sábado, abril 23, 2016

#30 Vs "às vezes fodido é a palavra mais bonita que existe"


Aleluia!!!!

Depois de mais de 4 meses, hoje finalmente consegui acabar o livro "Cidade em chamas" de Garth Risk Hallberg, o tal com quase 1.000 páginas. 

Foi um grande desafio literário, nunca tinha demorado tanto para ler seja o que for, mas a história assim pedia e após uma boa dose de paciência para o ler, acima de tudo é original na estrutura em que a narrativa é composta, no entanto é pretensioso na forma como está escrito. 

Se fosse um livro de 300 páginas não acabaria por ser tão maçador. E foi...mas grande parte a história era passada nos anos 70 e em Nova Iorque, e esses foram o isco e eu fui tal e qual um peixe esfomeado por algo, mordi o anzol e lá fui levado até a uma história de crime, amor, adultério, homossexualidade, artimanhas, terrorismo urbano, arte, punk e vontade de sobreviver numa cidade em chamas. 

Se há algo que me prende num livro, são as personagens e neste há as que prenderam como um prego na tábua mais dura, e aquelas que me fizeram querer saltar partes ou até arrancar as páginas do livro. 

Se valeu a pena? Sim, apesar de tudo. Está muitíssimo bem escrito, com passagens que me fizeram reler algumas vezes, deixando o livro cheio de pedaços de papel, como se cada um deles fossem pensos para tapar feridas, pois foi não foi à toa que cada passagem marcada me fez parar por uns momentos e reler, deixando em mim feridas...e nunca me irei esquecer destes 4 meses!

E porque há excertos que merecem ser partilhados, um deles é este: 

Por um instante, as cuecas brancas dela ardem como uma vela na escuridão. A cabeça aponta para o teto onde dançam faróis através da janela atarracada, um triângulo de brancura no pescoço. Ela está simultaneamente em cima e em baixo, como se fosse uma segunda pessoa. Depois, fundem-se de novo. Ela está ciente de fricção do colchão nos joelhos, mas também, estranhamente, nas costas, quando um dos dois move o outro sobre as cobertas. São como a escada que se sobe a si própria. Como crianças atravessadas num baloiço, dando cada vez mais balanço. Existe uma força dentro de nós que nunca foi expressa. Que talvez não seja possível exprimir. E deve ser por isto que às vezes fodido é a palavra mais bonita que existe. Uma luz branca dói como um ombro mordido e um bando de pintas luminosas em crescendo apaga o que eles já perceberam que não tem fim...e, depois, uma vez mais, ela é apenas ela. Livre de fazer o barulho todo que lhe apetecer no mundo.

#29 Vs Zayn Vs Smoky Voice


Confesso que estava com muita curiosidade em ouvir o álbum do Zayn, Ex One Direction, grupo que nada me diz, e pouco ou nada conheço, no entanto Zayn tem uma voz que me seduz, áspera que nem uma língua de gato que arranha mas que dá prazer, esfumada que me deixa à procura de mais pelo meio do fumo musical.

O álbum a solo, longe de ser perfeito, tem pequenas grandes particularidades, desde a "smoky voice" às batidas que servem de consolo para corações desesperados por um pouco de amor. Li que fazia lembrar o Justin Timberlake, mas desculpem a franqueza, a voz do Zayn é muito mais interessante...

Foi o álbum que me fez companhia nesta semana no carro, e se "Pillowtalk" já me tinha conquistado, outras se seguiram, entre elas "Rear View" ou "BeFoUr - You"...


sexta-feira, abril 15, 2016

#28 Vs The Lumineers Vs Linguados


Se há banda que me deixa com a pele prestes a ser queimada de prazer são os The Lumineers, talvez por causa do som, ou pela voz do vocalista ou talvez porque sinta que numa outra vida tenha vivido algures nos EUA, numa zona perdida da sociedade, entre o asfalto e os sonhos perdidos.

Estava mais que curioso em ouvir o novo álbum "Cleopatra" e quando o ouvi, apesar do som ser o mesmo, de sentir na mesma a pele em brasa, esperava um pouco mais. Nem é tanto pelas letras (pequenas histórias cheia de nós), mas porque as músicas começam e acabam num ápice, como se fosse uma droga e bastaria espetar a agulha na veia e sentir a droga a ser espalhada no sangue. E não sendo uma, a ronquidão do vocalista compensa a falta de diversidade nas músicas.

Talvez este álbum não seja uma boa sequela sonora. Comparo-a ao anseio de beijos, mas em vez de linguados, levamos bom beijos repenicados. 

Sabem bem, mas duram tão pouco. 


sábado, abril 09, 2016

#27 Vs Yellow Vs Born To Die

Quando me dizem que estou amarelo, que a cor que me refugia do ambiente está amarela, é um sinal que ou estou daltónico ou então estou a ver mal. 

Disseram que a cor dos meus braços está diferente da que mergulha na minha barriga como se uma piscina fosse. Desde esse dia continuo a mergulhar na dúvida sobre a cor que me faz companhia. E o amarelo nunca foi das cores que mais gosto. 

"Yellow" dos Coldplay diz para olharmos para as estrelas, para vermos como brilham para nós, mas eu cá não me dou ao trabalho. 

Os vómitos constantes das últimas semanas são estranhos, e não há brilho de certas estrelas que me façam esquecer o quanto custa controlá-los, ou sentir que o que tenho é mesmo deitar para fora o que não há, nada de nada, é o que vos digo. E quando me olho ao espelho, por vezes os meus olhos são inundados por cataratas, não das fisiológicas, mas que das ocupam o nosso campo de visão.


Sarcasticamente falando, ignorando a sensibilidade alheia, até porque ela existe porque acreditamos nela como um Deus num altar, nascemos para morrer. E apesar de uns irem na corrida mais depressa que os outros, e todos nascerem para morrer, eu cá tenho dito para os meus botões "façam as malas, de uma forma ou de outra vamos viajar".

A questão não é morrer, mas para onde vamos. E eu não sei para onde irei, apesar de já saber que vou morrer. Too bad, vou ali chorar um pouco, até porque o amor não chega para ocupar o espaço vazio que reina dentro de mim. E eu cá trono não tenho, por isso, reis e rainhas podem já guardar os cavalos, pois por aqui o melhor é tirarem os cavalinhos da chuva... 

(Atenção às palavras...morrer todos nós vamos, não julguem que escapam, eu apenas não sei quando o meu deadline surge no código de barras!)


sábado, abril 02, 2016

#26 Vs Henry Cavill & Gal Gadot


É raro ir ao cinema e ver o mesmo filme passado uma semana, quanto mais um filme de personagens de banda desenhada. "Batman Vs Superman: Dawn of Justice". Fi-lo porque convenci o meu pai a ir ver e digamos que se na primeira vez o tinha visto em 2D, desta vez por causa de um problema técnico, todos que estavam na sala para ver o filme acabaram na sessão em 3D, que dispenso mas que valeu para "apanhar" pequenas coisas que me tinham escapado da primeira vez. E não paguei mais por isso.

Em miúdo deram-me uma série de BD's da Marvel, do X-Men em inglês e não entendia patavina do que lá estava, cresci sem ter aquele fascínio pelos super-heróis, mas este filme para mim é dos bons e os críticos que só falam mal, que falem, cada um tem a sua opinião...como tudo na vida. O problema é que vi-me a vasculhar na net sobre o universo da DC Comics. Senti-me um puto de 10 anos. Também só por isso valeu bem a pena! O universo dos super heróis é vasto, e entre a DC Comics e a Marvel, que venha o diabo e escolha.

Não vou falar do filme, apenas que o Henry Cavill como Superman é mesmo carismático, e a Gal Gagot como Wonder Woman deixa-me a pensar que uma mulher quando é bela, rouba a atenção de qualquer um. Não entendo porque criticam tanto o Ben Affleck, que esteve muito bem no papel de Batman e os que não gostaram do Jesse Eisenberg no papel do Lex Luthor, queriam o quê?! 

Henry Cavill & Gal Gadot nhum nhum nhum nhum nhum nhum nhum 





sexta-feira, abril 01, 2016

#25 Vs A Arte De Bem Olhar

Hoje não há imagem a acompanhar estas palavras e muito menos música para as ajudar a serem lidas (isto para quem lê o que escrevo com olhos de ler...hoje jurei que não diria mentiras, apenas verdades!) o que irei escrever, mas será tão pouco, que nem um pombo viria ter à minha mão comer as migalhas que porventura poderia ter.

Há cerca de um ano uma ideia tive, e hoje comecei a concretizar, mas digamos que a "coisa" tem ramificações, uma espécie de árvore que envolve tinta, prazer, palavras e imaginação. Acontece que caí em mim e forcei-me a dar o braço a torcer às ideias dos outros e o resultado é um enigma. Estou para ver.

E porque hoje é o dia das mentiras, a verdade é que a arte de bem olhar deu-me a certeza do que faz o meu coração saltar que nem um cavalo com cio. E o que realmente é importante é a certeza que a incerteza já não mora aqui, porque a arte que os olhos nos dá e retribui tem muito que se lhe diga.


sábado, março 26, 2016

#24 O Homem Mais Só do Mundo Vs Anomalisa

Uma coisa à qual acho uma certa piada é quando 2 peças se juntam, como se um puzzle se tratasse, um enigma que nos é apresentado, ou apenas uma coincidência que junta energias e o acaso, e agrega as vontades com a falta de desejo.  

Estava a ler o livro que dura e dura e dura (a repetição de "dura" não é erro meu, o livro é tão longo que há 3 meses que me sinto estrangulado pelas suas páginas) "Cidade em Chamas" quando me deparo com a seguinte passagem:

Ela bocejou, arqueou as costas como um gato e imobilizou-se.
Ele pensou que ela tinha adormecido, mas depois ela voltou a falar. O Homem Mais Só do Mundo, disse, só tem espaço no coração para uma pessoa e, se não puder ter essa pessoa, fecha-se. Diz para si próprio que é impossível alguém amá-lo, mas na realidade ele é que se recusa a amar seja quem for. Como os lábios mal se moviam, era como se estivesse a falar a dormir.


E não é que depois vejo o filme "Anomalisa" que não é perfeito, mas é diferente, que fala de dores mas que não físicas, mas fazem por ser sentidas e que acabam por deixar em nós um poço com um balde, o tal, que com água, nos dá a esperança. E no final...

"O que é ser humano? O que é sentir dor? O que é sentirmo-nos vivos" Diz no trailer, e por mais ficção que vivamos rodeados, é a realidade que nos faz companhia. 

Ser humano? É o dia-a-dia e as suas sequelas. 

Sentir dor, é sentir o amor e a falta dele. 

Sentirmo-nos vivos, é sentir tudo e nada. 

E é isso o que sinto, e cada vez mais sinto tudo e sinto nada.

Se me dessem um outro nome não seria "Anomalisa" seria outro, mas para entenderem a codificação inerente a esse outro nome, teriam que ver o filme para perceber que cada um de nós tem um nome alternativo, que nos fode sem sabermos, e sem termos noção disso. 



A anormalidade é tão comum como a hóstia na boca do mais santo pecador.


Feliz Páscoa!

domingo, março 20, 2016

#23 Vs I'm In Love Vs Bruno Santin


Estas ruas virtuais, nem sempre são becos sem saída, sem passadeiras para nós, meros peões para atravessarmos até ao outro lado, seja lá que lado ele seja. Fiz isso, deparei-me com algo que me seduziu, deixou dentro de mim pólvora à espera que alguém a fizesse explodir. E explodiu!

Estas ruas que nem sempre são virtuais deram-me ideias, e são tantas que resolvi filtrar, como se fossem pequenos grãos e o resultado foi um café cheio de cafeína. 

Bruno Santin para mim é alguém tem a capacidade de criar algo único. 
Quando vi alguns dos seus trabalhos senti logo aquela vontade de ter um retrato meu "pincelado" pelas suas mãos.

Enviei-lhe uma mensagem a pedir informações, que teve retorno, e agora não sei bem o que fazer, I'm in love pelo seu trabalho e só de me imaginar num "reflexo desenho" em A3 fez-me novamente acreditar que somos como somos, mas que há fases na vida que tudo o que nos toca, é porque está na altura de as aceitarmos e não de as camuflar com crises de identidade. Eu sei bem quem sou, e quem gostaria de ser.

E pouco ou nada sou quem mostro a quem me "vive".

Desenhem-me porque estou apaixonado! Até porque começo a estar farto de "viver" os outros.

Para além do que já aqui partilhei, estes são outros que me fizeram apaixonar...





sábado, março 19, 2016

#22 Vs Vou-me Assumir! Vs Troye Sivan


A dúvida é uma maré que vai e que pode voltar, e o desejo de a receber fala por si. Deixa em nós, pigmentos de uma juventude que já foi, mas que deixa em nós resquícios que falam sem voz, que nos apalpam como se fossemos feitos de barro, e no meu caso, sou um pedaço, não sei bem para o quê...

Há já algum tempo que sinto essa vontade, de mostrar o meu outro lado, o que a lua não mostra, que o dia a dia não permite, e o que o meu EU não deixa. Estou de certa forma entusiasmado em o fazer, não apenas porque é algo que só me irá fazer bem, mas aos olhos dos outros não sei bem o que contar. 

Serei eu olhado de lado? Um freak? Alguém que desconhecem? Sim e sim, mas talvez seja mesmo por isso que assumir quem sou, é algo que tem as suas vantagens, não sei se as que terei, e na verdade, não terei nenhumas. 

Não irei participar num jogo de poker, e muito menos esperar que a sorte me dê uma vantagem que eu não mereço. Vou tentar correr com os meus colegas de trabalho, assumir que as minhas pernas são como as deles, e eles não fazem ideia que nas minhas tenho um mapa de histórias que não lhes contarei. E porque se trata de correr e porque é de calções que vou o fazer, uma página desta minha vida irá ver virada. E só agora é que caí em mim, as tatuagens vão contar o que não quero, sem eu as poder interpretar aos outros. 

Eles apenas irão olhar e comentar, e esfaqueado serei. 

As minhas costas servirão de tela para o que eles não sabem. E mesmo assim quero o fazer, ser esfaqueado por teorias quando bem sei o que a prática da vontade já me deu. Umas pernas como se fossem um conto.

Não sei se vou me rir, ou apenas desistir, mas irei tentar os acompanhar, apesar que já sinto a minha juventude num beco sem saída. Ela que se foda. Vou tentar! Se ficar para trás, que fique, terei as minhas ondas, a avezinha, o meu desenho, as hortências, o meu bigode...talvez seja mesmo isso que preciso agora mesmo. Testar os limites, e não deste oceano mas dos meus pulmões, e sinto que os vou fazer explodir!


domingo, março 13, 2016

#21 Vs o Rapaz (sem) o Pólo Vermelho Vs Cranberries


Santo dia este, vi o rapaz do pólo vermelho sem ele. E gostei do que vi!

Santo dia este, e vi o rapaz sem o pólo vermelho a ver se me via....a questão que se coloca, é tão simples como água. Terá ele querido a prova que eu andava mesmo fitá-lo? 

Pois, eu estava, e com um sorriso retribui.