domingo, maio 15, 2016

#34 Vs Rebuçado Vs Nessun Grado Di Separazione


Ontem a manhã foi doce, não que tenha comido um bolo, mas foi mais por me ter sentido um rebuçado quando me dei conta dum pescoço que se virava na minha direcção.

Senti-me um rebuçado e o invólucro a ser comido por olhos alheios.
 
Fui-me embora a pensar que todos nós temos níveis de separação e eu cada vez mais, por mais que tente, começo a voltar a barricar-me entre muros imaginários.

Talvez o meu destino seja mesmo ficar fechado num pacote de rebuçados.

(E porque ontem foi dia de Eurofestival, esta foi uma das canções que mais gostei...o italiano é um rebuçado sonoro que eu não me importava de o ter na boca, e lentamente saboreando, certamente que iria querer mais, porque quem começa não consegue parar).

   

domingo, maio 08, 2016

#33 Vs A Limonada da Beyoncé Vs Lemonade


Já provaram a limonada da Beyoncé? Eu já, e não sendo um grande seguidor da sua carreira, gostei muito e há musicas que são mesmo brilhantes, em que a diversidade mais parece um leque musical e com cada abanadela, ela se transforma. Dizem que está a tornar-se repetitiva na fórmula de supreender, entendo mas...

Terei que rever o documentário pois fiquei mais vidrado pelas imagens do que com as palavras e é curioso, o álbum tem excelentes criticas, mas há pessoas que o deitam abaixo, como se ela não seja mais que um produto, mas quem é que não é naquele meio? 

O álbum teve uma série de colaborações, depois dizem que ela não escreve as músicas (who cares!), entre elas James Blake (a música é tão curta que mete pena...mas é boa!), Jack White que a fez cantar rock de uma forma sublime e The Weeknd. Não posso deixar de referir uma parte de uma música que adoro dos Yeah Yeah Yeahs "Maps" que aparece numa das músicas.

Sinceramente acho que esta limonada merecia vir para aqui, porque é amarga como o limão, refrescante como cubos de gelo a tilintar num copo e muito quente porque...é verem e ouvirem para perceberem!


domingo, maio 01, 2016

#32 Vs Vikings VS A Criação da Terra


Como papa séries que sou, e porque não consigo ver tudo, pois o tempo não é feito para ser esticado mas repartido como se fosse feito de plasticina e moldá-lo consoante os nossos interesses, resolvi pegar na série "Vikings" e tem sido uma agradável surpresa, entre elas a história e o prazer que os meus olhos sentem quando vê um povo selvagem e de barba rija cheios de charme selvático. 


Num dos episódios da 1ª temporada há um diálogo que me fez vir aqui partilhá-lo, não porque mete água mas porque tem a sua beleza. A conversa é entre um viking e um "escravo" inglês, em que o viking explica como é que a terra foi criada. O "escravo" acredita em Deus, os Vikings acreditavam em algo bem diferente:

Bem, então como a Terra foi criada? Pergunta o "escravo".

A Terra foi feita da carne de Ymir e os oceanos, do sangue dele, quando o Titã descongelou-se do gelo.

Os deuses fizeram as montanhas dos seus ossos e as árvores dos cabelos, e o firmamento do crânio.

E do cérebro dele eles esculpiram as nuvens negras.



São 4 temporadas (para já), e imagino que a história tenha os mesmos contornos que a vida real, ou seja, nada pára, nada é eterno e muito menos estático. Mas se porventura a aventura em mares me leve a algum porto de abrigo, que seja o das mil faces, é o que sinto, tenho várias e não sei bem qual é a verdadeira.


segunda-feira, abril 25, 2016

#31 Vs Macbeth Vs Michael Fassbender


Quando pensei em ver o filme "Macbeth", foi mais pela dupla de atores (Michael Fassbender & Marion Cotillard) porque a obra de William Shakespeare pouco me diz, e não conheço praticamente o trabalho dele, tirando claro a trágica história de amor do Romeu e Julieta. São gostos, e para alguns poderá ser falta de cultura, mas adiante...

Não conhecia a história de "Macbeth" (oh what a shame!) por isso talvez não entenda as criticas feitas a esta nova versão. É um atentado à obra de William Shakespeare? Não o posso dizer, mas gostei da história, apesar de sentir-me um pouco angustiado pelos diálogos. Porque terá sido?! 

Tirando esse pequeno (GRANDE) pormenor, os atores são sublimes, com cenários estudados ao pormenor (diria eu) e música a acompanhá-los, fizeram deste filme uma espécie de buffet cinéfilo, até porque se a Marion Cottilard é um mimo, Michael Fassbender transpira charme...mesmo com a cara pintada!


Claro que há atores que gostamos, outros que dispensamos ver, um dos que me faz ver os seus filmes com outros olhos é este, e não é uma questão de beleza, talvez seja pelo talento, mas há qualquer coisa no olhar que me diz um "olá".


sábado, abril 23, 2016

#30 Vs "às vezes fodido é a palavra mais bonita que existe"


Aleluia!!!!

Depois de mais de 4 meses, hoje finalmente consegui acabar o livro "Cidade em chamas" de Garth Risk Hallberg, o tal com quase 1.000 páginas. 

Foi um grande desafio literário, nunca tinha demorado tanto para ler seja o que for, mas a história assim pedia e após uma boa dose de paciência para o ler, acima de tudo é original na estrutura em que a narrativa é composta, no entanto é pretensioso na forma como está escrito. 

Se fosse um livro de 300 páginas não acabaria por ser tão maçador. E foi...mas grande parte a história era passada nos anos 70 e em Nova Iorque, e esses foram o isco e eu fui tal e qual um peixe esfomeado por algo, mordi o anzol e lá fui levado até a uma história de crime, amor, adultério, homossexualidade, artimanhas, terrorismo urbano, arte, punk e vontade de sobreviver numa cidade em chamas. 

Se há algo que me prende num livro, são as personagens e neste há as que prenderam como um prego na tábua mais dura, e aquelas que me fizeram querer saltar partes ou até arrancar as páginas do livro. 

Se valeu a pena? Sim, apesar de tudo. Está muitíssimo bem escrito, com passagens que me fizeram reler algumas vezes, deixando o livro cheio de pedaços de papel, como se cada um deles fossem pensos para tapar feridas, pois foi não foi à toa que cada passagem marcada me fez parar por uns momentos e reler, deixando em mim feridas...e nunca me irei esquecer destes 4 meses!

E porque há excertos que merecem ser partilhados, um deles é este: 

Por um instante, as cuecas brancas dela ardem como uma vela na escuridão. A cabeça aponta para o teto onde dançam faróis através da janela atarracada, um triângulo de brancura no pescoço. Ela está simultaneamente em cima e em baixo, como se fosse uma segunda pessoa. Depois, fundem-se de novo. Ela está ciente de fricção do colchão nos joelhos, mas também, estranhamente, nas costas, quando um dos dois move o outro sobre as cobertas. São como a escada que se sobe a si própria. Como crianças atravessadas num baloiço, dando cada vez mais balanço. Existe uma força dentro de nós que nunca foi expressa. Que talvez não seja possível exprimir. E deve ser por isto que às vezes fodido é a palavra mais bonita que existe. Uma luz branca dói como um ombro mordido e um bando de pintas luminosas em crescendo apaga o que eles já perceberam que não tem fim...e, depois, uma vez mais, ela é apenas ela. Livre de fazer o barulho todo que lhe apetecer no mundo.

#29 Vs Zayn Vs Smoky Voice


Confesso que estava com muita curiosidade em ouvir o álbum do Zayn, Ex One Direction, grupo que nada me diz, e pouco ou nada conheço, no entanto Zayn tem uma voz que me seduz, áspera que nem uma língua de gato que arranha mas que dá prazer, esfumada que me deixa à procura de mais pelo meio do fumo musical.

O álbum a solo, longe de ser perfeito, tem pequenas grandes particularidades, desde a "smoky voice" às batidas que servem de consolo para corações desesperados por um pouco de amor. Li que fazia lembrar o Justin Timberlake, mas desculpem a franqueza, a voz do Zayn é muito mais interessante...

Foi o álbum que me fez companhia nesta semana no carro, e se "Pillowtalk" já me tinha conquistado, outras se seguiram, entre elas "Rear View" ou "BeFoUr - You"...


sexta-feira, abril 15, 2016

#28 Vs The Lumineers Vs Linguados


Se há banda que me deixa com a pele prestes a ser queimada de prazer são os The Lumineers, talvez por causa do som, ou pela voz do vocalista ou talvez porque sinta que numa outra vida tenha vivido algures nos EUA, numa zona perdida da sociedade, entre o asfalto e os sonhos perdidos.

Estava mais que curioso em ouvir o novo álbum "Cleopatra" e quando o ouvi, apesar do som ser o mesmo, de sentir na mesma a pele em brasa, esperava um pouco mais. Nem é tanto pelas letras (pequenas histórias cheia de nós), mas porque as músicas começam e acabam num ápice, como se fosse uma droga e bastaria espetar a agulha na veia e sentir a droga a ser espalhada no sangue. E não sendo uma, a ronquidão do vocalista compensa a falta de diversidade nas músicas.

Talvez este álbum não seja uma boa sequela sonora. Comparo-a ao anseio de beijos, mas em vez de linguados, levamos bom beijos repenicados. 

Sabem bem, mas duram tão pouco. 


sábado, abril 09, 2016

#27 Vs Yellow Vs Born To Die

Quando me dizem que estou amarelo, que a cor que me refugia do ambiente está amarela, é um sinal que ou estou daltónico ou então estou a ver mal. 

Disseram que a cor dos meus braços está diferente da que mergulha na minha barriga como se uma piscina fosse. Desde esse dia continuo a mergulhar na dúvida sobre a cor que me faz companhia. E o amarelo nunca foi das cores que mais gosto. 

"Yellow" dos Coldplay diz para olharmos para as estrelas, para vermos como brilham para nós, mas eu cá não me dou ao trabalho. 

Os vómitos constantes das últimas semanas são estranhos, e não há brilho de certas estrelas que me façam esquecer o quanto custa controlá-los, ou sentir que o que tenho é mesmo deitar para fora o que não há, nada de nada, é o que vos digo. E quando me olho ao espelho, por vezes os meus olhos são inundados por cataratas, não das fisiológicas, mas que das ocupam o nosso campo de visão.


Sarcasticamente falando, ignorando a sensibilidade alheia, até porque ela existe porque acreditamos nela como um Deus num altar, nascemos para morrer. E apesar de uns irem na corrida mais depressa que os outros, e todos nascerem para morrer, eu cá tenho dito para os meus botões "façam as malas, de uma forma ou de outra vamos viajar".

A questão não é morrer, mas para onde vamos. E eu não sei para onde irei, apesar de já saber que vou morrer. Too bad, vou ali chorar um pouco, até porque o amor não chega para ocupar o espaço vazio que reina dentro de mim. E eu cá trono não tenho, por isso, reis e rainhas podem já guardar os cavalos, pois por aqui o melhor é tirarem os cavalinhos da chuva... 

(Atenção às palavras...morrer todos nós vamos, não julguem que escapam, eu apenas não sei quando o meu deadline surge no código de barras!)


sábado, abril 02, 2016

#26 Vs Henry Cavill & Gal Gadot


É raro ir ao cinema e ver o mesmo filme passado uma semana, quanto mais um filme de personagens de banda desenhada. "Batman Vs Superman: Dawn of Justice". Fi-lo porque convenci o meu pai a ir ver e digamos que se na primeira vez o tinha visto em 2D, desta vez por causa de um problema técnico, todos que estavam na sala para ver o filme acabaram na sessão em 3D, que dispenso mas que valeu para "apanhar" pequenas coisas que me tinham escapado da primeira vez. E não paguei mais por isso.

Em miúdo deram-me uma série de BD's da Marvel, do X-Men em inglês e não entendia patavina do que lá estava, cresci sem ter aquele fascínio pelos super-heróis, mas este filme para mim é dos bons e os críticos que só falam mal, que falem, cada um tem a sua opinião...como tudo na vida. O problema é que vi-me a vasculhar na net sobre o universo da DC Comics. Senti-me um puto de 10 anos. Também só por isso valeu bem a pena! O universo dos super heróis é vasto, e entre a DC Comics e a Marvel, que venha o diabo e escolha.

Não vou falar do filme, apenas que o Henry Cavill como Superman é mesmo carismático, e a Gal Gagot como Wonder Woman deixa-me a pensar que uma mulher quando é bela, rouba a atenção de qualquer um. Não entendo porque criticam tanto o Ben Affleck, que esteve muito bem no papel de Batman e os que não gostaram do Jesse Eisenberg no papel do Lex Luthor, queriam o quê?! 

Henry Cavill & Gal Gadot nhum nhum nhum nhum nhum nhum nhum 





sexta-feira, abril 01, 2016

#25 Vs A Arte De Bem Olhar

Hoje não há imagem a acompanhar estas palavras e muito menos música para as ajudar a serem lidas (isto para quem lê o que escrevo com olhos de ler...hoje jurei que não diria mentiras, apenas verdades!) o que irei escrever, mas será tão pouco, que nem um pombo viria ter à minha mão comer as migalhas que porventura poderia ter.

Há cerca de um ano uma ideia tive, e hoje comecei a concretizar, mas digamos que a "coisa" tem ramificações, uma espécie de árvore que envolve tinta, prazer, palavras e imaginação. Acontece que caí em mim e forcei-me a dar o braço a torcer às ideias dos outros e o resultado é um enigma. Estou para ver.

E porque hoje é o dia das mentiras, a verdade é que a arte de bem olhar deu-me a certeza do que faz o meu coração saltar que nem um cavalo com cio. E o que realmente é importante é a certeza que a incerteza já não mora aqui, porque a arte que os olhos nos dá e retribui tem muito que se lhe diga.