domingo, junho 26, 2016

#41 Vs O Cão & o Seu Osso Vs Orgasmo Pseudo-intelectual Vs #1 Crush

Será que para conhecer alguém temos que ser um cão e a outra pessoa um osso?

Ser um cão esfaimado, com um osso bem suculento? Lamber até ficarmos sem fôlego e trincar até a carne se tornar invisível?

Será que uns são presas difíceis de trincar, e outros ossos de galinha criadas num matadouro com morte à vista? 

Não gosto de andar atrás seja de quem for, e muito menos fazer com que A, B ou C pensem que são especiais de corrida, como se um cavalo fossem e eu apenas tivesse que apostar no cavalo certo. Não gosto de apostas...

Fodam-me a cabeça, mas as ideias, essas são virgens até ao momento em que eu sinta que estou errado e os outros certos. Então não há hímen que aguente, e o orgasmo pseudo-intelectual surge como se fosse a rifa da feira do mês passado, um livro em branco escrito a sangue.

Não sou nenhum cão e muito menos gosto de ossos, e virgem, só em algumas coisas...isto tudo para dizer que para conhecer alguém pode ser uma missão quase impossível, até porque dificilmente me dou aos outros e muito menos gosto de andar atrás seja de quem for.

Se os outros gostam que os façam sentir especiais, eu também gosto que me façam sentir o mesmo...também há a historieta do gato e do rato mas fico-me da do cão & o osso.


domingo, junho 19, 2016

#40 Vs Ser Gay é Estar Na Moda?! Vs Armários


No jantar de sexta-feira estive numa "bulha" com os meus pais e tudo porque ultimamente (dizem eles) nas séries que vemos parece que "obrigatoriamente" tem que ter personagens gays ou lésbicas. Bem que tentaram me passar a ideia que é um exagero. Dizem eles que dum momento para o outro nestes últimos anos tem sido uma enxurrada de histórias entre pessoas do mesmo sexo. O meu pai até disse que estava na moda ser gay, e eu rematei como se tivesse uma bola nos pés "talvez o pai diga isso porque se sente incomodado" e curiosamente a resposta não foi um "sim".

Tentei passar-lhes a ideia que neste momento habita em mim, de armas e bagagens, e quando eu escrevo "armas" não estou a falar das que ferem, magoam e matam, mas de que abrem os olhos para a realidade. Essa ideia é tão simples como coser um ovo, queremos nos rever nas histórias de ficção que nos oferecem, e a realidade dos dias de hoje é uma mistura de raças, preferências sexuais, estilos de vida e critérios bem alternativos. É com isso que a vida me seduz.

Se por um lado o meu pai por exemplo não entende a 100% o motivo que me leva a pintar a pele, a minha mãe já vê essa opção como algo que me dá felicidade e que só é conseguida quando nos sentimos bem. E eu sinto isso, mas sinto-me só. Talvez o próximo passo é convencer-me de que se me sentir menos só a 2, talvez as conversas tenham um teor diferente, mas não tão diferente das que tenho agora.


Também li que sair do armário está na moda, e eu nunca fui disso, de modas, e porque armários só tenho o que está no meu quarto com roupa e livros "caducos", dispo-me sem precisar dele (do armário).

Não entendo a 100% o motivo que leva alguém a justificar-se seja a quem for no que toca às suas preferências sexuais, mas podemos falar, dialogar, e partilhar.

O que é verdade, mas mesmo muito verdade, daquelas que engolem toda a certeza que temos, é que já ouviram alguém dizer que é heterossexual? Creio que não, talvez seja isso que está a faltar, a naturalidade que reside no ser humano, a escolha de amar seja quem for, ser seduzido por quem lhe faz vibrar o que tem na cabeça e entre as pernas, e sentir uma avalanche de formigas na pele e um vendaval de borboletas dentro de si. 


Ninguém deveria sentir a necessidade de dizer a A, B ou C que é seja o que for no que diz respeito às suas preferências sexuais. A questão é mesmo essa, as pessoas sentem isso, eu também o sinto, mas ao mesmo tempo deixo a minha pele ser um habitat para as formigas, e um jardim para as borboletas. E ao final do dia, fico farto. Mas...

Dizem que há luz ao fundo do túnel, pois bem, eu acredito mais num bem verdejante. (Escrevi o texto ao som dos Múm "Green Grass Of Tunnel"...um dos clássico deste Oceano)


sábado, junho 18, 2016

#39 Vs "Um Cisne Selvagem..." Vs Michael Cunningham Vs Múm


Quando comecei a ler "Um Cisne Selvagem e outros contos" do Michael Cunningham, e sendo o escritor dum dos livros que mais gostei de ler, estava com algumas expectativas, até porque na capa do livro a editora escreveu "Contos de fadas para o nosso tempo" e eu gosto de contos de fadas, mas não acredito é nos finais.

O livro é verdadeiramente um mimo, escrito de forma elegante, de fato e gravata ou vestido de gala, com floreados e algumas reviravoltas nas histórias, narrado com algumas alusões ao que já conhecemos delas. Desde a Branca de Neve, a Hansel e Gretel até ao Soldadinho de Chumbo, entre outras, as histórias acabam no final por nos fazer pensar.

Dificilmente conseguiria escolher a que melhor resulta, mas a da "Velha Louca" fez-me soltar um "WOW" porque à medida que estava a ler não sabia a qual conto se referia, mas ao virar de uma página, zás, e fiquei bastante satisfeito como o escritor deu vida a um conto que é de uma certa forma maquiavélico, mas nesta roupagem longe disso o é...ao reinventar, trocou o principal, quem era mau, afinal não era nada disso e brilhantemente deu vida ao passado de uma das personagens que penso que nunca ninguém questionou a origem do seu passado. Claro que nesta versão dos nossos tempos não tem nada a ver com o conto original, e isso é que tem a sua piada.

"Envenenada" é um dos mais curtos e enigmáticos. Começamos a ler e logo sabemos a que conto se refere, mas o diálogo que o compõe acaba por ser um enigma e só no final é que descobrimos o que está por detrás da conversa. Diria que é a história que encaixa na plenitude numa kinky one

"Soldadinho Real" para mim é o conto épico do livro, não por ser um dos mais longos, mas porque tem tanto de belo como o conto a que diz respeito. O escritor consegue criar uma família em torno de um soldadinho de chumbo e de uma bailarina. Sublime, sem dúvida.

Poderia ficar aqui a escrever sobre todos os contos e apontar os que menos gostei, mas não farei isso. Este pequeno livro foi uma agradável surpresa, porque a vida de adulto não pode ser igual a de uma criança, que sejam reinventados mais contos para adultos, porque é neles que a verdadeira essência do ser humano transparece, os bons e os maus sentimentos, as intenções honestas ou a crueldade que reside no âmago que habita no coração de cada um de nós.

Precisamos de um final feliz ou de momentos felizes?

Um amor com elasticidade? Ou resta-nos a dor por nunca conseguirmos um?

Os contos de fadas fazem-nos acreditar no bom da vida, mas os contos deste livro, a mim fizeram-me a ver tal e qual como ela é, histórias com finais, uns felizes outros nem por isso.

E para divagar sonoramente...Múm...



sexta-feira, junho 10, 2016

#38 Vs I Don't Wanna Give You Up Vs All Gays R Bitches?! Vs Shura (Again!!!)


Esta semana foi de peso, e deixou-me de certa forma quebrado e quebrado continuo a estar. 

Não estou com vontade de escrever metáforas para transmitir o que se passa, ou dar a entender o que realmente vai dentro de mim. Uma migalha é pouco, e sinto-me como uma, que faz parte de um todo, do qual não quero fazer parte. 

Não queria, mas faço. 

Merda, a metáfora já foi assassinada aqui e agora. Sou um escravo delas!

Hoje perguntaram-me se estava bem, e por mais simples que tenha sido a pergunta, a verdade é que elas (as perguntas) aparecem por alguma razão, e não é que me tenha desnudado perante a pessoa, mas vi a pergunta como o sinal de que a decisão que me viola, está-me a foder forte e feio. 

Queria ter a certeza do que quero fazer, mas não tenho, e a escapatória possível neste momento é dizer a quem me perguntou se estava bem um dos motivos que me leva a não estar tão bem como deveria. Até porque começo a reforçar a ideia de que (quase todos) os gays são real bitches.

 I Don't Wanna Give You Up

Sinceramente não quero, mas por dentro, as vozes gritam pelo sim, e sinto-me esquartejado quando o que sinto é dizer não a um referendo que resolvi desafiar-me. Sim ou não?

(Shura...esta música mata-me, e já tenho a promessa de alguém que irá ao meu funeral Yuuuuupiiieeeee)


domingo, junho 05, 2016

#37 Vs O Passeio de Noomihie


Todos temos fases na nossa vida que nos marcam, seja a partida de um ente querido, ou o nascimento dum grande amor. E porque o passar do tempo nem sempre é feito com pezinhos de lã, mas mais com uns de chumbo, para mim, no dia 2 de Junho chegou a hora de ir passear com a Noomihie. Ela com os seus cabelos negros, a reflectirem o brilho dum sol tímido, envergonhado que nem uma tartaruga a hibernar, e eu com coração aos saltos, nem sabia se era por vergonha ou estar naquela expectativa dos olhares alheios. Não estávamos de mãos dadas, mas mais parecia isso. E na verdade estamos mais juntos que o yin-yang.

A descoberta do meu alter-ego rebelde, que manda os outros à merda, sem o dizer em voz alta, faz maravilhas, e enquanto me desligava das preocupações estúpidas e sem sentido, o bom senso da minha mãe fez-me ver a realidade, tal e qual ela é, a Noomihie está tatuada em mim por alguma razão, e não encontro palavras para descrever o que agora é sair à rua e sentir que já não ando apenas com uma história na pele, mas sim duas. 

Noomihie é o nome da sereia que agora faz parte de mim, na perna esquerda, e o porquê de um nome? Porque há uma história de amor que vou ter na pele. Já que não a consigo escrever deixarei vestígios dela em mim. Retalhos de palavras invisíveis numa página chamada de pele, com um twist para adoçar a amargurar de uma vida, que acaba por ser igual a tantas outras.

O passeio de Noomihie fez surtir um comentário inesperado de uma senhora. Sei que há pessoas que não gostam de tatuagens, mas há quem goste, e sabe apreciar, e ainda bem que me fizeram sentir menos como um peixe fora dum aquário, até porque sinto que nasci num mundo errado, uma realidade em que as pessoas são farsas, peças de teatro com lotação esgotada, apenas porque está na moda, fica bem e ninguém quer ficar atrás. E continuo a sentir o mesmo, o que aparenta ser, nem sempre quer dizer nada...

Se soubessem a nova ideia que está cravejada dentro de mim, talvez me perguntassem "o que é que se passa contigo?" E eu responderia "nada, apenas a tentar sobreviver". Mas queria o fazer noutros moldes, em que olharia para tudo o que era sitio e me sentiria em casa.

As próximas cores (ou não) na minha pele serão um desafio, porque gosto de histórias e já vi que se há umas por contar, o melhor é não perder tempo, a história que já vivi, e a história que a imaginação me oferece.

Espero que daqui a um ano, a Noomihie já não se sinta tão só, e que já tenha o amor da sua vida. E porque não eu? Pois se há dias em que me sinto a submergir em águas, hoje é um desses dias, mil e uma ideias me assolam a mente e mil e um receios as seguem.

Mas sabe tão bem!

sábado, maio 28, 2016

#36 Vs Beijo às Portas da Alma


Dizem que se nos cruzarmos com alguém, que está escrito nas estrelas, mas a mim mais me parece uma mentira cabeluda, em fazer-nos acreditar que o destino é um jogo de tabuleiro, e com o passar dos anos, as peças vão ficando perdidas, debaixo dum sofá, manchado pelo tempo, à espera que alguém o substitua.

Dizem que se nos cruzarmos com alguém, que é uma coincidência, a combinação desnudada das probabilidades, metáforas ilusórias do que não é dito por palavras, códigos secretos sem um cofre forte onde guardar o que mais sentimos, daí cada um ter um coração. 

Ele sofre por estar cheio de nada, ou vazio de quase tudo, uma constante edificação de sentimentos, que sobem até ao céu como se fossem papagaios de papel, e o céu, um beijo às portas da alma.


(Porque fechei as pestanas, deram-me um beijo nos olhos. Foi um beijo peculiar. Os olhos são a porta da nossa alma, disseram-me. E assim adormeci, abrindo um pouco da porta da minha alma, que me acompanha, que não me larga e insiste em colar-se à minha sombra...)

domingo, maio 22, 2016

#35 Vs Verdade Nua & Crua Vs Kygo


Sejamos francos, a verdade deveria de nos ser apresentada nua e crua, que nem uma cenoura, para a trincarmos e sentir o verdadeiro sentido da vida.

E porque somos mais medricas que o nosso reflexo atrofiado e adulterado num espelho, talvez o que que nos salva, ou melhor, o que salva alguns, é terem um terço na mão e lavarem os seus pecados com a bênção da fé alheia. 

Mas porque nada nos vale duvidarmos dos desígnios desta vida, e porque o livro que dizem ser arbítrio não nos aparece desnudado, cabe a nós vesti-lo. 

O curioso é ver as roupas que os outros vestem, que à partida deveriam de ser de ser feitas de algo e não apenas de oxigénio e dióxido de carbono. 


domingo, maio 15, 2016

#34 Vs Rebuçado Vs Nessun Grado Di Separazione


Ontem a manhã foi doce, não que tenha comido um bolo, mas foi mais por me ter sentido um rebuçado quando me dei conta dum pescoço que se virava na minha direcção.

Senti-me um rebuçado e o invólucro a ser comido por olhos alheios.
 
Fui-me embora a pensar que todos nós temos níveis de separação e eu cada vez mais, por mais que tente, começo a voltar a barricar-me entre muros imaginários.

Talvez o meu destino seja mesmo ficar fechado num pacote de rebuçados.

(E porque ontem foi dia de Eurofestival, esta foi uma das canções que mais gostei...o italiano é um rebuçado sonoro que eu não me importava de o ter na boca, e lentamente saboreando, certamente que iria querer mais, porque quem começa não consegue parar).

   

domingo, maio 08, 2016

#33 Vs A Limonada da Beyoncé Vs Lemonade


Já provaram a limonada da Beyoncé? Eu já, e não sendo um grande seguidor da sua carreira, gostei muito e há musicas que são mesmo brilhantes, em que a diversidade mais parece um leque musical e com cada abanadela, ela se transforma. Dizem que está a tornar-se repetitiva na fórmula de supreender, entendo mas...

Terei que rever o documentário pois fiquei mais vidrado pelas imagens do que com as palavras e é curioso, o álbum tem excelentes criticas, mas há pessoas que o deitam abaixo, como se ela não seja mais que um produto, mas quem é que não é naquele meio? 

O álbum teve uma série de colaborações, depois dizem que ela não escreve as músicas (who cares!), entre elas James Blake (a música é tão curta que mete pena...mas é boa!), Jack White que a fez cantar rock de uma forma sublime e The Weeknd. Não posso deixar de referir uma parte de uma música que adoro dos Yeah Yeah Yeahs "Maps" que aparece numa das músicas.

Sinceramente acho que esta limonada merecia vir para aqui, porque é amarga como o limão, refrescante como cubos de gelo a tilintar num copo e muito quente porque...é verem e ouvirem para perceberem!


domingo, maio 01, 2016

#32 Vs Vikings VS A Criação da Terra


Como papa séries que sou, e porque não consigo ver tudo, pois o tempo não é feito para ser esticado mas repartido como se fosse feito de plasticina e moldá-lo consoante os nossos interesses, resolvi pegar na série "Vikings" e tem sido uma agradável surpresa, entre elas a história e o prazer que os meus olhos sentem quando vê um povo selvagem e de barba rija cheios de charme selvático. 


Num dos episódios da 1ª temporada há um diálogo que me fez vir aqui partilhá-lo, não porque mete água mas porque tem a sua beleza. A conversa é entre um viking e um "escravo" inglês, em que o viking explica como é que a terra foi criada. O "escravo" acredita em Deus, os Vikings acreditavam em algo bem diferente:

Bem, então como a Terra foi criada? Pergunta o "escravo".

A Terra foi feita da carne de Ymir e os oceanos, do sangue dele, quando o Titã descongelou-se do gelo.

Os deuses fizeram as montanhas dos seus ossos e as árvores dos cabelos, e o firmamento do crânio.

E do cérebro dele eles esculpiram as nuvens negras.



São 4 temporadas (para já), e imagino que a história tenha os mesmos contornos que a vida real, ou seja, nada pára, nada é eterno e muito menos estático. Mas se porventura a aventura em mares me leve a algum porto de abrigo, que seja o das mil faces, é o que sinto, tenho várias e não sei bem qual é a verdadeira.