São raras as vezes que uma música me "esventra" de dentro para fora e que surge nos momentos certos. "Mountain At My Gates" dos Foals é o caso.
Por vezes é a letra que me toca ao de leve, como se uma pessoa fosse, que chega ao complexo que é o meu coração, arranja um quarto como se ele fosse um hostel para uma noite. Depois vai-se embora, e deixa-me sozinho, com uma série de outros quartos por serem ocupados. Nesses momentos sinto-me negro, e por mais que pense, este meu mundo deveria de ser de luz e não de escuridão.
Por vezes é a melodia, um pequeno, humilde e singular chilrear de uma avezinha que tem asas e não voa, que teima em não o fazer. Paira neste mundo à espera duma aberta, num dia de chuva encoberto de retalhos gasosos. Momentos desses temos que os procurar e sem elas (as asas) não se vai a lado nenhum.
Por vezes a música é uma espécie de gatilho, que dispara uma bala, e esta acertou-me em cheio, e é quando espero pelo anoitecer, que arrumo as ideias, desligo os neurónios e espero que este meu mundo se acalme, apesar da ferida aberta gritar por socorro, por um mimo com o toque que preciso ...um oceano calmo e tranquilo, de águas límpidas e cristalinas...
Preciso de amor;
Preciso que as minhas escolhas sejam as mais acertadas;
Preciso que este destino não seja mais um dos caminhos distorcidos;
Preciso de ar, preciso de respirar, sem medo do que está para vir, preciso amar..e não consigo, acho que não nasci para isso;
(Preciso do que esta música me dá a partir dos 2:56...vejam o video e ouçam a música, é brutal, e não é por acaso que partilho estas imagens de "mundos" neste post, nunca pensei que um videoclip me fizesse publicar quase todas!...ficaram de fora 4)
Yeah, gimme my way
Gimme my love
Gimme my choice
You keep me coming around
Gimme my fate
Gimme my lungs
Gimme my voice
You keep me coming around
Gimme my lungs
Gimme my, gimme my, gimme my, gimme my
Gimme my, gimme my, gimme my, gimme my, gimme my way
Estava eu a ver o degradante e apetitoso reality show "A Quinta" quando li um comentário à minha foto de perfil no facebook de alguém que supostamente estava na minha lista de "amigos". Para além de me ter chamado de taliban, escreveu barbaridades que nem a Nossa Senhora de Fátima seria capaz de as apagar, tive que ser eu a eliminar o comentário...
...se bem me recordo fui eu que recebi o convite da senhora em causa, e por regra só aceito pedidos de amizade de alguém que conheço ou que poderão fazer parte do meu passado, mas devo de o ter aceite (não me recordo) e com tanto veneno e estupidez, mostrei aos meus pais o comentário, gritei aos sete ventos a irritação de ter recebido pela primeira vez um comentário parvo, ignóbil de alguém que diz uma coisa que não é verdade.
Aceitei o pedido por aceitar e tive o troco, mais caro que uma mala Louis Vuitton, a resposta foi dada e depois a denunciei como se fosse uma serial killer virtual. Tive pena dela, pois vi a sua foto...eu taliban e ela uma carmelita dum convento prestes a ficar sem padre...uiiii....vou é fechar a barragem destas água impróprias para consumo...
Não entendi o comentário, mas uma resposta foi dada, delicadamente respondi à minha maneira, se por um lado disse que a boa educação deveria fazer parte do ser humano, e que fui eu a receber o pedido de amizade, por outro lado disse-lhe que deveria de comprar uns óculos para ler, ou aumentar a graduação que poderia já ter, pois ver a minha foto e me chamar de taliban só poderia demonstrar que estava cega.
Se alguém já sofreu na pele impropérios virtuais sabe do que falo, mas quem é que já foi chamado de taliban?! Quem? Não ouço ninguém e não leio nada... A vida não é mais que um jogo parvo, por vezes de palavras ditas, outras escritas. Santa paciência e eu já não a tenho.
Hoje fui apetrechado de ideias para o estúdio das tatuagens, era a 3ª, sem saber bem qual seria a escolhida. Levei as pernas e parte da coxa direita depiladas, não fosse o diabo tecê-las por não saber qual que iria fazer e acabasse por ir para casa sem direito a uma sessão de relaxamento, ou melhor, uma massagem na pele com uma banda sonora que nem as baleias mais moribundas iriam resistir...zzzzz o som da maquineta a cravar na pele faz maravilhas (e soube que elas "cantam"), é como se a dor para mim fosse um requinte de malvadez que sabe tão bem. E quero mais! Fechei os olhos 2 duas vezes, só não adormeci pois seria uma falta de respeito.
O problema foi ter feito a tatuagem para a qual não ia preparado, não levei calções e acabei deitado na "maca", com a perna direita despida e os boxers à mostra. Qual o problema? Na verdade não foi nenhum, mas as pessoas que por lá apareceram na sala eu não as conhecia, e no final acabei por ter a companhia da namorada do tatuador. AWKARD!!!!
O resultado final foi excelente, e mais uma vez senti que não sei quem eu sou na verdade, pois se a nossa imagem fala por nós, o que será que a minha diz? Se o que escrevo faz transparecer alguém que na verdade está a mil anos luz de o ser, o que fisicamente mostro aos outros é outra faceta. Erradamente tiram ilações erradas; eu não tenho estilo, sou neutro, a minha neutralidade abafa todo o tipo de ideias (pouco iluminadas) que possam ter em relação à minha pessoa. Em vez de pegar na caneta da vida e escrever a minha história, acabo por deixar que os outros peguem nela e escrevam-na por mim.
Há dias que sinto que não passo de uma torneira, e cada pingo que caia é mais doloroso que o anterior.
O caminho da predição está prestes a surgir e por lá morrerei soterrado nas ruínas do que julgo ser o caminho certo. Não há bilhete que me leve de regresso ao passado. Essas ruínas serão o meu fim.
Dead and gone...talvez seja mesmo isso, e porque o Outono chegou, não foi só ele que apareceu, as noticias quando chegam, nem sempre são boas. Veremos, espero que sejam apenas mais um virar de página...falta é saber de que livro, de que vida e ainda dizem que tudo de transforma, será mesmo?
...faltam não sei quantos dias, e porque hoje não estou para fazer contas, quem quiser desvendar o mistério dos dias, que o faça, estou farto, cansado, esgotado e sem paciência e acho que hoje foi e está a ser um dia excelente para incorporar ThE bItChOf ThE DrAmA QuEeN mOoD...FuCk It!
Vou é ouvir a música ideal para este meu estado de espírito (Lana Del Rey), que não assombra ninguém mas que deixa marcas...que é deprimente (para alguns) mas que não implica o cortar de pulsos ou uma corda à volta do pescoço.
Teria muito para escrever sobre a minha ida ao Porto e ao jantar de bloggers no passado fim-de-semana, sobre a forma como vi a névoa cinzenta abocanhar todos os locais, o frio que deslizou sobre a minha pele como se seda fosse transformada em vapor, e a magnitude que senti quando comecei a ver com outros olhos uma cidade que já conhecia, mas não da forma como a me fizeram ver.Mais de 24 horas cheias de bons momentos…E se tenho que agradecer a alguém é ao Goody e ao V., foram 5 estrelas, daquelas que brilham, mesmo que no Porto o céu esteja com uma birra e não deixe o sol aparecer.
Muito já foi escrito sobre o jantar por outros bloggers, vou tentar não me repetir nas palavras, mas posso dizer que todos nós somos diferentes uns dos outros, com pequenos pormenores, ora as sardas de um ou os olhos de outro. Querem detalhes? Tivessem ido, teriam rido com algumas conversas, e desfrutado de um jantar bem delicioso nas Galerias de Paris!
Se para alguns poderá ser um local cheio de tralha exposta em vitrinas, para mim foi como estar num espaço cheio de preciosidades, desde o candeeiro feito de instrumentos de sopro, até ao carro branco “colado” a uma parede. O ambiente se foi estranho deixou de o ser, e até uma simples ida à casa de banho foi diferente, percorria-se umas escadas em madeira dando a todo o espaço um cheiro a nostalgia, pois é isso que sinto agora em relação a essa noite. Ficou a faltar alguém atrás do piano que lá estava, solitário, no seu canto, com teclas a serem tocadas, e eu queria tanto, mas tanto ouvir o seu som…
E porque a noite era para ser mais que um simples jantar, fomos beber um gin (fomos como quem diz…alguns não quiserem beber), e nunca tinha visto prepararem um da forma como o fizeram, mas eu sei que nada sei, daí que quase tudo para mim é uma espécie de maravilha sem o ser para os outros. Bebi um gin tónico e para o partilhar, tive uma conversa que adorei com um dos bloggers, ou melhor com a única blogger que lá estava – Só Eu e Os Outros. Se pudesse multiplicaria a conversa por infinitos outros momentos pois se há um que não irei esquecer foi quando o nosso olhar se cruzou numa rua do Porto; eu e os restantes bloggers a caminhar e ela parada a olhar, e mal a vi, soube quem era. Fui logo ter com ela como se ambos fossemos um íman. Não sei se estava a sorrir, mas sei que por dentro a vergonha estava enrolada como um caracol dentro da sua casca.
A noite acabou com alguns passos de dança, contrariei a minha teimosia mais teimosa que um burro vendado e juntei-me ao Goody, e à Só Eu E Os Outros , mais tarde o V. juntou-se a nós. O espaço começava a ficar apertado e não foi de admirar que eu acabasse a dançar contra a porta, e que bela maçaneta que ela tinha.
O único senão neste jantar foi não ter conseguido falar com todos na mesma “dose” como se as palavras que tivesse para lhes dizer fossem uma ementa, e senti que me fiquei pela entrada com alguns.
No Domingo a visita continuou, eramos 5 e o almoço foi delicioso, e quando acabei pensei “ufffa estava mesmo com fome” mas era mais a gula do que outra coisa. Almoçamos no Munchie – The Burger Kitchen, um espaço muito acolhedor, com deliciosos hambúrgueres, e porque eu há pouco falei da gula, na verdade, a minha escolha recaiu na “Ganância”. Yum yum quero mais!!!!
E porque este post merece ser finalizado com alguns dos pequenos pormenores deste fim-de-semana (a ordem não quer dizer nada...):
Goody:
Majestoso no seu porte de Anfitrião e ficou-lhe a matar!
V:
O seu riso é contagiante! E se a simpatia pudesse ser representada por alguém, a minha escolha seria ele, não que os outros também não o fossem;
Francisco:
Conseguiu se controlar, e pouco ou nada se falou dos refugiados! Mas é um fala-barato, divertido e com um carisma muito peculiar;
Só Eu E Os Outros:
Nos seus olhos notei uma particularidade que me foi confirmada. Um mimo de mulher, adorei-a !
Um (Im)Perfeito (Des)Conhecido:
Um rapaz muito intrigante no inicio, mas quando se solta, é difícil de não lhe acharmos piada e as sardas ficam-lhe muito bem!
Horatius:
Cheio de vida, cómico mesmo sem o querer ser. Um cromo para uma única caderneta.
Mikel Shiraha:
A atenção com que nos ouvia disse-me alguma coisa, pois também sou assim. E fiquei sem perceber muito bem que cartas foram aquelas na mesa ao jantar…também quero uma, fica aqui o recado!
No Limite do Oceano:
Enquanto passeávamos no sábado cruzamo-nos por um casal com um Chow Chow , deixei-me ficar para trás, pois mal reparei no bichinho lembrei-me do meu Shape, e as lágrimas automaticamente me vieram parar os olhos. Ninguém notou e ainda bem. E porque acredito no destino, passadas umas horas cruzei-me com o mesmo casal. Será um sinal que está na altura para os meus pais lerem o post ao qual dediquei ao Shape?!
A Rapariga de cabelo cor de laranja bem Hot HotHot na discoteca (que não é blogger, não a conheço e estava à porta para receber o pessoal):
Cheguei a comentar que a tinha achado muito gira e fui apanhado a olhar por ela. Ai ai ai se ouvisse a voz dela, ai ai ai se ela tivesse sotaque do norte! E com isso acho que já tenho os ingredientes para uma história: O Rapaz da Toalha Verde, O Rapaz que Deixou Um Bilhete Num Pára-brisas de um Estranho e a Rapariga de cabelo cor de laranja bem Hot HotHot.
(As fotos que aqui deixo não foram tiradas por mim, a net foi a fonte!)
E faltam 40 dias!
Como banda sonora para este post temos... (sorry Goody mas vou-te roubar a música, até porque foste tu que ao dançarmos perguntaste se já tinha visto o filme "Les Amours Imaginaires", e eu adoro a cena em que esta música aparece, mas nunca pensei que um dia iria poder a dançar, numa noite bem especial)
No passado sábado, vi e senti Lisboa que pouco tinha de moça, envolta em luzes da noite, num constante sopro quente, que me fez pensar "ora aqui está uma bela noite de verão". Eramos 4 ao jantar e passamos depois a ser apenas 2.
O vento soprava, sofregamente, como se estivesse a recuperar dum orgasmo nocturno, perdido nas ruas da amargura, e mergulhado em copos de vinho de pé alto, pois foi mesmo isso uma das coisas que vi no Bairro Alto...pessoas desesperadas por um prato de comida, encostadas a uma parede de pedra a aguardarem por uma vaga. Se dizem que o álcool não faz companhia, estão enganados...
Se para lá ir passei pelo Príncipe Real, mais banal que um quiosque onde se vende jornais, tive a prova que as pessoas cada vez mais têm menos identidade, se por um lado vi casais (românticos) "emperiquitados" para uma noite de sucesso, vi não sei quantos rapazes/homens gays que a mim mais me pareceram saídos de uma fábrica, em que o papel químico faz maravilhas. Todos iguais ou parecidos, ou talvez esteja a ser demasiado radical, mas ao fim e ao cabo, todos me pareceram mais do mesmo, em que a beleza que potencialmente poderiam ter não era mais que uma imagem e isso a mim diz só uma coisa: aparência, e viver sob todo o tipo de suspeita de egos a transbordar de partes ocas que falam, mexem e balbuciam intenções que a mim por vezes me fazem querer meter os dedos na boca e vomitar...Too much snobismo... Armados em bons, cheios de um ego prestes a fazer pufff pois no fundo todos somos balões em que o ar aos poucos e poucos se vai, e eles não sabem disso tadinhos...tontos diria eu...mas deixemos eles com o seu ar que o mundo lhes deve uma conta que se recusa a pagar. Se alguém lhes dá importância, que pague essa conta.
Entre ruas e vielas, pessoas e carros fui levado até a um parque de estacionamento. Comecei a estranhar o cenário. Entramos num elevador e saímos num outro parque de estacionamento. Tínhamos subido não sei quantos andares do prédio e só quando vi um casal IN pensei "ahhhh devo de ir ter a um bar" e foi mesmo isso, só não contava ir parar a um local bem cheio de pouca luz, pessoas bonitas e toda uma envolvência que me fez sentir que estava num local em que a minha imaginação teria construído todo o cenário que os meus olhos estavam a ver. Estava no Park Lisboa...e as imagens dizem tudo (fonte: net):
A vista foi um abraço dado pelo meio envolvente, a falta de luz um aconchego, e tudo o resto, algo único. Jamais pensei que em plena Lisboa teria algo tão sublime, uma autêntica sobremesa em que a degustação passa pelos olhos e não pela boca.
A noite acabou no Terreiro do Paço, e se estava mais partido que uma jarra da dinastia Qing, com um peso na barriga que não era de fome mas de dores, todas as horas em que caminhei sob a alçada de Lisboa me fizeram sorrir e a sorrir me deitei para ter um Domingo bem diferente...
Sintra & Cascais By Day
No Domingo, um trio de caminhadores fomos, e Sintra foi o destino. Apesar de já lá ter estado, desta vez foi como estar emaranhado no verde da terra e gotejado pela ambiência transpirada por cada folha e galho de árvore que lá vivia. Sintra tem a particularidade de ser um local cheio de altos e baixos, com tons de verde e sombras, umas mais frescas que outras.
Gastei as energias como se uma pilha fosse sem direito a recarregá-las, e levados pelo tempo fomos, num autocarro até Cascais, com direito a passar pelo Cabo da Roca. Viagem longa, com curvas em cada virar de esquina e apesar da longa viagem todo o percurso valeu a pena até porque nunca tinha estado em Cascais. Se gostei? Claro, muito, e o tempo ajudou, até diria que ajudou demais pois o calor que sentimos era desnecessário, uma brasa sem fogueira mas com muito à sua volta.
Se tivesse que apontar alguma coisa, foi estar numa zona e não ver mais nada que restaurantes "internacionais" e um mar de turistas. Estava em Portugal e porque não comida cá da terra?! Mesmo assim gostei muito. Praias cheias e eu cheio de calor. Acabamos por ir ter até Estoril, um passo mais lento que o outro, à beirinha das pessoas que queriam torrar ao sol e eu a querer refrescar-me na sombra. Uma tarde bem cheia, num passeio em que cada pedra da rua teria uma história para contar e esta minha é feita de breves letras...acabamos por ir até ao Terreiro do Paço e estar na companhia de mais 2 pessoas. Se Lisbon By Night e Sintra & Cascais By Dayforam esgotantes, há outra imagem que guardo: o final da tarde de Domingo, entre conversas e gargalhadas, e porque sou bom observador e apesar do cansaço, vi com estes olhos que Deus me deu o que já sabia, quando um dia nos dá bons momentos, não há motivos para não os continuar a ter e foi isso que aconteceu.
(E porque este post merece uma música, esta é a escolhida! )
No passado sábado lá fui eu para uma nova experiência, como se fosse um navegador à procura de novas descobertas, e além de sentir na pele o frio de uma sala de cinema, e de ter sido vitima de um fotografo que tira fotos sem pedir autorização, estive pela primeira vez no Queer Lisboa, um festival Nacional onde são exibidos filmes/documentários com a temática LGBT (whatever).
A escolha recaiu no documentário "Misfits", que retrata a vida e experiência de jovens que sofreram na pele terem a opção que não é digna de uma sociedade que deveria de acolher e abraçar a diferença, mas não o faz.
Não querendo colar rótulos nas "personagens" mas é o que esta vida mais pede, simplificando temos:
Se quiserem saber mais vejam "Misfits"...gostei muito, não apenas pelas imagens, mas porque sempre gostei do "deslocamento" do IN e gosto do OUT e é mesmo isso que é retratado no documentário, que se fodam as vidas fantásticas, cheias de tudo e mais alguma coisa, que mostram a luz enquanto uma minoria viva na escuridão, até porque são as que menos têm e que mostram as que mais me tocam e foi mesmo isso que o Queer Lisboa de 2015 me disse com uma voz bem baixa.
O tempo que por lá passei foi bom, a companhia foi excelente, conheci um blogger que nunca tinha tido oportunidade de o conhecer pessoalmente e 2 pessoas que me acompanharam na visualização do documentário. Quando saí do Teatro São Jorge sentia-me bem, envolvido num ambiente de pessoas diferentes, estranhas e que me disseram alguma coisa sem terem dito nada pela boca fora. E essa é a diferença saudável que notei e senti.
Se pudesse agarraria a mão de alguém dentro de mim e mesmo olhando e não vendo nada, que ao menos soubesse que a verdade estaria lá, num olhar, numa palavra ou apenas na escuridão que circunda tudo o que vive e ganha raízes no que se forma e se disforma à nossa volta.
Todos diferentes, e todos iguais, mas sempre pensei que se uns são mais iguais que outros, agora sinto que uns se julgam mais diferentes que outros, e mais especiais sem o serem como os cavalos de corrida, bem que correm, mas a meta é sempre a mesma. Os que não chegam lá e os que a cortam, ao olharem para trás vêem o mesmo, a meta cortada...(e faltam menos de 45 dias...)
Nestas areias, em que o tempo se mistura com um amor de perdição e a loucura de não o ter, fundo-me na lava incandescente que transcende o coração e trespassa a razão. Sinto-a a deslizar por entre os dedos, e quando já não a tenho, faz-me lamber dedo a dedo, à espera que um milagre aconteça.
Nas areias do tempo me transformo, e em águas que desconheço me lavo...
O que o meu coração chora não são lágrimas de dor, nem de solidão, e tão pouco se deixa levar pelas tão afamadas lágrimas de crocodilo. Se julgo que não são mais que uma pequena orvalhada que escapam dos meus olhos, quando a realidade me bate de mão aberta, sinto os 5 dedos dela, um por cada esquecimento e quando os fecho pois a dor é uma lâmina que corta mas não deixa marcas, começo a pensar que se não me aceitam como eu sou, o melhor é não me aceitarem... ...não vivo num concurso em que tenha que prestar provas a ninguém e muito menos vivo numa constante selecção em que apenas uns são os escolhidos e os outros são mandados embora para casa.
Vamos lá misturar umas corespara verno quedá...
Talvez a solução é mesmo ficarmos bem High On Legal Marijuana
Storm Jameson diz "A felicidade vem da capacidade de sentir profundamente, desfrutar com simplicidade, pensar com liberdade, arriscar e ser necessário".
Farei eu isso? Sinto como se tudo fosse um parafuso prestes a ser enroscado no buraco certo, desfruto as coisas com um paladar bem aguçado, penso com uma mente mais aberta que a mente mais impura e arrisco quando me esqueço da realidade, e se sou necessário é porque alguém um dia me irá dizer isso.
Será que é tudo uma questão de baixar a vergonha e fazer ver que somos todos feitos do mesmo?
Wild Boys? Certamente que existem, mas a vida não é para eles, pois para esses um tubo de escape mais parece fumo saído dum sonho envolvido em neblina e purpurina. E julgava eu que um dia morreria abraçado em fumo e brilho.
Não dizem que uma boa noite de sono resolve muita coisa? Não será o caso, mas de qualquer forma o vale dos lençóis tem as curvas e contracurvas para fazer-me desligar...puffff...
A 30 de Agosto de 2015 fiz o impensável, deixei um bilhete no para-brisas de alguém que não conhecia, com um pequeno texto e o meu número de telemóvel. Senti-me um verdadeiro stalker mas na verdade o que senti foi: adrenalina por estar a ter uma ideia bem alternativa à minha forma de agir, e porque achava que seria o meu último de praia, e porque o Rapaz daToalha Verde estava lá, pensei "tenho que dar vida a esta minha ideia maluca, pois nunca mais o irei ver". Rasguei um pedaço de uma folha que tinha no carro e um amigo emprestou-me uma caneta. O que escrevi poderia ter sido mais original, e fui para casa com aquela sensação que ele quando chegasse ao carro iria achar o bilhete uma verdadeira perseguição.
Estava a jantar quando me lembrei de pegar no telemóvel para comprovar se o bilhete tinha sido lido ou levado pelo vento. Surpreso fiquei, tinha 3 mensagens e senti-me um verdadeiro adolescente à mesa com os pais e o telemóvel na mão. O bilhete tinha sido lido!
Confesso que o batimento do meu coração ganhou velocidade, e a vergonha tingiu-se com contornos de uma máscara que julgava não ter na cara: fui descarado, fui brincalhão, fui atrevido e fui a um limite meu que me deixou a pensar "o que pensas que irás ter com essa atitude leviana". Respondi às mensagens, recebi outras e outras enviei. Não me estava a reconhecer, acho que se me visse ao espelho levava um raspanete do meu reflexo.
O Rapaz daToalhaVerde, tem nome e neste sábado conheci-o pessoalmente. E não foi preciso ele levar a toalha para o reconhecer, que também tem uma azul, fiquei a saber!
Toda esta situação é bastante surreal, até porque quem é que já conheceu alguém através dum bilhete no para-brisas? Acho que poucas pessoas, e o que posso dizer é que por sido um louco em ter deixado o bilhete, após o tempo em que conversamos, fiquei bastante satisfeito por o meu lado rebelde ter aparecido, dado uma mocada ao meu lado mais introvertido e ter conhecido alguém que é muito simpático, com uma personalidade forte, e com uma característica que eu adoro: tem olhos de desenho animado!
Não sei até que ponto fiz figura de parvo. Sabendo o que a casa gasta, devo de o ter feito, mas não posso negar que na praia toda a situação foi caricata, mas deixou de ser quando nos cumprimentamos. Entre palavras, sorrisos e risos, fui para casa a pensar porque razão deixei a impressão que não sou brincalhão! Sou, e o bilhete foi a prova disso, uma espécie de garrafa de vidro com uma nota lá dentro perdida no alto mar, a diferença é que tinha destinatário, e chegou ao seu destino.
Uma nota para o Rapaz daToalhaVerde (pois dei-lhe "acesso" a este meu Oceano): ter olhos de desenho animado não é para todos e é um elogio. Um olhar desses desarma qualquer defesa que o mais introvertido possa ter. E porque hoje é 14/09, esta é a minha prenda para ti, pois acredito que se um gesto leva a outro, este faz todo o sentido.
E para acompanhar este post, a escolha recaiu em "High By The Beach" da Lana Del Rey pois deveria de ter estado bem high (sem o saber)na praia para fazer o que fiz. Se valeu a pena? Isso guardo para mim... ...e as palavras são como punhais e quando menos espero, esventram-me, deixam-me a sangrar com as letras do abecedário em folhas irreais, "impalpáveis", espalhadas num rebuliço literário. Eu as sinto, e o resultado é este: um texto que retrata que estar fora da minha zona de conforto é inebriante! Só hoje me dei conta que acabei por ser o Rapaz de DeixouUm BilheteNum Para-brisas!
Já faz uma semana que um amigo me levou a um bar/discoteca em Lisboa em que iria ver homens vestidos de mulheres a pegarem em microfones, a "cantarem" em play-back, ou seja, iria ver um espectáculo de transformismo.
Ora bem, nunca achei piada, e não entendia muito bem porque razão há pessoas que acham uma certa piada a isso, pois muitas vezes quando vejo Drag Queens, só vejo exageros, não vejo nada de belo, apenas um fantoche de peruca e pintura na cara, com gestos exagerados, cheios de maneirismos que numa mulher até ficam mal.
Avisei "devo de dormir ou de rir vezes sem conta". Estava apreensivo, tinha aquela sensação que iria perder tempo, bocejar não sei quantas vezes e fingir que estava a gostar. Acontece que mal começou não pude deixar de sorrir, e sorri até ao fim, mesmo quando não estava a gostar (sim, não há nada perfeito nesta vida!). Se um deles pensava que tinha piada (e não tinha) outro julgava-se uma ventoinha de cabelo rosa sempre a girar por tudo o que era espaço. Mas falando do que gostei: Suelly Cadillac! Apesar do play-back ter começado da pior maneira, não pude deixar de admirar a roupa, um verdadeiro diamante a brilhar intensamente sob um raio de sol, uma medusa em alto mar com os tentáculos a reluzirem luz...
Nessa noite dormi apenas 3 horas, queria aproveitar a manhã do dia seguinte e fui até Belém, infestada de turistas. e eu cheio de tanto dentro de mim. Estava uma fila interminável para entrar na Torre de Belém, e eu aproveitei cada segundo desse dia, muito especial. Se no dia anterior tive o prazer de conhecer o Mark, nesse dia tiver a oportunidade de falar mais um pouco com a Margarida, uma mulher que me fez ver que não há nada melhor que não ter vergonha de sermos como somos e porque as palavras são traiçoeiras, o contexto é simples, mas o significado é outro.
A vergonha agora mora ao lado, numa porta que não tem fechadura e se conseguir, não irei procurar a chave para me enfiar atrás dela como tenho feito ao longo destes anos todos. E só por isso agradeço ao F, M & M e a J + B e a A e à amiga de óculos com o estilo que gosto! (isto para brincar um pouco com o que alguns bloggers fazem, escrevem nomes com a primeira letra...)
Agora mudei de ideias, vejo o transformismo de uma outra forma, não tanto como algo bizarro, sem gosto, mas como uma forma de expressão e tenho que agradecer a alguém que sabe quem é, e à Suelly Cadillac, pois mal a vi não pude deixar de sorrir e isso para mim é um sinal que continuo em constante mutação. E que seja das boas!
Na verdade, um homem até pode ficar bem interessante em saltos altos, nem que seja fora dos pés!