Posso dizer que matei a barriga de misérias, dois dias seguidos em idas à praia, para compensar os anos que não me abeirava ao pé de uma. Ambos os dias tiveram algumas considerações...
...geralmente no leitor de MP3 está sempre a tocar a Robyn, para mim é a banda sonora ideal para estar a apanhar sol, mas porque achei o último álbum da Florence + The Machine "How Big How Blue How Beautiful" um autêntico arraso, pois não contava o álbum tão "cheio", levei as músicas comigo e dei por mim à beira-mar a dançar, de forma sorrateira e tímida a música "Mother" para mim uma das melhores, e porque é que estava a dançar? Porque a parte final é como um orgasmo, aguenta-se até mais não se poder, daí que tive que balançar o corpo. Acho que até hoje nunca vi ninguém à beira mar a ouvir música, talvez porque quem vai para a praia é para ouvir o barulho das ondas. Será?
A praia em que vou é dividida em partes, há a familiar, há a dos nudistas e a dos gays. Eu não gosto de ajuntamentos, e muito menos na praia, gosto de sossego e espaço à minha volta, daí ter ido para a parte dos nudistas e dos gays, tem muito mais espaço, o único senão é não ser vigiada. Acabo por ser um penetra, pois não dispo os calções e vejo as outras pessoas nuas e também não vou com a minha cara metade para o areal, para bem longe dos olhares alheios. Senti-me a mais, senti os olhares de quem está como veio ao mundo e eu ali bem tapadinho. Quem está mal que se mude...e eu estava como queria, e estava muito bem.
Sou bom observador, e também há quem o seja, eu não entendo muito como funcionam as coisas em termos de conhecer alguém numa praia, talvez seja como as aves, basta agitar uma asinha, como se isso fosse um sinal de "olha olha, eu também te estou a ver". O problema é que reparei que no sábado o rapaz dos calções vermelhos e azuis que estava a uns bons metros de mim, sempre que eu ia à água, ele também ia, até que numa dessas alturas, ele resolveu caminhar para ao pé de mim.
Eu vi-o, ele viu-me, e mantive-me a molhar os pés, mais que isso é que não, tinha os ossos a gelarem, prestes a partirem-se. Não sei o que ele queria, e porque sou mau, virei-lhe as costas e fui para a toalha. E não é que hoje ele aparece e volta a fazer o mesmo? As dinâmicas de praia por vezes fazem-me confusão, e hoje quando estava para me ir embora, achei piada à cena, eu levanto-me, ele que nem uma ave bem atenta, fica a olhar para mim, a aguardar qual seria o meu próximo passo. Quando me viu a vestir a T-shirt, deitou-se na toalha, imagino a cara de amuo. Claro que estou a imaginar a cena...é o que me vale.
Eu vi-o, ele viu-me, e mantive-me a molhar os pés, mais que isso é que não, tinha os ossos a gelarem, prestes a partirem-se. Não sei o que ele queria, e porque sou mau, virei-lhe as costas e fui para a toalha. E não é que hoje ele aparece e volta a fazer o mesmo? As dinâmicas de praia por vezes fazem-me confusão, e hoje quando estava para me ir embora, achei piada à cena, eu levanto-me, ele que nem uma ave bem atenta, fica a olhar para mim, a aguardar qual seria o meu próximo passo. Quando me viu a vestir a T-shirt, deitou-se na toalha, imagino a cara de amuo. Claro que estou a imaginar a cena...é o que me vale.
Eu sei que sou mau, mas quando vou para a praia é para espairecer e confesso, gosto de jogar com a atenção alheia. Um jogo em que todos serão derrotados, começando por mim. Não é uma guerra de tronos, e muito menos quem salta para a espinha de quem, apenas gosto de olhares, e o rapaz dos calções vermelhos e azuis se tivesse língua, e falasse, claro que não iria ficar mudo, ao menos poderia dizer "a água está gelada!".
E hoje se o céu estava azul, aos poucos e poucos passou a cinzento e o mar deixou de estar interessante sem a cor que tanto gosto e o meu estado de espírito também se alterou...acabei por estar tempo a mais a pensar na puta da vida. Senti-me um estranho, e fiz uma simples pergunta a mim mesmo: Será que o sol quando nasce é para todos? Creio que não, naquela tarde senti que só nasce para alguns, e o mesmo se passa para quem nasce com o cu virado para a lua. Devo de ter nascido com o cu virado para o sol e ele agora não nasce para mim.
Senti-me um patinho feio, com areia na barba, e com as asas negras a abanar por tudo o que era sitio. Estava na altura para ir embora, fui e quero voltar, se há lugar em que me sinto bem, é ao pé do mar.



































