sábado, maio 30, 2015

Um Príncipe Vs Um Monstro como Eu


Aposto que há pessoas que devem de pensar que me julgo um príncipe, que sou vaidoso, arrogante, nariz empinado, com ego grávido de trigémeos, que sou mais que os outros, que sou de poucas palavras (ao contrário das que escrevo), convencido, que o mundo está contra mim, entre outras coisas. Não me aflige saber disso ou pelo menos ter essa noção, bem sei que não sou uma pessoa fácil, raramente mostro os dentes (rosno mas nunca mordi ninguém), preciso de uma boa razão para isso e nem falo de piadas, falo de me sentir bem com quem está perto de mim, facilmente me desligo dos outros, e raramente sinto aquela vontade de estar ao pé de alguém que me diga alguma coisa. São raras as pessoas que têm em mim o efeito dos cogumelos alucinogénos (nunca meti um na boca), e são algumas as que me deixam com vontade de arranhar as paredes.

Sou exigente, mas porra não sou de ferro, não tenho um coração feito de pedra e por mais que queira, não consigo mudar o meu (mau) feitio, mas me custa ver certas coisas e acho que me dava um ataque de pânico ou seria o único participante de uma maratona de "saltar a tampa" se soubesse o que falam de mim pelas costas. Ou talvez nem falam, devo de ser uma daquelas moscas que estão prestes a levar com o mata-moscas mas que fogem a tempo. E mais, se ser hipócrita está "in" eu estou cada vez mais "out". Fuck it!

Bem que gostaria de me sentir um príncipe, mas quantos de nós usamos uma máscara ou uma armadura por causa dos outros? Continuo cansado de tanta coisa, e é natural que o elástico da máscara me comece a incomodar, que a língua ganhe vontade de ser solta e de ditar umas "bocas" ou apenas pulverizar os outros com um pouco do mesmo "veneno" que por vezes sinto no ar. 

Tenho que me esforçar um pouco mais, fingir e imaginar que sou um príncipe de coração de pedra, com o mundo a meus pés, que não precisa de ninguém. O problema é esse, também estou cansado de fingir, e preciso tanto dos outros que quando paro e penso nos meus problemas e não dos outros, nem sei para onde me virar, ou melhor, posso o fazer mas...

I better let you go
To find the prince you thought you found in me
I better set you free, and give you up
Just wave and say goodbye and let you live
Without a monster like me

(Depois de uma semana do festival da Eurovisão, ouvi com atenção a música da Noruega e é de uma sensibilidade extrema que na altura não me dei conta. Tenho a ouvido em loop, e há uma versão acústica que é também excelente! Faz todo sentido fazer parte deste post. O videoclip é muito bonito e a dupla encantadora...)

terça-feira, maio 26, 2015

EnDgAmE


Desde Janeiro que não pegava num livro e ler para mim é um grande escape, pois nas páginas dum livro consigo me desligar dos problemas, desta realidade que por vezes não passa de um acumular de dias, uns atrás de outros. Deixei de ler principalmente porque a minha concentração andava na rua da amargura, facilmente ficava no mundo da lua a contar estrelas e ver com quantas crateras a lua é feita, quando na verdade o que eu queria era ver o outro lado dela. 

A escolha foi Endgame de James Frey (o mesmo que escreveu o livro "Uma vida em mil pedaços" que li há já alguns anos) e Nils Johnson-Shelton e não poderia ter sido melhor a escolha, porque nas 400 e tal páginas não há nada melhor que ler uma aventura que até vai ao encontro de uma teoria que eu acredito: a origem do Homem. E já agora, sarcasmos à parte, já que não vou de férias, ou menos viajei e muito por alguns sitios deste planeta.

Endgame rebusca a teoria de que fomos deixados cá por seres de um outro lugar que não este planeta. A história é sobre 12 jogadores (dos 13 aos 20 anos), adolescentes comuns, com corpos jovens mas com origem em povos ancestrais. Toda a humanidade descende das suas linhagens e ao longo do seu crescimento foram preparados para se tornarem em autênticos guerreiros, assassinos e mestres em todo o tipo de armas, à espera que um dia sejam chamados para o Endgame, acontece que o jogo começa e eles têm de abandonar as suas vidas pacatas (ou não) para jogarem e fazerem tudo por tudo para que a sua linhagem seja a única a ficar no planeta terra. O futuro será negro, daí que apenas uma linhagem terá lugar nela.

Ficção à parte, o livro fez-me ir ao google pesquisar sobre os povos ancestrais, fez-me percorrer "páginas" e "páginas" sobre os lugares que por lá são mencionados. E isso para mim é do melhor, não me fiquei apenas pela história, procurei tornar a experiência de ler em algo mais interessante, até porque o saber não ocupa lugar.

As personagens são bastante interessantes, todas com caracteristicas marcantes que as tornam únicas, há reviravoltas na história e fazendo comparações, diria que, porque há um jogo, temos 10% de Hunger Games, porque a ação não pára, tem 10% de Missão Impossível e 20% de 007 e porque envolve ruínas históricas, o livro tem 60% de Indiana Jones. Nem todos são maus, nem todos são bons, e nem todos aparentam ser o que são na realidade, como qualquer um de nós.


12 Jogadores das 12 linhagens:
Marcos Loxias Megalos - Minoico, 16,24 anos
Chiyoko Takeda - Mu,  17,89 anos
Sarah Alopay - Cahokiana, 17,98 anos
Alice Ulapala - Koori, 18,34 anos
Aisling Kopp - La Tène, 19,94 anos
Baitsakhan - Donghu, 13,02 anos
Jago Tlaloc - Olmeca, 19,14 anos
An Liu - Shang, 17,46 anos
Shari Chopra - Harrapeana, 17,82 anos
Kala Mozami - Suméria, 16,50 anos
Maccabee Adlai - Nabateu, 16,42 anos
Hilal ibra Isa al-Salt - Axumita, 18,69 anos 

Lugares mencionados:
Pirâmides de Gizé
Linhas de Nazca
Moai
Stonehenge
Machu Picchu
Gobekli Tepe
Carnaque
Amaru Muru
Zigurate de Ur
Teotihuacan
Angkor Wat
Pumapunku
Guerreiros de Terracota
Pirâmides de Meroé
Sacsayhuamán
Anta Grande do Zambujeiro

De todos estes lugares não é que Portugal também consta da história (Anta Grande do Zambujeiro), apenas é mencionado! No 1º volume nem todas as ruínas fazem parte da história, mas certamente que outras se seguirão.

Endgame faz parte de uma trilogia, com direito a um jogo online (não tenho paciência para jogos, mas já fui espreitar), e um filme será feito. É pena não estarem escritos os outros 2, assim daria a volta ao mundo em 3 livros!

domingo, maio 24, 2015

Por Causa dos Blogues que Leio Vs Fim De Um Ciclo

Quando criei este espaço não tinha bem a noção do que iria sair dele. Com o passar do tempo foi o meu escape, e entre metáforas, hipérboles, analogias, antíteses e eufemismos deixava enigmas nos meus textos. Nas entrelinhas escrevia tanto que por vezes quando relia o que tinha escrito era como se outra pessoa o tivesse feito. Ainda hoje não me atrevo a reler certas coisas.
 
Passados anos, e porque ninguém reuniu as pistas para decifrar o que escrevia como se um jogo fosse, vou voltar a fazer deste Oceano o meu escape, preciso dele. Não será algo pensado, que transcende o que faz uma pessoa escrever. Se ao escrever sinto-me bem, farei isso, completando-me, à minha maneira.

Este post vem ao encontro de uma série de coisas que se passa comigo, nada tem a ver com o que leio aqui na blogoesfera, mas acaba por se ressentir, a razão não digo, é apenas mais um dos enigmas que aqui deixo.

Por causa dos blogues que leio deparei-me com a música "Swim Good", não sabia que o original era do Frank Ocean, e a versão que inicialmente ouvi era da Indiana. Num abrir e fechar de olhos fui levado para bem longe de 2015 e para perto dos anos que nada tinham de dourado, eram negros como uma noite sem luzes e estrelas, embrulhados em papeis de prata, só assim julgava eu que estava a viver o drama da adolescência. Mas afinal de contas não vivi nada disso, vivi outro tipo de sentimento, bem mais ácido e voraz, mas não me deixei devorar por ele, e hoje estou aqui. E o "aqui" tem muito que se lhe diga.

Estou de regresso, não que isso faça alguma diferença. Já me disseram que este Oceano é o meu retrato, faço dele o que quero, quem não gosta tem sempre a alternativa de virar a cara, fechar os olhos, tapar os ouvidos, amordaçar a boca, algemar as mãos e agrilhoar os dedos. 

O Homem é perito em ignorar o que está à superfície, quanto mais o que está sob o manto da complexidade que compõe, dilacera e camufla o que é o ser humano.

Este é o fim de um ciclo, e o inicio de um outro. E faltam 169 dias!
 
That's a pretty big trunk
on my Lincoln town car ain't it
big enough to take these broken hearts
and put em in it..
now I'm driving round
on the boulevard trunk bleeding
and every time the cops pull me over
they don't ever see them
they never see them

and I've got this black suit on
roaming around like I'm ready for a funeral
5 more miles till the road runs out

I'm about to drive in the ocean
  I'm try to swim from something
bigger than me
kick off my shoes
and swim good
and swim good
take off this suit
and swim good
and swim good
good



Deixo aqui o link para a música que originalmente ouvi da Indiana, igualmente fantástica :

https://www.youtube.com/watch?v=ugqE5cWQe9w

Quem Sou Eu? Vs Quem São Vocês?


"Diz-me lá se isto não te parece um paradoxo brutal? Ao longo da vida vamos descobrindo aos poucos quem somos na realidade e, à medida que o descobrimos, perdemos parte da nossa identidade."

Frase retirada do livro "A Peregrinação do Rapaz Sem Cor" de Haruki Murakami que estou a ler neste momento - depois falarei dele - o livro é genial, toca em alguns temas que assustadoramente me dizem alguma coisa. Por vezes se os livros são os amigos que não tenho, este é um deles! Sempre que posso, o leio a ouvir o álbum "Parklands" de Hiatus, que me transcende, acalma, faz-me sorrir e sonhar. É libertador em todos os sentidos...

Só voltaria cá - ao blogue - por uma boa razão, estou de volta, e nunca escrevo sem uma razão por detrás.

sexta-feira, maio 08, 2015

Vida de Cão Vs ...


Os dias têm sido vividos no mesmo compasso que acompanha o rastejar de um caracol, sempre com a casa às costas, e os problemas amontam-se como peças de roupa suja que aguardam que alguém as lave.

Em Janeiro do ano passado eu e a minha família tivemos que dizer adeus à CHANTAL, e sabendo o quanto doeu aquele dia, deveria de já estar capacitado que o seu companheiro de uma vida, o Shape, por mais forte que seja, um dia terá que lhe fazer companhia. 

Nos últimos dias dei por mim a reviver os dias em que a Chantal estava quase sempre a ladrar, não se mexia, não comia, e muitas das vezes não tinha qualquer tipo de reacção. Lembro-me bem da última vez em que a escovei, foi num Domingo e na 2ª feira seguinte eu e os meus pais tomamos a decisão de a abater. Foram 13 anos e uns meses de vida em conjunto. Ainda hoje sinto a falta dela.


Nunca mais escovei o Shape, tenho receio que ao tocar nele como dantes fazia seja a última. Também não quero sentir nas mãos os seus ossos deformados, e sei que ele por mais festas que queira, o simples tocar em certas zonas é doloroso. Ladra constantemente, mal come, e quando se tenta levantar escorrega…

Julgava eu que estava preparado, não estou, pressinto que vou perder mais um ramo da árvore da minha vida. A diferença é que dantes chorei depois da partida da Chantal e agora dou por mim a chorar pelo Shape estando ele vivo.

Escutem?

Não conseguem ouvir? 

É o barulho das ondas deste oceano…

É o que se ouvirá por cá nos próximos tempos, sou silenciar as palavras que me custam escrever, amordaçar as que teimam ganhar vida através da minha voz e vou anestesiar as que conseguir, doí-me a alma, por causa disto, daquilo e de tudo o resto.

Ainda dizem que a vida de cão é boa, tretas…dói e muito, todos os dias, a toda a hora, ao acordar e ao deitar.

Mas ouçam…e até breve...se é que isso faz alguma diferença, quando o que realmente importa faz toda.

Janela "fechada"

Gostava de escrever que este seria o meu último texto, aqui, neste Oceano, era sinal que já não precisava dele.

Gostava de escrever as últimas palavras, num espaço que ano após ano me tem feito companhia, mas infelizmente ainda preciso dele.

Gostava de me convencer que se há vida fora deste espaço, porque razão insisto em filtrá-la, condensá-la e transformá-la em palavras, verter pontos e vírgulas, e edificar pontos de exclamação e de interrogação?

Gostava de aceitar certas coisas, não consigo, não quero, sou teimoso e por mais que sorria, sou péssimo ator. O que sinto reflectiu-se em tudo o que fiz e disse, e reflectiria-se no que poderia vir a escrever. 

Há uns tempos disse que este Oceano já não era o meu escape, não é mesmo, cheguei a dizer que era uma janela, e os vossos outras, mas preciso de fechar a minha por uns tempos, nada do que vá escrever será bom para mim. Neste momento partilhar por partilhar já não faz sentido, e se escrever por escrever seria um passatempo, isso nunca o foi para mim. 

Se partilhar é reviver o que sinto, o meu próximo texto não será um adeus, nem um até logo e muito menos um até já. Estou pronto para me desafiar durante uns tempos. Irei deixar de lado este oceano até sentir que o Carlos que quem escreve consegue sentir a vida com tudo o que de bom e mau ela tem e não apenas a (in)felicidade que tem sentido.

Ao fechar esta janela, e espreitando a vossa, sei que por mais comentários que faça em outros blogues vou encher-me na mesma de ideias, frases e momentos que gostaria de deixar aqui. 

E porque as palavras por vezes magoam, não me vou querer ferir e para quê ter pressa? Se ao nascermos já estamos a morrer, de nada nos serve esperar por ela (a morte).

domingo, maio 03, 2015

All The Singles Ladies Vs Ao Ritmo da Fé


Quando fiz o casting de imagens para o meu post 666, por distração minha esta ficou de fora , ficou perdida numa pasta do pc e quando me cruzei com a imagem que aqui vou deixar, tive a desculpa para a partilhar. 


Dizem que o amor é cego, e entendo...as freiras da imagem não têm olhos, nem boca, nem nariz, e estando casadas com Deus, talvez porque a fé não se vê, não se ouve e nem tem cheiro (talvez a cera queimada...diria eu...em alguns locais), a relação sejam eterna e com um final feliz. 

Mas não é pecado um grupo restrito de mulheres estarem casadas com o mesmo Homem?

Com ou sem anel no dedo, mas com um terço nas mãos para elas rezaram, acho que cada um de nós tem amor, e ao ritmo dele por vezes dançamos, ao ritmo do que nos move. A elas é a fé, a mim sei lá, tanta coisa.

O Meu Dia da Mãe

Não vou estar com muitas palavras, fiz deste dia algo de especial, e porque tinha um trunfo na manga, dei uma prenda que nem todos os filhos podem dar a uma mãe. Contei da forma que consegui a história do meu projeto das 3 tatuagens (as ondas, a avezinha e a minha árvore da vida, que ainda não está feita!), foi na minha mãe que pensei quando a ideia surgiu.

Nas palavras escritas safo-me, nas que são ditas pela voz estou longe de conseguir transmitir o que quero. Fiz o que pude, no final tive um abraço sentido, um beijo e pelo meio algumas lágrimas. 

A minha mãe está sempre no meu coração, no meu pensamento e agora também vive todos os dias na minha pele. E porque é ela (a pele) que me veste deveria me sentir bem, quando tudo o que sinto é menos isso.


Wanna cry for you
Would it do any good?
If I rained for you
It would just be water
And the night's with you
And the storm's in your hand
And you're down and you're down
And I can't lift you

I'm powerless to change your world
I'm powerless to stop the hurt

I'll give you my heart, give you my shoulder

Wanna run for you
Would it do any good?
If I flew for you
You would still be standing
And it's hard watching
'cause I'm part of you
And it's hard not to
Not to know what I can do

When the night just cuts you through
And the dream is lost to you
When you're worried and confused
I will give you my heart give you my shoulder

sábado, maio 02, 2015

Gente Gira Vs Comer Com Os Olhos


Acordar cedo tem sempre coisas boas, nem que seja ir ao mercado, ver a verdura fresquinha, alguma com gotículas do orvalho deixadas pela manhã preguiçosa, ou dar de caras com o eye candy de outros tempos, e porque se está distraído, quando se dá por isso leva-se com um acenar de cabeça. Ó tempo volta para trás, até porque mesmo com o meu bichinho de estimação (aka bigode) na face fui reconhecido!

Estava eu num outro local, e porque há dias em que as pessoas olham para nós e até nos acham simpáticos, não é que levei com um sorriso e um aperto de mão? Não comprei nada, mas acho que tenho que meter na cabeça que até sou simpático, e que se mostrar os dentes, já não afasto as pessoas

Preciso de ver mais vezes gente gira, comer com os olhos e já que não pago nada e não fico de barriga cheia, quero ver até onde meu ego aguenta, quero o ver e senti-lo bem insuflado, quero-o despedaçado por tudo o que é sitio, é sinal que já não aguento mais...
 

Hey you, what do you see?
Something beautiful, something free? 

(a banda sonora para este post só poderia ser esta, bem alternativa, não são precisas algemas, nem uma venda, pois há prazeres que fogem ao que é politicamente correto, e quanto a esses, há dias que não me dizem nada. Vou ver de descanso, até porque comer com os olhos abre o apetite!)
 

O Meu Melhor Amigo Vs O Meu Pior Inimigo



I'm my own best friend
And my worst enemy
We get on like a house on fire...

(palavras para quê..fuck both, estou farto deles)