domingo, fevereiro 21, 2016

#14 Vs Avareza Vs Foxes


Longe de ser um tio patinhas, espremo bem a pasta de dentes até ela gritar "não me estrangules mais nesses teus dedos" e também corto a embalagem onde está o creme hidratante, tudo tem que ser aproveitado. Não sou rico, e se dizem que grão a grão a galinha enche o papo, ao menos poupo alguma coisa, ou melhor, desperdiço menos...

Já me disseram que sou péssimo a cortar maças, e sei que é suposto apenas cortar a casca, mas por vezes vai quase tudo. Resultado: desperdiço muita maça! Falta de jeito, ou apenas não ter paciência para contornos laminares. Já me basta os que me cortam de dentro para fora. Whatever...


Não tenho mealheiro, mas faço de conta que tenho um. Há quem faça contas aos meus gastos, mas melhor que ninguém sei o que 1 euro me dá e o que me poderia dar. Não sou avarento, e não sendo nenhum expert em matemática, sei fazer bem as contas...ora vamos lá, se gasto X e me dá me para parecer mais que os outros e depois fico à deriva, o melhor é gastar Y e ficar a ver os outros a viverem bem e à francesa...Deve de ser aí onde ganho uns trocos, enquanto os outros os gastam, ou talvez seja apenas uma questão de ângulo. Vou ali buscar um esquadro para ver com que ângulo a avareza se rege.

Digo isto e não é por nada, hoje dava 1.000 euros por 10 sessões de tatuagens de que do que ir numa viagem. São gostos, prioridades, e acima de tudo, sentir um ego bem preenchido. O meu nasceu para o que está bem ao lado das escolhas dos outros. Esqueçam as pré-definições, e as que fazem da minha pessoa, ficam é a perder.

Um momento s.f.f., tenho que pegar na ferramenta e espremer a pasta de dentes que está a acabar...mas se pudesse faria uma food fight...é que há gente com fome, e porque com a comida não se deve brincar, com a que tenho em mãos, só come quem tem direito.

(Desculpem a acidez. A culpa não é minha, é nossa, e quando escrevo "nossa" não é um barrete para se colocar na cabeça, apenas uma forma de generalizar a "coisa". A sociedade só por si só é uma grande avarenta, que vive, e sobrevive de lambidelas em egos alheios. Daí a própria avareza não gastar quase nada...)
 
Foxes é que sabe dar festas com comida...I'm in!


sexta-feira, fevereiro 19, 2016

#13 Vs Gula Vs Elle King


Dei por a mim a pensar que sou uma espécie de âncora para a gula, daquelas que a desfaz com um olhar, deixando-a em pedaços. 

Dizem que Deus deu-nos olhos foi para ver, entendo, e eu até que resisto às tentações, mesmo as que sejam apenas meras ilusões, espécies raras de oásis em desertos áridos, escaldantes de desejos mas com contenções, limitando-nos, mas...não resisto nas ilusões, chupas chupas que não perdem o sabor.

...a gula sabe tão bem, mesmo que não dê uma trinca, em pensamento farto-me de as dar. Em quem?! Isso agora fica comigo!

(Elle King é que sabe...música viciante...quanto às imagens, a gula fala por si, não por mim!)


domingo, fevereiro 14, 2016

#12 Vs Pediram-me em Namoro Vs Resposta: Sim!


Olhou-me nos olhos, com cara de quem estava prestes a tocar num assunto que deveria tomar de mim toda a atenção. 


Pegou na minha mão, como se ela fosse de plasticina, talvez com receio que eu a puxasse, e não deixasse ser tomada pelas suas. Dificilmente cedo a esse tipo de pressões, como se o mundo fosse uma gota de orvalho e eu uma enxurrada.

Sorriu e ofereceu-me uma piscadela, ele uma cortina, e eu um reflexo do sol, e fosse ele o brilho que vi quando me perguntou "Queres namorar comigo?". 

Senti-o, uns raios abrasadores, e por pouco não fiquei em cinzas.
 

O meu coração rasgou-se, o arame farpado que o circundava, desfez-se, como se o ferro que o entalava, afinal não fosse mais que uma ilusão de anos e anos de enclaustramento. O telhado do meu mosteiro ruiu, as paredes cederam, e os alicerces deram de si. Por pouco não me deixei subterrar.

Olhei-o com cara de quem estava prestes a dar a resposta que iria mudar tudo, e com a minha outra mão afaguei-lhe a face e retribui a piscadela. Disse "sim". Abstrai-me de quem nos rodeava, éramos 2 peixes, num aquário com mil olhos sob nós. Mandei-os f*der, quando senti o peso desses olhares alheios, apenas porque acariciei a face de um outro rapaz.

E na minha vida nunca um sim foi tão complicado de o dizer. O "S" atropelou-me nas curvas da sua complexidade, o "i" amarfanhou-me de tal forma que me senti uma folha de rascunho, e quando o "m" foi dito, a vida por vezes deveria ser composta de poucas letras. Tudo é tão simples quando a simplicidade mora já aqui ao lado.
 

Mas atenção, não dizem que o Natal é quando o Homem quiser? E hoje não é o dia dos namorados, e não deveria esse dia ser todos os dias? Porque queria voltar numa data tão especial e porque o Homem mente quando bem lhe apetece, pois bem, hoje estou a celebrar o dia das mentiras, porque se o dia 1 de Abril é apenas uma vez por ano, todos nós mentimos durante o ano inteiro. Ah Ah Ah...Next! 
 

segunda-feira, janeiro 11, 2016

#11 Vs A Escrita de Deus Vs Beautiful Goodbye


Deixo-me escorrer por águas bem temperadas, que por vezes adornam-me como se eu fosse a escuridão em carne viva.   


Preciso mais do que tenho, e do que tenho conseguido ter. O que não choro, forma um oceano, no qual me tenho deixado boiar. Não preciso que me salvem, mas preciso dessa intenção.

A penumbra das cores destas águas é esgotante, e sem ela, vou-me deixando ir...


Tudo tem um fim, braços a nadarem para um lado, pensamentos a naufragarem noutro, mas o que importa, eu bem sei, é saber para onde ir. 

Pressinto que a escrita de Deus está corrompida. Se dizem que Ele escreve direito por linhas direitas, as que vejo e que consigo ler, estão bastante distorcidas.

A partir de hoje, deixarei que as letras que poderia aqui libertar, me falem na singularidade que são capazes de o fazer. Espero que me contem histórias, e as que vocês escreverem, que me contem outras. 

Vou desligar-me por uns tempos. Espero em Fevereiro estar de volta. Preciso de tempo para mim. E como um deus, estarei por aqui, lerei o que escreverem, estarei em todo o lado e estarei em lado algum. Não comentarei, não estranhem a minha ausência. 

Darei às letras umas semanas de luxo. 
Serão donas do seu próprio significado, e eu mais que ninguém as entenderei. Ou julgavam que a enxurrada de posts foi ao calhas? Esgotei todos os cartuchos que tinha, e agora não tenho mais nenhum.

E porque o mundo é pequeno, sabem onde estarei, até porque nos dias de hoje, um simples clique faz-nos chegar a todo o lado.

Eu continuarei a estar por cá, no Limite Do Oceano.


Fed up with my destiny 
And this place of no return
Think I'll take another day
And slowly watch it burn
It doesn't really matter how the time goes by (...)


domingo, janeiro 10, 2016

#10 Vs 1 Ano!

Faz hoje um ano que tive um dia em cheio, comecei-o a fazer a 1º primeira tatuagem e acabei à noite a tentar dançar kizomba. 

Após um ano, em vez de 3 tenho 5 tatuagens e continuo sem saber dançar a dança do roça roça... 

E porque enquanto há pele, há espaço para elas, alguns dos meus novos projectos (talvez sejam mesmo projectos e nada mais que isso):




E porque faz hoje um ano em que ela foi a banda sonora das ondas que tenho tatuadas na perna, faz todos o sentido inclui-la neste post, até porque a vida também é um carrossel...



#9 Vs Feel In Love Vs Doesn't Give a Fuck


Do not fall in love with people like me.

I will take you to museums, 

and parks, 


and monuments, 


and kiss you in every beautiful place, 


so that you can never look back to them 


without tasting me like blood in your mouth.

I will destroy you in the most beautiful way possible. 

And when I leave you will 

finally understand, 

why storms are named after people.

(curiosamente este texto com que me cruzei, diz-me tanto, talvez porque um amor não deve de ter barreiras, nem roupa. Deve de estar nu. À mercê da gentileza humana, mas enquanto uns recebem roupa, outros recebem algo mais.

E esse algo mais, tem tanta "roupa" a ser despida!..e estou a ser irónico!)

If Tim doesn't give a fuck, why should I?!



sábado, janeiro 09, 2016

#8 Vs Somos Todos Uns Artistas!


"...um artista é um individuo que alia uma necessidade desesperada de ser compreendido a uma paixão feroz pela privacidade. O facto de os seus segredos serem óbvios para as outras pessoas não quer dizer que esteja pronto para os partilhar..."

"Os quadros  do próprio William nunca eram expostos; ao contrário da música, eles eram uma coisa e não um evento e, sem ele saber porquê, pareciam nunca estar terminados

Como é que uma pessoa podia saber se tinha terminado, quando trabalhava como ele estava a aprender a trabalhar, salpicando telas com grandes pingos sangrentos de tinta? Como é que uma pessoa podia saber se já tinha sangrado todos os sentimentos?"
Excertos do livro "Cidade em Chamas" de Garth Risk Hallberg

Não somos todos nós uns artistas? 
Uns nas artes, 
outros na sociedade, 
e aqueles que vivem 
e sobrevivem 
nas relações, 
sejam elas quais forem?!

#7 Vs Flesh And Bone


Em criança cresci vendo a minha irmã no Ballet. Lembro-me dos espectáculos que participava, e das fotos em que nem idade eu tinha para me recordar de tais momentos. Não é das danças que mais gosto. 

Vejo e admiro a elegância dos gestos e movimentos, mas por vezes a sumptuosidade que eles implicam, caiem num exagero, dando asas a sacrifícios que nem sempre compensam. Talvez seja mesmo isso a arte do Ballet.

Quando soube da mini-série de 8 episódios "Flesh and Bone" não podia deixar de a ver, e estando nomeada para 2 Globos de Ouro (se não estou em erro) mais razões me levaram a vê-la. Sou curioso e sempre que posso, e tenho tempo e vontade, não resisto. Ainda não a acabei, falta ver 3 episódios, mas longe do ambiente do filme "Black Swan" a história prendeu-me, as personagens, episódio após episódio deixam no ar pistas narrativas que nos indicam um caminho, como se fossem pontas soltas que aguardam que alguém pegue nelas, e faça um nó e nunca um laço, pois em "Flesh and Bone" a podridão do ser humano aparece, e tem presença assídua quer nos atos, gestos ou intenções. Basta puxar uma das pontas do laço para tudo ficar desfeito.

Certamente que a ficção tenta espelhar da melhor forma uma realidade na qual muitos jovens procuram um sonho, mas como já todos sabem, a vida não é um sonho...

Logo a seguir ao trailer que aqui deixo, partilho o genérico da série, com música da Karen O (vocalista dos Yeah Yeah Yeahs) que é soberbo cheio de imagens que a mim me enchem o olho.   



#6 Vs Hide & Seek


Há uns dias voltei a ser criança, e brinquei às escondidas.

Há uns dias, o meu sobrinho contou até 10, de trás para à frente e disse "aqui vou eu!" e apenas tem 3 anos.

Há uns dias, estar escondido nunca me soube tão bem, para depois ouvir as gargalhadas doces, de um petiz capaz de derrubar barreiras - as que eu tenho construído à minha volta.

Há uns dias também eu contei até 10, e imaginei que os problemas eram meros berlindes à espera que alguém os jogasse com os dedos. Contei até 10, brinquei às escondidas, recebi gargalhadas, e abracei sorrisos. 

Continuo a brincar a um outro tipo de escondidas, o que sinto não digo, o que vejo não conto, o que me magoa não partilho. O que me vale é que são essas gargalhadas que me adoçam o meu mundo, mas esses sorrisos assustam-me, pois até quando é que ele irão durar?! 

A vida não é uma pêra doce, há umas bem azedas. Vou é continuar a brincar às escondidas, aquelas em que o petiz e eu nos encontramos, e às outras, que ninguém sabe que as jogo. E jogo e muito bem!


sexta-feira, janeiro 08, 2016

#5 Vs Orgasmos Literários


Confesso que estava com um certo receio de começar a ler o livro "Cidade em Chamas" do Garth Risk Hallberg, mas depois de já ter ultrapassado as 150 páginas das quase mil, posso dizer que este será um dos poucos livros que o prazer que me dá provavelmente iguala a de um orgasmo, pois cada virar de página é um roçar de peles, e cada capítulo, uma contracção de músculos acompanhada de suspiros de prazer. E quando sentimos aquela vontade de reler uma determinada passagem, é como se fosse o acompanhar de um movimento de penetração, ou não, que aconchega o vácuo deixado por um corpo, um ruído que intensifica sempre que se sente que não dá mais para aguentar, e acabamos por fechar o livro.

A densidade da escrita deste livro é intensa, e os pormenores que para alguns são excessos, para mim são detalhes, e quem me conhece sabe que gosto deles, dos pequenos pormenores, e nos livros eles podem fazer toda a diferença.

Espero que no final fique extasiado de prazer, e que nas próximas semanas tenha inúmeros orgasmos literários.

Há pessoas que anseiam por eles, eu não. Nunca tal me passou pela cabeça entrar em territórios que à partida são autênticas minas deixadas ao relento à espera que alguém as pise. Eu vivo bem sem eles, mas não abdico dos outros, dos orgasmos literários. E quando menos espero, dou de caras com múltiplos...

Dois exemplos de livros que me arrebataram a mente de tal forma que são dos meus preferidos:

"Pôr a casa em ordem" de Matt Ruff:


"Sangue do meu sangue" de Michael Cunningham:


(Este também li na versão traduzia em português mas apesar que não devemos julgar um livro pela capa que tem, gosto muito mais desta da que calhou a que temos por cá)