domingo, outubro 26, 2014

Potencial Namorado?!


Será que o Prozac é um potencial namorado para a Zoe?! Claro que não, se por vezes são como água e azeite, noutras são um doce e um salgado. E eu fico-me por aqui, até porque sou daquelas pessoas que deixam que as imagens certas falem por mim. É este o caso. Bela dupla, por vezes insuportável, por vezes alucinante.


sábado, outubro 25, 2014

Lambia-o Todo Vs A Feira das Vaidades



Na passada quinta-feira, estava eu de regresso a casa, ao som de Ed Sheeran quando olhei para o céu. Mais uma vitima deste clima que não sabe a quantas anda. O que vi era uma miscelânea de coisas boas, vi natas bem consistentes, ou claras batidas em castelo. Vi pedaços de gelado de baunilha bem colados ao sol, juntos, numa simbiose que me fez olhar não sei quantas vezes. Se pudesse tinha-o lambido todo,  de cima a baixo, dum lado ao outro enquanto Ed Sheeran continuava a cantar. Aquele céu, naquele momento falou comigo, disse-me coisas que nem tenho palavras para as descrever.

Ontem percorria o mesmo caminho, ao som da mesma música quando lembrei-me do suspiro de nuvens que tinha visto no outro dia, e não é que o céu estava diferente? Já não via um swirl divinio mas sim um sol meio escondido, como se estivesse a abrigar-se da noite. Todo ele era mais que protegido por umas nuvens brancos, já não tão doces, mas ao mesmo tempo acolhedoras. Não chorei porque já o tinha feito pela manhã, mas ao olhar para aquele cenário, pareceu-me estar a ver uma fogueira de raios solares sem os ver. Uma autêntica feira das vaidades, que não me queimou, mas que me fez voltar a pensar no imaginável...

So open your eyes and see
The way our horizons meet

Eu gosto de ficção, portanto vou fingir que a minha alma gémea na passada quinta-feira olhou para o mesmo céu e teve a mesma vontade que eu, de o lamber, e que ontem tenha visto a fogueira das vaidades, apesar que a ela (a vaidade) é tão louca como quem sente o mesmo que eu. 

Resta-me agora procurar por quem nestes últimos dias viu o mesmo que eu. Missão impossivel? Claro que é, mas mesmo assim abro uma porta à ficção deixando uma janela escancarada, é que há estrelas cadentes e uma delas poderá entrar por essa mesma janela...


Serei eu interessante?

Tendo já acabado de ler "Os Interessantes" da Meg Wolitzer e porque é um livro cheio de muita coisa boa, e fazendo parte dos livros que mais me deu prazer folhear as páginas, molhar um dedo para poder virar uma delas, ou esperar ansiosamente que a minha hora de almoço chegasse para retomar a leitura, não vou me esticar nas palavras, até porque acabar um livro durante a minha hora de almoço é sinal que estava mais que envolvido numa história que começa em 1974 e percorre uma série de décadas. No livro são mencionados uma série de temas, a guerra do Vietnam, as ceitas dos anos 70 e as suas drogas, o vírus da sida, o capitalismo, as novas tecnologias incluindo a internet, e depois uma série de sentimentos são mais que marcantes no meio de tantas páginas. Se por um lado o amor está lá, a inveja desliza como um cubo de gelo na pele mais quente, que arde de desejo. A fama também faz uma perninha, mas ao fim e ao cabo, as vidas dum grupo de adolescentes em 1974 facilmente desfazem-se ao longo dos vários anos em que o livro avança no tempo.

Num outro post, cheguei a dizer que possivelmente seria uma personagem secundária, que aparecia num inicio e que pouca importância teria na trama, mas tendo lido o livro todo, posso dizer, eu sou tão interessante como o meu vizinho, e tenho que dizer que nada sei sobre ele, apenas quero salientar que uma vida vale o que vale, e só nós sabemos o que vai dentro de nós e o que nos circunda. E eu sou a personagem principal deste meu livro, que a vida está a escrever, e sabem que mais...eu também faço parte dos interessantes.  

E voçês também fazem...basta ler o excerto do final do livro...

E não era sempre assim - partes do corpo que não se alinhavam de acordo com a nossa vontade, resultando tudo um pouco ao lado, como se o próprio mundo fosse uma sequência animada de desejo e inveja e autodesprezo e grandiosidade e fracasso e sucesso, um cartoon estranho e interminável que era impossível deixar de ver porque, apesar de tudo o que já se aprendera entretanto, continuava a ser tão interessante.


domingo, outubro 19, 2014

"On Interessantes" Vs O Vibrador sem pilhas


Estou a caminhar para o final do livro "Os Interessantes" da Meg Wolitzer e mesmo faltando ainda algumas sumarentas páginas, já sinto que cada virar de página está a tornar o livro num dos que mais me deu prazer.
Não é o mesmo prazer que comer um chocolate, ou uma noite de sexo, pois esses são prazeres fugazes, como um bocejar cheio de tédio ou um suspiro no qual ele (o tédio) é o nosso melhor amigo.

Tenho muito de escrever sobre ele (o livro) que me tem feito companhia nas últimas semanas. E porque cada virar de página é especial, sinto que o final será como uma porta aberta para o meu desconhecido, já que o livro percorre a vida de um grupo de amigos desde a adolescência até aos seus cinquenta anos (?). 

Eu estando na casa dos 30, se tivesse no mesmo enredo que eles, seria igual a uma das personagens, se no inicio aparece, e no meio se fala, certamente no final terá algum impacto (?). Será? Não sei, mas por mais ficção que a vida tenha, a realidade é tão interessante como um vibrador sem pilhas.

(Depois volto cá para falar do livro, onde serei outra pessoa, não quem escreve para si nem para os outros, apenas limita-se a teclar o que vai na alma, e se por acaso foder o juízo a alguém, peço desculpa, mas não é por mal, é uma necessidade, uma espécie de trabalho manual, uma masturbação que dá lugar a um belo tapete feito de retalhados. Não de sémen, mas de palavras.) 

sábado, outubro 11, 2014

Para Não Dizerem que Não Escrevi Neste Fim-De-Semana




Para não deixar de escrever neste oceano, vou simplificar o que tenho a dizer, que não sendo muito, acaba por deixar no reflexo das letras o que não quero escrever, talvez seja falta de tempo, ou a preguiça a bocejar e a dar-me um valente pontapé na alma.

O livro "Os Interessantes" está a ser uma daquelas sagas de encher o olho, cultiva a alma e faz esperar por mais da vida. Acertei desta vez, pois quando pego nele sinto que não há nada que me faça duvidar do que quero para mim, pois tenho sonhos como as personagens do livro, no entanto se algumas delas não conseguem o alcançar, é bem provável que eu também não consiga. WTF?! Há dias que não faz diferença esse tipo de pensamentos. Se vestir o cinzento, dá-me uma espécie de relento, o que dizer das cores que me esventram, que deixam ao ar livre uma ferida que me grita, que me sussurra..."give me love".

Já me capacitei que tenho que começar uma espécie de casting e não estou a falar de potenciais casos amorosos, pois não sou pessoa de pegar numa balança e pesar o que me faz feliz, o que me faz sonhar e o que a vida me dá. Falo das imagens que estão vivas dentro de mim, que quero tatuar, e cada vez mais sinto que não é um capricho, é um projecto, de pernas que andam, que fazem barulho, levantam o pó que faz com que não me reconheçam.

Meus caros, quem me conhece é quem eu quero, e não quem julga que sabe quem eu sou.

A sabedoria é um bem precioso, só o damos a quem podemos o dar, e só quem o reconhece é porque lá chegaram.

domingo, outubro 05, 2014

Banks Vs Mel Para os Meus Ouvidos Vs Kizomba?!


Há algum tempo que tinha lido coisas muito boas sobre Banks, uma cantora que juntamente com outros (não me perguntem quem são...) estavam numa nova vaga musical. Acontece que quando comprei o álbum, mal o ouvi senti que estava perante uma musicalidade que além de me seduzir, deixava em mim algo que é raro acontecer. 

Se as músicas fossem um pedaço de pão, o queria com manteiga, com doce ou marmelada. Queria-o em torrada ou em tosta mista, e porque não com manteiga de amendoim e doce de morango. E se o dia assim pedisse, com queijo, banana e doce. 

As músicas são mais doces que o mel, a voz é uma encruzilhada de timbres, e por mais mel que seja para os meus ouvidos, mais depressa roço o meu corpo noutro ao som dela que do kizomba...

Talvez o amor seja isto


Ele não podia dizer-lhe que o que queria naquele momento mais do que qualquer outra coisa, era adormecer ao lado dela. Sem toques, sem beijos, sem estímulos. Sem sensação, sem consciência. Simplesmente o ato de dormir ao lado de alguém com quem se gostasse de estar. Talvez fosse isso o amor. (Retirado do livro "Os Interessantes")

Ora aqui está, o amor não é apenas isso, mas também o é...

domingo, setembro 28, 2014

Histórias de Amor Vs O Raio Que Nos Parta

Neste fim-de-semana tive a oportunidade de ver 4 filmes com histórias de amor, e nenhuma tinha nada a ver com a outra. Vi "500 Days of Summer", "The Broken Circle Breakdown", "The Signal" e "The Labor Day" e por mais que tenha a escrever sobre cada uma delas (e já o fiz sobre uma) sinto que a vida poderia ser uma simples história, de amor ou muito longe disso. O que sinto, cada vez mais, é que essas histórias são como um virar duma página dum livro, facilmente se tem, como se arduamente se sonha com uma. Mas como gosto de ler, por vezes virar uma página custa, não porque dê trabalho, mas porque é no virar da página que ficamos perante o desconhecido, e quando queremos alento e nos dão apenas o vento dos sentimentos, não me venham dizer que o sexo é uma espécie de tapa buracos.

A alma não os tem, e não há cimento que os esconda. 

Não somos de ferro, nem somos de barro. Se moldamos o nosso ferro perante o fogo dos outros, o barro deixamos o moldar nas mãos alheias.

Não me deixo transformar pelo o que os outros querem, mas aceito os outros como são.

Histórias de amor? Que venham elas, mas o raio que nos parta que fique bem longe, pois a vida é azeda quando nos faz ter azia e nos faz arrotar. 

Standing on the deck watching my shadow stretch
The sun pours my shadow upon the deck
The waters licking round my ankles now
There ain't no sunshine way way down

I see the sharks out in the water like slicks of ink
Well, there's one there bigger than a submarine
As he circles I look in his eye
I see Jonah in his belly by the campfire light

See the albatross up in the windy lofts
He gets to beating his wings while he sleeps it off
I hear the jettisoned cries from his dreams unkind
Gets to whippin' my ears like a riding crop

The captain once as able as a fink dandy
He's now laid up in the galley like a dried out mink
He's laying dying of thirst and he says or I think
Well, we're gonna be alone from here on in

Well you are all my brothers, and you have been kind
But what were you expecting to find?
Now your eyes turn inwards, countenance turns blank
And I'm floating away on a barrel of pain
It looks like nothing but the sea and sky remain

A harpoon's shaft is short and wide
A grappling hook's is cracked and dry
I said, why don't you get down in the sea
Turn the water red like you want to be?

Cause if I cry another tear I'll be turned to dust
No the sharks won't get me they don't feel loss
Just keep one eye on the horizon man, you best not blink
They're coming fin by fin until the whole boat sinks


sábado, setembro 27, 2014

O Amor Bate à Porta? Vs 500 Days of Summer

"Parece que o amor chega não só sem se fazer anunciar, mas também tão acidentalmente, tão aleatoriamente, que te faz pensar porque é que tu, porque é que alguém há-de acreditar nas leis de causa e efeito"

Acabei de ler "A Rainha de Gelo" de Michael Cunningham e tive a sorte de encontrar mais uma daquelas frases que tornam um livro especial. Apesar de não ter gostado do livro, valeram-me as frases que por lá encontrei, até porque vão ao encontro da minha forma de pensar, de ver a vida e de sonhar. 

Por mais que pense que o amor aparece findo do nada, que se apresenta sem mais nem menos, há momentos, escrupulosos do destino, que me fazem desacreditar nessa teoria. Acaba por não ser mais que uma fuga do sentimentos, canalizada para o que os outros querem e esperam encontrar e não o que eu quero e preciso para me sentir vivo. 

Continuo vivo, continuo a sonhar, e vivo porque é a lei da vida, mas sabem o que realmente penso: amor há quando a paixão deixa de fazer as malas, e o desejo começa a andar com uma venda nos olhos. Se somos todos uns filhos da ****, então o melhor é ninguém se queixar, pois quem semeia, colhe tempestades. Daí ter todo o direito de reclamar o que tenho todo o direito, pois eu apenas semeio árvores com bons frutos (quero enganar a quem?!). E aonde eles estão? Não os vejo. Será que tenho que fazer o mesmo que os outros? Esqueçam, a vida é demasiado bela para passar a vê-la como uma feia adormecida.


Pelos vistos alguém me conhece um pouco, talvez mais que as pessoas que estão perto de mim. A D. disse que o filme "500 Days of Summer" era a minha cara, nunca o tinha visto. Pelos os atores (Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt) vi logo que o filme tinha alguma coisa que me poderia fazer gostar mas quando o vi (e neste momento faltam-me os minutos finais...) foi comprovar o que me tinham dito. É a minha cara, uma história de amor, que no filme anda de trás para a frente, da frente para o futuro. A cumplicidade entre a dupla de atores é genial, os diálogos credíveis, os cenários palco dos meus sonhos, e depois há aqueles pequenos pormenores que fazem toda a diferença...é o que eu gosto de ver num filme que retrata o amor na sua forma mais doentia.


Cada vez mais o amor para mim não tem crédito, se fosse um banco já o tinha fechado. As pessoas são demasiado egoístas (começando por mim) pois não querem abrir mão do que já têm, do que julgam ter e do que julgam que irão ter.

O meu coração continua aberto, mas o que há mais são cegos com bengalas mal direcionadas.

500 Days of Summer?! E porque não uma eternidade? É assim que vejo o amor, duma forma ilusória, com paixão, sentimento e pequenas faíscas dum conto de fadas. O amor bate à porta, mas só quem a abre é que poderá contar a sua história. E eu acredito na lei da causa e efeito.

Espero que os últimos minutos de "500 Days of Summer" não me façam rever a minha teoria do amor, pois a ficção por mais que seja irreal, a realidade tem momentos que mais parecem findos dum filme...  





sexta-feira, setembro 26, 2014

A Rainha do Gelo Vs O Ciclo da Vida?! Vs Dejá vu


" As pessoas são mais do que pensamos. E são também menos. O segredo está em negociarmos o nosso caminho entre ambos."

Foi  esta a frase que li do livro "A Rainha do Gelo" do Michael Cunningham que me fez o ler com outros olhos. Apesar de já ter lido (penso eu) todos os livros deste escritor, este mal comecei deixou-me desiludido, por vezes sentia a escrita demasiado pretensiosa, com personagens que não me diziam nada, e a narrativa cheia de floreados que mais me parecerem um embelezamento que tentava aconchegar uma história simples: dois irmãos, um deles junto com uma mulher que está com cancro e à partida não ganhará a luta contra a doença, o outro gay, que vive com o irmão e vive toda a história da doença da companheira do irmão. Numa noite o irmão gay vê uma luz no céu, será um milagre, um sinal? E a história vai-se desenrolando e apesar de não estar nada satisfeito com o livro, encontrei a frase que aqui deixo, que me bateu à porta e me vez uma vénia à qual não resisti. Disse-me tanto, que me levou a uma outra surpresa. Estava eu hoje na minha hora de almoço a ler mais algumas páginas, quando senti que o que estava a ler encaixava num dejá vu...cada frase que lia, para vírgula, cada ponto que me apareciam à frente era um espelho do reflexo que a minha memória já tinha por lá passado. E porque eu tenho um pequeno papel a marcar a frase que aqui deixo, e quando lá escrevi "dejá vu", foi a gota de água, não tive dúvidas...sensação estranha.

Ainda não o acabei, e talvez por tudo o que este livro já me deu, está a ser mais interessante. Sinto falta dum livro que fale comigo, que me dê o que as pessoas não me dão e talvez nunca me irão dar, mas não estou preocupado. 

A vida não é como a economia, não é cíclica, e só por isso ando a esgravatar em tudo o que é sitio para ver se encontro uma fuga desta montanha russa que tem uma entrada mas a saída é só após não sei quantas voltas nela. Já perdi a conta.

Porque sou péssimo a negociar, agora entendo porque razão os caminhos que percorro nunca me levam a nenhum lado. Cruzo-me com pessoas que não são mais, nem menos do que espero, pois se o fossem, vivia num desânimo doentio.