domingo, julho 05, 2015

Será Que São As Loiras Que Mais Se Divertem ?! Vs Ruivos...Gwilym Pugh


Há uns tempos deparei-me com esta imagem, e gostei logo dela, não pelas tatuagens, nem pelo bigode, mas tudo por causa do olhar. Como já referi um olhar (para além de um sorriso) pode fazer maravilhas, nem que seja derreter o gelo que surja numa conversa. E hoje por acaso descobri o nome do senhor: Gwilym Pugh e não foi só isso que descobri...oram vejam e depois não me venham conversas de que são as loiras que mais se divertem, acho que os ruivos não lhes ficam atrás. Pelos menos acho que são bem divertidos, mesmo com cara de mau.







sábado, julho 04, 2015

69 Vs Not a Blind Date Vs Fiona Apple

Pelo o titulo podem ter ideias erradas do teor do que aqui irei escrever. Será que vou falar da posição 69, dum encontro que de cego pouco ou nada teve? E o que é que faz aqui a Fiona Apple? 

...hoje fui-me pesar...70,10 kg, e confesso que apesar de tudo, do stress e de tudo o resto, do exercício todos os dias, dos abusos habituais aos fins-de-semana, pelo andar da carruagem vou chegar aos 69 kg. Não queria chegar a eles, mas pressinto que está para breve (2016 vai ser certamente um ano fantástico em termos de tretas. O destino quer-me f*der...desculpem os supostos palavrões, dificilmente os ouvem da minha boca...não sou santo mas também não sou "porco" de língua) e irei ter um hot date - not a blind date!. Já há algum tempo que não falo dele (do meu vazio) nem o vou fazer, mas já que não o consigo preencher, ao menos (provavelmente) irei fechar o buraco que tenho dentro de mim. É ele o culpado, um filho da p*ta que já me deu dores e fez-me comprar calças porque as que tinha ficaram largas, e mesmo as que comprei acabei por ter que as apertar. 

Acabei por ficar preocupado com os meus calções de praia (ohhhh poor me...), até tenho medo de os vestir, é que se está tudo largo, aposto que terão que ficar bem apertados, senão corro o risco de me caírem pelas pernas abaixo. Não faço nudismo, pelo menos nunca o fiz, mas nunca sabemos o dia de amanhã. Sei que há opções à vista...


Já que sou um candidato a ser esventrado por um bisturi e afogado em soro para me taparem o meu buraco interior, vou fingir que sou a manteiga que facilmente se derrete, apenas para que a "faca" entre, corte e faça o que tem que ser feito...e aqui aparece a Fiona Apple, irreverente como sempre, mas é um doce para os meus ouvidos. 

If I'm butter, if I'm butter,
If I'm butter, then he's a hot knife,
He makes my heart a cinemascope screen
Showing the dancing bird of paradise.

sábado, junho 27, 2015

O Meu Último Adeus ao Shape


Não tive oportunidade de me despedir do meu Shape, queria o ter feito, tinha algumas palavras para lhe dizer ao pé do ouvido, como fiz com a Chantal. Nunca pensei que não iria ter oportunidade de o fazer. Não sei o que lhe diria, e agora tenho as palavras entaladas na garganta. Ele partiu no passado dia 22, talvez tenha sido o destino a ditar o desfecho da nossa relação. É isso o que mais me está a custar ultrapassar.

Mas este post é sobre o Shape…por ironia do destino, o Shape e a Chantal foram nos entregues no dia dos meus anos, em Agosto de 2000, no colo de uma mulher e de um homem, saídos de uma carrinha e o Shape foi levado lá de casa nos braços de alguém, na carrinha do veterinário. Ohhh vida por vezes és…

A 10 de Agosto de 2000, fomos jantar fora, o Shape e a Chantal tiveram presença no meu jantar de anos no restaurante, estivemos sempre a olhar por eles, estavam debaixo da mesa, com as trelas enroladas nos pés das cadeiras, como se fossem cobras a treparem em troncos de árvores. Tenho boas recordações desse dia, de estar com a minha irmã à janela e de os ver a serem entregues aos meus pais, de ver serradura espalhada no pêlo (custa-me não falar no plural, o Shape estará sempre ligado à Chantal), mas uma das que mais me marcou foi chegarmos ao restaurante, sair do carro, sentir nos pés o chão feito de pedrinhas, ouvir o som que delas sussurrava, e olhar para além da cerca que estava mesmo ao lado do restaurante, um prado verdejante, um dia a ficar sem luz, com o sol pintado no horizonte com tons a serem tingidos de laranja e a noite prestes a surgir. Se a felicidade é feita de pequenos momentos, eu naquele era muito feliz. Quando estávamos para ir embora sentei-me num dos degraus do restaurante, peguei no Shape pelas patinhas da frente, olhei-o olhos nos olhos, vi o focinho castiço que tinha e disse-lhe umas palavras. Sei que a memória é tramada, queria tanto me lembrar do que lhe disse, mas não consigo, apenas tenho a vaga memória dos gestos, cadências sentimentais que me ferem e me deixam com a dor feita em águas salgadas, pequenos pingos de lágrimas.

Nessa altura (2000) quando fomos até Bruxelas, o Shape e a Chantal não passaram despercebidos, quando estávamos a almoçar numa esplanada 2 raparigas chinesas (talvez fossem coreanas ou japonesas…) quando os viram pediram para tirar fotografias, aproveitei para tirar uma fotografia com uma delas.
  
 

O Shape sempre teve um porte de leão, com um ar de gingão, todo pimpão com o péssimo defeito de andar a roçar o focinho em tudo o que era pernas. Quantas vezes reclamávamos por estar sempre a rondar as nossas como se fossem um “coça focinhos”…calças brancas ou com cores claras era sinónimo de ficaram manchadas, na altura até pensei que do pêlo deles saía tinta…

O Shape detestava que fizessem dele “o meu pequeno pónei”, era uma espécie de jogo, tentava me sentar nele e por sua vez ele tentava esquivar-se ao meu peso. Perdi a conta às vezes que lhe disse “Hey cavalinho” mas com o passar dos anos deixei de fazer isso. Brincava muito com ele, o Shape era a minha "vitima"...



 
Sempre que levávamos ração nova para eles era uma euforia canina, enquanto não colocássemos a paparoca nas tigelas, o Shape e a Chantal não descansavam, e foram inúmeras as vezes em que uma briga despoletava entre a fome e a gula que a dupla canina tinha. 

O Shape sempre teve muito pelo, escovar dava uma trabalheira, e reconheço que deixei de o fazer nos últimos tempos, apenas porque o toque da escova o fazia ladrar, mas no passado domingo peguei nela e suavemente escovei-lhe a parte da cabeça, ainda o vi abanar timidamente a cauda, senti que ele estava a gostar do meu mimo, e fui mais longe, peguei numa tesoura e cortei o pêlo que consegui numa das patas, tinha o pêlo todo empastado de água e xixi.  Esse foi o meu derradeiro mimo. Uma das coisas que ele fazia quando era escovado era esticar-se, como tivesse receio que eu não o escovasse todo, era uma espécie de aviso “ei ei tens mais pelo para escovar”. Sei que não devo de pensar assim mas outra coisa que ficou por fazer era dar-lhe um banho, estava mais que prometido mas não fomos a tempo.

O Shape tinha uma particularidade, sempre que o meu pai lhe dava batatas fritas (eu sei que não se deve dar esse tipo de coisas aos animais, falem com o meu pai!) ele andava pela casa a passear, e vinha sempre pedir mais umas quantas, e até as comer, mais parecia que estava numa peregrinação a pé até Fátima. O Shape acabava por ter um grupo de batatas fritas na boca, mais para desafiar a Chantal do que outra coisa, e tinha sempre aquele porte majestoso que dizia “estou aqui, ora vejam”. Ele nunca passou despercebido, mesmo já nos seus últimos dias, aposto que os vizinhos ouviram o constante ladrar, não sei se era apenas a pedir água e comida, ou também por sentir dores, ou porque queria companhia, mas já nem em pé consegui estar.

O Shape e a Chantal morreram virgens, ele trapalhão como era bem que tentou, mas a Chantal sempre foi muito recatada, tipo donzela dos tempos antigos. Espero que no céu tenham agora tudo do bom e do melhor, mas brincadeiras à parte, acredito que os animais têm alma, preciso de acreditar nisso…

Com a vinda do Prozac lá para casa a dinâmica se alterou, primeiro o Shape rejeitou o Prozac mas com o passar do tempo ficaram muito amigos, chegando ao ponto do Shape dar pequenas mordidelas ao Prozac que este gostava muito. Por vezes num gesto de sedução o Prozac ficava à espera que ele o fosse morder. 


Depois com partida da Chantal e com a vinda da gargamela Zoe, a dinâmica voltou a se alterar, mas o Shape já estava muito debilitado, já não correspondia às brincadeiras dos outros. Mesmo assim as brigas entre o Shape e a Zoe foram algumas, ela era uma ciumenta, e ainda é. Com o passar dos meses chegou ao ponto de ter que ser arrastado pelo meu pai por causa do sol, ou ter que o levantar para poder comer e beber. Dei por mim depois da sua partida numa das janelas a imaginar que ele estava no pátio. Há imagens difíceis de se esquecer, sons que por mais incomodativos que fossem, por vezes parece que ouço o eco deles.

Agora já não temos o constante ladrar, a casa está mais silenciosa, sei que os momentos se vivem, que as memórias ficam, que a dor suaviza e que devemos relembrar sempre os bons momentos, sei que ele os teve, mas não teve o que lhe tinha para lhe dar, as minhas últimas palavras, o meu último passar das mãos pelo pêlo. Teve na passada segunda-feira um “Xau Shape”  quando fui para o trabalho, virou a cabeça e olhou para mim, sei que me viu, só que eu na altura não sabia que seria essa última vez que o iria ver. Quando soube que já tinha sido levado para ser abatido, foi como me tivessem cortado o meu para-quedas, fiquei estatelado no chão e não aguentei a dor, chorei ao telefone, chorei a caminho da casa de banho e esqueci-me que tinha colegas ao pé de mim. O que ninguém sabe é que minutos antes de ligar para casa, senti o cheiro do Shape. Foi o click. Ele já tinha partido.

Shape, Shapão, Lambão…cognomes para ele se fosse um Rei, que agora faz companhia à Princesa Chantal, e ao meu anjo de olho azul, deixando-nos todos lá em casa nostálgicos e tristes. Ele foi um amigo, mas acima de tudo foi parte integrante da minha família, nunca será esquecido e a minha família está mais pobre. 15 anos passaram-se tão depressa que não tenho mais palavras para traduzir o que a dor me tem dito ao longo deste dias. Sei que ele gostou de fazer parte da árvore da minha vida, perdi outro galho. E já tenho tantas saudades do meu Shape.

O Shape nasceu a 01/06/00 e partiu a 22/06/15.

To see a world in a grain of sand
and a heaven in a wild flower;
hold infinity in the palm of your hand
and eternity in an hour 
(de William Blake)
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Um ciclo fechou-se, 14 anos de convivência com a dupla canina (Shape & Chantal) e 15 com o Shape, e porque dificilmente irei voltar a falar deles aqui, presto uma homenagem à dupla que todos os dias deixa em mim um sentimento muito doce e muito amargo: a saudade por os ter tido comigo durante muito tempo e o vazio por já não os ter. 


E esta é uma das fotos que guardo com muito carinho.

domingo, junho 21, 2015

Sense8 - A Cena Final Vs Preciso de Mimos


Eu sei que não paro de falar de Sense8, mas faz todo o sentido escrever mais um pouco, pois tendo já visto o final, e porque os dias que tenho vivido não têm sido nada fáceis, a cena que encerra a 1ª temporada é brutal, deixou-me com um sorriso desenhado nos lábios, escondendo a tristeza que na verdade está escondida neles. 

Os motivos que me fizeram sorrir: mal ouvi os acordes da música que aparece na cena final (pele de galinha surgiu e a vontade de chorar apareceu ao de cima) é das que mais gosto, de uma banda que me diz muito. Depois gosto de histórias sobre pessoas, das ligações que temos uns com os outros, fascina-me a teia que nos liga, e no caso daquelas personagens acho que não há teia mais sublime que aquela. Gosto de olhares, em Sense8 episódio após episódio comecei a dar mais atenção às expressões de cada ator, e até nisso acho que a série é excelente, e no fim o olhar da Riley (a Dj Islandesa) é tão doce que arrepia, e por mais ficção que veja e leia, não é esta a realidade que gostaria de viver, se pudesse viveria nas páginas dos livros que leio ou entre as personagens das séries que vejo, queria também ter uma ligação com outras pessoas, com a mesma intensidade que os 8 de Sense8 têm. E mais, a cena final tem tanto, mas tanto a ver com este meu oceano que quando acabou lembrei-me dele.  

Já deixarei um dos motivos que me faz ter a tristeza desenhada nos lábios, no olhar, na alma...mas antes tenho que encerrar Sense8 com "brilho" e farei da melhor forma possível. Vejam a apresentação das personagens se tiveram curiosidade, mas na verdade escrevo este post para mim :-)









E para encerrar o post, irei deixar um dos motivos que faz com que tenha a tristeza esteja colada em mim. 

Preparo-me para a despedida do Shape. 

Quando posso, fujo da realidade, e quando consigo através da ficção, desligo-me da vida, e apesar de não ter sido nada fácil fazê-lo nestes últimos dias, Sense8 ajudou-me a desligar a tomada enquanto estava ligado a outro tipo de corrente. Foi a minha companhia.

Só voltarei quando conseguir escrever uma homenagem digna do meu Shape, são 15 anos e dói tanto, e amanhã tenho que ir trabalhar, e ter um sorriso, tenho as ideias a atropelarem-se umas às outras, e sentimentos turvos em águas que queria que fossem cristalinas. Que passe depressa, e por ironia do destino, quando a Chantal se foi, o meu sobrinho passou essa semana cá em casa, soube ontem que continuará por cá, talvez seja um sinal, pois se da outra vez agarrei-me a ele a chorar quando a Chantal foi abatida, sei que o vou fazer novamente.

Preciso de mimos.

sexta-feira, junho 19, 2015

Engolir Sapos Vs 4 Non Blondes Vs Sense8 II

Isto de ter que engolir sapos tem muito que se lhe diga, e acho que o melhor é começar a prestar mais atenção aos que engulo, podem ser que tenham a boca cosida, e porque o karma por vezes é um filho da p*ta acho que fico por aqui...

...no entanto (nem era para escrever neste post isto, era para deixar para amanhã, mas o calor é muito, e a paciência é pouca e...) tem piada o tenho lido por aqui, na blogoesfera , não tenho comentado praticamente nada, não será hoje, too lazy 4 that, mas não posso deixar de mencionar que continuo a achar que no geral as pessoas julgam-se donas da verdade, apenas olham para o seu umbigo e não fazem ideia da realidade dos outros. Podem pensar "olha olha este deve de ter enfiado a carapuça em alguma coisa que leu" mas não. Meus caros (isto sou eu a ser irónico, esta acidez desfaz-me a garganta até ao esófago), sejamos mais tolerantes com as opiniões alheias, é que é fácil criticar, é fácil julgar, é fácil fingir que a vida é um mar de rosas, mas fodasse, começo a ficar farto do ser humano. Todos farinha do mesmo saco, seja aqui, seja ali, seja aonde for. 

And I say, Hey Hey Hey
I Said Hey, What's Going On

Diziam as 4 Non Blondes, e porque estou mais que viciado em Sense8 aqui deixo mais uma sublime cena de uma série que faltando ver 4 episódios é bem melhor que engolir sapos e sentir a intolerância das pessoas. É pena, até porque sentia-me um pouco em casa aqui, e já não me sinto. ATENÇÃO: este post não é uma indireta para ninguém, um desabafo meu, porque há já algum tempo que sinto que entre uma minoria, até nela fazem distinções e eu não estou para isso, nunca estive. Aceito todos como são, se não me aceitam, tudo bem quanto a isso, mas quem está mal tem a alternativa de se mudar, então se continuar a sentir isso, faço as malas e bazo daqui (isto é o meu discurso realista, sem as figuras de estilo que tanto adornam o que escrevo).

Agora vejam...THE BEST!

domingo, junho 14, 2015

Sexo a 2, Sexo a 3, Sexo a...Sexo Mental? Vs Sense8


Geralmente deixo o video para o final. Por alguma razão desta vez faço de forma diferente. É ousado, mas muito bom. Viram? Então vejam e depois se quiserem podem ler o resto. 

Ponderei se havia de colocar a cena, muitos falam dela...é estranha, sexy e sei que muita gente já torceu o nariz, mas há quem a tenha adorado (como eu, que a vi ao lado a minha mãe...ops) mas tem a sua lógica, quem não acompanha Sense8 não percebe nada, já explico, e a série não é nada do que aparenta ser...e já agora "Demons" da Macy Gray ficou mesmo bem na cena!

Sense8, série da Netflix dos mesmo criadores de Matrix é sobre 8 desconhecidos espalhados pelo mundo que por alguma razão estão "ligados" mentalmente. Se no inicio estava a ficar desiludido, com o 6º episódio as coisas começam a ganhar mais interesse.

Em Sense8 temos todo o tipo de personagens, o policia americano, o ator gay latino, o transexual, o ladrão alemão, a CFO de Seul, o condutor de um autocarro em África, a Dj islandesa e a noiva indiana. Todos eles têm uma ligação, começam a sentir o que os outros sentem, ver o que os outros vêem...as vidas começam a ficar interligadas.

A cena de sexo está excelentemente criada, uma união de mentes, e corpos separados...o prazer pode resultar de mil e uma coisas, mas o que seria do ser humano se conseguisse ter orgasmos mentais?





sábado, junho 13, 2015

Do I Sound Gay? Vs Do You Sound Gay?


Tropecei no trailer do documentário "Do I Sound Gay?" e achei uma certa piada a algumas coisas, pois se por vezes facilmente um homem é rotulado de gay porque tem uma voz mais efeminada, há casos em que a voz é bem máscula, então é uma surpresa a sua orientação sexual.

No trailer fazem referência a algo que tem toda a razão de ser, o nosso crescimento em crianças, as pessoas que nos rodeiam e o meio onde estamos inseridos acabam por ser chaves mestras para as nossas cordas vocais e trejeitos que ao longo dos anos vamos ganhando, elas abrem a porta da nossa forma de comunicar com os outros.

Será que a minha forma de falar e o tom da minha voz é como se fosse uma impressão digital sonora através da qual a minha orientação sexual é descaradamente posta em evidência? Nunca me importei com isso. Cada um tem a voz que tem, e nem todos nós somos rotulados por causa do som que soltamos da boca. 

Se no trailer um diz que o que a sua voz poderá querer dizer aos outros, no meu caso por vezes diz que sou tímido, ou que se acordei com os neurónios virados do avesso, que sou seco, ou então quando estou triste, estou mudo, com falta de palavras, pois nesses dias raramente tenho vontade de falar. 

Quanto aos outros certamente que a voz quererá também dizer algumas coisas, agora se é gay ou não por causa dela, isso é como tudo na vida, todos diferentes e todos iguais...

sexta-feira, junho 12, 2015

Show Off?! Vs Ferrugem a Menos


It's future rust and then it's future dust

Partilhei hoje no meu facebook esta imagem, estava há já algum tempo para partilhar as minhas "amigas" tatuagens mas sentia sempre que era uma atitude de show off mas eu não funciono dessa forma, pode parecer, mas longe de mim estar a mostrar aos outros o que quero que vejam. Disseram-me que já que tinhas as tatuagens, fazia todo o sentia as mostrar e hoje resolvi o fazer, apenas porque sinto-me um pouco mais completo. Não é a minha pele que me irá fazer sentir como um todo, mas é um complexo a menos que me faz sentir mais liberto. 

No dia em que saí de casa pela primeira vez com as ondas e a avezinha à mostra senti as pernas fracas, como se fossem duas estacas em areias movediças e o meu coração batia, batia e batia de forma desenfreada como estivesse a preparar para o encontro da minha vida. Passaram algumas semanas mas ainda hoje sinto os dedos a abrir a porta do carro e ter que dar vida a 2 projetos que no ano passado me passaram pela cabeça. Agora já não me faz muita diferença, por vezes há olhares que me fazem rir, outros a quererem justificações, mas ao fim e ao cabo, não é show off, é sentir-me bem na pele que me veste. E sinto isso, mas sinto que há mais pele a pedir que seja completada. 

Os dias passam, as ideias surgem, umas morrem e outras ganham raízes. O amor talvez funcione assim, talvez esteja a gostar um pouco mais de mim, e desnaturado como sou com a minha pessoa, estou a deixar de parte a ferrugem que me envenena à procura do pó que serei quando cá já não estiver.

Escolho Ser a Pessoa Que Se Encaixa Na Vossa Vida Vs Acho Que Sou Capaz De Ser Homossexual vs A Casa Vermelha


Já se sentiram num local à espera que as portas se abram? Parecem agulhas que espetam e nunca mais nos largam.

Tive uma semana de férias. De certa forma fui obrigado. Não fiz grandes planos. Os que fiz não tiveram vida, meros abortos, entre as pernas do destino. O sol foi um filho da p*ta. Não fui à praia. Não fui a nenhum lado. Pensei. Refutei algumas ideias. Mentalizei-me em relação a algumas delas. Fui um ladrão de sonhos perdidos. E por mais que vida seja uma m*rda, tive tempo (o que não me faltou foi ele) e se vai fazer um ano que desenhei metas e em 2015 estou a dar-lhes vida, comecei a esboçar outras. Mais tatuagens a caminho, se pudesse desaparecia nelas.  Menos complexos, se pudesse apagava-os todos de uma vez. O que não consegui foi desligar-me dela, da vida, cada vez mais me sinto uma uva, a ser sugada, e agora esforço-me para não ficar seco, que nem uma passa. Mas este espaço é um oceano, portanto só me posso dar ao luxo de meter água.


Durante estes dias tive a companhia do livro "A Casa Vermelha" do Mark Haddon, livro esse que no inicio só me fez pensar "já não me bastava a falta de sol tinha logo que pegar nesta merda de livro" e isto porque a escrita é cheia de frases curtas, e pensamentos que fogem da narrativa. Apesar da vontade de o deixar a meio, fui teimoso e afinal a história de irmãos afastados que decidem passar juntos uma semana de férias com as respetivas famílias teve os seus frutos. 

Acredito que na nossa vida há momentos que nos querem dizer alguma coisa, e foi o caso, nas páginas desse livro, estranho na sua forma de ser lido, fiquei durante as minhas férias insípidas de bons momentos a matutar numa série de coisas. Irmãos afastados, a cobiça pela mulher do tio, um beijo lésbico, a sms da amante, o aborto de uma mãe, peças de um puzzle que me deixaram preso não pela escrita, não pela história, mas pelas personagens. 

Um livro mais que imperfeito, sendo eu uma personagem perfeita para lá estar. Mas a ironia do bocejo da vida fez-me ficar na minha, com a minha família e os seus problemas. Tenho dias em que me sinto a desaparecer, mas nas páginas do livro, consegui me ver com outros olhos. 

Se tiver forças, gostaria de dizer seja a quem for que não sou encaixe para ninguém, e que nem preciso que falem por mim. A minha casa não é vermelha, tem uma cor, não sei qual, e se pudesse a pintaria de cima a baixo. Talvez não sentisse o remorso que sinto por ter precisado que o meu sobrinho não estivesse comigo durante esta semana (queria desligar-me da vida) mas essa minha necessidade agora me assombra, pois ele é uma das peças dum puzzle que me está a dar cabo da cabeça. Afinal de contas precisava que ele estivesse bem pertinho de mim. Continuo a sentir-me que sou a pessoa que se encaixa na vida dos outros, que precisa que falem por mim, tenho arestas por limar e uma voz surda e muda, não entendo como continuo a deixar-me ir, e quando der por isso, fui...e não volto.

Excertos do livro...

"Os lugares permaneciam e o tempo fluía através deles, como o vento através da relva. Aquele momento. Aquilo era o futuro a transformar-se em passado. Uma coisa a transformar-se noutra. Como a chama na ponta de um fósforo. Madeira a transformar-se em fumo. Se apenas pudéssemos arder mais intensamente. Um celeiro a rugir na noite."

(Quero arder, até gritar, de prazer ou de dor, apenas quereria sentir as coisas de uma outra forma, se tiver que ser um celeiro a rugir na noite, que tenha cavalos e que me levem a prados bem verdejantes).

"- Às vezes, não sei quem sou. Nem tenho a certeza se alguma vez o soube. Esforcei-me tanto para agradar a outras pessoas, aos meus pais, a Craig, a Melissa, a ti. Oiço a vossa música, vou ás vossas peças, vejo os vossos filmes. E a culpa não é tua. Escolho ser a pessoa que se encaixa na vossa vida."

(Vou deixar de agradar seja a quem for, não por despeito, apenas por necessidade. A festa acabou, e as rifas com prémios só sairão a algumas pessoas. Tenho um grande coração, mas ele não estica, e o elástico chegou ao limite).

"- Acho que sou capaz de ser homossexual. - Como se outra pessoa tivesse falado em seu nome, como se alguém a tivesse empurrado da prancha mais alta. O tempo suspendeu-se, estandartes ondulados de luz na superfície da água muito abaixo deles, anel de frio e o silêncio de azul."

(Anel de frio e silêncio de azul, vou esticar o dedo e aceitá-lo, e na minha voz saborear o que as palavras que cantam, palavras mudas, mas bem ensurdecedoras.)

quarta-feira, junho 10, 2015

Gosto de Ti Porque Gostas de Mim Vs Comet


"Gosto de ti porque gostas de mim" é o que tenho medo que me digam, um dia, num futuro que dificilmente irá ganhar vida, cores e um sopro de me levar além de...não que seja pessimista (AH AH AH, vai-te embora ironia, hoje não moras aqui!) mas por vezes sinto que a vida está numa espécie de coma, a preto e branco e sem qualquer tipo de aragem.


Tenho mil e uma razões para dizer que não acredito no amor, mas quando vejo um filme, como "Comet" em que a Emmy Rossum (acho ela um doce) e o Justin Long contam uma história de amor através de fragmentos, dum passado e dum futuro, finjo que uma parte de mim insiste em acreditar que o amor afinal existe, que por vezes está onde menos esperamos, como uma espécie de chave escondida num calhau perdido algures no bosque. 

 
 
O problema é que a minha chave não está perdida, e não a largo por nada deste mundo, mas se um dia mudar de ideias e a largar, que seja num comboio, que alguém me leve pela mão e me faça sentir protegido. (Vejam a cena...é o que me faz sonhar com o que não tenho!).