Foi com alguma expectativa que vi a season finale de "The Leftovers". Apesar da série não ter sido bem o que estava à espera, com uma narrativa que mais parecia ter sido cortada com uma faca de manteiga e pedaços dela espalhados por um universo que muitos não compreenderam, nem eu (confesso, apesar de ter lido o livro), mas estive sempre com aquela visão que o ser humano só faz merda quando tem liberdade para isso.
O último episódio funciona como uma chama, que se acende, que se apaga e por alguma razão deixa em nós aquela vontade de a voltarmos a ver. Ao longo dos 10 episódios somos levados por pequenas histórias que por mais desfragmentadas que possam aparentar ser, todas fazem parte da complexidade que rege o ser humano. Os bonitos, os feios, os maus, os loucos, os levianos, entre outros, estão todos lá, e nós por essa mesma razão acabamos também por lá estar.
O final propriamente dito foi intenso, marcante, perturbador e...
O final propriamente dito foi intenso, marcante, perturbador e...
Como é dito na série, todos nós perdemos alguém nesta vida. E sendo nós as sobras, e já não tendo direito a um "prato principal" e sem direito a sobremesa, ficamos numa espécie de limbo. Lidamos com a perda e continuamos a viver, vazios e com fome, que nos consume e nos faz duvidar do que cá fazemos, nesta vida, que nem sempre tem sentido mas cabe a nós dar-lhe um.
Nem sempre as respostas estão à nossa volta e muito menos entre os lençóis numa cama que por mais que nos convide a um fechar da realidade, nunca o conseguimos, ela (a realidade) é como uma minhoca, perfura a terra quando alguém remexe nela, e dá-lhe espaço para vir ao de cima e nos fazer relembrar que a vida é uma constante incógnita, na sua perfeita imperfeição, com contornos de uma utopia disforme.
Há que dar alento às nossas ideias, reforçar o ego para que ninguém o destrua, e fazer da nossa liberdade, uma corrida sem destino, e quando pararmos, é o sinal que passamos a deixar de ser uma sobra, e passamos a fazer parte dum todo, nosso e não dos outros.
("The Leftovers" sem dúvida uma série que vai ao encontro do que é estranho, que nem todos gostam e muitos a criticam. Eu gosto do que é estranho, e adorei a imperfeição "The Leftovers" na companhia duma banda sonora centrada muitas vezes num piano.)



















