domingo, agosto 10, 2014

O 1º Post dos 36 anos




Já sei como quero que seja a minha festa de anos, a do próximo ano, a dos 37 anos. Mas fazer planos é correr ao lado dum risco, e quando menos se espera, o risco é cortado pela própria meta. Mesmo assim, já me vejo com pinturas na cara, a dançar à volta de uma fogueira, e o que realmente interessa não é a dança, nem a música mas o que se está a queimar. Tenho um ano para começar a recolha do "lixo" mas sei bem que não é de lixo que falo, mas de outras coisas, que ocupam lugar na alma, e não deixam espaço para o que realmente importa.

Não me posso queixar, já comecei as arrumações, uma delas já está fora da gaveta do armário e com a força de vontade que hoje tenho, espero que ao tirar mais umas quantas coisas dele, ninguém se engasgue com o bolo que estou ansiosamente por provar. É uma estreia, aliás, a noite de hoje já foi uma estreia, já que dizem que o melhor é não dizer nunca, já o disse, e tenho que comer o N, U, N, C, A e não posso arrotar. E quando também dizem que o melhor é não dizer "dessa água não beberei", pois bem, quem tem sede...

Sinto-me bem, mas se pudesse não era para o ano que teria a minha festa dos mortos, era hoje. Já me vejo com as pinturas na cara...basta verem o videoclip para terem uma ideia. Eu por vezes sou um poço de ideias mais estapafúrdias que possam existir e o problema é que quando encontro o balde desse poço e o levo ao fundo, o que de lá trago nem sempre é o que os outros esperam de mim.

sábado, agosto 09, 2014

O Último Post dos 35 anos

Este será o meu último post dos 35 anos. Amanhã faço 36 e sabendo o que sei, o dia de amanhã será uma incógnita, não gosto de fazer anos, deixa-me com o buraco na alma que nem sempre um sorriso é capaz de o fechar, e muito menos palavras de "feliz aniversário" são capazes de fazer acalmar o mar revolto que vive dentro de mim. Eu não vivo apenas no dia 10 de Agosto de cada ano, tenho vida para além desse dia, mas revejo-me nas peles dos outros, facilmente me esqueço disse pequeno pormenor. Não gosto de sentir isso, que sou um lembrete para se lembrarem de mim.

Sou de ideias fixas, muitas ganham pó e teias de aranhas, acabam por ser um ninho de sonhos perdidos, mas noutros casos, há ideias que são uma espécie de parasitas, colam-se à pele, deixam marcas, não doem mas ferem a alma, pois acabam por me fazer questionar o que quero para mim.

Se tenho sentimentos conto fazer deles algo na minha pele, não será um mapa, muito menos um marco de um determinado momento ou situação. Enquanto escrevo estas palavras sinto que o presente envenenado que tinha a oferecer amanhã não será dado, em vez desse, darei o que mais que grita dentro dos meus ouvidos. Sinto-me um copo cheio, em que a mais pequena gota irá fazer transbordar o que já lá está.

Se por vezes o meu coração é um cubo de gelo, e os caminhos que me levam a ele não são mais que caminhos de pedra, sei que não preciso que ninguém mos indique, o que neste momento rasga a minha pele é a vontade de fazer dela (da pele) estradas nela, pequenas histórias que já estão mais que escritas e pensadas.

(um aparte...com estas ideias, há já alguns dias lembrei-me do álbum "Becoming X" dos Sneaker Pimps, que me marcou, e ainda hoje o ouço com aquela vontade de despir-me perante o olhar dos outros. E para quem possa tapar os ouvidos, eles que se...)

terça-feira, agosto 05, 2014

O Ritual II Vs This is Hard Core, I'm Indestrucitble

E continuando...É ao ouvir Robyn que reconheço que a minha pessoa é a contradição numa enciclopédia, se é que existe uma em que o tema sejam as contradições. Se no meu anterior post deixei no ar que dançava sozinho, e metaforicamente falando, sim o faço, de porta fechada e com as cortinas no sitio. Entendem o que quiserem, mas deixando a figura de estilo (vou lhe dar férias de algumas horas) uma pessoa acaba sempre por ganhar defesas em relação ao que lhe faz mal, ao que lhe causa transtornos ou o que faz o seu coração palpitar quando não o devo fazer. Não há controlo possível para a maioria das coisas, pois os sentimentos são para ser vividos e não enclausurados num convento, digo eu (as freiras e os frades lá devem de ter os seus).

A razão de estar a escrever uma 2ª parte de um posto chamado Ritual, é porque se a Robyn é parte integrante dos meus Verões, o que sinto quando a ouço também o é. E o cerne das questões é mesmo esse, não é suposto os Verões darem-me o mesmo carrinho cheio de coisas que já as senti e as revivi. Se vivo em loop então This is Hard Core, I'm Indestrucitble como diz a música.

Ouçam a música, e atenção ao 2º minuto e 17 segundos é aí que está o êxtase musical que me faz querer deixar de ser mais uma contradição numa enciclopédia que tem como melhor amigo o pó. Acreditam, há músicas com componentes electrónicas que uma balada nem chega aos seus calcanhares.

O Ritual I Vs Dancing On My Own

Chega o verão, algumas pessoas despem sorrisos e roupa à medida que os dias aquecem, outras sofrem com o calor (onde estás calor que não te sinto...mas não me posso queixar...) e anseiam que o outono venha e que um manto de folhas seja o próximo hit da moda. 

Eu por cá tenho o meu ritual, uma banda sonora que ano após anos é atualizada ou sujeita a uma reforma sonora. Ela é a minha companhia para sentir uns belos raios de sol sob a pele, e cheguei à conclusão que há já alguns anos, com reformas musicais intercaladas com sons menos vibrantes, que a Robyn está sempre no meu leitor de MP3. Sem ela não tenho verão, é nela que foco todo o meu alter-ego veraneante. Sou capaz de ouvir pelo menos 45 minutos de músicas que fizeram parte dos álbuns "Body Talk" de 2010 ou  "Robyn" de 2007. As músicas com características electrónicas têm em mim o efeito de uma droga (que nunca tomei) que numa rave certamente terá cenários psicadélicos com um atrelado de outras sensações. Relaxo assim, e é assim que o verão tem sido para mim desde já há alguns anos. 

É como diz a música dancing on my own.

domingo, agosto 03, 2014

"Comer" com os olhos

Se tenho os meus momentos em que a fome é uma grande inimiga, faz a minha barriga roncar como se fosse um leão, por vezes a fome não passa de uma metáfora para ser calcinada por olhares desconhecidos. Uma coisa posso deixar aqui escrita, se olham para mim, das duas uma: ou sou feio ou chamo à atenção. E porque não digo que sou bonito?! Reconheço que quando me vejo ao espelho nem sempre gosto de mim, não é que seja uma questão de beleza, longe disso, mas hoje estou de cabelo rapado e com a barba de uma semana (e assim vai continuar até ao próximo domingo, faço anos, uma espécie de presente de aniversário, o resto não digo...). Talvez tenha sido isso que chamou o olhar que desconheço, mas não fiquei indiferente.

Para se gostar de alguém a 100% penso que um dos princípios que é imperativo numa cláusula que desconheço e nem quero saber é que temos que 1º gostar de nós próprios e eu gosto de estar sem cabelo e para compensar, com barba que poderia ocupar uma civilização de pulgas (um aparte...higiene acima de tudo!!!!). Não faço a mínima ideia do que o olhar recebi hoje quereria dizer.

Acho que mal não me fazia incorporar o narciso, olhar para um lago e ver o meu reflexo...o que me vem à cabeça são nenúfares e o coaxar de rãs e sapos. Até imagino o som...e isso é o que me fez aqui escrever. Um lago e nenúfares a serem importunados por rãs e sapos metediços.

E eu quero lá saber de uma infinidade de coisas, se pudesse metia-as num envelope de correio azul e ficaria a ouvir o coaxar que me diria dizer que  "comer" com os olhos é outra coisa.

E a realidade é que eu não sou cego! E na verdade quero lá saber...

sábado, agosto 02, 2014

Um mergulho no que os outros esperam de mim

Cos everyone’s waiting
But it’s getting harder to hear
What my heart keeps saying
Turn it off, I wanna turn it all off

Ok, nem vou começar a escrever por partes, até porque começo a ficar cheio do que os outros esperam que eu diga em relação a uma determinada coisa. Se esperam, que puxem uma cadeira, e fiquem à espera, pois é o que tenho feito há já alguns anos, e sabem que mais, até hoje foi pouco o que ouvi, nem eram precisas muitas palavras, bastava-me um pequeno conjunto, um trio, e por que não um duo, com uma melodia que para os meus ouvidos era mais do que precisava. 

Não sou de muitas palavras. Quando as digo, nem sempre são as mais meigas. Se têm que cortar, cortam, se têm de dilacerar, dilaceram, mas se têm que curar, também o fazem. Se todos estão à espera que diga o que é devido, podem já contar um com grande ?, até porque se um mergulho no que os outros esperam de mim me fará feliz, então infeliz serei, não me restam muitas palavras, escritas ou faladas. 

O que o meu coração me diz é uma coisa, o que deixo ele dizer aos outros é uma história bem diferente. É como diz a música da Missy Higgins, se pudesse calava-o meu (coração). Não é que tenha muitas alternativas, mas nem tudo é como um rádio, desligar está fora de questão! 

sexta-feira, agosto 01, 2014

The Goldbergs Vs The Goonies Vs Banda Sonora para este verão


Há já alguns dias comecei a ver "The Goldbergs" uma sitcom de 2013/2014 mas passada nos anos 80. Se ao inicio achei a série sem graça, episódio após episódio mudei de opinião, ao ponto de agora sentir que até me sinto um puto a vê-la. Cresci nos anos 80 e grande parte do que a série fala eu estou um pouco por dentro. As músicas que lá passam é como um flashback ao passado, e só por isso não resisto a esboçar um sorriso quando a vontade que me mal trata por dentro quer é que eu esteja com uma espécie de fecho na boca. 


No último episódio que vi de "The Goldbergs" fazem referência a um filme da minha infância "The Goonies". Eu sempre achei muita piada a esse filme, e não querendo dizer mais do que devo, faz parte do meu imaginário, pois eu próprio criava umas histórias mirabolantes. Podia estar a brincar sozinho, mas todo o meu mundo naquele tempo se centrava num universo em que só eu podia controlar. Este, no qual vivo, controla-me de tal forma, que se há dias em que faltam as algemas, noutros porque não uma mordaça. E já agora, espero que "The Goldbergs" não se esqueçam dos Gremlins pois aí era quase ficar sem fala. Ok "The Goldbergs" é sem dúvida a série que apareceu na altura certa, já que não vivo o presente, nada melhor que reviver o passado.


Eu bem sei que é uma estupidez minha, mas por vezes sinto que há energias que todas juntas formam uma resposta. Pode não ser a que quero e muito menos a esperava. Hoje é o meu primeiro dia de férias e juntando uns quantos factos aleatórios, a banda sonora deste verão está mais que escolhida. Desculpa Sia mas Chvrches ganharam o lugar no pódio. O som deles é uma espécie de mutação sonora, leva-me para o passado sem eu querer, não tenho que fazer as malas e nem tenho que me preocupar com o que me espera, mas sabendo o sumo que esta fruta me dá (a da árvore da minha vida) queria beber um outro tipo de sumo. Não consigo cortar a raiz da árvore, portanto nem me dou ao trabalho de ao menos plantar uma outra semente.

Pediram-me hoje que não ficasse como estou. Vou fazer por isso, mas como não sou nenhum electrodoméstico, comigo não há garantia que o valha.


sábado, julho 26, 2014

O Que Me Disseram que Nunca Me Tinham Dito Antes Vs O Meu Sorriso



Desconfio que se o karma na semana passada bateu o pé e fez-me ver uma série de coisas, nesta que acaba, já não sei o quais são as suas verdadeiras intenções. Sinto uma tristeza capaz de dar lugar a lágrimas que todas juntam seriam capazes de lavar uns quantos pratos. O pior é que nem tenho assim tantos motivos para isso, o karma deu-me tanto esta semana.

Não sou pessoa de receber muitos elogios, e quando os recebo fico sem saber o que fazer. O problema é meu, não consigo lidar com metade do que sinto, há dias em que mais pareço uma gaveta encravada que só com um puxão é que se consegue tirar alguma coisa de lá. 

Há palavras que quando são ditas podem marcar um momento, e foi mais ao menos isso que aconteceu. Disseram-me algo que nunca me tinha sido dito, e num segundo o meu coração começou a ganhar batimentos de emoção. 

Há cerca de 8 anos "cruzei-me" com alguém e partilhou-se histórias com tudo o que elas têm direito. Esta semana essa pessoa "reencontrou-me" e porque por vezes a memória é um fósforo, que nem sempre arde, o que tinha na mão lentamente foi ardendo até que o fogo que tinha entre os dedos fez-me primeiro sorrir, queimei o dedo, e sorri ainda mais. É esse sorriso que me faz querer chorar. Não consigo explicar, não encontro metáforas, hipérboles ou outra figura de estilo que seja capaz de ser uma tradutora fiel do que se passa dentro de mim.

Para essa fase da minha vida de há 8 anos, facilmente encontro uma banda sonora capaz de me ajudar a explicar o motivo deste texto longo. "Fidelity", "Samson" e "On The Radio" da Regina Spektor são músicas integrantes dessa banda sonora e uma delas ("Samson") é também um dos motivos que me fez sorrir. E para mais, este oceano começou a ser criado, inventado, e banhado não por rochas mas por palavras por essa altura.

Em "Fidelity" ela canta:

I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music

Ou em "Samson":

You are my sweetest downfall
I loved you first, I loved you first
Beneath the sheets of paper lies my truth
I have to go, I have to go
Your hair was long when we first met

E em "On The Radio":

This is how it works
You're young until you're not
You love until you don't
You try until you can't
You laugh until you cry
You cry until you laugh
And everyone must breathe
Until their dying breath

No, this is how it works
You peer inside yourself
You take the things you like
And try to love the things you took
And then you take that love you made
And stick it into some
Someone else's heart
Pumping someone else's blood
And walking arm in arm
You hope it don't get harmed
But even if it does
You'll just do it all again

Estas palavras dizem-me muito, são uma espécie de tatuagem de sons, marcaram-me, e desde ontem parece que fiz uma outra, com as mesmas tonalidades mas com um significado para o qual, volto a dizer, não tenho palavras. A razão que me leva a sentir o coração apertadinho é porque pelos vistos não cresci. Tenho mais alguns anos em cima, mas tudo o resto parece que está igual. 

Por detrás dum sorriso há sempre uma história. Com altos e baixos, com alegrias atreladas às tristezas, uma espécie de comboio sem destino, pára em algumas estações, mas nunca chega a um destino final. Esta incerteza dá cabo de mim, não gosto da vida feita numa incógnita, pois há dias em que não a entendo.  

Nunca amei ninguém e os pés são demasiados pesados pois não me deixam voar. Não é que ouça vozes na minha cabeça, apenas ouço a minha e ela é ruidosa como o raio. Shiuuuuuuuuu...


"Samson" é sem dúvida uma das músicas que mais gosto, e agora ainda é mais especial, e é a ti que agradeço as palavras que me disseste, nunca me tinham dito algo parecido e tê-las recebido foi um dos melhores gestos que tiveram comigo. É nos pequenos gestos que está a essência do ser humano, podemos ter defeitos mas a honestidade é o laço que nos une ou nos afasta. 

OBRIGADO!

sexta-feira, julho 25, 2014

Sob Um Mar de Núvens

Se me perguntassem como me sinto agora, a resposta teria que ser uma espécie de mil folhas, tenho tanto por onde folhear como um livro, como um bolo que precisa de açúcar.

Há dias que não sei o que fazer comigo, não passo dum espírito enclausurado num corpo de um homem, que desconheço mas que teima me enfrentar sempre que acordo e das muitas vezes em que me olho ao espelho pergunta "Quem és tu que me olhas?!".

Esta semana foi uma espécie de barragem, se por um lado filtrou uma infinidade de águas que não interessam, por outro eu agora estou prestes a fazer uma tempestade num copo de água, mas é uma das boas, daquelas que não causam danos, são bonitas de se ver e faz o meu coração verter umas quantas lágrimas de sangue.

Sabiam que as nuvens têm nomes? Quando soube fiquei maravilhado, porque além de ser mais uma prova que viver na redoma da ignorância não trás nada de bom, por outro é um espicaçar para acordar e ver o que me rodeia com outros olhos.

Se este oceano por vezes é tranquilo, hoje sinto-me prestes a ser mergulhado numa explosão de ondas, e se estivesse sob um mar de nuvens não sei qual escolheria...as mamatus cumulonimbos? As lenticulares? Ou as nuvens Nacreous?




Se pudesse estaria em qualquer um dos cenários que aqui deixo, pois se sob um mar de nuvens me sentiria bem, o que dizer estar num lugar onde a tomada estava desligada e o silêncio dos problemas era o meu melhor amigo?

Não posso contar que alguém me leve daqui, e cada vez mais acredito que se não ganho asas é porque tenho que ser eu a criá-las.

terça-feira, julho 22, 2014

Se a minha bicicleta eliptica voasse


Hoje tive aquela sensação que se a minha bicicleta elíptica voasse, levava parte de uma das paredes e 25,88% do teto. Nem foi uma questão do esforço (25 minutos ao som dos Coldplay) mas sentir que estava parado no mesmo sitio e o que mais queria era ganhar asas e voar. 

Talvez a culpa neste caso não seja das estrelas mas da adrenalina. Se ao 1º minuto senti que todo o meu corpo era uma simples alavanca prestes a fazer estalar a ferrugem ao 24º minuto todo eu era uma espécie de plasticina prestes a ser esticada até rebentar. Queria muito mais, quero muito mais, e não é apenas voar, quero ver o tal céu cheio de estrelas, quero ser iluminado por elas, queimar-me (porque não) um pouco e no final poder descer à terra e repetir toda esta adrenalina que durou minutos mas porque não me satisfaço com pouco, deixo este alerta: se numa noite destas alguém vir no céu alguém a voar numa bicicleta elíptica, serei eu e não ficção tornada realidade.


Se uma pessoa for o céu, porque não começar a olhar para ele de uma outra forma?! As estrelas neste caso não terão culpa, mas um céu sem elas não é a mesma coisa.