Confesso que estava com um certo receio de começar a ler o livro "Cidade em Chamas" do Garth Risk Hallberg, mas depois de já ter ultrapassado as 150 páginas das quase mil, posso dizer que este será um dos poucos livros que o prazer que me dá provavelmente iguala a de um orgasmo, pois cada virar de página é um roçar de peles, e cada capítulo, uma contracção de músculos acompanhada de suspiros de prazer. E quando sentimos aquela vontade de reler uma determinada passagem, é como se fosse o acompanhar de um movimento de penetração, ou não, que aconchega o vácuo deixado por um corpo, um ruído que intensifica sempre que se sente que não dá mais para aguentar, e acabamos por fechar o livro.
A densidade da escrita deste livro é intensa, e os pormenores que para alguns são excessos, para mim são detalhes, e quem me conhece sabe que gosto deles, dos pequenos pormenores, e nos livros eles podem fazer toda a diferença.
Espero que no final fique extasiado de prazer, e que nas próximas semanas tenha inúmeros orgasmos literários.
Há pessoas que anseiam por eles, eu não. Nunca tal me passou pela cabeça entrar em territórios que à partida são autênticas minas deixadas ao relento à espera que alguém as pise. Eu vivo bem sem eles, mas não abdico dos outros, dos orgasmos literários. E quando menos espero, dou de caras com múltiplos...
Dois exemplos de livros que me arrebataram a mente de tal forma que são dos meus preferidos:
"Pôr a casa em ordem" de Matt Ruff:
"Sangue do meu sangue" de Michael Cunningham:
(Este também li na versão traduzia em português mas apesar que não devemos julgar um livro pela capa que tem, gosto muito mais desta da que calhou a que temos por cá)