domingo, agosto 31, 2014

A Estupidez Vs O Fim do verão?!


Pressinto o Outono a vir até mim, com a sua cadência ritmada que faz lembrar as ondas e ao mesmo tempo o som que os nossos passos fazem na areia. Uma espécie de trituramento que não há mineral que possa corresponder a esse tom que não encanta mas que se entranha, que acaba por esventrar sem deixar ferida. Deixa uma saudade que não tem estação do ano.

Pressinto já o cair das folhas com tons acastanhados e nada tem a ver com o bronze dos corpos que se deixam torrar ao sol, e já ouço o choque da suavidade que a folhas fazem no chão, faminto por um novo colchão de folha caducas.

E se o azul é a cor que me tinge de cima abaixo, não sei como vou olhar e viver o Outono que já está prestes a nos dar as boas vindas (espero que não venha tão cedo). Se não o fizer, a culpa não é minha, mas da minha estupidez, que só me tem a mim. 

Já há muito tempo que o mês do Agosto não é tão rico, e não falo de dinheiro. Falo dum bem mais valioso. Quero mais dessa riqueza, que não brilha ao sol, não nos faz comprar a mais alta tecnologia, e nem nos dá um amor de verão (também não o queria, por algo fugaz, tenho com que me entreter). 

Posso não ter tido um underwater love  mas tenho o ego de barriga cheia. E vomitar está fora de questão.


sábado, agosto 30, 2014

I'm Proud Of Myself!!!!!!


Não é todos os dias em que me sinto capaz de dar cabo dum colete de forças e muito menos esbarrar com uma séries de imposições que coloco a mim próprio e ver elas a irem embora em fila indiana, com cânticos e danças que mais lembrariam rituais satânicos. Convém dizer que o demónio não apareceu e muito menos o Espírito Santo, mas estou cá eu para pegar nas coisas, embrulha-las e oferecer a mim próprio, pois hoje estou orgulhoso de mim mesmo. Chamem o que quiserem, o ego quando tem fome, damos comida, mas quando quer algo mais, nem sempre tem que ser uma missão impossível. 

Quando digo que me sinto orgulhoso de mim mesmo é porque ver e sentir que o que os outros pintam não tem que ser o que vejo e pinto. Até digo, se dei o braço a torcer, refutei uma série de coisas que julgava mais que encravadas (tipo gaveta dum armário já com alguns anos) que uma roldana com ferrugem de 8 anos. Posso ficar mais tranquilo. 

Confesso que se por um lado a realidade que os outros pintam não é a minha e insisto em a ver com os olhos dos outros, por outro lado, a realidade que vivo é pintada sem recurso a programas de computador, portanto, os meus olhos são os meus melhores amigos e quando dispo o colete de forças, sou posto à prova. 

Os meus princípios sobrevivem numa selva urbana, e mesmo sendo degolados por olhares alheios, agora sei, e o posso dizer, não piso o risco pois ele é o que me faz ser quem o sou. E se os sentinelas têm olhares gulosos, eu também os tenho, mas a diferença é que entre o doce o salgado, opto pelo salgado, sabe a mar.

Sinto já o virar de uma página, é como se uma ventoinha estivesse virada para mim e levasse o ar de tempos passados, dando lugar ao futuro. 

 

sexta-feira, agosto 29, 2014

Atingido pelo Cupido Vs À Procura da Filipa


Posso dizer que o cúpido deve de ter feito o seu trabalho bem feito. Imagino-o de arma bem colocada, e olhar bem certeiro. 

Atingido eu fui e agora acho que devo de começar a despir as camadas que envolvem o meu coração. Dispo a camada das aparências, depois a camada da prevenção dos atos insólitos, depois segue a camada das neuroses mascaradas de ideias que nunca vêem a luz do dia, e para poder chegar à camada que me deixa nu, tenho que me dar ao luxo de deixar de lado a camada que fala comigo quando o coração atrelado à razão é colocado de lado e fico-me pelos impulsos insuflados por hélio.

Não acho que o amor resulte da dor, e muito menos de uma seta bem intencionada. O amor para mim é uma espécie de bolo de noiva, tem várias camadas e o topo é que diz tudo, um casal bem feliz e vestido a preceito. Há um longo caminho para ser percorrido, e se nem sempre as pessoas dão-se ao trabalho de o fazer, estão à espera do quê? Dum bolo de noiva só com um andar e no topo um par de andorinhas? Esqueçam...


Parece que fui atingido pelo cúpido, da forma mais extraordinária que poderia ter acontecido. Não vou entrar em detalhes.

Na realidade, ela chama-se Filipa, e é uma grande maluca, só podia o ser para ser a minha namorada. E para eu dizer em voz alta que ela o é, é sinal que os nossos pratos fazem a balança ficar equilibrada. 

Resta-me um desafio, encontrar a Filipa! Ando à procura dela, até porque se sonharam comigo, e que tinha uma namorada, chamada Filipa, maluca pelos vistos, só pode ser um sinal dos sonhos. 

Ao estilo de Hansel e Gratel tenho apenas uma migalha para ir até ao meu destino, e se num sonho eu tinha alguém, na realidade o que tenho é...



quarta-feira, agosto 27, 2014

True Blood – The Last Bite Vs A Pipa de Sangue


Foram 7 anos a acompanhar True Blood…e foi não perda de tempo!

 


Ontem vi o final de uma série que não foi perfeita, devido a temporadas menos boas. Dispensava algumas das criaturas que por lá apareceram e as histórias que encheram chouriços. O universo de True Blood deveria de ter pertencido unicamente aos vampiros. Mas os livros em que a série se baseou implicava uma enxurrada de personagens que pouco tinham de seres humanos. E porque o rumo da série não seguiu o dos livros, os demónios ficaram de fora.

Nesta última temporada posso dizer que gostei de praticamente tudo, excepto a história da Tara. O que mais me fez rir foi a Pam e o seu sarcasmo carregado de elegância e prepotência. Não posso deixar de referir a personagem da Ginger, a louca empregada do Fangtasia que é através dela que ficamos a saber como é que o bar surgiu. Também é ela que tem o melhor orgasmo vampiresco desta temporada, o 2º lugar vai direitinho para a ruiva Arlene que convém dizer que teve a sua dose, em sonho. E em 3º lugar o não-orgasmo do Jason e do Eric, o sonho homo-erótico que fez muita gente falar.






Não posso deixar de referir que no final uma das personagens acaba por ser uma autêntica pipa de sangue. Um desfecho cruel eu sei, mas em True Blood por vezes quanto mais cruel melhor. A ficção tem esse poder.

Não ficaram muitas pontas soltas e com o final praticamente todos tiveram o seu destaque e porque True Blood  é a Sookie, esta é certamente uma das personagens que vou guardar com carinho, até porque mal comecei a ver True Blood, não resisti e li todos os livros que havia na altura em inglês. As diferenças são gigantescas que nem o Adamastor as deixaria passar no cabo das Tormentas.

Uma das cenas que escapou a muita gente é o cameo que a escritora dos livros tem numa das cenas finais. Charlaine Harris deu um ar da sua graça

É curioso, tive que me despedir da Sookie duas vezes, uma em versão livro, a outra em série. Se no livro ela fica ao lado do Sam, na série o final é diferente. Se tivesse que escolher o desfecho, seria o da série, até porque uma das cenas finais é sem dúvida a cena que deveria de encerrar a série, que se lixem as outras personagens, para mim True Blood é 90% Sookie.





E com isto fico com mais espaço para uma série que vá ao encontro dos muitos universos que habitam a minha imaginação. Espero não me enganar, mas o pódio das séries está completo, True Blood junta-se Six Feet Under e de Lost.


domingo, agosto 24, 2014

Zona de Desconforto

Eu sei que não sou uma pessoa fácil de lidar. Tenho arestas para limar, rugosidades a serem suavizadas e umas quantas imperfeições que devo de prestar mais atenção. Apesar de o saber o meu EU teima em não se ver livre delas. 

Por vezes faço de conta que a atenção que elas me pedem (as imperfeições) não são mais que pequenas birras que o meu ego quer...e nos limites que me circundam, acabo por ficar entre a espada e a parede, ou vivo a minha realidade, ou a que os outros vivem. 

Sempre pensei que a expressão "nem 8 nem 80" fosse uma mera frase sem pernas para andar, acontece que quando queremos, tudo tem a sua razão de ser. Se por um lado sei que o bom senso é o melhor conselheiro, dá-me tranquilidade e vai ao encontro dos meus principios como pessoa, por outro lado consigo ficar vidrado em coisas que nada têm a ver com a minha maneira de viver a vida. Quando digo que não julgo ninguém, talvez o melhor é pensar antes de o dizer, faço-o da forma mais inglória que possa existir, faço-o não porque esteja a mentir, e faço-o porque nem tudo o que me seduz é o que quero para mim. 

Falsas realidades dão frutos podres, e eu não quero apenas o fruto, quero o sumo, quero a casca, quero as pevides e se a liberdade assim me deixar, quero o ramo à qual a fruta estava presa, quero as folhas verdes e as folhas caducas, quero o tronco, quero as ramificações que adornam o tronco e quero as raízes.

Quero a árvore da vida! Não porque não esteja a viver, mas porque não o consigo fazer na sua plenitude. 


Sinto-me incompleto, dividido e fragmentado na forma que a desfragmentação consegue deixar uma pessoa. 

Esforcei-me em ir até à minha zona de desconforto, e sabem o que consegui? Um fruto maduro. 

sábado, agosto 23, 2014

I Feel So Different

Hoje resolvi ir à praia. Besuntei todo o meu corpo de protector, peguei na mochila bem apetrechada com tudo o que me poderia fazer falta e fui sabendo que o meu destino poderia estar numa autêntica cor cinzenta. 

E foi mesmo isso que aconteceu. À medida que me aproximava de S. Pedro de Moel todo o céu estava mergulhado numa cor cinzenta, com nuvens grávidas, e provavelmente com um vento que de quente pouco ou nada tinha. A minha vontade era logo que chegasse à primeira rotunda, contorná-la e voltar para casa. Não o fiz. Resolvi ir até onde queria, passei por todos os locais que já faziam parte do cenário dum dia quente de praia, mas algo estava fora do meu alcance, o ânimo de sentir o sol.

Quando estacionei o carro a vontade que tinha era de estrangular as nuvens, fazê-las desaparecer, abrir um caminho por entre elas, pois queria o sol e os seus raios, queria o azul do céu, e o mar revolto, queria algumas horas só para mim. Queria desligar a tomada, não sentir nada, esquecer a electricidade que sinto sempre que me recordo que nada me vale querer ver o que não existe, o que não posso alcançar, o que está a mil anos luz de fazer parte da minha vida. 

E sim começo a sentir-me diferente perante uma serie de coisas. Não há expectativas envolvidas, o bom senso está mais que assegurado, e a coerência tagarela muito comigo e ela tem feito muito isso. Esta minha diferença é o resultado da indiferença que vejo, sinto e revejo nos outros. O gozo que me dá é que posso ser diferente pela negativa mas não me façam acreditar que esta minha diferença é benigna, pois acreditem que há diferenças que poderão ser condenáveis, corromper princípios  e machucar o valor que o amor carrega com ele. 

Eu acredito nele, no amor. Sinto-me diferente, não porque não o sinto, mas por acreditar que eu estou certo e os outros errados

Life is a little bitch, be fucked if you want to, but I won't be fucked by it.

I Feel So Different

(Nesta minha ida à praia, sem lá ter colocado os pés, levei comigo o álbum "I Do Not Want What I Haven't Got" de 1989/1990 da Sinead O'Connor e o melhor desta tarde foi mesmo essa companhia, de vidros abertos a apanhar com o vento cinzento fartei-me de cantarolar as músicas que me levam para anos de ouro. Poderia mencionar os Enigma ou os Nirvana. As memórias são tão doces quando não estão guardadas numa caixa de chocolates. E tenho tanto para dizer...)

As Minhas Tatuagens

Os dias têm passado como se estivesse a pisar ovos, ora a casca desfaz-se e lá vem a gema e a clara atrás, noutros os ovos estão cozidos, e o resultado do impacto é compacto, solidificado em matéria que os olhos bem vêem. Creio que estou a querer virar uma página do livro da minha vida e algo me impede, e não me estou a referir às cascas de ovos, pois sempre as tive ao pé de mim.

Uns dias antes dos meus anos uma ideia veio ter comigo, apresentou-se, e nunca mais me largou. Tenho em mãos um projecto, 3 tatuagens no meu corpo. 

Quero marcar o meu corpo, não será um mapa com o caminho para a felicidade nem um ponto de encontro para velhos amigos. A ideia é constante, está fixa com um prego sem martelo, sem nenhuma história eloquente por detrás. Pois se há alguém eloquente aqui sou eu, e não há palavras que possam descrever o que vi quando olhei para o meu corpo e vi as tatuagens.

São 3, uma história, elementos que carrego dentro de mim, que habitam o meu coração e o meu imaginário. O amor está neles, duma forma ou de outra, quando sei que tatuagens nada tem a ver comigo, meus caros, eu sou uma caixinha de surpresas quando quero, quando posso e quando me deixam o ser. E nos dias que tento o ser e não consigo, a culpa é minha. Eu sou o culpado dum crime que nunca cometi. 

Estou na fase de querer fugir desse projecto, desviar caminhos que nada têm a ver comigo através de imagens que poderão nada dizer aos outros.

Cada dia que passa sinto que por mais que eu queira, esta minha ideia, de um projecto de 3 tatuagens, não se livra de mim. Sinto que caso avance mesmo, é como um acordar em Nova Iorque. 

sexta-feira, agosto 22, 2014

O Bom, o Mau e o Rebelde VS Tudo o que vier à rede é peixe. Será?


Não ando nada tranquilo ultimamente. A culpa neste caso é minha, se tivesse os alter-egos que me fascinam a culpa era deles, como não sofro desse mal, ao menos tenho a fragmentação do meu EU. Consigo ser bom, mau e rebelde. Reparto-me por essas três facetas, mas nem sempre as tenho a viver coladas à minha pele. Quando as sinto é como se tivesse papel celofane grudado em mim. Se por um lado me fazem transpirar, por outro sufocam-me. 

O bom aparece diariamente, o mau surge quando resolvo baixar a guarda e lá vou eu direitinho para pensamentos que quebram qualquer fragilidade que possa ter. Quanto ao rebelde, esse é o caçula dos três. Se precisa de muita atenção e mimo, nem sempre entende os motivos que me levam a um diagnóstico que não sendo clínico acaba por ser por vezes emocional. É rebelde ao ponto de nem sempre ver que nem tudo o que vem à rede é peixe. O bom abre-lhe os olhos e o mau faz-lhe questionar uma série de princípios. 

O bom protege o rebelde e o mau afasta os maus agoiros.

O problema reside numa simples constatação minha: podem existir vários mares mas os peixes por vezes são todos os mesmos.

Não preciso seguir nenhum cardume, nem me sentir menos especial só por isso. Sinto na pele que não encaixo em nada. Posso ser uma carta fora do baralho, mas acredito que algures um baralho terá uma carta a menos. E por isso, no fundo sei que sou especial (à minha maneira).
Se por vezes engano-me e ando à procura de Nemo, na realidade talvez seja eu o próprio Nemo.

 
 
THIS IS HOW WE DO IT


Não!!!!


THIS IS HOW SOME OF THEM DO IT

Esta é a minha maneira de reforçar o que penso. Que se lixem os rótulos, os estereótipos e os baralhos completos. Sendo eu uma carta solitária, THIS IS HOW I DO IT.
  
Bring the beat back ...
 


(Quando ouvi esta música, nem liguei, agora parece um parasita, não me larga, e veio mesmo a calhar...colou-se a mim, e neste momento é a minha amiga musical...em loop enquanto não me fartar)

terça-feira, agosto 19, 2014

É Oficial! Eu sinto...Eu não vivo...Eu faço parte...Porque vivo...Eu sou...

É Oficial!

Há dias em que me sinto


Noutros 


E porque não vivo no fabuloso mundo de


Sinto-me como fizesse parte dos 


E porque não vivo


É como se estivesse a viver num


E só por isso e porque não quero ter 


Cada vez mais me convenço de uma coisa, eu sou


(um aparte, porque as palavras nem sempre são as minhas melhores amigas, e porque hoje resolvi tentar ser original, escrevendo pouco e dizendo mais do que quero, deixo um simples puzzle, de palavras, imagens e muitos "...")


sábado, agosto 16, 2014

As Palavras Que Nunca Disse


Confesso que estava em pulgas para vir aqui largar mais um balde cheio de águas revoltas em palavras, até porque a ansiedade que me assola por ter que voltar ao trabalho é uma espécie de maré que vai contra um rochedo, e o problema é que tenho vários tipos de marés a darem cabo da minha encosta. Partilhar o que sinto provavelmente é apenas o a, e, i ,o, u mas para mim é o abecedário inteiro. 

Tenho tanto para escrever aqui, não preciso de uma semana de vivências, nem de alguns dias, bastam-me apenas horas, preciosas com o sol que senti na pele e que me fizeram chorar (já lá vou...).

Há palavras que nunca disse, e pelo andar da carruagem, ou nunca as direi ou vão sair num choque, uma espécie de descarrilamento, que não irá causar danos, apenas um ferido, e não é que eu me sinta como uma eterna vitima, em que o drama é o invólucro que me protege, nada disso, mas sou realista, sinto-me a vitima de um plano cruel que eu próprio teci com o destino quando nasci. A teia está grande, a aranha tem umas patas medonhas e cada vez mais sinto que as palavras ficam presas a ela e acabo por ficar sem reacção. 

Hoje resolvi ir à praia, numa espécie de despedida do sol, eu sei que ele não foge, mas faço planos, furo-os quando posso e consigo mas se para a praia fui por volta das 14 horas, contava com a presença do meu sobrinho para as 17:30, ele adormeceu e não chegou a ir. 

A caminho da casa, com o sol ainda a queimar e uma multidão numa autêntica debandada não consegui aguentar o nó que tinha dentro de mim e praticamente todo o caminho para casa chorei, e o que me valeu foram os óculos de sol, ninguém deu conta disso. Não tendo ido à água, senti nos lábios a água salgada das lágrimas e a ironia tem a sua graça quando conseguimos a ver. Senti o calor do amor que sinto por ele, uma espécie de sol sem o ver e o sal do mar sem ter lá mergulhado os lábios.

As palavras que nunca disse, nunca as irei dizer aqui, até porque este espaço é um oceano e as marés levam e trazem o que querem, e eu que gosto de minimamente controlar o que sinto, e infelizmente não estou a conseguir fazê-lo.