Há uns dias recebi uma notícia (péssima). Apesar de já contar
com ela, nunca me tinha passado pela cabeça que seria já. Não sei bem com
descrever o meu estado de espírito.
Hoje ele está comigo e já não
é bem a mesma coisa, é como se o meu subconsciente me esteja a preparar para o
pior. Não estou preparado para o que vem aí.
Não sendo eu o ator principal da novela mexicana que é a
minha vida, e porque não me posso despedir, e porque o contrato é vitalício,
resta-me esperar para ver (mais uma vez).Cansa-me esta montanha russa, onde não comprei bilhete e mesmo assim tenho
que entrar na merda do carrinho.
A vida é como uma daquelas cordas por onde se trepa. Sou
péssimo nisso, nunca o consegui fazer, os braços não agarram a corda e as
pernas nunca se fixam à volta dela. É uma constante ida até ao chão. Vá lá que não bato com a cabeça.
Se a vida é uma corda, eu queria
chegar até ao topo. Estou farto de me contentar com os pulinhos que dou para
tentar sempre ir mais além. Se dizem que o céu o limite, eu não passo é do chão.
Hoje perdi algum tempo e lambi certas feridas que tenho, umas deixaram de existir, outras ficaram em cicatrizes, e há aquelas que estão vivas bem junto do meu coração. Mas não foi uma perda de tempo!
Não sei se vou a tempo, tenho momentos em que sinto que a idade já pesa, que faz toda a diferença, que o meu corpo já não é tão maleável, deixou de ser barro, e já não consigo o moldar.
Agora só me resta esperar que o tempo com as suas picaretas, faça da minha juventude (perdida) um dramédia que só os loucos a irão compreender.
Ao longe verei os meus atos a serem coscuvilhados por mentes drenadas sem qualquer tipo de compreensão, em que a emoção que sinto é o meu diamante em bruto. Tenho que o lapidar e na sua luz não ter receio de dizer o que sai de dentro de mim. Aí as palavras varridas para fora da minha boca serão um feixe de luz, e até os cegos a poderão ver...
Não quero apenas ter ideias, pois tornam-se em pó dentro do pequeno mundo que é chamado de cérebro. Se me foi dado o poder de sonhar, de dar vida, forma e cores às ideias que me dilaceram por dentro, preciso ser astuto e arrojado para conseguir ver além de...e no horizonte ter um arrebatamento...
Preciso chocalhar os badalos que travam a porta da minha entrada, perder os medos, e querer sempre a perfeição, sabendo que isso não será conquistado. Não será uma luta perdida, será um objectivo galopante, mudará de dia para dia, cada vez mais intenso, de dor e de prazer. Preciso de ação, afugentar o pó que já tenho dentro de mim, e travar a sua entrada...
Só assim me sentirei bem, preciso de mimos, preciso de um abraço, preciso de tanta coisa que dinheiro não me dá. Se pudesse voltaria para o ventre da minha mãe e voltaria a nascer. Utopia para não dizer outra coisa...
O resto das palavras ficam-se pelo excerto da letra "Youth" da Foxes...e este será o álbum que me fará companhia no carro na semana que se segue...
We live in circles
And it's so hard to breathe
Maybe the same old fears
What have we here?
Don't bring me down
With you
Now I'm just chasing time
With a thousand dreams I'm holding heavy
And as we cross the line these fading beats have all been severed
Don't tell me our youth is running out
It's only just begun
(...)
There are many among us
And we're changing all the time
Maybe the same old fears
What have we here?
Don't bring me down
With you
Há uns anos tive a pretensão absurda de querer escrever uma história intitulada "As Pessoas". Escrevi cerca de cento e tal páginas, estando eu desfragmentado nas diversas personagens que habitavam aquele universo, de histórias que se interligavam umas nas outras.
Deixei de lado a ideia, era uma fase, um sonho descabido, até porque sou um trapalhão a escrever. Quando comecei a ler a trilogia "50 Sombras de Grey" (li os 3 livros de seguida) achei que se fosse eu a escreve-la daria uma nova roupagem à história, não porque não gostei, eu gosto de histórias de amor, e se forem "estranhas" melhor. Esta poderia ter sido um abismo de sentimentos onde o desejo se cola à paixão para dar lugar ao amor. Não foi e apesar de não ter visto o filme, sei que a intenção está lá, mas o resultado final é um autêntico pôr-de-sol com nuvens a atrapalhar a paisagem.
Se um dos meus filmes favoritos é "Requiem of a Dream" e fala da realidade das drogas, e tem uma história de amor condenada, e porque não sei o que é tocar nelas (nas drogas ilegais) o que vou aqui deixar nada tem a ver com a minha visão do amor nem de desejos escondidos. É um pretexto para deixar algumas imagens de uma excelente sessão fotográfica que vi, e se me pagassem bem daria umas belas ideias para uma nova trilogia das "50 Sombras de Grey". Uma verdadeira Kinky Love Story.
O nome mudava, e porque por vezes o feitiço se vira contra o feiticeiro, o Christian Grey quando chegasse a casa e dissesse à Anastica " Honey I'm Home" sentiria na pele o outro lado do amor. Vejo-o (o amor) nas mais diversas formas...onde há imaginação, há sempre lugar para a demonstrar, e porque apontar o dedo é feio, é melhor agarrar neles (nos dedos) e usar a imaginação vestida e despida de desejos...
E no final, uma bebida para refrescar...acompanhada com um som sexy...
Estava para criar uma rubrica neste oceano, que tem a ver com o CD que coloco semanalmente a tocar no carro (deixei de ouvir rádio nele), mas resolvi não o fazer, pois acabaria por ser uma obrigação ter que todas as semanas vir aqui e escrever algo. Por vezes não há mesmo nada a escrever e de rotinas já ando cheio.
No passado domingo resolvi ir à procura do álbum de estreia dos Yeah Yeah Yeahs para ouvir durante a semana, e lembrei-me quando meu tatuador na 1ª sessão perguntou-me que tipo de música eu gostava e eu disse-lhe que gostava dum pouco de tudo, menos de Heavy Metal…ele riu-se e disse-me que eu por causa da imagem dele deduzi logo que seria esse o tipo de música que ele iria colocar e resolveu colocar os ACDC, que na minha opinião não é bem heavy metal mas não sou um expert de músicas.
Os Yeah Yeah Yeahstêm um som muito eletrizante, e com guitarradas acompanhadas da voz estridente da Karen O digamos que não é o ideal para começar a semana, e muito menos ao volante de um automóvel. À medida que os dias da semana foram passando, o álbum ganhou outro ritmo, como se atmosfera dentro do carro me desse algo que não conseguia fora dele. Ora tamborilava os dedos no volante, ora acompanhava a Karen O nos seus grunhidos (e ninguém me estava a ouvir!).
Há a expressão “diz-me com quem andas e eu digo-te quem tu és” e pegando nela e fazendo um makeover linguístico(gosto de inventar termos…) temos “Diz-me o que ouves e eu digo-te quem tu és” até porque as nossas escolhas musicais dizem muito de nós, e se os Yeah Yeah Yeahs nada tem a ver com o que eu geralmente ouço, eu gosto muito, é como estar a dar liberdade ao meu lado rebelde, aquele que faz de mim ser do contra, que gosta do que é alternativo (mas não se vê em termos práticos) e tem todo o gosto em admirar o que vai além do que é considerado normal. Gosto do que é abstracto mas também me identifico com o que é chocante. Acontece que ninguém vê isso em mim. Há dias em que me sinto preso, como um rato numa ratoeira constantemente a tentar sair dela…e há sons que ajudam!
Se “Diz-me o que ouves e eu digo-te quem tu és” rotula uma pessoa, então não tenho um. E quando dizem que as aparências iludem, é porque iludem mesmo. Acredito que o nosso reflexo no espelho não é bem o que os outros veem quando olham para nós.
"Quando comecei "a molhar os pés" no teu oceano, era predominantemente intimista, com textos de uma densidade emotiva, ora doce, ora ácida"
Em 2006 quando criei este espaço de água, ora de águas turvas, ora de marés revoltosas, foi sempre na perspectiva de escrever para mim, um escape sem fronteiras, sem destino, e sem bagagem para tirar de uma mala.
Hoje estando no ano de 2015, e apesar de continuar a escrever para mim, o escape está nas fronteiras de algumas pessoas, com destinos diversos e com um tipo de bagagem que não precisa de etiqueta para identificar quem são.
A ironia graceja de uma forma ímpar, através de palavras, e não precisa de par para sorrir para mim, e sempre que as recebo (as palavras que contornam este espaço) fico de mãos atadas pois custa-me muito deslindar o que aqui faço, quem eu sou e o que quero ser. Aparento ser muito coisa, mas...
Se porventura o intimismo aparentemente já não existe, e a densidade está escondia entre o doce e o ácido, o que escrevo terá sempre o lado doce e amargo da vida.
Há coisas que não mudam. Transformam-se, camuflam-se ou transfiguram-se.
(Este post é para todos, as palavras para algumas pessoas, mas a música é para ti!)
Hoje tive que ir até ele, ao limite que prende o oceano, que lhe dita as marés e que lhe pinta as cores de azul.
Logo pela manhã senti essa vontade, talvez a culpa foi do sol que despertou com os raios que me aconchegaram nos seus braços, ou foi apenas aquela vontade que surge no despertar de um novo dia, que se veste com roupas que não engana ninguém, e que deixa em nós um remoinho que nos grita ao ouvido "os dias são dias, faz deste algo diferente" e assim fiz. Levei a melhor companhia que tenho nesta vida e fomos os dois numa caminhada que nem o tempo se deu ao trabalho de contar, passou depressa, e não esperou que a brisa do mar se fizesse sentir.
Se na ampulheta do tempo a areia se infiltra no vácuo que lhe deixam, eu hoje infiltrei-me numa ideia que é tão básica, e porque tenho o oceano bem pertinho de mim, não vejo porque razão não o devo de o visitar mais vezes.
O que sabe bem, é para repetir. Uma droga saudável, sem efeitos secundários.
Está Explicado! Eu tenho dias em que sou vitima de Mamihlapinatapai.
Talvez
porque eu hoje acordei com o rei na barriga, com o mundo dentro da
algibeira e com a confiança espelhada bem na minha frente, sinto-me cheio!
Se
há parte do corpo de uma pessoa que me diz algo são os
olhos. Por vezes me cruzo com olhares que são peculiares, e do nada o
vazio que por vezes sinto, enche-se de esperança, não de ter um retorno,
mas de um dia me cruzar com o OLHARque irá me fazer acordar o rei que
dorme dentro da minha barriga, chocalhar o mundo que guardo secretamente dentro da minha algibeira e de uma vez por todas deixar o espelho da confiança sem reflexo, e fazer dela parte de mim.
You were young and you'd stare
With a reverence unimpaired
There was an echo far and faint
Beneath the air remained
You were young and you'd stare
Where my limbs hung far and fair
Make a ladder of what folds
And climb up in me
You push and you pull and you tell yourself no
It's like when you lie down, the veins grow in slow
You push and you pull
But you'd never know
I crept up in you and I
Wouldn't let go
(Achei piada à iniciativa do blogger Zehtoh, em escrever um post à mão, poderia ter sido mais original e ter feito numa folha A4 mas a amostra da minha caligrafia já é péssima num post it quanto mais numa folha A4...mas é o que me sai das dedos agarrados a qualquer coisa que escreva...ahhh a qualidade da imagem, e tamanho é para acompanhar a qualidade da caligrafia!)
"Relatos Selvagens / Wild Tales" filme argentino, nomeado para melhor filme estrangeiro nos Óscares deste ano, mas não ganhou. É um filme genial, onde a palavra "BRUTAL" tem os 2 sentidos.
O filme está carregado de humor negro, onde as personagens são levadas ao seu limite, acabando por perder a noção da realidade. Como o próprio nome diz, são relatos selvagens, e quando a cabeça não pensa, dá para o torno,..
A Paciência tem Limites
Até que a Morte nos Separe
Tudo Se Negoceia
Todas As Ações Tem Uma Consequência
Não Comece Uma Briga Que Não Está Disposto a Terminar
Estava eu a ver a série "The 100" (calculo que poucas pessoas saibam que ela existe...é muito boa, a 2ª temporada é bem melhor que a 1ª...é uma série futurista) com o meu pai, quando do nada (é um spoiler, mas que se lixe) a personagem Lexa lança os seus lábios contra os da Clarke. Até eu fiquei de boca aberta, pois nunca me tinha passado pela cabeça os sentimentos que a personagem Lexa tinha em relação à Clarke. Após o beijo, a Clarke apenas diz que não está disponível para nenhuma relação. WTF um verdadeiro twist em termos de história, mas o melhor da cena foi o meu pai ter dito "acho que está na moda".
Eu até entendo porque razão o meu pai saiu-se com esse comentário, até porque cada vez mais vê-se relações entre pessoas do mesmo sexo em séries, sem esquecer as manifestações de afeto. É certo que "The 100" é uma série em que não contava com essa reviravolta, no entanto está mais que visto que há diferenças que estão a caminhar a passos lentos para deixarem de o ser.
E quanto a beijos, eu gosto sempre de os ver, independentemente dos intervenientes.