Pressinto o Outono a vir até mim, com a sua cadência ritmada que faz lembrar as ondas e ao mesmo tempo o som que os nossos passos fazem na areia. Uma espécie de trituramento que não há mineral que possa corresponder a esse tom que não encanta mas que se entranha, que acaba por esventrar sem deixar ferida. Deixa uma saudade que não tem estação do ano.
Pressinto já o cair das folhas com tons acastanhados e nada tem a ver com o bronze dos corpos que se deixam torrar ao sol, e já ouço o choque da suavidade que a folhas fazem no chão, faminto por um novo colchão de folha caducas.
E se o azul é a cor que me tinge de cima abaixo, não sei como vou olhar e viver o Outono que já está prestes a nos dar as boas vindas (espero que não venha tão cedo). Se não o fizer, a culpa não é minha, mas da minha estupidez, que só me tem a mim.
Já há muito tempo que o mês do Agosto não é tão rico, e não falo de dinheiro. Falo dum bem mais valioso. Quero mais dessa riqueza, que não brilha ao sol, não nos faz comprar a mais alta tecnologia, e nem nos dá um amor de verão (também não o queria, por algo fugaz, tenho com que me entreter).
Posso não ter tido um underwater love mas tenho o ego de barriga cheia. E vomitar está fora de questão.

























