Posso dizer que o cúpido deve de ter feito o seu trabalho bem feito. Imagino-o de arma bem colocada, e olhar bem certeiro.
Atingido eu fui e agora acho que devo de começar a despir as camadas que envolvem o meu coração. Dispo a camada das aparências, depois a camada da prevenção dos atos insólitos, depois segue a camada das neuroses mascaradas de ideias que nunca vêem a luz do dia, e para poder chegar à camada que me deixa nu, tenho que me dar ao luxo de deixar de lado a camada que fala comigo quando o coração atrelado à razão é colocado de lado e fico-me pelos impulsos insuflados por hélio.
Não acho que o amor resulte da dor, e muito menos de uma seta bem intencionada. O amor para mim é uma espécie de bolo de noiva, tem várias camadas e o topo é que diz tudo, um casal bem feliz e vestido a preceito. Há um longo caminho para ser percorrido, e se nem sempre as pessoas dão-se ao trabalho de o fazer, estão à espera do quê? Dum bolo de noiva só com um andar e no topo um par de andorinhas? Esqueçam...
Parece que fui atingido pelo cúpido, da forma mais extraordinária que poderia ter acontecido. Não vou entrar em detalhes.
Na realidade, ela chama-se Filipa, e é uma grande maluca, só podia o ser para ser a minha namorada. E para eu dizer em voz alta que ela o é, é sinal que os nossos pratos fazem a balança ficar equilibrada.
Resta-me um desafio, encontrar a Filipa! Ando à procura dela, até porque se sonharam comigo, e que tinha uma namorada, chamada Filipa, maluca pelos vistos, só pode ser um sinal dos sonhos.
Ao estilo de Hansel e Gratel tenho apenas uma migalha para ir até ao meu destino, e se num sonho eu tinha alguém, na realidade o que tenho é...
























