sexta-feira, maio 01, 2015

Wild

 

"Wild" filme que valeu uma nomeação do Oscar de melhor atriz a Reese Witherspoon, baseado no livro "Wild: From Lost to Found On The Pacific Crest Trail" de Cheryl Strayed, retrata a jornada que Cheryl fez depois de uma série de tristes acontecimentos na sua vida.

Não contava gostar tanto do filme, e porque a Reese Witherspoon não é das minhas atrizes favoritas, foi uma grande surpresa. Adorei o filme, não só pela história, nem pela estrutura escolhida para passar pequenos lampejos de um passado doloroso, que levou uma pessoa a percorrer caminhos errados.

A essência do filme é muito simples, tão clara como a água ou tão escura como a dor que se sente porque a vida não é um mar de rosas. Mais parece ser feita de ramos de rosas, e para podermos cheirá-las e apreciar a sua beleza, há um senão, temos que agarrar os caules, sentir os espinhos a serem cravados nas nossas mãos. Só com sangue é que a dor é compensada pelo prazer que supostamente e aparentemente a vida tem.

Quando o filme terminou, queria mais, e eu sei porquê...acho que me faria bem pegar numa mochila, em garrafas de água, tenda e todas as outras coisas e desaparecer por um tempo. Divagar por tudo o que é sitio, caminhar sem rumo mas com um objectivo e regressar. Não para dizer que queria ir e fui mas para poder dizer que naquele período de tempo senti-me livre de tudo e de todos.

Frases retiradas do livro "Wild: From Lost to Found On The Pacific Crest Trail" que me dizem alguma coisa:

“I’m a free spirit who never had the balls to be free.” 

“I was a terrible believer in things, but I was also a terrible nonbeliever in things. I was as searching as I was skeptical. I didn’t know where to put my faith, or if there was such a place, or even precisely what the word faith meant, in all of its complexity. Everything seemed to be possibly potent and possibly fake.” 

“I’d only wanted to be alone. Alone had always felt like an actual place to me, as if it weren’t a state of being, but rather a room where I could retreat to be who I really was.”
 

Jogar às Escondidas Vs Indiana


Estes últimos dias funcionaram como um volte-face, a vida lembrou-se que eu até preciso de um empurrão e lá fui, direitinho contra a parede. 

Sei que não tenho a auto-estima que preciso, e o meu amor-próprio deve de querer jogar às escondidas. 

Depois de andar a ruminar nas coisas como a vaca faz com a erva, e de ter desenchido como se eu fosse um balão perdido num oceano de ar, cheguei a mais uma brilhante conclusão: se este espaço também é uma janela, terei cuidado, caso parta um dos vidros não me vou querer ferir.

Como bom aluno que sou aprendi a lição.

E faltam 192 dias!

I really wanna make this happen,
I really wanna take the fall
From grace you can't imagine why
I really wanna reap you off
If only I'd have the courage
If only I could commit
I temper and I perch
If only I, if only I
(Don't push me, 'cause I'm close to the edge)





Descobri a Indiana graças ao blogue do Silvestre, desconhecia e gosto muito do som e aquela voz tem o mesmo que a da Ellie Goulding. Até nas músicas sinto que há aquelas que aparecem para acompanhar o meu estado de espirito, este é um dos casos. O videoclip "Heart on fire" é excelente, não só pelas imagens, mas porque também conta uma história!

segunda-feira, abril 27, 2015

O Meu Rescaldo da Gala dos Cignos 2015 Vs Chat & Confessionário

Ontem foi o dia a "Gala" dos Cignos (uso aspas pois não tivemos direito a passadeira vermelha, nem uns míseros aperitivos e nem tive direito a um gin tónico...pelos vistos algumas pessoas não gostam! Como é possível?!).

Muito já foi dito, o "pai" da ideia e restante equipa já receberam bastantes elogios, não vou repetir o que já sabem, o ego deles já deve de ter explodido.

Correu bem, os prémios foram bem entregues, e o que se queria acho que se conseguiu, uma maior interactividade entre os bloggers, todos diferentes e uns mais iguais que outros. 

A experiência foi gratificante, fiquei a conhecer alguns novos blogues, outros não cheguei a conhecer e por um comentário que ouvi, deveria de conhecer, como se a blogoesfera fosse pequena e todo o canto e recanto deveria de ser conhecido por todos. Mas o tempo é limitado, e a vida não se resume a isto.

Há mais de 10 anos que não estava num chat, achei tão engraçado que me senti um puto, mas passado algum tempo mais parecíamos todos ao molhe e fé em Deus. 

Tivemos apenas uma presença feminina no chat a blogger de seu nome Eu e os Outros e com o seu charme deu um outro ar à "Gala".

Entre prémios, parabéns e boa disposição, cheguei à conclusão que por mais que um chat seja divertido, sou pessoa é de um bom "confessionário". 

Que venham mais iniciativas destas, cabe a nós fazermos por isso. 

domingo, abril 26, 2015

Braços de Porcelana Vs Thank God I'm Not Blind!


Ontem estava tipo estátua, a vontade para sair era a mesma de quase sempre, nenhuma. Fiz um esforço, e fui a mais um encontro de bloggers, que foi diferente. Conheci alguém muito especial de um blogger, fomos ao local de sempre (eu agradeço!) e depois rumo a um novo destino. Se valeu a pena? 

Sim, sim e sim!

Sei como funciono, refugio-me e fecho-me, tipo concha. Devo de julgar que em vez de um coração tenho é uma pérola. Fez-me bem sair, a companhia foi muito boa e até cheguei a dançar uns segundos...e a noite de ontem teve algumas particularidades:

- Os braços de "porcelana" que vi, brancos e imaculados e num deles uma veia bem saliente, o pulsar de uma vida. Nem sei bem como cheguei a tal vislumbre e mais deslumbrado fiquei. Mas há uma razão, nem vale a pena mencionar.

- Fizeram-me uma pergunta, à qual respondi. Custou-me fazê-lo, mas não tenho nada a esconder.

- O mundo é pequeno, mas mesmo muito pequeno e acabei por ver caras que conhecia, mas no fundo somos todos uns desconhecidos. Se me afeta? Agora já não.

- Ouvir "Desfado" da Ana Moura com ritmos de discoteca foi quase um atentado musical, mas não me posso queixar, o corpo sentiu a música na mesma.

- Cheguei a dançar uns segundos, sem contar os minutos que dancei sentado. Sim, sou muito versátil na dança.

E porque para todos os momentos há sempre uma música a marcá-lo, tinha algumas a que poderia associar a noite de ontem. Numa das conversas, surgiu o tema das músicas da mítica série Twin Peaks. Nem é tarde nem é cedo, abaixo "canta" já uma delas. 

E o melhor é saber (espero eu) que verei mais vezes os braços de porcelana, brancos e imaculados (e não só)



Thank God I'm not blind! (para me redimir do post 666...)

Guerra dos Tronos Vs O Bater das Asinhas

Estes últimos dias têm sido daquelas capas de revista que quando se abre, nem sempre se vê o que está para além de umas palavras escritas e umas quantas imagens a transmitirem o que a vida (aparentemente) é...perfeita. 

Estou em modo off.

Ando à procura de um sonho alado sem asas que não me leve para o abandono. 


Ohhh what a shame. 

A ironia é bem doce quando temos à nossa frente o figurino perfeito e a acidez no ponto, com sumo de laranja a brotar por tudo o que é gomo. Acontece que a laranja é bem azeda, e não há sumo a sair dela.



Se a vida é um jogo de xadrez, em que o tabuleiro está onde queremos que esteja, os peões são a gota de água, num deserto cheio de sede. 

Não sou o rei, nem a rainha, e um bispo muito menos. Acho que devo de ser um dos cavalos, não porque dê coices, mas porque o jogo é matreiro e todas as peças abanam. Antes a minha vida fosse uma guerra de tronos, não haveria cavaleiro que me fizesse parar.

Posso trocar de tabuleiro? Ou ao menos algumas peças? Pode ser que o embate de umas nas outras seja mais que um efeito de uma borboleta. 

Ouço o bater das asinhas, mas a merda é a mesma!

(O que escrevo pode aparentar uma coisa, mas na realidade o que sinto não é apenas o que aqui deixo. Sinto-me com energia, com força nos braços e espaço para organizar as ideias...sinto-me bem, a noite de ontem ajudou e muito!!! Obrigado L&V) 

We've got a long way to go but we got the energy
It took a little while to find reality
We've come a long way you know, living inside a dream
Waking to find that we are kings and queens

(…)

Ride on
Let's ditch the dark babe, we just gotta ride on
Don't let lies through
They'll trick your mind and turn your heart to stone

Forget the wars we fight, forget the tears you cry
Cuz we go where we wanna but that won't be tonight
To see the edges fade between the light and shade
And we're chasing down forever



(Conheci a Brooke Fraser graças ao blogger Miguel R.  A música que aqui deixo tem me dado vontade de dançar! E a letra diz-me alguma coisa. Obrigado!).

quinta-feira, abril 23, 2015

Despedida Vs Contagem Decrescente


Este oceano de palavras confinado em marés turbulentas era suposto ser o meu escape. 

Já não é! 

E eu preciso de um.


A minha cabeça está cheia, antes fosse de água, fazia a escorrer pelas curvas de cada letra, e cada frase escrita não seria mais que um pano escorrido, torrado e seco de estar tanto tempo ao sol.


Ando há semanas para alterar a imagem que aqui tinha, e mesmo sem ter decidido por outra, retirei-a. Por agora o meu Oceano fica sem "cara". Esta é uma das despedidas. Sempre que olhava para a imagem, sabia o que queria ver no tal limite, mas agora já não sei o que vejo...

Os tons dela eram escuros, e todos os dias combato a escuridão que me envolve, e porque ando farto, farto e farto (a repetição não é um erro de escrita) vou começar a desconstruir o que durante anos tenho vindo a edificar. 

Nunca foi um castelo de areia, nem um edifício com direito a elevador e muito menos uma muralha, mas durante estes dias senti e sinto algo estranho…


…e porque um escape é sempre um escape, e este oceano já não sendo um, vou começar a contagem decrescente, depois logo se vê…

…faltam 200 dias!

domingo, abril 19, 2015

Post 666 Vs Crucificação Vs Tori Amos

Brincadeira de Freiras:


Este é o post nr. 666 e dizem que o número é o da besta. Não vou falar dela, não é nada a minha "onda".

Andava há uma semana a pensar no que poderia escrever para celebrar um post com numeração tão peculiar, quando o blogger Namorado envia-me a imagem que abre o post. Quando a viu lembrou-se de mim, disse-me ele. Adorei a foto!. Vivendo eu num mosteiro (eu não sabia disso, graças a ele é que fiquei a saber!) ele quando viu duas freiras na brincadeira deve de ter pensado "O Limite deve de ter um convento ao lado do mosteiro onde vive, e de vez em quando vê as freiras nas suas brincadeiras". Fez-se luz na minha cabeça, e uma ideia surgiu.

Eu e a religião somos uma dupla com o mesmo tipo de relação que a água e o azeite. Sou muito critico à religião católica, fiz tudo o que tinha para fazer (fui batizado...e fiz o crisma) com o passar do tempo tive noção que há muita hipocrisia quando falam em nome de Deus sem falar do que o Homem já escreveu em nome Dele. Não sou moralista, creio que Jesus Cristo aceitava o próximo, com suas qualidades e defeitos, no entanto não é bem isso que a Igreja faz. Ela separa os fieis dos infiéis e os santos dos pecadores. Ela faz distinção entre quem é de louvar e quem não é suposto o ser. Ela proíbe tanta coisa, que deveria era de começar a fazer uma limpeza de cima abaixo, do teto, passando pelas paredes até ao chão onde os (in)fieis pisam...deveria de olhar para o aborto como a opção que é, aceitar o preservativo, entender porque razão as uniões abençoadas por Deus acabam, e ver com olhos de ver que quem tem um coração sente, e tem amor dentro de si, seja para o partilhar com um homem ou com uma mulher. 

Apontar o dedo é feio, e ela (a igreja) faz.

Para além da imagem cedida pelo Namorado, fiz um casting de outras, mostrei-as todas à minha mãe (ela sabe como eu gosto de "brincar" com o tema da religião...) e apenas me disse "tem dó" mas para o meu post 666 não tenho nem dó nem piedade. Brincar com coisas sérias é mau, e não acho que é o caso, de qualquer forma já sei que vou arder no inferno. Uma blasfémia de imagens?! Nahhhh...

Com o Pecado na Boca:


Matar o Desejo da Carne:


Vamos Pecar Esta Noite?:


Ato de Contrição:


A Aguardar a Penitência:

 

O Tombo da Fé:


A Vergonha Católica:


A Fé Não Tem Cor:


O Amor Está no Céu:


A Paixão de um Homem:



E porque a música está sempre presente, e porque sei que o meu coração está mais que acorrentado, e porque o que é mais fácil fazer é apontar o dedo, e porque eu por vezes me crucifico sem razões para isso (e metaforicamente falando, nada tem a ver com Deus e o seu universo do qual a Igreja o subjuga com tanta hipocrisia) a Tori Amos através de "Crucify" diz o resto...


Every finger in the room
is pointing at me
I wanna spit in their faces
Then I get afraid of what that could bring
I got a bowling ball in my stomach
I got a desert in my mouth
Figures that my courage would choose to sell our now

I've been looking for a savior in these dirty streets
looking for a savior beneath these dirty sheets
I've been raising up my hands
Drive another nail in
Just what God needs
One more victim

Why do we
Crucify ourselves
Every day
I crucify myself
Nothing I do is good enough for you
Crucify myself
Every day
And my heart is sick of being in chains



sábado, abril 18, 2015

Eu & A Gótica




Estava no fim da minha adolescência, quando nas aulas de informática tive uma nova colega. Era diferente, com estilo gótico, roupa preta e roxa, cabelos castanhos compridos, uma cara de anjo, e a voz, muito tímida e doce. Não sei bem porque razão sempre me dei melhor com os outsiders. Talvez porque eu seja um, sinta uma “ligação” por quem é diferente. 


Ao longo das aulas fomos falando, nos corredores trocávamos um “olá”, e era inevitável falarmos de música. Ela era mais virada para um determinado estilo musical e eu para outro, que ela não gostava lá muito.

Um dia perguntei-lhe se queria ir comigo depois das aulas a uma loja de cd’s (daquelas que ficam num mini-centro comercial, que mais parece habitado por fantasmas) e lá fomos nós, os dois, uma dupla bem estranha. O cd da compra era “Relish” da Joan Osborne onde faz parte o “One of Us”

Tenho cd’s que têm uma ligação a alguém ou a um momento na minha vida e este é com a Janine. É esse o nome dela. 

O mundo é pequeno, e com a história das tatuagens, uma colega falou-me de uma Janine que tem um estúdio de tatuagens e que tem ar gótico. Enviei uma mensagem para a página dela do facebook, é que acho que é ela, Janines não há muitas por estas bandas, muito menos góticas... 

Eu não me esqueço das pessoas, o tempo passa e elas ficam gravadas na minha memória. Talvez eu seja daquelas pessoas que facilmente se esquece, e não queria fazer figura de otário por lhe ter enviado uma mensagem...ela não respondeu. Acho que fiz a figura que tinha em mente: otário. Ao menos valeu-me pegar no cd, tirar-lhe o pó e deliciar-me com um álbum bem interessante.

“One of Us” fala de Deus e este post faz de certa forma uma ponte para o meu próximo, que será o 666…e não vou falar do diabo!

sexta-feira, abril 17, 2015

Janota Vs Aristocrático


Nesta semana que passou tive 2 elogios, vindos de duas pessoas das quais não contava tal coisa. Chamaram-me de janota e até disseram que eu tinha um ar aristocrático.

Não lido muito bem com elogios, nunca sei o que dizer a seguir, fico sem jeito, e por vezes acabo por dizer disparates.

“É para ver se me nasce sangue azul” respondi, mas quero enganar quem, eu não nasci para ser príncipe, nasci para ser plebeu.

Mas meu ego ficou enaltecido, a auto-estima renasceu e o meu bigode agradeceu! (Ohhh shame on me!)

Oh what a shame that your pockets did bleed on st. valentine's
And you sat in a chair
Thinking "boy i'm such a prince!"
Well, life's a train that goes from february on
Day by day
But it's making a stop on april first

And you will believe in love
And all that it's supposed to be
But just until the fish start to smell
And you're struck down by a hammer

Sure, you were swift
When the handsome greek boys dropped by with gifts
You are suave
Thanks to ribbons that open sesame
But in the stars and closer to home, in every planet
It ain't hard for me and dear jo jo to see

domingo, abril 12, 2015

O Meu Primeiro Beijo Vs Lover's Spit


Acho que todos temos uma memória bem viva do primeiro beijo. E não estou a falar dos beijinhos de crianças, falo do BEIJO, da leve junção de lábios com a abertura suficiente para o toque húmido de línguas. O verdadeiro lover’s spit…

Curto ou longo, com muitos ou pouco toques, tem um efeito surpresa, que sem papel de embrulho, e um laçarote no topo, fica agarrado às paredes da nossa memória, uma bela prenda, presa no tempo.

O meu primeiro beijo tem história, dava para escrever um pequeno conto, ao estilo de um cautionary tale mas sem grandes alaridos que envolvam consequências negativas. Houve algumas, pois não estava preparado para tamanha envolvência que um simples beijo poderia ter.  Deixe-me levar e fui levado.

O que mais me fascina, passado este tempo todo, foi a sequência (ilógica) dos gestos que levou a que me tivessem dado um beijo. O primeiro foi quase um roubo, os outros já não. 

Porque o primeiro é sempre especial, o meu tem uma particularidade, quase me iam partindo os dentes da frente. 

(A música que aqui deixo é das que mais gosto e falo da versão da Feist. Para algumas coisas consigo arranjar a música certa para o momento certo, esta é uma dessas, dar um beijo ao ouvi-la seria 2 em 1 e o melhor é que o beijo teria 7 minutos e 36 segundos...quem quiser matar a curiosidade, podem sempre ouvir a versão original, que também gosto, e o video tem imagens mais nítidas e também ele é muito bom. Broken Social Scene - Lover's Spit)