Desconfio que se o karma na semana passada bateu o pé e fez-me ver uma série de coisas, nesta que acaba, já não sei o quais são as suas verdadeiras intenções. Sinto uma tristeza capaz de dar lugar a lágrimas que todas juntam seriam capazes de lavar uns quantos pratos. O pior é que nem tenho assim tantos motivos para isso, o karma deu-me tanto esta semana.
Não sou pessoa de receber muitos elogios, e quando os recebo fico sem saber o que fazer. O problema é meu, não consigo lidar com metade do que sinto, há dias em que mais pareço uma gaveta encravada que só com um puxão é que se consegue tirar alguma coisa de lá.
Há palavras que quando são ditas podem marcar um momento, e foi mais ao menos isso que aconteceu. Disseram-me algo que nunca me tinha sido dito, e num segundo o meu coração começou a ganhar batimentos de emoção.
Há cerca de 8 anos "cruzei-me" com alguém e partilhou-se histórias com tudo o que elas têm direito. Esta semana essa pessoa "reencontrou-me" e porque por vezes a memória é um fósforo, que nem sempre arde, o que tinha na mão lentamente foi ardendo até que o fogo que tinha entre os dedos fez-me primeiro sorrir, queimei o dedo, e sorri ainda mais. É esse sorriso que me faz querer chorar. Não consigo explicar, não encontro metáforas, hipérboles ou outra figura de estilo que seja capaz de ser uma tradutora fiel do que se passa dentro de mim.
Para essa fase da minha vida de há 8 anos, facilmente encontro uma banda sonora capaz de me ajudar a explicar o motivo deste texto longo. "Fidelity", "Samson" e "On The Radio" da Regina Spektor são músicas integrantes dessa banda sonora e uma delas ("Samson") é também um dos motivos que me fez sorrir. E para mais, este oceano começou a ser criado, inventado, e banhado não por rochas mas por palavras por essa altura.
Em "Fidelity" ela canta:
I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music
Ou em "Samson":
You are my sweetest downfall
I loved you first, I loved you first
Beneath the sheets of paper lies my truth
I have to go, I have to go
Your hair was long when we first met
E em "On The Radio":
This is how it works
You're young until you're not
You love until you don't
You try until you can't
You laugh until you cry
You cry until you laugh
And everyone must breathe
Until their dying breath
No, this is how it works
You peer inside yourself
You take the things you like
And try to love the things you took
And then you take that love you made
And stick it into some
Someone else's heart
Pumping someone else's blood
And walking arm in arm
You hope it don't get harmed
But even if it does
You'll just do it all again
Estas palavras dizem-me muito, são uma espécie de tatuagem de sons, marcaram-me, e desde ontem parece que fiz uma outra, com as mesmas tonalidades mas com um significado para o qual, volto a dizer, não tenho palavras. A razão que me leva a sentir o coração apertadinho é porque pelos vistos não cresci. Tenho mais alguns anos em cima, mas tudo o resto parece que está igual.
Por detrás dum sorriso há sempre uma história. Com altos e baixos, com alegrias atreladas às tristezas, uma espécie de comboio sem destino, pára em algumas estações, mas nunca chega a um destino final. Esta incerteza dá cabo de mim, não gosto da vida feita numa incógnita, pois há dias em que não a entendo.
Nunca amei ninguém e os pés são demasiados pesados pois não me deixam voar. Não é que ouça vozes na minha cabeça, apenas ouço a minha e ela é ruidosa como o raio. Shiuuuuuuuuu...
"Samson" é sem dúvida uma das músicas que mais gosto, e agora ainda é mais especial, e é a ti que agradeço as palavras que me disseste, nunca me tinham dito algo parecido e tê-las recebido foi um dos melhores gestos que tiveram comigo. É nos pequenos gestos que está a essência do ser humano, podemos ter defeitos mas a honestidade é o laço que nos une ou nos afasta.
OBRIGADO!