho.


Ultimamente no meu peito tenho sentido um aperto, julgava que fosse por causa de fugas de gás contidas dentro de mim, mas talvez seja apenas correntes de ar, oriundas de portas abertas e janelas escancaradas, de telhados de vidro despedaçados sob um sopro de ar quente; talvez por causa de um beijo não dado, deixado ao relento, em ruas em que o relógio insistia ver a luz do dia, mas a multidão vestida para a noite persistia conviver entre ruas e vielas, e eu sem esse beijo deixei-me ir.


Chorei, e agora choro sem lágrimas. Mas já não me sinto como uma cebola…


Nesta vida o que importa é relembrar os bons momentos, e por que mais que me doa a alma, por mais que o meu coração se sinta envolto em arame farpado, em cada batidela, um pulsar de sangue solta-se, e dele, a adrenalina e a tristeza percorrem o meu corpo como se ele fosse uma pista de corrida. Não há pressa, não deveria de haver mas eu a sinto, como um abraço que ficou por dar.


O que nos vale nesta vida, são os bons momentos, âncoras presas aos nossos barcos, não nos deixando navegar em marés revoltas, porque se perdidos na vida por vezes estamos, nada nos vale ficarmos perdidos uns nos outros.


Um abraço poderá ser um porto de abrigo e aí as âncoras já não serão precisas. Este meu barco tem uma, mas por vezes esqueço-me dela…


A ambivalência destes meus sentimentos é complexa e confusa e quando deixo de lado o negativismo atroz que me fere, sorrio, e um calor aquece-me por dentro. Basta relembrar “Jesus Cristo” quando soltou seus cabelos e parecia uma nova pessoa, a princesa de faces rosadas com “brilhantes” a forrarem seus dentes, a mixórdia de palavras que muitas das vezes não entendia do Arménio Germânico, o sorriso, o olhar e a bela aura da “Sally” ou o toque suave dos dedos e lábios do Glass Hunter.


Bem sei que não irão entender metade do que aqui escrevi, mas este Oceano foi criado para isto, para poder deitar para fora o que não digo em voz alta fazendo-me sentir mais leve, porque esta vida não é fácil, eu não sou fácil. Por vezes estilhaço-me porque não sou de ferro, mas porque por vezes sou de cristal. Estou mais leve? Nem por isso, sinto-me um balão de ar com pedrinhas de chumbo encafuadas dentro dele.


Vou ali varrer os cacos e logo que possível estarei de volta.



…It could be a long long way



quarta-feira, novembro 09, 2016

#53 Vs 10 Anos!


Faz um ano em que comecei uma espécie de contagem decrescente, pois este Oceano faria 9 anos e a minha intenção era de o “fechar”, criar uma barragem para o fechar de uma vez por todas.

Confesso que pensei com os meus botões “fizeste 9 anos mas 10 é o máximo”. O motivo? Vários…mas cá estou eu hoje 10 anos após a sua edificação, como se fosse um castelo e tudo o que tenho sentido ao longo desse tempo todo não seja mais que paredes nas quais me escondo.

Tive momentos em que criei ainda mais barreiras, com medo que me vissem como gostaria de ser visto, noutros as destruí mas depressa reconstruí outras.

10 anos de evolução, 10 anos de estar num vaivém de retrocedimentos e de ebulição de personalidade, mas estas paredes de hoje são bem especiais, pois em 10 anos por causa deste espaço conheci pessoas bem especiais para mim (outras perdi-as como se perdem pessoas), e é graças a elas que estas águas de palavras e não só, irão continuar por mais umas marés cheias, ou marés vazias.

Parabéns a este Oceano!  

("When The Walls Come Down")



sábado, novembro 05, 2016

#52 Vs A Praia da Sereia Vs Waikiki



No dia em que fui ao jantar na companhia de alguns bloguers e não só, nessa tarde o Glass Hunter levou-me a um sitio que me ficou na memória, à Praia da Sereia. O tempo estava fantástico, um céu azul que mais parecia saído de um folheto de viagem a uma praia paradisíaca, e a vastidão do areal sem praticamente ninguém, ajudou a que o tempo que lá estivéssemos fosse algo que nunca poderiamos ter programado

Por vezes o inesperado é o melhor que a vida nos pode dar, e foi o caso.

Virados para o mar estivemos num local chamado de Waikiki, que é basicamente um bar/restaurante de praia. Naquele sossego e quietude até a Noomihie (a minha sereia) fez-se fazer sentir, estava frustrada, não pôde ver a praia tal e qual como ela era. Ahhh já partilho umas fotos! E porque há pontarias, foi no último dia em que local iria estar aberto. Agora só mesmo em Abril de 2017.

Depois de forrar o estômago com um hambúrguer que me soube pela vida, não podemos deixar de apreciar outro elemento que marcou fortemente aquela tarde: o som que passava, uma envolvente sonora que acompanhou deliciosamente a decoração do espaço. O Glass Hunter acabou por perguntar que som era aquele que estava a passar e não tardou muito termos a resposta: Café Del Mar 2012. Fantástico! Tudo estava no ponto, a companhia, o espaço, o tempo, as pessoas, a comida e a música.

Não imagino como será aquele espaço no verão, mas acredito que muita boa gente deverá de passar bons momentos depois de um tórrido dia de praia.

Aqui fica o som, e depois as imagens...







sábado, outubro 29, 2016

#51 Vs Lady Gaga, The Cowgirl?!


Lady Gaga está de volta e o mais certo é que grande parte dos seus Little Monsters estejam à beira de um ataque de desilusão, pois a Ms. Gaga regressou mas num outro registo, sem a dança acompanhada dos ritmos pastilha elástica que dantes no apresentava. 

A primeira vez que ouvi o álbum "Joanne" pensei "WTF esteve a Lady Gaga a fumar umas ganzas e agora deu para se armar em cowgirl?!". 

A primeira impressão foi "não gosto, é que não gosto mesmo" talvez por a associar a um estilo musical. E o que é verdade, é que se não fosse um álbum dela, é bem provável que não me desse ao trabalho de o ouvir, mas...porque há sempre um, e tendo colaborado com o Mark Ronson o som deste álbum para mim é uma fusão de Country + Rock + Blues + e uma pitada de Lady Gaga. Como gosto desses géneros musicais as músicas (nem todas confesso...) foram crescendo, e num outro registo musical a voz da Lady Gaga ganha mais com este álbum do que com os outros.

As músicas que mais me cativaram foram: Diamond Heart, A-Yo, Joanne, John Wayne e Million Reasons.

Acredito que este álbum não seja um êxito, mas como já li algures, entre boas criticas, a Lady Gaga neste momento está a fazer o que gosta, e desculpem-me Little Monsters, está na altura de crescerem e deixarem de serem little...

Deixo aqui uma amostra...  



sábado, outubro 22, 2016

#50 Vs Sons de Outono Vs Bon Iver + Banks + Ingrid Michaelson + Regina Spektor

O Outono é das estações do ano que mais gosto, talvez porque as árvores resolvem se despir, mostrando na verdade como elas são, ou porque o céu deixa de lado os tons azuis para abraçar os cinzas. 

O único senão é não entender o tempo, nunca sei o que esperar dele, vagas frias amordaçadas com o calor, como se ele fosse um atrelado com melhores dias. 

Há algo que normalmente acontece...acabo por associar a cada estação do ano algumas músicas, que encaixam perfeitamente o ambiente que cada estação do ano nos oferece. E por obra do acaso, encontrei os álbuns (novos) perfeitos para me fazer companhia neste Outono: Bon Iver, Banks, Ingrid Michaelson e Regina Spektor.

Deixo aqui uma amostra...





segunda-feira, outubro 17, 2016

#49 Vs Jantar Bloguer Vs Beijos numa Multidão





No passado sábado foi noite de alguns bloggers e não só de nos reunirmos num jantar. O local escolhido foi o Frei Contente em Lisboa, espaço bem agradável, com boa comida e um ambiente acolhedor.
A noite não poderia ter corrido melhor. Estávamos todos muito sociáveis, e apesar de não sermos muitos não houve nenhum momento em que um bocejar fosse fruto de um aborrecimento latente. Não tivemos tempo para isso.

Houve surpresas! Apesar de não conhecer todos que compareceram ao jantar, quando estávamos a chegar (e quando escrevo no plural foi porque o Glass Hunter foi comigo) vejo uma rapariga com um cabelo que me chamou logo a atenção, rebelde e cheio de alma. Pensei “wow quem é aquela” e que interessante que ela é, cheia de ideias com uma personalidade muito interessante. Acabamos a noite a partilhar as nossas tatuagens. 

A outra surpresa foi quando soube que Magg (uma leitura de alguns blogues) iria ao jantar e não é que é um mimo de pessoa, mas também só podia o ser. A dúvida foi esclarecida, e sabem quem é a Magg? Pois isso agora…

Tentei ao máximo repartir o meu tempo no jantar  e pela noite dentro falando com as pessoas que não conhecia ou que menos conhecia. 

Aos poucos e poucos as pessoas foram indo embora o que é compreensível e restei eu, o Glass Hunter e o Adolescente Gay, que na realidade já não é adolescente mas que continua gay. E aí tive oportunidade de o conhecer como pessoa e não como bloguer, alguém que tem uma história de vida como todos nós. Cruzamo-nos com várias pessoas (incluído o bloguer que não foi ao jantar…quem será ele?!...não conto!), pessoas muito divertidas, mas acabamos os 3 no Trumps, que estava a abarrotar de pessoas, e encontrões foi o que também encontramos. 

Posso dizer que a noite foi especial, com momentos que jamais irei esquecer e porque as noites devem ter algo que nos marque, fiz algo que nunca tinha feito na minha vida. Desliguei-me da realidade, esqueci a multidão que nos rodeava e com o pum pum pum da música beijei o Glass Hunter, rodeado de pessoas a beber, e a dançar e pum pum pum o meu coração acompanhou os sons que estávamos a sentir…e enquanto uns dançavam e outros bebiam, voltei ao beijo, um ataque de lábios e línguas. Aliás não era o único, mesmo ao lado estavam duas raparigas num frenesim labial “linguarado”…algo tão natural, e quando se gosta de alguém, tudo faz sentido!

domingo, setembro 25, 2016

#48 Vs A Pior Pessoa Do Mundo

Ontem senti-me a pior pessoa do mundo...

...e hoje não me sinto nada assim...

...e por isso vim até cá, porque a dualidade da vida, dá-nos uma infinidade de 

vivências. 

Ontem foi uma delas, e hoje uma completamente diferente. 

E sorri, e sorri muito e continuo a sorrir...

sábado, setembro 10, 2016

#47 Vs The Glass Hunter & The Beard Blue Lover Vs Song To The Siren


Era uma vez...poderia ser, mas neste caso é mais "é uma vez" porque por mais que nos digam que a vida é para ser vivida, só quando estamos realmente a vivê-la é que conseguimos transpor as barreiras que o nosso EU nos impõe, edificações enfeitiçadas de sentimentos, poços entulhados de medos e receios.

Era uma vez...poderia ser, mas não é...como o abanar da cauda de uma sereia. 

Sinto-me deslocado da realidade que construí para mim, como se ela fosse a realidade, e tudo o resto uma quimera que persiste invadir o meu reino sem trono.

Era uma vez...e o que vivo não é um conto de fadas, pois não há magia, nem castelos, nem um livro que mais tarde contará a minha história, mas tem algo mais precioso, que me faz sentir a pele a soltar-se de mim, sentir aquela vontade e necessidade de estar com alguém...e chamam isso do quê?! 

Se por um lado tenho a perfeita noção do que está a escarafunchar no túneis que vão ter ao meu coração, por outro, a sensação de me sentir um pedaço de vidro perdido num areal, em que alguém pega nele é deveras estranha. Nunca ninguém tinha pego em mim, e muito menos fazer-me sentir que o meu pedacinho de vidro tem arestas para limar. É que ao simples toque...e mais não digo...

Nem sei bem como é que ainda não me fechei como a concha que sempre me senti, e nem sei bem como não afastei quem me agarrou. Não sei o que as ondas que esta vida tem me irão trazer, mas espero que não me façam querer voltar a fechar-me, porque é tudo tão estranho, mas ao mesmo tempo tudo tão amplo, com a plenitude que circunda o meu EU como uma rede de pesca, e eu não sou um peixe...

Se encontrasse a lamparina dos desejos, apenas pediria um, não quero voltar para a concha, seja no fundo do mar, ou perdida no areal...até porque The Glass Hunter & The Beard Blue Lover surgiram não por acaso :-) 


quarta-feira, agosto 17, 2016

#46 Vs Tesouros de Verão Vs O Caçador de Vidros


Vim até aqui, num saltinho, por entre poças de água salgada que me fizeram arder os olhos, saltitando entre dunas, ora quentes, como se o sol fosse um forno que precisasse do dedinho de alguém, ora frias como se o tempo fosse um filho da piiiiiiiii...

Na semana passada fiz 38 anos, e apesar de não ter feito grandes planos, os que fiz, foram praticamente todos satisfeitos. Agora olho para trás e sinto que a magnitude e lassidão do tempo deixaram em mim uma espécie de casulo, não por culpa do tempo mas por culpa minha. Mas tirando isso, já sinto aquela saudade que nos crava por dentro, e por fora nos impinge um sorriso amarelo. 
 
Mas não tenho os tido.


E sabem o que verdadeiramente senti? Nesse dia fui a uma barbearia (Dr. Barber), das que dizem estarem na moda e senti-me bem apaparicado. Depois fui até à Garagem (uma loja de roupa/estúdio de piercings), e foi lá que recebi na orelha um alargador falso, ou seja, um brinco, preto como a minha alma consegue ficar, mas o que realmente importa é o que recebi em troca. Uma esfuziante adrenalina...

Os dias de praia com o meu sobrinho foram do melhor, a melhor companhia possível, apesar das birras, das fugas para a "piscina grande" que o mar e a areia formavam, e das as intromissões nas atividades alheias dos outros veraneantes. 

Dias eternos de sol tatuados na memória que se cola em mim. 

Nesta semana no dia a seguir a ele ter ido embora acabei por ir à praia sozinho, e já sem a companhia dele e do Caçador de vidros (já lá irei...) tive um dia de praia estranho, o mar estava calmo, quente q.b. poucas pessoas e a nostalgia foi quem me vez companhia. Gostei dela, mas não era a companhia pela qual sentia falta.

Estes últimos dias têm sido diferentes...nas tardes de praia porque o Caçador de vidros andava à procura deles no areal, pedacinhos já desgastados pelo roçar da água salgada com a areia, eu e o meu sobrinho andávamos à caça dos tesouros deste verão, pedras que de alguma forma chamassem a nossa atenção. 

Irei as colocar num frasco, porque são especiais, porque aqueles dias de praia, e brincadeiras e risos os tornaram especiais.
 

E para quem não sabe quem é o Caçador de Vidros, eu também não irei dizer quem é, mas é alguém que tem um belo frasco de vidros, grande parte deles são verdes, com várias tonalidades. E não é nenhuma personagem de contos de fadas. É real, de carne e osso, com sonhos, virtudes e defeitos. E não sendo eu um vidro, espero que não me deixe perdido algures num areal...porque também eu tenho sonhos, virtudes e muitos, infinitos defeitos.

Ahhh é verdade, por falar em contos, a história da "Cinderela" lésbica está lida e gostei mesmo muito. Original! Depois farei no final a minha critica :-)

E como diz uma certa música, em que alguém está perdido num arco-íris, que desaparece, que é confrontado com a nossa sombra e que depois nos abandona...mas a mim ninguém me abandonou...talvez festas a transbordar de gente não é bem a minha praia, mas porque o tempo assim convida, porque não?!

E até porque despi-me e nem T-Shirt tinha...(a inspiração é deste video (https://www.youtube.com/watch?v=XRMa2K_U2yY) que por alguma razão não consigo aqui partilhar).


domingo, julho 31, 2016

#45 Vs "Mas tu tens um amigo no Brasil?" Vs "Over The Rainbow"

Na sexta-feira passada quando cheguei a casa a minha mãe perguntou "mas tu tens um amigo no Brasil?". Fiquei um pouco desligado da realidade e quando olhei para a mesa da sala disse "não acredito!". Um envelope castanho estava lá à minha espera.

Por causa de um post que aqui deixei sobre o livro de contos do escritor Michael Cunningham, surgiu uma conversa sobre esse tipo de livros, e um amigo blogger brasileiro teve a amabilidade de me oferecer o livro "Over The Rainbow" onde nele são reescritos alguns contos de fadas (Cinderela, Branca de Neve, entre outros). No livro essas histórias têm a componente LGBT cravada, como se fosse uma marca para todos terem noção que nós todos nós sofremos do mesmo, dos sentimentos que nos ferem, dos que nos fazem amar, e dos que nos fazem dar com a cabeça nas paredes por causa da nossa casmurrice...


A acompanhar o livro estava uma carta, escrita à mão. E eu adoro, simplesmente adoro, a componente pessoal que as nossas mãos conseguem fazer com a dupla papel e caneta. Um sorriso transfigurou-se na minha face e disse à minha mãe "é um livro!".

Peguei nele, folheei-o e devorei-o como se fosse um mil folhas e debiquei cada página de "massa folhada", e o pouco que li fez-me rir, de uma forma que me deixou com aquela disposição de querer começar a ler agora e já o que tinha em mãos.

As palavras são escassas para o OBRIGADO que sinto por alguém me ter feito esta surpresa e para mais "Over The Rainbow" será o meu livro de verão das minhas férias e como em todos os anos, os livros que leio nesta altura ficam-me na memória. Este ganhou o 1º lugar ainda sem o ter lido, porque é especial, porque veio pelo oceano, não pelo seu limite mas dentro de uma latinha.