terça-feira, julho 22, 2014

Se a minha bicicleta eliptica voasse


Hoje tive aquela sensação que se a minha bicicleta elíptica voasse, levava parte de uma das paredes e 25,88% do teto. Nem foi uma questão do esforço (25 minutos ao som dos Coldplay) mas sentir que estava parado no mesmo sitio e o que mais queria era ganhar asas e voar. 

Talvez a culpa neste caso não seja das estrelas mas da adrenalina. Se ao 1º minuto senti que todo o meu corpo era uma simples alavanca prestes a fazer estalar a ferrugem ao 24º minuto todo eu era uma espécie de plasticina prestes a ser esticada até rebentar. Queria muito mais, quero muito mais, e não é apenas voar, quero ver o tal céu cheio de estrelas, quero ser iluminado por elas, queimar-me (porque não) um pouco e no final poder descer à terra e repetir toda esta adrenalina que durou minutos mas porque não me satisfaço com pouco, deixo este alerta: se numa noite destas alguém vir no céu alguém a voar numa bicicleta elíptica, serei eu e não ficção tornada realidade.


Se uma pessoa for o céu, porque não começar a olhar para ele de uma outra forma?! As estrelas neste caso não terão culpa, mas um céu sem elas não é a mesma coisa.



segunda-feira, julho 21, 2014

Eletricidade Estática


Não sei se é normal sentir uma eletricidade pura que apesar de estática faz abrir os olhos, ver os ângulos e as arestas de tudo o que me rodeia? Vejo as pessoas com outros olhos, e nestas últimas horas sinto-me numa espécie dum prédio prestes a entrar no caminho de uma implosão. Mas uma boa implosão. Talvez energias positivas, ou apenas um conjugar de mil e uma coisas. 

O dia começou logo pela manhã com "Chvrches" que desconhecia (obrigado MTV Rock), mas o som desta banda ajudou-me a acordar para umas longas horas de trabalho e desde então sinto-me um pouco como um sintetizador que toca no compasso do ritmo da vida, que se por vezes me leva para o passado (anos 80) por outro lado a tal eletricidade se me abre os olhos eu reconheço uma coisa: mergulhar num livro e desaparecer por vezes é o ideal, mas por outro em vez disso fazer o que por regra não o faço, ou seja, ir contra a corrente do mar é um peso tirado de cima de mim.

domingo, julho 20, 2014

Karma (Parte II) Vs Os meus 3 Eu's


Na sequência do meu último post e porque sinto que neste fim-de-semana a vida me fez um teste, para o qual não há nota, tenho antes de mais agradecer a quem leu e me enviou uma mensagem e uma imagem que me fez rasgar na minha face um sorriso, foi de orelha a orelha, e fez o meu karma se sentir uma pulga inofensiva que apenas dá comichão. E tenho tido uma vontade doida de me coçar, e por vezes ver uma ferida poderia ser o resultado que me poderia dar um alivio, daqueles que aparece mas não resolve o problema.

Se tivesse uma moeda para atirar a um poço de desejos, já teria um destino: Karma café. Sentado eu estaria, e sem menus, só podia contar com um manjar dos Deuses, provavelmente teria um chá, bem quente para fazer contrariar o calor que sinto mas que teimo em contrariar.

Ando um pouco desligado não da tomada, pois essa dá-me choques. Não fico queimado mas julgo que estou, e tudo tem a ver com o meu desdobramento do meu Eu. Neste últimos dias se o karma abriu a porta para uma série de coisas que me estrangulam, do tipo de sadomasoquismo, um orgasmo sem ar mas que dá prazer, por outro lado vejo-me a ser dividido em partes, e neste momento vejo-me em 3, o racional, o que deseja e o que sonha.

O karma não dita nada neste meu mundo, mas uma coisa é certa, tenho algumas páginas de "O Oceano no Fim do Caminho" para ler até chegar ao fim, só não o fiz porque não consigo. Não é porque a história não seja boa (é, tem muito a ver comigo) mas se o final dum livro para mim é especial, o começo de um outro é doloroso, porque se quero desaparecer lendo um, o karma diz-me ao ouvido "meu caro, chegaste à fase da tua vida que um livro já não te leva para esses mundos". 

Se ninguém me leva ao Karma Café, e se um livro já não me faz desaparecer, e se me sinto dividido em 3, e sem querer fazer contas, qual é a fórmula magica para a equação que a vida me está a apresentar?

Vou fechar os olhos...

sábado, julho 19, 2014

Guilhotina Vs Karma filho da ...


Não sei o que é pior, sentir cortes na pele feitos por papel, ou esperar que a guilhotina desça e nos leva a cabeça. Nas últimas 48 horas sinto que o karma resolveu armar-se num super herói com a sua fatiota de licra e com um conjunto de ditados que fazem um ego de qualquer pessoa sentir-me como se o mundo cagou neles e lhe está a dar um belo presente. Pois bem se dizem que karma is a bitch a puta nesta caso é a vida. 

Se 2013 acabou mal e 2014 começou da pior maneira, nunca mais consegui ter um momento de sossego, e se não faço mal a ninguém, o que é mesmo que dizer que nunca plantei uma semente com tendência de uma piranha, sinto que o que fiz foi algo que me quer comer vivo, e isso tem um nome: kama o filha do ...

Se sempre anseio por um momento de paz, porque é que recebo é uma guerra, que apesar de não existirem armas, há pelo menos alguns feridos? Se não faço mal a ninguém, porque é que a vida não me deixa estar no meu canto? Se há alguns dias retomei a leitura, porque me fez tropeçar nos meus pensamentos sinto que mais uma vez não irei conseguir voltar a ler. Pressinto que não vou conseguir voltar a desaparecer, e o que mais quero é isso.

Se um corte de papel arde, o que dizer dum com pequenas gotas de lima aromatizadas com hortelã e pimenta? E isto não é uma receita, é apenas um fragmento dum sonho,  pois se um dia sonhei com uma praia com um céu pintado de azul celeste, o que sinto hoje, é um céu pintado com essa cor mas com ardores que me puxam para o trópico, mas se karma é um filho... nunca lá colocarei os pés.

Se a guilhotina vier, que me leve a mim, pois se o karma é um filho de puta, eu consigo ser pior, sou um filho do mundo e quanto a isso, levo tudo comigo, seja o oceano, ou seja apenas um pequeno pingo de lima, num simples corte de papel.

Apenas quero conseguir ler, e isso apenas diz uma coisa...desaparecer...

The Strain


Estava com muita curiosidade em ver o 1º episódio de "The Strain" série baseada na trilogia escrita por Guillermo del Toro e Chuck Hogan. E o que tem a sua piada é que no último livro, o que comprei faltavam algumas páginas e foi como ler algo com uma parte arrancada da história. Falando dos livros...tem tudo a ver com o que gosto, uma parte vampiresca, outra a ver com a mutação da nossa sociedade. Se gostei muito do 1º livro, e se no 2ª fiquei um pouco de pé atrás, no 3º fiquei preso à história, apesar de que o final me deixou um pouco desiludido.

Falando da série...é fiel (pelo menos) ao inicio do livro, e o melhor é dar imagens a uma narrativa que desde o inicio não pára. Agora o que mais quero é ver algumas cenas que me ficaram na memória. Podem pensar que é mais uma história sobre vampiros. O que posso dizer é que nunca o Drácula ficou tão feio numa história...

E esta imagem é apenas do vírus...


domingo, julho 06, 2014

A Bofetada do Ano (a que levei) Vs Sia "Chandelier"


Se há música que neste momento que me faz querer revirar uma série de coisas dentro de mim é "Chandelier" da Sia, cantora que há já algum tempo que gosto. Não é que tenha vontade de estar pendurado num candelabro, mas a música além de uma bomba, não me deixa ficar indiferente nem à música nem ao videoclip. Quando o vi pensei que grande mamacada que a rapariga anda a fazer, saltos dum lado para o outro e uma série de coisas sem nexo, mas não foi preciso muito para ficar agarrado às imagens. Agora dou valor, vejo algo para além de uns quantos saltos e meia dúzia de caretas. Se pudesse estava agora mesmo pendurado num candelabro, não porque esteja doido, mas apenas pela diversão. "Chandelier" é já das músicas que fazem os poros de minha pele entrarem em ebulição.


Ontem estava eu feliz da vida a mostrar o videoclip ao meu sobrinho (que faz 2 anos dia 8 de Julho) que soube que gostava da música como dos movimentos que a menina do videoclip faz. Comecei a cantarolar mas não foi preciso muito tempo, levei uma bofetada como resposta. 

Fiquei calado e ele apreciou o resto da música acompanhada pelo videoclip. Aprendi uma lição, pois voz de cana rachada como a minha deve remeter-se ao silêncio. E o melhor desta história foi tê-lo bem pertinho de mim. 

sábado, julho 05, 2014

Alma Gémea Vs "I Origins"


Vi o trailer do filme "I Origins" e tudo por causa da Britt Marling, porque é das atrizes que me transmite algo. Fiquei com um ninho de pulgas atrás não de uma mas das duas orelhas só por causa do que vi. Nem sei se acredito em almas gémeas mas à partida o filme retrata esse tema duma forma peculiar, simples e muito viciante. Quero o ver, e se já vi "Another Earth", "Sound of My Voice" e "The East" que só me deixaram boas impressões, este certamente não será diferente.

Se a janela para a alma são os nossos olhos como o filme afirma, e se almas gémeas existem, o melhor é começar a olhar a fundo nos olhos das outras pessoas, mas o nó no meu estômago grita e as borboletas deixaram de bater as asas, porque se as almas gémeas existem, a minha está provavelmente num cruzeiro aos fiordes da Noruega, ou a dar neste momento uma deliciosa e sumarenta trinca na big apple.

Só por causa do que vi, fiz questão de repensar numa série de coisas que já estavam arquivadas dentro de mim. Para quê dar-me ao trabalho de abrir a escotilha que está sob o meu coração e deixar alguém entrar? Se por vezes penso que sou bicho do mato, noutras vezes faço de conta que estou no mundo da lua e que a ilusão é o melhor reflexo que o espelho da vida me dá. Não gosto de ser enganado, nem de enganar ninguém e só por isso, quando voltar a pensar na minha alma gémea sei com o que posso contar: olhos castanhos, com contornos de canela mastigados por umas gramas de caramelo sob o foco da luz do sol quando está para se recolher sob uma nuvem cheia de pingos de água, e é só uma questão de tempo esperar que a chuva comece para ver que o brilho que sai dos meus olhos não é apenas castanho...

As Sobras (The Leftovers)


Foi com grande entusiasmo que vi o 1º episódio de "The Leftovers" nova série do canal HBO. A série baseada no livro com título em português "O Mundo Depois do Fim" de Tom Perrotta. Apesar de já o ter lido há alguns anos, a história ficou-me na memória. O final foi um dos que mais desiludiu, e nada tem a ver com a história em si, mas foi por ter ficado com a sensação que a história ficou a meio. Ou melhor, queria o final de porta fechada, sem buraco na fechadura, e fiquei com a porta entreaberta à espera de mais.


"The Leftovers" retrata a vida de algumas pessoas após 2% da população mundial ter desaparecido sem mais nem menos. Esse pequeno pormenor nunca será explicado, nem é pano de fundo para a história.

O 1º episódio funciona como uma apresentação das personagens e não vou comentar a dinâmica entre elas. Pelo o que vi dificilmente será uma série de culto, não porque não tenha qualidade (tem, mas pelo comentários que li...), mas porque se o trailer aparentava ser uma série com ritmo, no 1º episódio esse ritmo funciona como uma espécie de espelho do ser humano, em que as relações entre as pessoas são o reflexo dos nossos atos e só por isso muita gente não irá ter paciência para ver essa transfiguração sentimental. 

Eu adorei, gostei e já fui buscar o livro para o folhear novamente. Vou ver tudo com a esperança que a série seja renovada, apenas porque se a 1ª temporada basear-se no livro, a 2ª temporada será novidade para mim e é isso que mais me fascina na história, o destino que se tem quando as nossas atitudes são meros veículos para se lá chegar. 

O elenco é bom e cola bem nas personagens que Tom Perrotta criou e escreveu no livro. Alguns atores podem ser desconhecidos mas entre eles estão Justin Theroux, Liv Tyler, Amy Brenneman e Max Carver e Charlie Carver (os gémeos das "Desperate Housewifes").


 
E porque este espaço é um oceano, quando vi uma determinada cena (que é passada numa piscina) lembrei-me dele, e lembrei-me de mim, porque por vezes há gritos que não se ouvem, mas eles são dados nas formas mais silenciosas e inócuas que há na vida.




sexta-feira, julho 04, 2014

O Olhar Nos Olhos dos Outros Vs Blink Blink




Não sei se com outras pessoas acontece o mesmo, mas por vezes a forma como alguém olha para outra pessoa diz mais que certas palavras. Há olhares de desprezo, de cobiça sexual, olhares de piedade ou olhares dum perfeito jogador de poker, entre outros. O que mais gostei nesta semana foi ter um Big Brother mesmo pertinho de mim (e atualmente acompanho 2!), sem ser pela televisão e sem câmaras. 


Posso ser um bom observador mas há sempre uma lição a tirar: se me fizerem a mim o que faço aos outros, será que vou gostar? Uma coisa sei, eu gostei do que vi. 

As pessoas têm coração mas não deixam de ter um par de olhos, que come de boca fechada e sem mastigar. Desconheço se alguém me "come" com os olhos, e nem sei se iria "matar" a fome a alguém através de um simples olhar. Uma coisa sei, o que vejo pode não me matar o desejo, pois geralmente deixo-o fermentar durante algum tempo, mas se prolongo o olhar é porque em vez de uma refeição completa, ao menos tenho um aperitivo.

Blink Blink fazem os olhos alheios, mas blink blink os meus também fazem.


terça-feira, julho 01, 2014

E o meu 501º Post Até Poderia ser Mórbido Mas Não É!



 ...e o meu 501º post começa com uma ida ao cemitério. Não irá ter humor negro, nem terá uma entrelinha prenha prestes a dar à luz um segredo doentio que me está assolar a mente.  
No passado sábado fui ao cemitério com a minha mãe limpar a campa da minha avó (o meu anjo de olho azul). Balde numa mão com luvas de plástico para ajudar à limpeza enfiadas lá dentro. O trabalho não foi árduo, o tempo ajudou, parecia que o céu estava rasgado, e desse rasgo brotavam uns tímidos raios de sol. Era cedo e não estava praticamente ninguém. O silêncio nada tinha de encantador, mas criou aquele ambiente que deve de ser o mesmo que as salas de ioga têm, excepto o ar puro e os mortos enterrados bem pertinho de nós.

De vez em quando via-se ao longe uma ou outra pessoa até que um velhote parou ao nosso lado e durante alguns minutos esteve de volta duma campa. Como bom observador que sou (sim também o sou num cemitério, não com a ideia de ver fantasmas ou mortos-vivos) passado algum tempo reparei que ele estava parado a olhar para campa, e durante todo esse tempo fiquei a observá-lo. Foi quando ele se dirigiu para a campa e beijou a fotografia que lá estava que senti um aperto no peito. O velhote foi-se embora e fui até à campa para ver a fotografia, deveria de ser da mulher. O twist macabro que aqui deixo é muito simples e humano e ao fim e ao cabo o que vi foi certamente uma história de amor.

Se por vezes penso no velhote de braços estendidos a olhar de forma compenetrada para a campa, noutras vezes tenho uma certeza, não quero uma campa, não quero flores murchas tingidas de castanho e muito menos flores de plástico e só há uma alternativa: quero ser cremado e tenho muitas razões para querer ficar feito em cinzas mas guardo-as comigo, até porque o lugar dos mortos é no nosso coração e não encafuados num cemitério a servirem de alimentos para os bichinhos. Não quero ser uma obrigação numa campa pois se não sou uma enquanto vivo, tenho a absoluta certeza que nunca o serei em morto.

Este post não tem nada de mórbido, mas se a vida por vezes me inspira, a morte não lhe fica atrás. 

Não quero que o negativismo fique colado às palavras que aqui deixo e uma certeza eu tenho: há que celebrar a vida, porque depois quem sabe o que teremos pela frente quando formos para o outro lado, e nesse para quê jogar pelo seguro, poderemos não ter nada para celebrar.