sexta-feira, agosto 15, 2014

Sex on The Beach

Não é porque as férias estejam a acabar, nem porque o trabalho irá ocupar uma parte dos meus pensamentos, mas nestes últimos dias tenho feito um esforço (que talvez seja o que o caracol faz para levar a casa às costas) para começar a superar alguns complexos, e posso dizer que tenho conseguido o fazer. 

Sempre gostei de praia, de sol, da água salgada mas por causa dum complexo que ao longo dos anos ganhei, e que não partilharei aqui (nada de mais, algo tão natural como uma água sem gás) deixei de lado esse meu gosto mas felizmente este ano posso dizer que comecei a desbravar um terreno que não me é desconhecido mas é como se fosse. Se por um lado sinto-me como um puto, que só falta o balde para fazer castelos na areia, por outro sou um puto de 36 anos que deu-se conta que já deveria era de ter feito um reinado desses castelos. De qualquer forma o que mais me está a amordaçar a boca, é que o verão está a passar fugazmente e eu o queria agarrar por tudo o que é sitio, pela cabeça, pelos pés e pela alma. Se há dias em que sinto que sofro do síndrome do Peter Pan, noutros não passo de um adulto que tem medo de crescer.

Cada vez mais me revejo numa ilha deserta (não tão deserta...) com o mínimo possível, sem preocupações mas com algumas degustações.

E porque não um Sex on The Beach, deixaria de lado o Gin Tónico por algum tempo e poderia sorrir sem dar conta disso. E não há melodia que possa competir com o som das ondas, pois elas embrulham o presente que nos é dado em forma de espuma e é ela que faz toda a diferença.

quinta-feira, agosto 14, 2014

As Minhas Cores


Se fosse uma vela e me visse a derreter, uma coisa pediria aos Deuses, que a cor não fosse apenas uma. Não sei com que cores me pintam mas sei nas quais me revejo. 

Sinceramente penso que já passei a fase de me imaginar sob as luzes dos olhos dos outros, agora quero que me vejam com as que me iluminam. Não sendo eu um candelabro XPTO, cheio de lâmpadas de pouco consumo, e muito menos um daqueles placards inundados de luzes neon e por mais que me custe admitir que a inveja saudável (sim há uma, que se lixe quem não pense assim...) consegue ser um comboio prestes a descarrilar, eu não estando nele, vejo-me lá, apesar de não ter bagagem nem companhia para tal aventura.

As minhas cores são tão neutras quanto o que muita gente sente por mim, mas esquecem-se que se há cores neutras, há as que não são e são essas que são as minhas verdadeiras cores. Quem abrir bem os olhos saberá que o preto nunca foi a minha cor e muito menos o branco, pois uma das coisas que menos gosto são de nódoas e essas no branco são uma espécie de polergeist.

Se há ideias que me assombram e facilmente me largam, outras ganham raízes. Pois bem, estou a querer mais do que nunca abrir o portão de acesso à minha pele, e nela deixar que a pintem. E isso será um autêntico comboio a descarrilar. E eu quero sentir o impacto.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Mad Max: Fury Road Vs A Fúria do Futuro


Em 2015 iremos ser bafejados com o novo Mad Max, e se há saga que faz parte do meu crescimento uma delas é esta, mas esqueçam o 1º e 2º filme, para mim o que me ficou na memória foi o 3º filme que contava com o Mel Gibson e a Tina Turner. O futuro em filme sempre foi um cenário que fez parte do meu imaginário e Mad Max não fica de fora.

Quando vi o trailer do novo filme, que aparentemente funciona como uma estrada furiosa sedenta de sede por sangue, conta com a presença de Tom Hardy e Charlize Theron (e já agora com Zöe Kravitz...filha do Lenny Kravitz e da Lisa Bonet). Quem vê o trailer tem uma ideia bem clara de que a continuação da saga do Mad Max está bem entregue. Se fiquei em pulgas para o ver, vem mesmo a calhar porque estou prestes a acabar de ler "Puros" um livro que tem um pouco a ver com um futuro apocalíptico com personagens peculiares. 

Não é que tenha pressa que 2015 venha, mas para este filme, bem que poderia dar um saltinho até à estreia e voltar novamente para 11 de Agosto de 2014...


domingo, agosto 10, 2014

O 1º Post dos 36 anos




Já sei como quero que seja a minha festa de anos, a do próximo ano, a dos 37 anos. Mas fazer planos é correr ao lado dum risco, e quando menos se espera, o risco é cortado pela própria meta. Mesmo assim, já me vejo com pinturas na cara, a dançar à volta de uma fogueira, e o que realmente interessa não é a dança, nem a música mas o que se está a queimar. Tenho um ano para começar a recolha do "lixo" mas sei bem que não é de lixo que falo, mas de outras coisas, que ocupam lugar na alma, e não deixam espaço para o que realmente importa.

Não me posso queixar, já comecei as arrumações, uma delas já está fora da gaveta do armário e com a força de vontade que hoje tenho, espero que ao tirar mais umas quantas coisas dele, ninguém se engasgue com o bolo que estou ansiosamente por provar. É uma estreia, aliás, a noite de hoje já foi uma estreia, já que dizem que o melhor é não dizer nunca, já o disse, e tenho que comer o N, U, N, C, A e não posso arrotar. E quando também dizem que o melhor é não dizer "dessa água não beberei", pois bem, quem tem sede...

Sinto-me bem, mas se pudesse não era para o ano que teria a minha festa dos mortos, era hoje. Já me vejo com as pinturas na cara...basta verem o videoclip para terem uma ideia. Eu por vezes sou um poço de ideias mais estapafúrdias que possam existir e o problema é que quando encontro o balde desse poço e o levo ao fundo, o que de lá trago nem sempre é o que os outros esperam de mim.

sábado, agosto 09, 2014

O Último Post dos 35 anos

Este será o meu último post dos 35 anos. Amanhã faço 36 e sabendo o que sei, o dia de amanhã será uma incógnita, não gosto de fazer anos, deixa-me com o buraco na alma que nem sempre um sorriso é capaz de o fechar, e muito menos palavras de "feliz aniversário" são capazes de fazer acalmar o mar revolto que vive dentro de mim. Eu não vivo apenas no dia 10 de Agosto de cada ano, tenho vida para além desse dia, mas revejo-me nas peles dos outros, facilmente me esqueço disse pequeno pormenor. Não gosto de sentir isso, que sou um lembrete para se lembrarem de mim.

Sou de ideias fixas, muitas ganham pó e teias de aranhas, acabam por ser um ninho de sonhos perdidos, mas noutros casos, há ideias que são uma espécie de parasitas, colam-se à pele, deixam marcas, não doem mas ferem a alma, pois acabam por me fazer questionar o que quero para mim.

Se tenho sentimentos conto fazer deles algo na minha pele, não será um mapa, muito menos um marco de um determinado momento ou situação. Enquanto escrevo estas palavras sinto que o presente envenenado que tinha a oferecer amanhã não será dado, em vez desse, darei o que mais que grita dentro dos meus ouvidos. Sinto-me um copo cheio, em que a mais pequena gota irá fazer transbordar o que já lá está.

Se por vezes o meu coração é um cubo de gelo, e os caminhos que me levam a ele não são mais que caminhos de pedra, sei que não preciso que ninguém mos indique, o que neste momento rasga a minha pele é a vontade de fazer dela (da pele) estradas nela, pequenas histórias que já estão mais que escritas e pensadas.

(um aparte...com estas ideias, há já alguns dias lembrei-me do álbum "Becoming X" dos Sneaker Pimps, que me marcou, e ainda hoje o ouço com aquela vontade de despir-me perante o olhar dos outros. E para quem possa tapar os ouvidos, eles que se...)

terça-feira, agosto 05, 2014

O Ritual II Vs This is Hard Core, I'm Indestrucitble

E continuando...É ao ouvir Robyn que reconheço que a minha pessoa é a contradição numa enciclopédia, se é que existe uma em que o tema sejam as contradições. Se no meu anterior post deixei no ar que dançava sozinho, e metaforicamente falando, sim o faço, de porta fechada e com as cortinas no sitio. Entendem o que quiserem, mas deixando a figura de estilo (vou lhe dar férias de algumas horas) uma pessoa acaba sempre por ganhar defesas em relação ao que lhe faz mal, ao que lhe causa transtornos ou o que faz o seu coração palpitar quando não o devo fazer. Não há controlo possível para a maioria das coisas, pois os sentimentos são para ser vividos e não enclausurados num convento, digo eu (as freiras e os frades lá devem de ter os seus).

A razão de estar a escrever uma 2ª parte de um posto chamado Ritual, é porque se a Robyn é parte integrante dos meus Verões, o que sinto quando a ouço também o é. E o cerne das questões é mesmo esse, não é suposto os Verões darem-me o mesmo carrinho cheio de coisas que já as senti e as revivi. Se vivo em loop então This is Hard Core, I'm Indestrucitble como diz a música.

Ouçam a música, e atenção ao 2º minuto e 17 segundos é aí que está o êxtase musical que me faz querer deixar de ser mais uma contradição numa enciclopédia que tem como melhor amigo o pó. Acreditam, há músicas com componentes electrónicas que uma balada nem chega aos seus calcanhares.

O Ritual I Vs Dancing On My Own

Chega o verão, algumas pessoas despem sorrisos e roupa à medida que os dias aquecem, outras sofrem com o calor (onde estás calor que não te sinto...mas não me posso queixar...) e anseiam que o outono venha e que um manto de folhas seja o próximo hit da moda. 

Eu por cá tenho o meu ritual, uma banda sonora que ano após anos é atualizada ou sujeita a uma reforma sonora. Ela é a minha companhia para sentir uns belos raios de sol sob a pele, e cheguei à conclusão que há já alguns anos, com reformas musicais intercaladas com sons menos vibrantes, que a Robyn está sempre no meu leitor de MP3. Sem ela não tenho verão, é nela que foco todo o meu alter-ego veraneante. Sou capaz de ouvir pelo menos 45 minutos de músicas que fizeram parte dos álbuns "Body Talk" de 2010 ou  "Robyn" de 2007. As músicas com características electrónicas têm em mim o efeito de uma droga (que nunca tomei) que numa rave certamente terá cenários psicadélicos com um atrelado de outras sensações. Relaxo assim, e é assim que o verão tem sido para mim desde já há alguns anos. 

É como diz a música dancing on my own.

domingo, agosto 03, 2014

"Comer" com os olhos

Se tenho os meus momentos em que a fome é uma grande inimiga, faz a minha barriga roncar como se fosse um leão, por vezes a fome não passa de uma metáfora para ser calcinada por olhares desconhecidos. Uma coisa posso deixar aqui escrita, se olham para mim, das duas uma: ou sou feio ou chamo à atenção. E porque não digo que sou bonito?! Reconheço que quando me vejo ao espelho nem sempre gosto de mim, não é que seja uma questão de beleza, longe disso, mas hoje estou de cabelo rapado e com a barba de uma semana (e assim vai continuar até ao próximo domingo, faço anos, uma espécie de presente de aniversário, o resto não digo...). Talvez tenha sido isso que chamou o olhar que desconheço, mas não fiquei indiferente.

Para se gostar de alguém a 100% penso que um dos princípios que é imperativo numa cláusula que desconheço e nem quero saber é que temos que 1º gostar de nós próprios e eu gosto de estar sem cabelo e para compensar, com barba que poderia ocupar uma civilização de pulgas (um aparte...higiene acima de tudo!!!!). Não faço a mínima ideia do que o olhar recebi hoje quereria dizer.

Acho que mal não me fazia incorporar o narciso, olhar para um lago e ver o meu reflexo...o que me vem à cabeça são nenúfares e o coaxar de rãs e sapos. Até imagino o som...e isso é o que me fez aqui escrever. Um lago e nenúfares a serem importunados por rãs e sapos metediços.

E eu quero lá saber de uma infinidade de coisas, se pudesse metia-as num envelope de correio azul e ficaria a ouvir o coaxar que me diria dizer que  "comer" com os olhos é outra coisa.

E a realidade é que eu não sou cego! E na verdade quero lá saber...

sábado, agosto 02, 2014

Um mergulho no que os outros esperam de mim

Cos everyone’s waiting
But it’s getting harder to hear
What my heart keeps saying
Turn it off, I wanna turn it all off

Ok, nem vou começar a escrever por partes, até porque começo a ficar cheio do que os outros esperam que eu diga em relação a uma determinada coisa. Se esperam, que puxem uma cadeira, e fiquem à espera, pois é o que tenho feito há já alguns anos, e sabem que mais, até hoje foi pouco o que ouvi, nem eram precisas muitas palavras, bastava-me um pequeno conjunto, um trio, e por que não um duo, com uma melodia que para os meus ouvidos era mais do que precisava. 

Não sou de muitas palavras. Quando as digo, nem sempre são as mais meigas. Se têm que cortar, cortam, se têm de dilacerar, dilaceram, mas se têm que curar, também o fazem. Se todos estão à espera que diga o que é devido, podem já contar um com grande ?, até porque se um mergulho no que os outros esperam de mim me fará feliz, então infeliz serei, não me restam muitas palavras, escritas ou faladas. 

O que o meu coração me diz é uma coisa, o que deixo ele dizer aos outros é uma história bem diferente. É como diz a música da Missy Higgins, se pudesse calava-o meu (coração). Não é que tenha muitas alternativas, mas nem tudo é como um rádio, desligar está fora de questão! 

sexta-feira, agosto 01, 2014

The Goldbergs Vs The Goonies Vs Banda Sonora para este verão


Há já alguns dias comecei a ver "The Goldbergs" uma sitcom de 2013/2014 mas passada nos anos 80. Se ao inicio achei a série sem graça, episódio após episódio mudei de opinião, ao ponto de agora sentir que até me sinto um puto a vê-la. Cresci nos anos 80 e grande parte do que a série fala eu estou um pouco por dentro. As músicas que lá passam é como um flashback ao passado, e só por isso não resisto a esboçar um sorriso quando a vontade que me mal trata por dentro quer é que eu esteja com uma espécie de fecho na boca. 


No último episódio que vi de "The Goldbergs" fazem referência a um filme da minha infância "The Goonies". Eu sempre achei muita piada a esse filme, e não querendo dizer mais do que devo, faz parte do meu imaginário, pois eu próprio criava umas histórias mirabolantes. Podia estar a brincar sozinho, mas todo o meu mundo naquele tempo se centrava num universo em que só eu podia controlar. Este, no qual vivo, controla-me de tal forma, que se há dias em que faltam as algemas, noutros porque não uma mordaça. E já agora, espero que "The Goldbergs" não se esqueçam dos Gremlins pois aí era quase ficar sem fala. Ok "The Goldbergs" é sem dúvida a série que apareceu na altura certa, já que não vivo o presente, nada melhor que reviver o passado.


Eu bem sei que é uma estupidez minha, mas por vezes sinto que há energias que todas juntas formam uma resposta. Pode não ser a que quero e muito menos a esperava. Hoje é o meu primeiro dia de férias e juntando uns quantos factos aleatórios, a banda sonora deste verão está mais que escolhida. Desculpa Sia mas Chvrches ganharam o lugar no pódio. O som deles é uma espécie de mutação sonora, leva-me para o passado sem eu querer, não tenho que fazer as malas e nem tenho que me preocupar com o que me espera, mas sabendo o sumo que esta fruta me dá (a da árvore da minha vida) queria beber um outro tipo de sumo. Não consigo cortar a raiz da árvore, portanto nem me dou ao trabalho de ao menos plantar uma outra semente.

Pediram-me hoje que não ficasse como estou. Vou fazer por isso, mas como não sou nenhum electrodoméstico, comigo não há garantia que o valha.