Coisa que nunca desejei foi mal ao próximo, e pouco católico que sou, e ausente na prática na adoração de um Deus que dorme com o estilo de uma bela adormecida, remeto-me ao silêncio, o que come algumas palavras, chupa as figuras de estilo e rumina as letras que estão em excesso em tudo o que escrevo tipo, vaca a pastar num pasto bem verdejante.
Ira? Vermelha, ou incandescente, faço-me de parvo e deixo-me foder pela intempestividade que a raiva dum pecado exige.
Ira?!
Vou-te pintar de uma outra cor.
Agora é a tua vez de te foderes a ti própria. Até porque o meu espírito de adolescente fodeu-se com o tempo, e agora tem uma década de ausências de momentos, remetida no baú das memórias perdidas sem direito a um livro de reclamações. O meu coração está vestido de negro, e pouca vontade tenho de mudar de roupa. Longe de me preocupar com o que os outros vêem em mim, a vontade de recomeçar já se foi. Vou tentar viver a continuação, duma ira que se pinta de preto mas a vejo maravilhada em outros tons.
O paraíso era suposto ser um céu com nuvens feitas de algodão doce, pingos de chuva com sabor a coco e palmeiras com folhas de canabis, porque para vivermos esta vida e irmos desta para melhor, porque não fazer uma festa sem as merdas desta realidade?! E não podemos nos esquecer dos unicórnios...
A vida sem luxos é quase um filme a preto e branco, mas tomara muitos de nós vivermos um, sem as cores dos filmes dos dias de hoje. Até diria que o brilho que a ostentação tem, mais valia correr de olhos vendados, talvez aí a importância de certas coisas passasse não pelo dourado da esperança que a vida promete e nos seduz, mas pelo brilho de um sorriso, mesmo que os dentes desse sorriso não fosse o ideal, perfeito e bonito. Até poderiam faltar uns dentes, e alguns dos que fizessem parte da boca tivessem menos brancos, manchados pelo cor de café, ou camuflados pelo fumo do tabaco...
A luxúria para alguns é um porto de abrigo, talvez porque esse seja apenas o objetivo de uma vida. Há que mostrar aos outros, a perfeição "ilusória" que se quer dar a entender. A vida é bela, mas a sua sombra por vezes é bem podre, com direito a bichinhos...
O que brilha num momento, não brilha para sempre. E nos momentos em que a escuridão é a única luz que temos, aprendemos a dar valor ao que realmente é importante.
A luxúria é um saco de plástico que pede para ser reciclado, até ter os tons dourados na qual a ambição desmedida vive submersa e adormecida.
Longe de ser um tio patinhas, espremo bem a pasta de dentes até ela gritar "não me estrangules mais nesses teus dedos" e também corto a embalagem onde está o creme hidratante, tudo tem que ser aproveitado. Não sou rico, e se dizem que grão a grão a galinha enche o papo, ao menos poupo alguma coisa, ou melhor, desperdiço menos...
Já me disseram que sou péssimo a cortar maças, e sei que é suposto apenas cortar a casca, mas por vezes vai quase tudo. Resultado: desperdiço muita maça! Falta de jeito, ou apenas não ter paciência para contornos laminares. Já me basta os que me cortam de dentro para fora. Whatever...
Não tenho mealheiro, mas faço de conta que tenho um. Há quem faça contas aos meus gastos, mas melhor que ninguém sei o que 1 euro me dá e o que me poderia dar. Não sou avarento, e não sendo nenhum expert em matemática, sei fazer bem as contas...ora vamos lá, se gasto X e me dá me para parecer mais que os outros e depois fico à deriva, o melhor é gastar Y e ficar a ver os outros a viverem bem e à francesa...Deve de ser aí onde ganho uns trocos, enquanto os outros os gastam, ou talvez seja apenas uma questão de ângulo. Vou ali buscar um esquadro para ver com que ângulo a avareza se rege.
Digo isto e não é por nada, hoje dava 1.000 euros por 10 sessões de tatuagens de que do que ir numa viagem. São gostos, prioridades, e acima de tudo, sentir um ego bem preenchido. O meu nasceu para o que está bem ao lado das escolhas dos outros. Esqueçam as pré-definições, e as que fazem da minha pessoa, ficam é a perder.
Um momento s.f.f., tenho que pegar na ferramenta e espremer a pasta de dentes que está a acabar...mas se pudesse faria uma food fight...é que há gente com fome, e porque com a comida não se deve brincar, com a que tenho em mãos, só come quem tem direito.
(Desculpem a acidez. A culpa não é minha, é nossa, e quando escrevo "nossa" não é um barrete para se colocar na cabeça, apenas uma forma de generalizar a "coisa". A sociedade só por si só é uma grande avarenta, que vive, e sobrevive de lambidelas em egos alheios. Daí a própria avareza não gastar quase nada...)
Dei por a mim a pensar que sou uma espécie de âncora para a gula, daquelas que a desfaz com um olhar, deixando-a em pedaços.
Dizem que Deus deu-nos olhos foi para ver, entendo, e eu até que resisto às tentações, mesmo as que sejam apenas meras ilusões, espécies raras de oásis em desertos áridos, escaldantes de desejos mas com contenções, limitando-nos, mas...não resisto nas ilusões, chupas chupas que não perdem o sabor.
...a gula sabe tão bem, mesmo que não dê uma trinca, em pensamento farto-me de as dar. Em quem?! Isso agora fica comigo! (Elle King é que sabe...música viciante...quanto às imagens, a gula fala por si, não por mim!)
Olhou-me nos olhos, com cara de quem estava prestes a tocar num assunto que deveria tomar de mim toda a atenção.
Pegou na minha mão, como se ela fosse de plasticina, talvez com receio que eu a puxasse, e não deixasse ser tomada pelas suas. Dificilmente cedo a esse tipo de pressões, como se o mundo fosse uma gota de orvalho e eu uma enxurrada.
Sorriu e ofereceu-me uma piscadela, ele uma cortina, e eu um reflexo do sol, e fosse ele o brilho que vi quando me perguntou "Queres namorar comigo?".
Senti-o, uns raios abrasadores, e por pouco não fiquei em cinzas.
O meu coração rasgou-se, o arame farpado que o circundava, desfez-se, como se o ferro que o entalava, afinal não fosse mais que uma ilusão de anos e anos de enclaustramento. O telhado do meu mosteiro ruiu, as paredes cederam, e os alicerces deram de si. Por pouco não me deixei subterrar.
Olhei-o com cara de quem estava prestes a dar a resposta que iria mudar tudo, e com a minha outra mão afaguei-lhe a face e retribui a piscadela. Disse "sim". Abstrai-me de quem nos rodeava, éramos 2 peixes, num aquário com mil olhos sob nós. Mandei-os f*der, quando senti o peso desses olhares alheios, apenas porque acariciei a face de um outro rapaz.
E na minha vida nunca um sim foi tão complicado de o dizer. O "S" atropelou-me nas curvas da sua complexidade, o "i" amarfanhou-me de tal forma que me senti uma folha de rascunho, e quando o "m" foi dito, a vida por vezes deveria ser composta de poucas letras. Tudo é tão simples quando a simplicidade mora já aqui ao lado.
Mas atenção, não dizem que o Natal é quando o Homem quiser? E hoje não é o dia dos namorados, e não deveria esse dia ser todos os dias? Porque queria voltar numa data tão especial e porque o Homem mente quando bem lhe apetece, pois bem, hoje estou a celebrar o dia das mentiras, porque se o dia 1 de Abril é apenas uma vez por ano, todos nós mentimos durante o ano inteiro. Ah Ah Ah...Next!
Deixo-me escorrer por águas bem temperadas, que por vezes adornam-me como se eu fosse a escuridão em carne viva.
Preciso mais do que tenho, e do que tenho conseguido ter. O que não choro, forma um oceano, no qual me tenho deixado boiar. Não preciso que me salvem, mas preciso dessa intenção.
A penumbra das cores destas águas é esgotante, e sem ela, vou-me deixando ir...
Tudo tem um fim, braços a nadarem para um lado, pensamentos a naufragarem noutro, mas o que importa, eu bem sei, é saber para onde ir.
Pressinto que a escrita de Deus está corrompida. Se dizem que Ele escreve direito por linhas direitas, as que vejo e que consigo ler, estão bastante distorcidas.
A partir de hoje, deixarei que as letras que poderia aqui libertar, me falem na singularidade que são capazes de o fazer. Espero que me contem histórias, e as que vocês escreverem, que me contem outras.
Vou desligar-me por uns tempos. Espero em Fevereiro estar de volta. Preciso de tempo para mim. E como um deus, estarei por aqui, lerei o que escreverem, estarei em todo o lado e estarei em lado algum. Não comentarei, não estranhem a minha ausência.
Darei às letras umas semanas de luxo.
Serão donas do seu próprio significado, e eu mais que ninguém as entenderei. Ou julgavam que a enxurrada de posts foi ao calhas? Esgotei todos os cartuchos que tinha, e agora não tenho mais nenhum.
E porque o mundo é pequeno, sabem onde estarei, até porque nos dias de hoje, um simples clique faz-nos chegar a todo o lado.
Eu continuarei a estar por cá, no Limite Do Oceano.
Fed up with my destiny
And this place of no return
Think I'll take another day
And slowly watch it burn
It doesn't really matter how the time goes by (...)
Faz hoje um ano que tive um dia em cheio, comecei-o a fazer a 1º primeira tatuagem e acabei à noite a tentar dançar kizomba.
Após um ano, em vez de 3 tenho 5 tatuagens e continuo sem saber dançar a dança do roça roça...
E porque enquanto há pele, há espaço para elas, alguns dos meus novos projectos (talvez sejam mesmo projectos e nada mais que isso):
E porque faz hoje um ano em que ela foi a banda sonora das ondas que tenho tatuadas na perna, faz todos o sentido inclui-la neste post, até porque a vida também é um carrossel...
I will take you to museums, and parks, and monuments, and kiss you in every beautiful place, so that you can never look back to them without tasting me like blood in your mouth.
I will destroy you in the most beautiful way possible. And when I leave you will
finally understand,
why storms are named after people.
(curiosamente este texto com que me cruzei, diz-me tanto, talvez porque um amor não deve de ter barreiras, nem roupa. Deve de estar nu. À mercê da gentileza humana, mas enquanto uns recebem roupa, outros recebem algo mais. E esse algo mais, tem tanta "roupa" a ser despida!..e estou a ser irónico!) If Tim doesn't give a fuck, why should I?!
"...um artista é um individuo que alia uma necessidade desesperada de ser compreendido a uma paixão feroz pela privacidade. O facto de os seus segredos serem óbvios para as outras pessoas não quer dizer que esteja pronto para os partilhar..."
"Os quadros do próprio William nunca eram expostos; ao contrário da música, eles eram uma coisa e não um evento e, sem ele saber porquê, pareciam nunca estar terminados.
Como é que uma pessoa podia saber se tinha terminado, quando trabalhava como ele estava a aprender a trabalhar, salpicando telas com grandes pingos sangrentos de tinta? Como é que uma pessoa podia saber se já tinha sangrado todos os sentimentos?"
Excertos do livro "Cidade em Chamas" de Garth Risk Hallberg