“That’s part of what I like about the book in some ways. It portrays
death truthfully. You die in the middle of your life, in the middle of a
sentence”
Quando li o livro "A Culpa é Das Estrelas" do John Green, foi dos livros que mais gostei, por muitas razões, mas não me vou repetir uma vez que já aqui deixei a minha opinião sobre o livro.
Quando soube que iam fazer o filme, fiquei na dúvida se iriam conseguir passar a essência do livro, que é única, peculiar, agridoce e muito arrebatadora, na minha humilde opinião.
Para o papel da Hazel a eleita foi a atriz Shailene Woodley, que conhecia mas tinha as minhas dúvidas em relação a ela, não porque não seja boa atriz, mas quando se gosta de uma história, tudo é motivo para criticas menos positivas. Para o papel do Gus o escolhido foi o ator Ansel Elgort, que desconhecia e não tinha opinião formada. Hoje fui ver o filme e...e além de ser minimamente fiel ao livro, as imagens na grande escala de uma tela de cinema foram uma picada no meu coração.
Se no inicio senti um aperto no coração e facilmente as lágrimas me vieram aos olhos, durante o decorrer do filme as emoções estabilizaram até ao momento em que a história caminhou para a altura em que os meus olhos mais pareciam duas barragens e a água insistia em transbordar para fora dela. Em determinados momentos consegui me conter, noutros foi mais difícil. Quem me quiser chamar piegas está à vontade, mas o filme é muito humano, genuíno e especial. Para mim as histórias de amor não têm finais felizes, não acredito neles e esta é das que mais me corta o coração em pedaços.

Ver uma história de amor no cinema é algo que é raro eu fazer, mas foi do melhor que já vi. Os grandes planos da Shailene Woodley e do Ansel Elgort são pequenas histórias dentro de outras histórias. Não podiam ter escolhido uma dupla mais consistente que esta. O filme é dos que rasgou meu imaginário e me fez voltar a acreditar que as histórias de ficção conseguem ser uma ponte para as reais. Um filme humano acima de tudo.
Os olhares trocados entre a Hansel e o Gus no filme são pérolas que fazem deste filme um dos que mais fizerem esquecer os minutos que lá passei, o tempo voa, voou e muito, queria mais...
Como no livro, o filme tem uma boa dose de metáforas, e o John Green é mestre nelas, pois já li praticamente todos os livros dele editados em português. Eu sou muito metafórico, nem sempre é fácil escrever o que sinto o que o quero da forma directa e descarada, e nos livros dele, revejo-me em algumas coisas. Se consigo ser romântico, consigo ser o oposto, não porque não acredito no amor, mas porque não acredito em finais felizes e nada melhor que uma metáfora recheada de sarcasmo, ironia e humor negro. Por vezes o escape é a melhor saída pois ninguém se quer enviar num beco sem saída.
Deixo aqui dois exemplos do filme/livro pois agora é me difícil separar os dois.
Por mais barragens que os meus olhos tenham, em dois momentos as lágrimas escaparam dessa barragem, e num desses momentos fugi do filme e pensei que a t-shirt que tinha vestido facilmente iria deixar as marcas dessas lágrimas e quando saísse do cinema estaria com ela marcada. Controlei-me ao máximo. Consegui mas chorei pelo filme, e pela história. Não sou piegas, mas tenho um coração.
A culpa não é das estrelas, mas quantas vezes não era bom atirar a culpa a elas?
O céu poderia ficar menos estrelado mas ao menos os nossos sorrisos seriam mais genuínos.