sábado, dezembro 19, 2015

As Princesas e o Sapo - My Xmas Fairy Tale

As Princesas e o Sapo


A noite despiu-se das luzes que piscam piscam, e aconchegou-se sob um manto de flocos de neve que suavemente escorregavam dum céu azul de cor nocturna, como se ela existisse, e fizesse parte de uma caixa de lápis de cor. E eu a dormitar num nenúfar as vi partir...


A noite vestiu-se de brilho e elas surgiram, as princesas, com as suas diferenças mas com algo em comum, uma simplicidade majestosa. No salão do baile de Natal entraram, mostraram a sua graça, dançaram, riram e sorriram, e muitos olhos esfumaram-se de tanto olharem para elas. E eu bem desperto num nenúfar as imaginei entrar, a rodopiar num salão gracejado de pingentes de cristal e coroas de azevinho, ondulando seus vestidos ao som de harpas sôfregas pelo fim da festa de tanto serem tocadas.

A noite despertou e porque nada é eterno, o baile ao acabar obrigou-as a voltar ao palácio, de volta às luzes que piscam piscam, longe dos flocos de neve que forravam as estradas, e eu, um sapo a viver num nenúfar, as vi chegar...

A noite encheu-se de espírito natalício, e as princesas ao verem-me solitariamente a coaxar no lago, saíram da carruagem revestida a marfim e nas suas mãos fui parar, como se elas tivessem frio e eu fosse uma chama de calor e um beijo recebi de cada uma delas.

E porque a época assim exigia, um milagre aconteceu, e não é que me tenha transformado num príncipe, mas senti-me como um. Passados alguns dias, no palácio um lago artificial foi construído, e eu a coaxar de felicidade no dia de Natal fui levado para lá. 

E porque em todos os contos de fadas há um final feliz, eu o sapo, tive o meu, e em todos os bailes de Natal que sucederam ao deste ano, reviveria para sempre o dia em que um sapo deixou de viver num nenúfar e passou a viver com as princesas.

BOAS FESTAS & HO HO HO FELIZ NATAL!

(Eu estava quase convencido que este ano não iria escrever sobre o Natal mas por causa de uma noite, a vida inspirou-me! Se num jantar falei em princesas, a mim disseram-me que era um sapo, e após alguns risos a minha mente começou a assimilar o momento e o resultado é este, o meu post do Natal!)

domingo, dezembro 13, 2015

Patinagem No Gelo Vs Colegas de Trabalho


Nesta sexta-feira eu e as minhas colegas resolvemos fazer algo de diferente. Depois do trabalho fomos patinar no gelo, numa pista que mais parece uma banheira de tamanho XXL mas mesmo assim valeu a pena. Mal entramos, na queda de uma delas não consegui parar de rir e até chorei de satisfação pelo momento ser tão peculiar. 

Nunca tinha patinado no gelo! O pouco que tinha feito era ter colocado nos pés uns patins em linha e ter tentado andar um pouco. No gelo foi diferente, apesar de ter caído uma vez. Senti-me bem, refrescante, e em liberdade, acabei por transpirar, como se o gelo fosse uma chama adormecida, um pedaço de carvão a transbordar de calor, e eu sob um frio que se sente mas não se vê. E por mais voltas e quase quedas, cheguei a rodopiar num branco sob os meus pés. Senti-me bem "frozen".

Por 3 euros tivemos direito a cerca de meia-hora, e além de diversão, dos risos e da libertação do stress dum dia de trabalho, e como bom observador que sou, tive um brinde por na pista estar alguém que sorria e muito, e mal ele saiba que também eu sorria enquanto passava por ele. É o que dá a patinagem no gelo e ver certas preciosidades no gelo.

Se valeu a pena? Muito, até porque depois fomos jantar e eu fiquei de barriga cheia, e se estivesse num lago congelado talvez furasse o gelo e lá ia eu buraco adentro...gostei muito do convívio, e felizmente tenho colegas de trabalho que gosto muito, só espero que elas gostem tanto de mim como eu gosto delas.

domingo, dezembro 06, 2015

Imagem Vs Será Que vou a tempo? Vs Shura


Cada vez mais, menos me reconheço na imagem que os outros têm de mim.

Se porventura nasci na altura errada, no local ao lado e me cruzei com as pessoas que pouco ou nada me disseram, talvez já esteja atrasado para alcançar um outro patamar. 

Tenho erros de formatação dentro de mim, algoritmos danificados e ficheiros corrompidos. A culpa é a p*ta da realidade, que me seduz com meras parábolas temporais e eu as sinto como se fossem eternas.

O que sei é que no que me atrai, revejo-me. 

E agora? 

(Shura...adoro o seu som...se pudesse deitava-me ao lado dele!)


domingo, novembro 29, 2015

E Se Os Aliados Tivessem Perdido a 2ª Guerra Mundial Vs The Man In The High Castle


E se a 2ª Guerra Mundial tivesse tido um desfecho diferente do que conhecemos? É o que a nova série da Amazon nos presenteia, baseada no livro de Philip L. Dick "The Man In The High Castle".

Os EUA seriam um território dividido pelos alemães e japoneses.


A primeira temporada é de 10 episódios e posso já vos dizer, estou viciado nela! 

O elenco é excelente, a história pelo menos a mim me agarrou, e todo o ambiente que serpenteia à volta das personagens é deveras envolvente. Curioso em relação ao livro e porque já vi 5 dos 10 episódios, nunca estive tão empolgado em relação a uma série. Talvez porque seja diferente! Talvez porque seja imaginativa! Talvez porque já esteja farto dalgumas que sigo!

A história passa-se em 1962 nos EUA...basta espreitarem o trailer, para terem uma ideia do que "The Man In The High Castle" tem para oferecer...




sábado, novembro 28, 2015

No Corredor Das Águas Vs A Seta & o Alvo


Esta manhã voltei a ver-te, no teu pólo vermelho, com o cabelo impecavelmente penteado e uma barba semeada na tua face de poucos amigos. Mesmo assim, o incomodo voltou-me a assolar. A tua presença marca-me sempre que nos cruzamos. 

Por mais que tente, o meu olhar sai disparado para a zona onde estás, como se uma seta fosse à procura do alvo. Finjo que ando a imaginar filmes, a alucinar enquanto sei que estás bem pertinho de mim. 
 

E os minutos metamorfoseiam-se numa constante arritmia do tempo e a cadência das palavras que nunca te disse assombram-me. Um dia levarei na cara algumas palavras tuas, serão como um murro, e por mais que tente, a tal seta continua a sair disparada ao teu encontro...

Entendo pouco da vida, e ela (a vida) cada vez mais se parece com o que escrevo, alguns lêem e poucos entendem. 

Porque razão no corredor das águas, enquanto trabalhavas olhaste para mim, como se o teu olhar fosse a seta e eu o alvo?

I just said nothing, 
said nothing, 
said nothing

Nunca Pensei Que Um Desconhecido Me... Vs Um Vértice - Triângulos!


Nunca pensei que um desconhecido me despertasse apetites que um prato de comida não mata a fome...e tive um mesmo à minha frente, aliás, vários...fingi que não o tinha, tapei os olhos, mesmo estando abertos...
 

Nunca pensei que um desconhecido numa relação, fosse para saborear, pecaminoso e proibido, e me deixasse questionar o que não deveria de o ser. E a noite vestiu-se de estrelas e de frio e lá fui eu...fiquei ao relento a sentir tremeliques com olhos no alheio. 

Nunca pensei que um desconhecido me fizesse pensar até que ponto uma relação vale o que vale e lá estava eu a ver, a admirar e a observar, e eu que sou bom nisso, vi e degustei, o sorriso e as rugas de expressão, e acabei a noite a pensar "vai mais é te redimir, 2 é bom, 3 é demais" o problema que é que agora me questiono, até onde o limite vai para o podermos cortar, picotar e separar os pedaços grandes dos pequenos. 
 

A vida já é feita de puzzles, e não querendo eu ser uma peça dum, fico-me pelo charme que vi e senti. 

Queria era ser uma hélice, que me levasse para outra realidade que esta, sinto-me sugado por uma panóplia de coisas, que desconheço e não me revejo, mas mesmo assim deixam-me assolado pela intempestividade do desejo. 
 
Arfei em silêncio.
 
Enquanto outros conversavam, eu observava...

Bora lá esquartejá-lo? (o desejo), como se fosse uma maçã e tudo o resto fosse fácil de digerir

Mas não é...2 é bom, 3 talvez seja demais, como se isso fosse uma equação para a minha matemática, cheia de erratas. Fico-me pela maçã, o resto é só fazerem as contas sabendo que há as que são doces, as amargas, as farinhentas e as que têm brinde surpresa, a minhoca! 

Sabendo eu o que a casa gasta, por cá o que há são maçãs...e já agora vértices só mesmo na geometria, dificilmente farei parte de um.

Caso faço parte de uma circunferência, ai da pessoa que a parta, a estique e a faça ficar como um triângulo.
 

quinta-feira, novembro 26, 2015

Bába Vs Ego

Quando dizem algo que nos faz ganhar bába nos cantos da boca, inundando o nosso ego ao ponto de um momento para o outro sentirmos que uma luz intensa paira sob nós, o resultado só poderia ser inofensivo, mas ao mesmo tempo a mim deixou-me pensativo...num dia tempestuoso como o de hoje, há palavras que fazem toda a diferença, um percurso que não está nas nossas mãos decidir por onde ir, e muito menos com quem contar. 

Até diria que se a vida é um tesouro, porque não começar a cortar os tentáculos que nos prendem, como se os outros fossem polvos e nós umas simples barbas de molho?

(este texto é uma desculpa para partilhar uma imagem que adoro, no entanto a metáfora é tão simples quanto um elogio consegue ser e eu não estou habituado a eles!)



sábado, novembro 21, 2015

O Beijo De Um Desconhecido Vs Vamos Saber Quem Tu És


Na luz adormecida, entre as sombras dos nossos corpos, nas tuas mãos pegaste no meu rosto, olhaste para mim, olhos nos olhos, como que se as minhas pupilas fosse um alvo a abater, e disparaste...

A quatro paredes fomos ter, eu e tu, num compasso em que o tempo acompanhou e nos deixou a sós. Senti-me nu e tu estavas bem vestido. Senti que algo estava para a acontecer e tu fizeste por isso. Deste-me a resposta para uma pergunta para a qual não tive tempo de a fazer, mal comecei a soletrar as palavras, tu...

Nas tuas mãos senti o fogo que um desejo consegue ter...não nos queimamos, e muito menos ficamos em cinzas, prontas a serem levadas pelo ribombar dos nossos corações. E...


Sob aquela luz olhaste para mim, e subtilmente levaste as tuas mãos a mim, senti-as no meu rosto e sabia o que queria, ohhh se queria, o meu coração desesperava por mais que um toque. 

Nos teus olhos quase conseguia ver o meu reflexo, um medo escondido atrás dum desejo e tu me disseste "Vamos saber quem tu és" e não foi preciso muito, senti o teu beijo nos meus lábios e num impasse de um milésimo de segundo, retribui, e acabamos numa dança de línguas, atrevidas, sedentas de prazer e o que é que posso mais dizer...elas tocaram-se, humedeceram-se uma à outra, ficaram esgotadas de tanto chocarem uma contra a outra, e quando dei por isso... 

Estava em fuga... 

Para onde? 

Talvez onde a esperança esteja a viver...

(Num sonho, tive um beijo de um desconhecido, que ao querer mo dar antes me disse "Vamos saber quem tu és" como se isso fosse uma resposta para algo que eu tivesse receio de responder. O problema é que o sonho tem pequenos pormenores que aqui não irei partilhar, no entanto, o beijo que recebi e retribui, talvez tenha sido um dos melhores da minha vida. Louco, apaixonado e isento de qualquer tipo de merda que esta vida possa ter. O que veio depois talvez tenha sido uma resposta para outra pergunta que nunca ousei colocar-me a mim mesmo...e a tive de uma forma como um sonho pode dar...o problema é que falo dum sonho. Onde é que pára a realidade?!)

domingo, novembro 15, 2015

Pegadas Do Destino Vs Meu Prozac e a Avezinha

Não estava a contar escrever este post, mas sinceramente estes últimos dias têm sido como pegadas que o destino largou à minha frente, pequeninos sacos de areia, e dia após dia, apanhei-os e agora estou aqui. 

Já sentiram que há momentos na nossa vida em que tudo se encaixa, se alinha, como se planetas fossem, e nem a previsão astrológica consegue prever o que até para acontecer?

Há uns dias uma amiga contou-me que teria que abater o seu cão, e eu bem sei o que custa, deixa dentro de nós um vazio, e falamos um pouco sobre isso, e sabia que sendo um tema que infelizmente a mim me diz muito, que iria ficar um pouco nostálgico e foi mesmo isso que aconteceu.


Depois nesta quinta-feira a Margarida publicou o meu conto "Meu Prozac e a Avezinha" (já o irei partilhar também aqui) e quem não sabe o Prozac é o meu filho canino que veio cá para casa quando tinha o Shape e a Chantal, e fiquei comovido com as palavras que a Margarida escreveu. O conto para mim também é um filtro, em que as palavras escritas servem como um amortecedor para a mágoa de quem já perdeu um animal de estimação. Também eles (os amigos de 4 patas) com o passar dos anos são como raízes que se entranham em nós, por vezes são como sombras dos nossos passos, ouvintes dos nossos silêncios...
 

Ontem soube que o pai do meu sobrinho vai ter que abater o Thor, um cão que já lhe faz companhia há muitos anos e sei o quanto ele está abalado...e estava eu hoje sentado com o meu sobrinho e a pensar que quando ele for para a casa do pai vai perguntar pelo Thor. Eu não queria estar na pele de quem vai ter que dizer que o Thor já não mora lá. Sempre que penso nisso o meu coração fica mais apertado, não por o meu sobrinho estar comigo, mas porque não irá ver mais o seu outro amiguinho preto & peludo.

Quando falava nas pegadas do destino, é de juntar momentos, conversas e sentimentos que temos, que por obra do acaso, acabam por ter um significado inesperado. Estes últimos dias fizeram-me construir um castelo, não de areia mas de saudade, nostalgia e tristeza, e porque sei que os tais pequeninos sacos têm importância e a sua razão de ser, partilho agora o conto da Margarida "Meu Prozac e a Avezinha"...
 
...e não é que tudo se encaixa?! 
Estranhas estas pegadas do destino.

Como um objecto que acaba por ser esquecido, guardado no fundo de uma gaveta, o tempo encarregara-se de enterrar a dor. Muitos anos se passariam até voltar a senti-la. 
   Um dia, estava a caminhar num campo e reparei, ao longe, em três crianças ajoelhadas em frente a uma árvore. Curioso, aproximei-me e, de súbito, ela emergiu como uma erupção vulcânica. 
   Dois rapazes enterravam uma pequena caixa de cartão, um féretro níveo manchado por dedadas castanho-escuras; com as mãos, tinham escavado um buraco. Reparei que nos dedos magros e sujos de uma menina, que soluçava, uma pequena coleira cinzenta oscilava, o seu movimento como que a marcar o ritmo dos soluços.
   Num episódio semelhante, um jovem, um pouco mais velho do que aqueles rapazes, soluçava ajoelhado junto a um monte coroado de folhas verdes e galhos entrançados. De um ramo mais resistente, espetado em cima, uma coleira e uma trela azuis assinalaram aquele sofrimento, balançando com uma súbita rajada de vento.
   Fechei os olhos, triste; ao abri-los, encontrei as crianças abraçadas e a chorar em silêncio. 
   Depois, afastaram-se de mãos dadas e, à frente delas, o sol brilhou, num magnífico céu azul sem nuvens.
   Aos poucos, as três figuras douradas esbateram-se. Uma imagem solar irrompeu, afastando a dor e aquecendo-me naquela tarde outonal: um jovem Prozac contemplava, com a cabeça um pouco inclinada e as patas empoleiradas no parapeito da sala, um pequenino melro suspenso num abeto do jardim, no longínquo Verão dos meus treze anos.


(Para a Margarida escrever este conto, apenas precisei de lhe dar 5 palavras para o titulo, e em 250 palavras ela o escreveu. Este desafio faz parte da 4ª iniciativa do Bette Davis)

Como Vestirias O Teu Coração Se Fosse Um Corpo? Vs Como O Sentes?



Se o teu coração fosse um corpo, como o vestirias? 
 


Seria um corpo magro, sem apetite, ou gordo com excesso de gula?
    
Agasalhado com um casacão para ninguém o ver e sentir? Ou apenas de roupa interior para chamar a atenção dos mais distraídos?


Se o teu coração fosse um corpo, como o pintarias? De mil e uma cores, indefinindo-o e sem texturas? Ou a preto e branco, com uma rugosidade expectante, tornando a palidez do que possas sentir num contraste de duas cores?

Se conseguisses sentir o peso do teu coração, precisarias de uma grua ou dum guindaste? Ou facilmente pegarias nele, e na palma da tua mão conseguirias sentir o músculo que de dá vida?
 

Se um dia ficares sem ele, e por ventura alguém to quebrar, achas que as lágrimas juntarão os cacos que deixarás espalhados por tudo o que é sítio? Ou no lago da ausência de solicitude deixas-te afundar como uma âncora sem barco?

Mas afinal como é o teu coração?

Por vezes sinto que o “meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de néon”.
 

(num post do blogger Innersmile encontrei algumas frases retiradas de “Pequenas Epifanias Crónicas” de Caio Fernando Abreu e achei-as muito interessantes e resolvi pegar numa que adorei, porque um traço seco facilmente deixa de o ser, molha-se. Porque gostaria de ser mais pós-moderno e porque nada melhor que imaginar que o meu coração é cheio de cor e ainda por cima de néon…deixem-me sonhar, mesmo que o meu coração não me deixe).

(como música deixo a Jewel, uma presença neste Oceano, de outros tempos, mas como tudo nesta vida sofre o poder da reciclagem, ela está de volta e diria eu, melhor que nunca...espero depois falar disso, mas não hoje..."Love Used To Be" encaixa que nem uma luva...)