Eu sei que não sou uma pessoa fácil de lidar. Tenho arestas para limar, rugosidades a serem suavizadas e umas quantas imperfeições que devo de prestar mais atenção. Apesar de o saber o meu EU teima em não se ver livre delas.
Por vezes faço de conta que a atenção que elas me pedem (as imperfeições) não são mais que pequenas birras que o meu ego quer...e nos limites que me circundam, acabo por ficar entre a espada e a parede, ou vivo a minha realidade, ou a que os outros vivem.
Sempre pensei que a expressão "nem 8 nem 80" fosse uma mera frase sem pernas para andar, acontece que quando queremos, tudo tem a sua razão de ser. Se por um lado sei que o bom senso é o melhor conselheiro, dá-me tranquilidade e vai ao encontro dos meus principios como pessoa, por outro lado consigo ficar vidrado em coisas que nada têm a ver com a minha maneira de viver a vida. Quando digo que não julgo ninguém, talvez o melhor é pensar antes de o dizer, faço-o da forma mais inglória que possa existir, faço-o não porque esteja a mentir, e faço-o porque nem tudo o que me seduz é o que quero para mim.
Falsas realidades dão frutos podres, e eu não quero apenas o fruto, quero o sumo, quero a casca, quero as pevides e se a liberdade assim me deixar, quero o ramo à qual a fruta estava presa, quero as folhas verdes e as folhas caducas, quero o tronco, quero as ramificações que adornam o tronco e quero as raízes.
Quero a árvore da vida! Não porque não esteja a viver, mas porque não o consigo fazer na sua plenitude.
Sinto-me incompleto, dividido e fragmentado na forma que a desfragmentação consegue deixar uma pessoa.
Esforcei-me em ir até à minha zona de desconforto, e sabem o que consegui? Um fruto maduro.














