domingo, agosto 24, 2014

Zona de Desconforto

Eu sei que não sou uma pessoa fácil de lidar. Tenho arestas para limar, rugosidades a serem suavizadas e umas quantas imperfeições que devo de prestar mais atenção. Apesar de o saber o meu EU teima em não se ver livre delas. 

Por vezes faço de conta que a atenção que elas me pedem (as imperfeições) não são mais que pequenas birras que o meu ego quer...e nos limites que me circundam, acabo por ficar entre a espada e a parede, ou vivo a minha realidade, ou a que os outros vivem. 

Sempre pensei que a expressão "nem 8 nem 80" fosse uma mera frase sem pernas para andar, acontece que quando queremos, tudo tem a sua razão de ser. Se por um lado sei que o bom senso é o melhor conselheiro, dá-me tranquilidade e vai ao encontro dos meus principios como pessoa, por outro lado consigo ficar vidrado em coisas que nada têm a ver com a minha maneira de viver a vida. Quando digo que não julgo ninguém, talvez o melhor é pensar antes de o dizer, faço-o da forma mais inglória que possa existir, faço-o não porque esteja a mentir, e faço-o porque nem tudo o que me seduz é o que quero para mim. 

Falsas realidades dão frutos podres, e eu não quero apenas o fruto, quero o sumo, quero a casca, quero as pevides e se a liberdade assim me deixar, quero o ramo à qual a fruta estava presa, quero as folhas verdes e as folhas caducas, quero o tronco, quero as ramificações que adornam o tronco e quero as raízes.

Quero a árvore da vida! Não porque não esteja a viver, mas porque não o consigo fazer na sua plenitude. 


Sinto-me incompleto, dividido e fragmentado na forma que a desfragmentação consegue deixar uma pessoa. 

Esforcei-me em ir até à minha zona de desconforto, e sabem o que consegui? Um fruto maduro. 

sábado, agosto 23, 2014

I Feel So Different

Hoje resolvi ir à praia. Besuntei todo o meu corpo de protector, peguei na mochila bem apetrechada com tudo o que me poderia fazer falta e fui sabendo que o meu destino poderia estar numa autêntica cor cinzenta. 

E foi mesmo isso que aconteceu. À medida que me aproximava de S. Pedro de Moel todo o céu estava mergulhado numa cor cinzenta, com nuvens grávidas, e provavelmente com um vento que de quente pouco ou nada tinha. A minha vontade era logo que chegasse à primeira rotunda, contorná-la e voltar para casa. Não o fiz. Resolvi ir até onde queria, passei por todos os locais que já faziam parte do cenário dum dia quente de praia, mas algo estava fora do meu alcance, o ânimo de sentir o sol.

Quando estacionei o carro a vontade que tinha era de estrangular as nuvens, fazê-las desaparecer, abrir um caminho por entre elas, pois queria o sol e os seus raios, queria o azul do céu, e o mar revolto, queria algumas horas só para mim. Queria desligar a tomada, não sentir nada, esquecer a electricidade que sinto sempre que me recordo que nada me vale querer ver o que não existe, o que não posso alcançar, o que está a mil anos luz de fazer parte da minha vida. 

E sim começo a sentir-me diferente perante uma serie de coisas. Não há expectativas envolvidas, o bom senso está mais que assegurado, e a coerência tagarela muito comigo e ela tem feito muito isso. Esta minha diferença é o resultado da indiferença que vejo, sinto e revejo nos outros. O gozo que me dá é que posso ser diferente pela negativa mas não me façam acreditar que esta minha diferença é benigna, pois acreditem que há diferenças que poderão ser condenáveis, corromper princípios  e machucar o valor que o amor carrega com ele. 

Eu acredito nele, no amor. Sinto-me diferente, não porque não o sinto, mas por acreditar que eu estou certo e os outros errados

Life is a little bitch, be fucked if you want to, but I won't be fucked by it.

I Feel So Different

(Nesta minha ida à praia, sem lá ter colocado os pés, levei comigo o álbum "I Do Not Want What I Haven't Got" de 1989/1990 da Sinead O'Connor e o melhor desta tarde foi mesmo essa companhia, de vidros abertos a apanhar com o vento cinzento fartei-me de cantarolar as músicas que me levam para anos de ouro. Poderia mencionar os Enigma ou os Nirvana. As memórias são tão doces quando não estão guardadas numa caixa de chocolates. E tenho tanto para dizer...)

As Minhas Tatuagens

Os dias têm passado como se estivesse a pisar ovos, ora a casca desfaz-se e lá vem a gema e a clara atrás, noutros os ovos estão cozidos, e o resultado do impacto é compacto, solidificado em matéria que os olhos bem vêem. Creio que estou a querer virar uma página do livro da minha vida e algo me impede, e não me estou a referir às cascas de ovos, pois sempre as tive ao pé de mim.

Uns dias antes dos meus anos uma ideia veio ter comigo, apresentou-se, e nunca mais me largou. Tenho em mãos um projecto, 3 tatuagens no meu corpo. 

Quero marcar o meu corpo, não será um mapa com o caminho para a felicidade nem um ponto de encontro para velhos amigos. A ideia é constante, está fixa com um prego sem martelo, sem nenhuma história eloquente por detrás. Pois se há alguém eloquente aqui sou eu, e não há palavras que possam descrever o que vi quando olhei para o meu corpo e vi as tatuagens.

São 3, uma história, elementos que carrego dentro de mim, que habitam o meu coração e o meu imaginário. O amor está neles, duma forma ou de outra, quando sei que tatuagens nada tem a ver comigo, meus caros, eu sou uma caixinha de surpresas quando quero, quando posso e quando me deixam o ser. E nos dias que tento o ser e não consigo, a culpa é minha. Eu sou o culpado dum crime que nunca cometi. 

Estou na fase de querer fugir desse projecto, desviar caminhos que nada têm a ver comigo através de imagens que poderão nada dizer aos outros.

Cada dia que passa sinto que por mais que eu queira, esta minha ideia, de um projecto de 3 tatuagens, não se livra de mim. Sinto que caso avance mesmo, é como um acordar em Nova Iorque. 

sexta-feira, agosto 22, 2014

O Bom, o Mau e o Rebelde VS Tudo o que vier à rede é peixe. Será?


Não ando nada tranquilo ultimamente. A culpa neste caso é minha, se tivesse os alter-egos que me fascinam a culpa era deles, como não sofro desse mal, ao menos tenho a fragmentação do meu EU. Consigo ser bom, mau e rebelde. Reparto-me por essas três facetas, mas nem sempre as tenho a viver coladas à minha pele. Quando as sinto é como se tivesse papel celofane grudado em mim. Se por um lado me fazem transpirar, por outro sufocam-me. 

O bom aparece diariamente, o mau surge quando resolvo baixar a guarda e lá vou eu direitinho para pensamentos que quebram qualquer fragilidade que possa ter. Quanto ao rebelde, esse é o caçula dos três. Se precisa de muita atenção e mimo, nem sempre entende os motivos que me levam a um diagnóstico que não sendo clínico acaba por ser por vezes emocional. É rebelde ao ponto de nem sempre ver que nem tudo o que vem à rede é peixe. O bom abre-lhe os olhos e o mau faz-lhe questionar uma série de princípios. 

O bom protege o rebelde e o mau afasta os maus agoiros.

O problema reside numa simples constatação minha: podem existir vários mares mas os peixes por vezes são todos os mesmos.

Não preciso seguir nenhum cardume, nem me sentir menos especial só por isso. Sinto na pele que não encaixo em nada. Posso ser uma carta fora do baralho, mas acredito que algures um baralho terá uma carta a menos. E por isso, no fundo sei que sou especial (à minha maneira).
Se por vezes engano-me e ando à procura de Nemo, na realidade talvez seja eu o próprio Nemo.

 
 
THIS IS HOW WE DO IT


Não!!!!


THIS IS HOW SOME OF THEM DO IT

Esta é a minha maneira de reforçar o que penso. Que se lixem os rótulos, os estereótipos e os baralhos completos. Sendo eu uma carta solitária, THIS IS HOW I DO IT.
  
Bring the beat back ...
 


(Quando ouvi esta música, nem liguei, agora parece um parasita, não me larga, e veio mesmo a calhar...colou-se a mim, e neste momento é a minha amiga musical...em loop enquanto não me fartar)

terça-feira, agosto 19, 2014

É Oficial! Eu sinto...Eu não vivo...Eu faço parte...Porque vivo...Eu sou...

É Oficial!

Há dias em que me sinto


Noutros 


E porque não vivo no fabuloso mundo de


Sinto-me como fizesse parte dos 


E porque não vivo


É como se estivesse a viver num


E só por isso e porque não quero ter 


Cada vez mais me convenço de uma coisa, eu sou


(um aparte, porque as palavras nem sempre são as minhas melhores amigas, e porque hoje resolvi tentar ser original, escrevendo pouco e dizendo mais do que quero, deixo um simples puzzle, de palavras, imagens e muitos "...")


sábado, agosto 16, 2014

As Palavras Que Nunca Disse


Confesso que estava em pulgas para vir aqui largar mais um balde cheio de águas revoltas em palavras, até porque a ansiedade que me assola por ter que voltar ao trabalho é uma espécie de maré que vai contra um rochedo, e o problema é que tenho vários tipos de marés a darem cabo da minha encosta. Partilhar o que sinto provavelmente é apenas o a, e, i ,o, u mas para mim é o abecedário inteiro. 

Tenho tanto para escrever aqui, não preciso de uma semana de vivências, nem de alguns dias, bastam-me apenas horas, preciosas com o sol que senti na pele e que me fizeram chorar (já lá vou...).

Há palavras que nunca disse, e pelo andar da carruagem, ou nunca as direi ou vão sair num choque, uma espécie de descarrilamento, que não irá causar danos, apenas um ferido, e não é que eu me sinta como uma eterna vitima, em que o drama é o invólucro que me protege, nada disso, mas sou realista, sinto-me a vitima de um plano cruel que eu próprio teci com o destino quando nasci. A teia está grande, a aranha tem umas patas medonhas e cada vez mais sinto que as palavras ficam presas a ela e acabo por ficar sem reacção. 

Hoje resolvi ir à praia, numa espécie de despedida do sol, eu sei que ele não foge, mas faço planos, furo-os quando posso e consigo mas se para a praia fui por volta das 14 horas, contava com a presença do meu sobrinho para as 17:30, ele adormeceu e não chegou a ir. 

A caminho da casa, com o sol ainda a queimar e uma multidão numa autêntica debandada não consegui aguentar o nó que tinha dentro de mim e praticamente todo o caminho para casa chorei, e o que me valeu foram os óculos de sol, ninguém deu conta disso. Não tendo ido à água, senti nos lábios a água salgada das lágrimas e a ironia tem a sua graça quando conseguimos a ver. Senti o calor do amor que sinto por ele, uma espécie de sol sem o ver e o sal do mar sem ter lá mergulhado os lábios.

As palavras que nunca disse, nunca as irei dizer aqui, até porque este espaço é um oceano e as marés levam e trazem o que querem, e eu que gosto de minimamente controlar o que sinto, e infelizmente não estou a conseguir fazê-lo.

sexta-feira, agosto 15, 2014

Sex on The Beach

Não é porque as férias estejam a acabar, nem porque o trabalho irá ocupar uma parte dos meus pensamentos, mas nestes últimos dias tenho feito um esforço (que talvez seja o que o caracol faz para levar a casa às costas) para começar a superar alguns complexos, e posso dizer que tenho conseguido o fazer. 

Sempre gostei de praia, de sol, da água salgada mas por causa dum complexo que ao longo dos anos ganhei, e que não partilharei aqui (nada de mais, algo tão natural como uma água sem gás) deixei de lado esse meu gosto mas felizmente este ano posso dizer que comecei a desbravar um terreno que não me é desconhecido mas é como se fosse. Se por um lado sinto-me como um puto, que só falta o balde para fazer castelos na areia, por outro sou um puto de 36 anos que deu-se conta que já deveria era de ter feito um reinado desses castelos. De qualquer forma o que mais me está a amordaçar a boca, é que o verão está a passar fugazmente e eu o queria agarrar por tudo o que é sitio, pela cabeça, pelos pés e pela alma. Se há dias em que sinto que sofro do síndrome do Peter Pan, noutros não passo de um adulto que tem medo de crescer.

Cada vez mais me revejo numa ilha deserta (não tão deserta...) com o mínimo possível, sem preocupações mas com algumas degustações.

E porque não um Sex on The Beach, deixaria de lado o Gin Tónico por algum tempo e poderia sorrir sem dar conta disso. E não há melodia que possa competir com o som das ondas, pois elas embrulham o presente que nos é dado em forma de espuma e é ela que faz toda a diferença.

quinta-feira, agosto 14, 2014

As Minhas Cores


Se fosse uma vela e me visse a derreter, uma coisa pediria aos Deuses, que a cor não fosse apenas uma. Não sei com que cores me pintam mas sei nas quais me revejo. 

Sinceramente penso que já passei a fase de me imaginar sob as luzes dos olhos dos outros, agora quero que me vejam com as que me iluminam. Não sendo eu um candelabro XPTO, cheio de lâmpadas de pouco consumo, e muito menos um daqueles placards inundados de luzes neon e por mais que me custe admitir que a inveja saudável (sim há uma, que se lixe quem não pense assim...) consegue ser um comboio prestes a descarrilar, eu não estando nele, vejo-me lá, apesar de não ter bagagem nem companhia para tal aventura.

As minhas cores são tão neutras quanto o que muita gente sente por mim, mas esquecem-se que se há cores neutras, há as que não são e são essas que são as minhas verdadeiras cores. Quem abrir bem os olhos saberá que o preto nunca foi a minha cor e muito menos o branco, pois uma das coisas que menos gosto são de nódoas e essas no branco são uma espécie de polergeist.

Se há ideias que me assombram e facilmente me largam, outras ganham raízes. Pois bem, estou a querer mais do que nunca abrir o portão de acesso à minha pele, e nela deixar que a pintem. E isso será um autêntico comboio a descarrilar. E eu quero sentir o impacto.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Mad Max: Fury Road Vs A Fúria do Futuro


Em 2015 iremos ser bafejados com o novo Mad Max, e se há saga que faz parte do meu crescimento uma delas é esta, mas esqueçam o 1º e 2º filme, para mim o que me ficou na memória foi o 3º filme que contava com o Mel Gibson e a Tina Turner. O futuro em filme sempre foi um cenário que fez parte do meu imaginário e Mad Max não fica de fora.

Quando vi o trailer do novo filme, que aparentemente funciona como uma estrada furiosa sedenta de sede por sangue, conta com a presença de Tom Hardy e Charlize Theron (e já agora com Zöe Kravitz...filha do Lenny Kravitz e da Lisa Bonet). Quem vê o trailer tem uma ideia bem clara de que a continuação da saga do Mad Max está bem entregue. Se fiquei em pulgas para o ver, vem mesmo a calhar porque estou prestes a acabar de ler "Puros" um livro que tem um pouco a ver com um futuro apocalíptico com personagens peculiares. 

Não é que tenha pressa que 2015 venha, mas para este filme, bem que poderia dar um saltinho até à estreia e voltar novamente para 11 de Agosto de 2014...


domingo, agosto 10, 2014

O 1º Post dos 36 anos




Já sei como quero que seja a minha festa de anos, a do próximo ano, a dos 37 anos. Mas fazer planos é correr ao lado dum risco, e quando menos se espera, o risco é cortado pela própria meta. Mesmo assim, já me vejo com pinturas na cara, a dançar à volta de uma fogueira, e o que realmente interessa não é a dança, nem a música mas o que se está a queimar. Tenho um ano para começar a recolha do "lixo" mas sei bem que não é de lixo que falo, mas de outras coisas, que ocupam lugar na alma, e não deixam espaço para o que realmente importa.

Não me posso queixar, já comecei as arrumações, uma delas já está fora da gaveta do armário e com a força de vontade que hoje tenho, espero que ao tirar mais umas quantas coisas dele, ninguém se engasgue com o bolo que estou ansiosamente por provar. É uma estreia, aliás, a noite de hoje já foi uma estreia, já que dizem que o melhor é não dizer nunca, já o disse, e tenho que comer o N, U, N, C, A e não posso arrotar. E quando também dizem que o melhor é não dizer "dessa água não beberei", pois bem, quem tem sede...

Sinto-me bem, mas se pudesse não era para o ano que teria a minha festa dos mortos, era hoje. Já me vejo com as pinturas na cara...basta verem o videoclip para terem uma ideia. Eu por vezes sou um poço de ideias mais estapafúrdias que possam existir e o problema é que quando encontro o balde desse poço e o levo ao fundo, o que de lá trago nem sempre é o que os outros esperam de mim.