Santo dia este, vi o rapaz do pólo vermelho sem ele. E gostei do que vi!
Santo dia este, e vi o rapaz sem o pólo vermelho a ver se me via....a questão que se coloca, é tão simples como água. Terá ele querido a prova que eu andava mesmo fitá-lo?
Bem sei que não tenho estado nos meus melhores dias, fechei-me dentro do possível, e não com o estilo de uma ostra com pérola, mas mais com o de uma ameijoa a bolhão pato sem ninguém pegar nela. Convém dizer que também não quero que ninguém o faça.
Sinto-me desligado de praticamente tudo, só não contava que em 3 meses de 2016 a missa sacramental ainda durasse. Se houvesse velas espalhadas por esta minha igreja, soprariam como se eu próprio fosse o vento e vocês as beatas à espera da absolvição. Mas calma lá, eu também a quero!
Sou mau exemplo como um ser social, e por mais tesão que a vida me deixe entre as pernas quando olho para o alheio, o que faz parte da minha realidade é o que me faz dançar, uma linguagem de corpo que aposto que ninguém entende. Ela move-se ao longo dos dias como se o dia de amanhã fosse igual ao de ontem, por vezes é pior, por vezes igual, por vezes nada muda.
Posso sentir-me perdido, mas não preciso de um mapa, apenas precisa que o tempo me dê o que mais ninguém me consegue dar. E sabem o que é?
A linguagem corporal é fodida, quanto mais a que ela expressa. E quando me dizem que ando triste, é sinal que este meu corpo tem que aprender a falar islandês. Assim em sonho quando lá for, não teria problemas em nada, apenas em pagar a viagem, a estadia e os mimos. Mas fico-me com estes, os que não partilho e que são doces q.b. mas que não são suficientes.
Não sei se é de mim, mas por vezes quando olho para os outros, e quando falo deles, falo apenas de uma minoria, uma espécie de formigas que trabalha arduamente em pleno inverno, e só vejo fachadas com o estuque a dar de si.
Fazem tudo, têm vidas cheias, com egos grávidos de filhos com futuros ocos, sem pontas que se lhe pegue. O problema é que todos nós queremos que nos peguem pelas pontas...
A soberba quando é manifestada em atos, as omissões fazem toda a diferença.
Talvez um abanar de penas afugente as aves agoirentas. Mas não me venham com a superioridade ambulante. Quando a vejo, deixo-a passar, a ela e à carroça puxada pelo boi, ou pela vaca e até pelo burro.
Gosto de acordar cedo, fazer dos raios matutinos do sol alicerces para um dia bem sustentado por impulsos que me fazem acreditar que esse é o meu desígnio de estar por cá. Deixo as horas rolarem como pequenos pneus, que sem gordura, queimam os minutos e os segundos e deixam-me faminto por mais. Não é esse o motivo de estarmos todos por cá?
Nunca cedi à preguiça, talvez porque a depressão seja uma prima afastada ou apenas porque ela, enfiada num lençol e cobertor não seja mais que outra capa, que nos esconde da realidade. Talvez uma máscara que não precisa de rosto e mesmo assim, diz algo de nós.
Preguiça? Só se for aquela que se agarra à árvore e tem um ar fofinho.
Coisa que nunca desejei foi mal ao próximo, e pouco católico que sou, e ausente na prática na adoração de um Deus que dorme com o estilo de uma bela adormecida, remeto-me ao silêncio, o que come algumas palavras, chupa as figuras de estilo e rumina as letras que estão em excesso em tudo o que escrevo tipo, vaca a pastar num pasto bem verdejante.
Ira? Vermelha, ou incandescente, faço-me de parvo e deixo-me foder pela intempestividade que a raiva dum pecado exige.
Ira?!
Vou-te pintar de uma outra cor.
Agora é a tua vez de te foderes a ti própria. Até porque o meu espírito de adolescente fodeu-se com o tempo, e agora tem uma década de ausências de momentos, remetida no baú das memórias perdidas sem direito a um livro de reclamações. O meu coração está vestido de negro, e pouca vontade tenho de mudar de roupa. Longe de me preocupar com o que os outros vêem em mim, a vontade de recomeçar já se foi. Vou tentar viver a continuação, duma ira que se pinta de preto mas a vejo maravilhada em outros tons.
O paraíso era suposto ser um céu com nuvens feitas de algodão doce, pingos de chuva com sabor a coco e palmeiras com folhas de canabis, porque para vivermos esta vida e irmos desta para melhor, porque não fazer uma festa sem as merdas desta realidade?! E não podemos nos esquecer dos unicórnios...
A vida sem luxos é quase um filme a preto e branco, mas tomara muitos de nós vivermos um, sem as cores dos filmes dos dias de hoje. Até diria que o brilho que a ostentação tem, mais valia correr de olhos vendados, talvez aí a importância de certas coisas passasse não pelo dourado da esperança que a vida promete e nos seduz, mas pelo brilho de um sorriso, mesmo que os dentes desse sorriso não fosse o ideal, perfeito e bonito. Até poderiam faltar uns dentes, e alguns dos que fizessem parte da boca tivessem menos brancos, manchados pelo cor de café, ou camuflados pelo fumo do tabaco...
A luxúria para alguns é um porto de abrigo, talvez porque esse seja apenas o objetivo de uma vida. Há que mostrar aos outros, a perfeição "ilusória" que se quer dar a entender. A vida é bela, mas a sua sombra por vezes é bem podre, com direito a bichinhos...
O que brilha num momento, não brilha para sempre. E nos momentos em que a escuridão é a única luz que temos, aprendemos a dar valor ao que realmente é importante.
A luxúria é um saco de plástico que pede para ser reciclado, até ter os tons dourados na qual a ambição desmedida vive submersa e adormecida.
Longe de ser um tio patinhas, espremo bem a pasta de dentes até ela gritar "não me estrangules mais nesses teus dedos" e também corto a embalagem onde está o creme hidratante, tudo tem que ser aproveitado. Não sou rico, e se dizem que grão a grão a galinha enche o papo, ao menos poupo alguma coisa, ou melhor, desperdiço menos...
Já me disseram que sou péssimo a cortar maças, e sei que é suposto apenas cortar a casca, mas por vezes vai quase tudo. Resultado: desperdiço muita maça! Falta de jeito, ou apenas não ter paciência para contornos laminares. Já me basta os que me cortam de dentro para fora. Whatever...
Não tenho mealheiro, mas faço de conta que tenho um. Há quem faça contas aos meus gastos, mas melhor que ninguém sei o que 1 euro me dá e o que me poderia dar. Não sou avarento, e não sendo nenhum expert em matemática, sei fazer bem as contas...ora vamos lá, se gasto X e me dá me para parecer mais que os outros e depois fico à deriva, o melhor é gastar Y e ficar a ver os outros a viverem bem e à francesa...Deve de ser aí onde ganho uns trocos, enquanto os outros os gastam, ou talvez seja apenas uma questão de ângulo. Vou ali buscar um esquadro para ver com que ângulo a avareza se rege.
Digo isto e não é por nada, hoje dava 1.000 euros por 10 sessões de tatuagens de que do que ir numa viagem. São gostos, prioridades, e acima de tudo, sentir um ego bem preenchido. O meu nasceu para o que está bem ao lado das escolhas dos outros. Esqueçam as pré-definições, e as que fazem da minha pessoa, ficam é a perder.
Um momento s.f.f., tenho que pegar na ferramenta e espremer a pasta de dentes que está a acabar...mas se pudesse faria uma food fight...é que há gente com fome, e porque com a comida não se deve brincar, com a que tenho em mãos, só come quem tem direito.
(Desculpem a acidez. A culpa não é minha, é nossa, e quando escrevo "nossa" não é um barrete para se colocar na cabeça, apenas uma forma de generalizar a "coisa". A sociedade só por si só é uma grande avarenta, que vive, e sobrevive de lambidelas em egos alheios. Daí a própria avareza não gastar quase nada...)
Dei por a mim a pensar que sou uma espécie de âncora para a gula, daquelas que a desfaz com um olhar, deixando-a em pedaços.
Dizem que Deus deu-nos olhos foi para ver, entendo, e eu até que resisto às tentações, mesmo as que sejam apenas meras ilusões, espécies raras de oásis em desertos áridos, escaldantes de desejos mas com contenções, limitando-nos, mas...não resisto nas ilusões, chupas chupas que não perdem o sabor.
...a gula sabe tão bem, mesmo que não dê uma trinca, em pensamento farto-me de as dar. Em quem?! Isso agora fica comigo! (Elle King é que sabe...música viciante...quanto às imagens, a gula fala por si, não por mim!)
Olhou-me nos olhos, com cara de quem estava prestes a tocar num assunto que deveria tomar de mim toda a atenção.
Pegou na minha mão, como se ela fosse de plasticina, talvez com receio que eu a puxasse, e não deixasse ser tomada pelas suas. Dificilmente cedo a esse tipo de pressões, como se o mundo fosse uma gota de orvalho e eu uma enxurrada.
Sorriu e ofereceu-me uma piscadela, ele uma cortina, e eu um reflexo do sol, e fosse ele o brilho que vi quando me perguntou "Queres namorar comigo?".
Senti-o, uns raios abrasadores, e por pouco não fiquei em cinzas.
O meu coração rasgou-se, o arame farpado que o circundava, desfez-se, como se o ferro que o entalava, afinal não fosse mais que uma ilusão de anos e anos de enclaustramento. O telhado do meu mosteiro ruiu, as paredes cederam, e os alicerces deram de si. Por pouco não me deixei subterrar.
Olhei-o com cara de quem estava prestes a dar a resposta que iria mudar tudo, e com a minha outra mão afaguei-lhe a face e retribui a piscadela. Disse "sim". Abstrai-me de quem nos rodeava, éramos 2 peixes, num aquário com mil olhos sob nós. Mandei-os f*der, quando senti o peso desses olhares alheios, apenas porque acariciei a face de um outro rapaz.
E na minha vida nunca um sim foi tão complicado de o dizer. O "S" atropelou-me nas curvas da sua complexidade, o "i" amarfanhou-me de tal forma que me senti uma folha de rascunho, e quando o "m" foi dito, a vida por vezes deveria ser composta de poucas letras. Tudo é tão simples quando a simplicidade mora já aqui ao lado.
Mas atenção, não dizem que o Natal é quando o Homem quiser? E hoje não é o dia dos namorados, e não deveria esse dia ser todos os dias? Porque queria voltar numa data tão especial e porque o Homem mente quando bem lhe apetece, pois bem, hoje estou a celebrar o dia das mentiras, porque se o dia 1 de Abril é apenas uma vez por ano, todos nós mentimos durante o ano inteiro. Ah Ah Ah...Next!