Aleluia!!!!
Depois de mais de 4 meses, hoje finalmente consegui acabar o livro "Cidade em chamas" de Garth Risk Hallberg, o tal com quase 1.000 páginas.
Foi um grande desafio literário, nunca tinha demorado tanto para ler seja o que for, mas a história assim pedia e após uma boa dose de paciência para o ler, acima de tudo é original na estrutura em que a narrativa é composta, no entanto é pretensioso na forma como está escrito.
Se fosse um livro de 300 páginas não acabaria por ser tão maçador. E foi...mas grande parte a história era passada nos anos 70 e em Nova Iorque, e esses foram o isco e eu fui tal e qual um peixe esfomeado por algo, mordi o anzol e lá fui levado até a uma história de crime, amor, adultério, homossexualidade, artimanhas, terrorismo urbano, arte, punk e vontade de sobreviver numa cidade em chamas.
Se fosse um livro de 300 páginas não acabaria por ser tão maçador. E foi...mas grande parte a história era passada nos anos 70 e em Nova Iorque, e esses foram o isco e eu fui tal e qual um peixe esfomeado por algo, mordi o anzol e lá fui levado até a uma história de crime, amor, adultério, homossexualidade, artimanhas, terrorismo urbano, arte, punk e vontade de sobreviver numa cidade em chamas.
Se há algo que me prende num livro, são as personagens e neste há as que prenderam como um prego na tábua mais dura, e aquelas que me fizeram querer saltar partes ou até arrancar as páginas do livro.
Se valeu a pena? Sim, apesar de tudo. Está muitíssimo bem escrito, com passagens que me fizeram reler algumas vezes, deixando o livro cheio de pedaços de papel, como se cada um deles fossem pensos para tapar feridas, pois foi não foi à toa que cada passagem marcada me fez parar por uns momentos e reler, deixando em mim feridas...e nunca me irei esquecer destes 4 meses!
E porque há excertos que merecem ser partilhados, um deles é este:
Por um instante, as cuecas brancas dela ardem como uma vela na escuridão. A cabeça aponta para o teto onde dançam faróis através da janela atarracada, um triângulo de brancura no pescoço. Ela está simultaneamente em cima e em baixo, como se fosse uma segunda pessoa. Depois, fundem-se de novo. Ela está ciente de fricção do colchão nos joelhos, mas também, estranhamente, nas costas, quando um dos dois move o outro sobre as cobertas. São como a escada que se sobe a si própria. Como crianças atravessadas num baloiço, dando cada vez mais balanço. Existe uma força dentro de nós que nunca foi expressa. Que talvez não seja possível exprimir. E deve ser por isto que às vezes fodido é a palavra mais bonita que existe. Uma luz branca dói como um ombro mordido e um bando de pintas luminosas em crescendo apaga o que eles já perceberam que não tem fim...e, depois, uma vez mais, ela é apenas ela. Livre de fazer o barulho todo que lhe apetecer no mundo.
















