domingo, março 22, 2015

Os Nós da Escrita Vs Cignos 2015


Os Nós da Escrita

Escrever é, para mim, tentar desfazer nós, embora o que na realidade acabo sempre por fazer seja embrulhar ainda mais fios.
A própria caligrafia é sufocada.

Há, todavia, um momento em que as palavras são cuspidas, saem em borbotões, e o sangue e saliva impregnam o sentido. É impossível separá-los. Por trás talvez não haja mesmo nada.

São palavras que não estão ginasticadas, que secam e encarquilham como folhas por que a seiva já não passe. Oprimem toda a página, através da qual deixa de ser possível respirar. 
Tapam-lhe os poros.
 A própria chuva que neles não se escoa. 

(de Luís Miguel Nava, prenda do meu 1º leitor ao vivo e a cores)

Estas palavras de Luís Miguel Nava servem como trampolim para ir até 2006 tipo lembrete. O porquê de criar este oceano...as palavras, a música e as imagens sempre tiveram uma ligação muito peculiar e estreita neste espaço. O que as palavras não dizem, a música e as imagens dizem. Praticamente todos os meus textos têm uma banda sonora, ouço-a em loop até clicar no "publicar", enquanto que algumas imagens que ao longo dos anos aqui tenho deixado contêm algo que a sombra metafórica das palavras não consegue esconder. 

Ontem soube-se os nomeados para os Cigno 2015, e porque há um conjunto de blogs que desconheço irei até eles e espreitar. É com satisfação que digo que este oceano deu um ar da sua graça por lá mas já tirei o cavalinho da chuva e guardei-o no estábulo, não espero nenhum prémio, até porque este oceano tem um limite. E um prémio já me foi dado.

Tenho recebido prémios desde que fundei este oceano: amizades que criei, conversas de bastidores que me têm acompanhado e acima de tudo, o melhor prémio são as palavras - a partilha incessante - com ou sem nós, as partilho com vocês, bloggers e leitores. E já agora obrigado :-) Sempre que cá venho...splash...nas pontas dos dedos escrevo...

wake and I miss the sea
What can I miss of the ether?
sleep and I wish for not a thing at all.
But the rest of the rest that will take me
The rest of the rest that will take me,
Breathe air.


Glee Vs Sonhos Perdidos


Foram 6 anos a acompanhar Glee. Ainda me lembro quando vi o episódio piloto e o quanto eu gostei. Por vezes já para as últimas temporadas eu ficava irritado por causa de certas historietas, mas a essência da série para mim foi sempre uma: os sonhos de adolescente.

Não me recordo de os ter tido, deixei passar essa fase da vida como quem deixa passar o tempo, porque quando não se vive, vai-se vivendo. 

Num abrir e fechar de olhos, os anos passaram, capítulos da minha vida rasgados dum livro que nunca foi escrito. Já não vou a tempo de os ter, e porque o passado não é uma bóia de salvação, vou deixá-lo por agora, entretido com o pó dos sonhos perdidos.


2ª Tatuagem - A Minha Avezinha



O que é escrito sem esforço geralmente é lido sem prazer - Samuel Johnson

Vou apenas dizer através de uma música o que as palavras não transmitem. 

Não me vou esforçar para as escrever, nem é uma questão de dar prazer.

O amor de um filho transcende as barreiras das palavras e voa direto do coração.

Love Tears


Estava eu a ver o American Idol quando a Jennifer Lopez aparece para cantar "Feel The Light", música que faz parte da banda sonora do filme "Home". Mal ela começou a soltar as cordas vocais que sabemos que tem, fiquei vidrado na música (não é habitual). O gelo colou-se à métrica, e as palavras à melodia.

Hoje, Domingo, dia dos pecadores que vão à igreja, e eu fico-me por um pensamento. Se Deus escreve por linhas tortas, alguém que lhe dê uns óculos como devem de ser, ele precisa de ver o que a realidade escreve nos parágrafos das entrelinhas moribundas. E não vale a pela ele transbordar o recinto dos fieis, pois o silêncio preenche o eco.

São precisas atitudes, em prole de quem é inocente. 



Não me vou esticar como um elástico que estica e que arrebenta. Já arrebentei, e porque já tenho a avezinha que me fez companhia durante o dia de ontem, chorei numa rua da Leiria, no meio da multidão...amanhã é dia D e hoje é um shitty day!

sexta-feira, março 20, 2015

Olhares Alheios



 

Quando falo com uma pessoa, olhos nos olhos, por vezes deixo o meu fugir. Consigo ser tímido quando não estou à vontade com quem estou a falar, desvio o olhar para não sentir que estou sob o holofote dos outros.   

Nunca gostei de ser o centro das atenções, mas como por vezes me contradigo, esta história das tatuagens e bigode não surgiu do nada, quero que olhem para mim (não tem nada a ser com show off), quero sentir-me invadido por olhares alheios, quero forçar a timidez fazer as malas, e vê-la partir para bem longe…

Agora faço um esforço para enfrentá-la, acaba por ser uma forma de desinibição, um pouco atípica, despida de formalismos e clichés.

Ultimamente o que me tem acontecido é ver o olhar dos outros a descer até ao bigode, ficando eu a ver os olhos a mirarem algo que é suposto também ser mais um teste à minha paciência. Se uns remetem-se ao silêncio, há quem já me tenha pedido para o tirar. Só o farei quando o teste chegar ao fim. 

Não vou fazer nele tranças e muito menos guardar pedacinhos de comida. Sei que até pode parecer um esfregão para arear panelas, mas uma coisa é certa, não entendo porque razão algo tão pessoal é capaz de fazer surtir alguns comentários…chama à atenção? Who cares…até parece que vou andar aos beijos com essas pessoas… e porque já me elogiaram por causa dele, fico sem jeito, como já referi inúmeras vezes neste oceano, não lido bem com eles.

Amanhã é um grande dia para mim, e bigodes à parte, sinto-me como estivesse apaixonado pois li algures que é como se sentíssemos borboletas no estomago, e é isso mesmo que sinto. Sinto-as dentro de mim, à minha volta, ao pé da almofada, no meu pescoço, e por vezes até imagino o Prozac e a Zoe à bulha por causa delas.

Começar a 2ª tatuagem sem ter acabado a 1ª pode parecer estranho, mas dizem que “Time is Money” e eu não tenho muito para gastar, portanto é agarrar no que tenho e avançar com este meu projecto. 

Sabem porque me sinto “apaixonado”? Porque esta 2ª tatuagem é a mais especial e está a deixar-me com os nervos à flor da pele…se correr mal, corto a perna!

Sentes Te Velho Quando...

Sentes te velho quando estás no teu local de trabalho, e colocas as músicas da Sade e perguntas às tuas colegas se conhecem as músicas. 

Uma diz que não conhece e a outra diz o mesmo, pois nasceram em 1990, e lá ficas tu a ouvir as músicas, a tentar criar um ambiente calmo e tranquilo, mas na realidade ficas é a pensar "estou velho, sinto-me velho...". Oh Fuck it

No meu caso porque por vezes gosto de escarafunchar no que não devo, viro-me para uma e pergunto-lhe "Que idade me dás" e não é que o dia deu-me uma prenda! Posso ter a idade que tenho mas deram-me 27! Em tom de brincadeira, disse-lhe que se tirasse o bigode ficaria ainda mais novo. E rimo-nos.





Workshop "Como Gerir a Dor" Vs Os Homens São Fracos


Estava eu a meio da 2ª sessão de depilação definitiva, quando a rapariga que estava na sua labuta vira-se para mim e diz-me que deveria de lá ir dar um workshop "Como Gerir a Dor". É a segunda que me "tortura", e parece que é raro alguém suportar a dor como eu, e esta ainda disse-me mais, e pela conversa os homens não a aguentam (a dor). Eu apenas concentro-me nada mais que isso.

Os homens são fracos e piegas e as mulheres julgam-se donas da dor e da razão, Será?!

domingo, março 15, 2015

Blogger ao Vivo e a Cores Vs Bigodes

Ontem pela primeira vez conheci um blogger, ao vivo e a cores, e também conheci um leitor deste oceano (non-blogger, para já...foi o 2ª). A noite poderia ter sido estranha, mas não foi. Além de especial, foi a confirmação de que a pessoa que está por detrás de um blog é mais do que palavras, mas também nunca ninguém disse que não era. E porque há vida no que se escreve, foi interessante juntar uma imagem a cores, que se mexe, uma voz, e outras pequenas coisas que fazem toda a diferença. Tenho que agradecer a excelente companhia de ambos, fizeram com que me desligasse da realidade, e sem receios, disse o que me vinha à cabeça. Provavelmente mostrei um pouco o meu lado awkard.

O que posso escrever, sem escrever o que já guardei apenas para mim...o blogger em questão teve que levar com uma expressão "és muito alto", mas não me senti nenhum anão, é daquelas coisas que fazem quebrar o gelo, mas falando por mim, o gelo no primeiro instante foi quebrado. Espero que tenha passado quem eu sou neste oceano, é que ao vivo e a cores, o ambiente que me rodeia não tem as sombras das palavras e muito menos as metáforas que vestem o chão do que não digo diretamente. 

Qual é o blogger que se segue?! Não faço questão de conhecer os bloggers com que me cruzo por aqui, mas se a vida por algum motivo o permitir, será igualmente gratificante. Sem dúvida que a noite de ontem foi!

Nem todas as exceções passam a ser a regra e porque há bloggers que conheço a cara e outros a voz, há os que não faço a mínima ideia como são. É relevante? Não! Como gosto de imaginar, crio eu uma, com as cores que acho que são a vossa cara consoante o que escrevem, e o que não falta são cores para as pintar!

Ontem como não podia deixar de ser, estava atento ao que se passava à minha volta, e do nada vi alguém de olhos "colados" em mim (no mini mini-bar dos gins tónicos), e porque sou teimoso e gosto de pisar o risco, devolvi o olhar. Resultado: passou a ter o olhar "colado" no telemóvel (tretas)! Acho que a culpa foi do meu medíocre bigode. Ontem tive a confirmação, ando a tentar criar uma ilusão, rebuscando um bigode que nunca será o que quero. Mas tentar não custa!

Evitei parecer uma barata tonta, vi uma série deles, e para todos os gostos e feitios, pareciam moscas, mas belas moscas...Os meus olhos bem que tentaram apanhá-los a todos, para tirar ideias, pois claro! 

Fui para casa a enrolar o meu enquanto conduzia. 

Até me fartar, vou continuar a viver a ilusão que vive num bigode.  




E para finalizar deixo a banda sonora ideal (viciante!) para um toque de lábios, com um roçar de línguas, perdidas no meio do nada, entre o asfalto do céu da boca e a languidez do desejo.  Estes bigodes inspiram-me! São gostos...gostava de os sentir...em letras minúsculas para ninguém conseguir lêr...

E Se As Lágrimas Tivessem Cores, De Que Cores Seriam As Tuas?



Não vou falar de lamentos nem de lamurias. Não tenho a mínima vontade de afogar a face com lágrimas, nem motivos que me levem a chegar a esse ponto, em que a rebeldia delas faz da minha cara um pano para ficar encharcado, para mais tarde ser torcido. 


Há quem chore por amor, por causa do arrebatamento nuclear, que faz transbordar dum copo bem cheio, o que se chama de paixão, que ganha pernas para algo mais sólido, impenetrável e gratificante. Não é de admirar que depois o bem estar seja uma invasão de pequenos grupos de borboletas, dentro e fora de nós. Não sabe bem amar? Certamente que sim, julgo eu...


Há quem chore por ficar ferido por causa dele (do amor). Mais vale culpar a maldita seta com a sua ponta bem afiada, que perfura o âmago que protege o coração, dilacera as ilusões cheias de sonhos e magoa a alma. A seta não tem culpa. O maldito anjinho de asas a tremelicar é o culpado, mas no fundo ele segue os apelos secretos de cada um de nós. Não sabe bem amar? Certamente que sim, julgo eu...


Há quem chore por não o ter (o amor). Não serão as lágrimas que vão resolver a ausência do que alguns têm e mantêm, outros que a muito custo insistem em o suportar, e outros que o têm com um prazo de validade bem pequeno, basta passar uma noite e o prazo findou e mais parece que o fim do mundo lhes bateu à porta. 

Se as lágrimas tivessem cores, de que cores seriam as tuas? 

Simples gotas de água são monótonas, seria muito mais interessante se tivessem cores, todos nós seriamos autênticas obras de arte...


sexta-feira, março 13, 2015

Na Corda...



Há uns dias recebi uma notícia (péssima). Apesar de já contar com ela, nunca me tinha passado pela cabeça que seria já. Não sei bem com descrever o meu estado de espírito. 

Hoje ele está comigo e já não é bem a mesma coisa, é como se o meu subconsciente me esteja a preparar para o pior. Não estou preparado para o que vem aí.

Não sendo eu o ator principal da novela mexicana que é a minha vida, e porque não me posso despedir, e porque o contrato é vitalício, resta-me esperar para ver (mais uma vez). Cansa-me esta montanha russa, onde não comprei bilhete e mesmo assim tenho que entrar na merda do carrinho.

A vida é como uma daquelas cordas por onde se trepa. Sou péssimo nisso, nunca o consegui fazer, os braços não agarram a corda e as pernas nunca se fixam à volta dela. É uma constante ida até ao chão. Vá lá que não bato com a cabeça.

Se a vida é uma corda, eu queria chegar até ao topo. Estou farto de me contentar com os pulinhos que dou para tentar sempre ir mais além. Se dizem que o céu o limite, eu não passo é do chão.