domingo, março 08, 2015

Kinky Love Story Vs Honey I'm Home


Boa noite...

Há uns anos tive a pretensão absurda de querer escrever uma história intitulada "As Pessoas". Escrevi cerca de cento e tal páginas, estando eu desfragmentado nas diversas personagens que habitavam aquele universo, de histórias que se interligavam umas nas outras. 

Deixei de lado a ideia, era uma fase, um sonho descabido, até porque sou um trapalhão a escrever. Quando comecei a ler a trilogia "50 Sombras de Grey" (li os 3 livros de seguida) achei que se fosse eu a escreve-la daria uma nova roupagem à história, não porque não gostei, eu gosto de histórias de amor, e se forem "estranhas" melhor. Esta poderia ter sido um abismo de sentimentos onde o desejo se cola à paixão para dar lugar ao amor. Não foi e apesar de não ter visto o filme, sei que a intenção está lá, mas o resultado final é um autêntico pôr-de-sol com nuvens a atrapalhar a paisagem.

Se um dos meus filmes favoritos é "Requiem of a Dream" e fala da realidade das drogas, e tem uma história de amor condenada, e porque não sei o que é tocar nelas (nas drogas ilegais) o que vou aqui deixar nada tem a ver com a minha visão do amor nem de desejos escondidos. É um pretexto para deixar algumas imagens de uma excelente sessão fotográfica que vi, e se me pagassem bem daria umas belas ideias para uma nova trilogia das "50 Sombras de Grey". Uma verdadeira Kinky Love Story.

O nome mudava, e porque por vezes o feitiço se vira contra o feiticeiro, o Christian Grey quando chegasse a casa e dissesse à Anastica " Honey I'm Home" sentiria na pele o outro lado do amor. Vejo-o (o amor) nas mais diversas formas...onde há imaginação, há sempre lugar para a demonstrar, e porque apontar o dedo é feio, é melhor agarrar neles (nos dedos) e usar a imaginação vestida e despida de desejos...






E no final, uma bebida para refrescar...acompanhada com um som sexy...


Show Me Love
You've Got Your Hand On The Button Now

Diz-me O Que Ouves E Eu Digo-te Quem tu És


Estava para criar uma rubrica neste oceano, que tem a ver com o CD que coloco semanalmente a tocar no carro (deixei de ouvir rádio nele), mas resolvi não o fazer, pois acabaria por ser uma obrigação ter que todas as semanas vir aqui e escrever algo. Por vezes não há mesmo nada a escrever e de rotinas já ando cheio.

No passado domingo resolvi ir à procura do álbum de estreia dos Yeah Yeah Yeahs para ouvir durante a semana, e lembrei-me quando meu tatuador na 1ª sessão perguntou-me que tipo de música eu gostava e eu disse-lhe que gostava dum pouco de tudo, menos de Heavy Metal…ele riu-se e disse-me que eu por causa da imagem dele deduzi logo que seria esse o tipo de música que ele iria colocar e resolveu colocar os ACDC, que na minha opinião não é bem heavy metal mas não sou um expert de músicas.

Os Yeah Yeah Yeahs têm um som muito eletrizante, e com guitarradas acompanhadas da voz estridente da Karen O digamos que não é o ideal para começar a semana, e muito menos ao volante de um automóvel. À medida que os dias da semana foram passando, o álbum ganhou outro ritmo, como se atmosfera dentro do carro me desse algo que não conseguia fora dele. Ora tamborilava os dedos no volante, ora acompanhava a Karen O nos seus grunhidos (e ninguém me estava a ouvir!).

Há a expressão “diz-me com quem andas e eu digo-te quem tu és” e pegando nela e fazendo um makeover linguístico (gosto de inventar termos…) temos “Diz-me o que ouves e eu digo-te quem tu és” até porque as nossas escolhas musicais dizem muito de nós, e se os Yeah Yeah Yeahs nada tem a ver com o que eu geralmente ouço, eu gosto muito, é como estar a dar liberdade ao meu lado rebelde, aquele que faz de mim ser do contra, que gosta do que é alternativo (mas não se vê em termos práticos) e tem todo o gosto em admirar o que vai além do que é considerado normal. Gosto do que é abstracto mas também me identifico com o que é chocante. Acontece que ninguém vê isso em mim. Há dias em que me sinto preso, como um rato numa ratoeira constantemente a tentar sair dela…e há sons que ajudam!



Se “Diz-me o que ouves e eu digo-te quem tu és” rotula uma pessoa, então não tenho um. E quando dizem que as aparências iludem, é porque iludem mesmo. Acredito que o nosso reflexo no espelho não é bem o que os outros veem quando olham para nós.



O Outro do Lado

"Quando comecei "a molhar os pés" no teu oceano, era predominantemente intimista, com textos de uma densidade emotiva, ora doce, ora ácida"

Em 2006 quando criei este espaço de água, ora de águas turvas, ora de marés revoltosas, foi sempre na perspectiva de escrever para mim, um escape sem fronteiras, sem destino, e sem bagagem para tirar de uma mala.

Hoje estando no ano de 2015, e apesar de continuar a escrever para mim, o escape está nas fronteiras de algumas pessoas, com destinos diversos e com um tipo de bagagem que não precisa de etiqueta para identificar quem são. 

A ironia graceja de uma forma ímpar, através de palavras, e não precisa de par para sorrir para mim, e sempre que as recebo (as palavras que contornam este espaço) fico de mãos atadas pois custa-me muito deslindar o que aqui faço, quem eu sou e o que quero ser. Aparento ser muito coisa, mas...

Se porventura o intimismo aparentemente já não existe, e a densidade está escondia entre o doce e o ácido, o que escrevo terá sempre o lado doce e amargo da vida.

Há coisas que não mudam. Transformam-se, camuflam-se ou transfiguram-se.

(Este post é para todos, as palavras para algumas pessoas, mas a música é para ti!)

sábado, março 07, 2015

Eu No Limite Do Oceano


Hoje tive que ir até ele, ao limite que prende o oceano, que lhe dita as marés e que lhe pinta as cores de azul. 

Logo pela manhã senti essa vontade, talvez a culpa foi do sol que despertou com os raios que me aconchegaram nos seus braços, ou foi apenas aquela vontade que surge no despertar de um novo dia, que se veste com roupas que não engana ninguém, e que deixa em nós um remoinho que nos grita ao ouvido "os dias são dias, faz deste algo diferente" e assim fiz. Levei a melhor companhia que tenho nesta vida e fomos os dois numa caminhada que nem o tempo se deu ao trabalho de contar, passou depressa, e não esperou que a brisa do mar se fizesse sentir. 

Se na ampulheta do tempo a areia se infiltra no vácuo que lhe deixam, eu hoje infiltrei-me numa ideia que é tão básica, e porque tenho o oceano bem pertinho de mim, não vejo porque razão não o devo de o visitar mais vezes. 

O que sabe bem, é para repetir. Uma droga saudável, sem efeitos secundários.










 

Mamihlapinatapai - Está Explicado! Vs Olhar



Está Explicado! Eu tenho dias em que sou vitima de Mamihlapinatapai.  

Talvez porque eu hoje acordei com o rei na barriga, com o mundo dentro da algibeira e com a confiança espelhada bem na minha frente, sinto-me cheio!

Se há parte do corpo de uma pessoa que me diz algo são os olhos. Por vezes me cruzo com olhares que são peculiares, e do nada o vazio que por vezes sinto, enche-se de esperança, não de ter um retorno, mas de um dia me cruzar com o OLHAR que irá me fazer acordar o rei que dorme dentro da minha barriga, chocalhar o mundo que guardo secretamente dentro da minha algibeira e de uma vez por todas deixar o espelho da confiança sem reflexo, e fazer dela parte de mim.

You were young and you'd stare
With a reverence unimpaired
There was an echo far and faint
Beneath the air remained
You were young and you'd stare
Where my limbs hung far and fair
Make a ladder of what folds
And climb up in me

You push and you pull and you tell yourself no
It's like when you lie down, the veins grow in slow
You push and you pull
But you'd never know
I crept up in you and I
Wouldn't let go

terça-feira, março 03, 2015

Um Post Num Post It



(Achei piada à iniciativa do blogger Zehtoh, em escrever um post à mão, poderia ter sido mais original e ter feito numa folha A4 mas a amostra da minha caligrafia já é péssima num post it quanto mais numa folha A4...mas é o que me sai das dedos agarrados a qualquer coisa que escreva...ahhh a qualidade da imagem, e tamanho é para acompanhar a qualidade da caligrafia!)

domingo, março 01, 2015

Relatos Selvagens


"Relatos Selvagens / Wild Tales" filme argentino, nomeado para melhor filme estrangeiro nos Óscares deste ano, mas não ganhou. É um filme genial, onde a palavra "BRUTAL" tem os 2 sentidos.

O filme está carregado de humor negro, onde as personagens são levadas ao seu limite, acabando por perder a noção da realidade. Como o próprio nome diz, são relatos selvagens, e quando a cabeça não pensa, dá para o torno,..

A Paciência tem Limites


Até que a Morte nos Separe


Tudo Se Negoceia


Todas As Ações Tem Uma Consequência


Não Comece Uma Briga Que Não Está Disposto a Terminar

Talvez sejam lições de vida...

"Acho Que Está Na Moda"


Estava eu a ver a série "The 100" (calculo que poucas pessoas saibam que ela existe...é muito boa, a 2ª temporada é bem melhor que a 1ª...é uma série futurista) com o meu pai, quando do nada (é um spoiler, mas que se lixe) a personagem Lexa lança os seus lábios contra os da Clarke. Até eu fiquei de boca aberta, pois nunca me tinha passado pela cabeça os sentimentos que a personagem Lexa tinha em relação à Clarke. Após o beijo, a Clarke apenas diz que não está disponível para nenhuma relação. WTF um verdadeiro twist em termos de história, mas o melhor da cena foi o meu pai ter dito "acho que está na moda".

Eu até entendo porque razão o meu pai saiu-se com esse comentário, até porque cada vez mais vê-se relações entre pessoas do mesmo sexo em séries, sem esquecer as manifestações de afeto. É certo que "The 100" é uma série em que não contava com essa reviravolta, no entanto está mais que visto que há diferenças que estão a caminhar a passos lentos para deixarem de o ser.

E quanto a beijos, eu gosto sempre de os ver, independentemente dos intervenientes.

Alter-Egos Vs Azul


Honestamente escrevendo não sei bem o que se passa, continuo com ideias "estranhas". Se sofresse do distúrbio da personalidade múltipla ou de um outro tipo de distúrbio, tinha justificação para estar com ideias que fogem e muito à minha forma de estar. Julgava eu que eram, mas na realidade não são.

Nunca tinha dado um passo para me ver como gosto de ver alguém, como se o meu reflexo num simples espelho me fizesse apaixonar por mim mesmo. Reconheço o que já me disseram, se por um lado pareço um camaleão em termos de personalidade, por outro, não sei até que ponto as tatuagens entre outras coisas são formas de eu provar aos outros quem eu sou. O parvo aqui sou eu, não tenho que provar nada a ninguém, as tatuagens abriram uma brecha (sinto-me bem com o meu corpo), de 3 passaram para 5 (e já fechei os projetos), as outras ideias são um reflexo como eu me vejo e ao fim e ao cabo se há alguém a quem provar seja o que for é a mim próprio.

Eu já tinha decidido em comprar uns óculos de sol pois os que tenho deixam-me com cara de mau, e ontem uns óculos azuis, com lentes azuis espelhadas me piscarem o olho, hoje não resisti, e num impulso já estão comigo. 
 

É certo que os euros postos de parte para a 2ª tatuagem foram-se (poupança extrema já requisitada), resta-me capacitar que o meu gosto pela cor azul atingiu um limite. Os óculos não fazem o meu estilo, mas porque eu não tenho um, reforço a ideia que sou um camaleão, e neste caso já não mudarei de cor. 


sábado, fevereiro 28, 2015

Bandeira LGBT Vs Looking Vs Rãs


Enviaram para o meu e-mail um link muito interessante, só o nome já me diz alguma coisa "little things" e resolvi o partilhar por algumas razões. A história da bandeira arco-íris teve a sua evolução, e com as pequenas particularidades, faz dela uma bandeira com a sua história.


Uma das razões porque estou a fazer este post foi porque quem enviou o link, há uns tempos perguntou-me se eu era gay, claro que não respondi, já que sou contra rótulos não me iria rotular a mim mesmo. Passado um dia respondi-lhe (por vezes sou fraco), e levei com um valente autocolante no meio da testa, até porque quando me dizem que sou "ambíguo" é tipo BINGO, o que mais gosto é deixar a confusão nas mentes dos outros, é um sick pleasure. Na realidade ninguém me conhece a 100%.

Acho que este oceano é um blog que não se encaixa muito nos temas LGBT por inúmeras razões. Não é o que se escreve que faz da pessoa uma lutadora por uma causa, mas sim uma causa que move uma pessoa. Estarei errado? Sou a favor de tanta coisa, desde o casamento entre pessoas do mesmo sexo até podermos colocar as despesas do veterinário na declaração do IRS. 

Fazendo uma ponte da bandeira até à seríe Looking (a culpa é S. Francisco) uma série da HBO que já vai na segunda temporada. 


Looking retrata a vida de 3 amigos gays, que vivem em São Francisco. Poderia ser apenas mais uma série mas não é bem o caso. Além de ser bem atual, o elenco é muito bom, com cenas memoráveis e a crueza dos sentimentos é tanta que por vezes a vontade de voltar atrás e ver é grande.



Looking retrata o sexo fácil, as traições, a paranoia do HIV/SIDA, um novo medicamento polémico, entre outras coisas, mas acima de tudo é a vida deles e os sentimentos que me faz ver...por vezes quando acabo de ver um episódio fico na minha, a realidade é tão ambígua e tão distorcida do que aparentemente ela é. 

Se por um lado há cenas queriduxas...


...Por outro há cenas em jacuzzi...


 ...e cenas com línguas atrevidas...


E claro uma das cenas que poderia dizer uma coisa, mas na série acaba por ser outra...





Na verdade um dos episódios que mais gostei, foi da 1ª temporada, centrado apenas na relação do Patrick e do Richie, um dos mais simples. A imagem abaixo diz porque razão eu gostei tanto. Há mar, um horizonte e apenas diálogos. As coisas simples da vida têm sempre outro saber quando são cobertas de honestidade e de uma boa conversa.


Não consigo tirar da ideia que muitos querem apenas uma coisa, e não é viver com amor, mas sim tapar buracos sentimentais com noites bem passadas e saltar de corpo em corpo, tipo rã a saltitar de nenúfar em nenúfar no meio do charco, e encher uma enciclopédia de pequenas historias sem amor. 
 

A realidade é dura para quem a vê sem filtros, ou quando não os consegue colocar nos olhos. De nada vale atirar pedras uns aos outros, há telhados de vidros em tudo o que é teto, e quem não se cortou num estilhaço, esse sim que atire uma pedra. E não serei eu a atirar uma.

(Dedico este post a quem me enviou o link, que me fez a pergunta e que levou com a resposta e que também vê e gosta muito de Looking. Como vejo a série sozinho, se tivesse que escolher alguém para me fazer companhia seria essa pessoa.)