sexta-feira, julho 04, 2014

O Olhar Nos Olhos dos Outros Vs Blink Blink




Não sei se com outras pessoas acontece o mesmo, mas por vezes a forma como alguém olha para outra pessoa diz mais que certas palavras. Há olhares de desprezo, de cobiça sexual, olhares de piedade ou olhares dum perfeito jogador de poker, entre outros. O que mais gostei nesta semana foi ter um Big Brother mesmo pertinho de mim (e atualmente acompanho 2!), sem ser pela televisão e sem câmaras. 


Posso ser um bom observador mas há sempre uma lição a tirar: se me fizerem a mim o que faço aos outros, será que vou gostar? Uma coisa sei, eu gostei do que vi. 

As pessoas têm coração mas não deixam de ter um par de olhos, que come de boca fechada e sem mastigar. Desconheço se alguém me "come" com os olhos, e nem sei se iria "matar" a fome a alguém através de um simples olhar. Uma coisa sei, o que vejo pode não me matar o desejo, pois geralmente deixo-o fermentar durante algum tempo, mas se prolongo o olhar é porque em vez de uma refeição completa, ao menos tenho um aperitivo.

Blink Blink fazem os olhos alheios, mas blink blink os meus também fazem.


terça-feira, julho 01, 2014

E o meu 501º Post Até Poderia ser Mórbido Mas Não É!



 ...e o meu 501º post começa com uma ida ao cemitério. Não irá ter humor negro, nem terá uma entrelinha prenha prestes a dar à luz um segredo doentio que me está assolar a mente.  
No passado sábado fui ao cemitério com a minha mãe limpar a campa da minha avó (o meu anjo de olho azul). Balde numa mão com luvas de plástico para ajudar à limpeza enfiadas lá dentro. O trabalho não foi árduo, o tempo ajudou, parecia que o céu estava rasgado, e desse rasgo brotavam uns tímidos raios de sol. Era cedo e não estava praticamente ninguém. O silêncio nada tinha de encantador, mas criou aquele ambiente que deve de ser o mesmo que as salas de ioga têm, excepto o ar puro e os mortos enterrados bem pertinho de nós.

De vez em quando via-se ao longe uma ou outra pessoa até que um velhote parou ao nosso lado e durante alguns minutos esteve de volta duma campa. Como bom observador que sou (sim também o sou num cemitério, não com a ideia de ver fantasmas ou mortos-vivos) passado algum tempo reparei que ele estava parado a olhar para campa, e durante todo esse tempo fiquei a observá-lo. Foi quando ele se dirigiu para a campa e beijou a fotografia que lá estava que senti um aperto no peito. O velhote foi-se embora e fui até à campa para ver a fotografia, deveria de ser da mulher. O twist macabro que aqui deixo é muito simples e humano e ao fim e ao cabo o que vi foi certamente uma história de amor.

Se por vezes penso no velhote de braços estendidos a olhar de forma compenetrada para a campa, noutras vezes tenho uma certeza, não quero uma campa, não quero flores murchas tingidas de castanho e muito menos flores de plástico e só há uma alternativa: quero ser cremado e tenho muitas razões para querer ficar feito em cinzas mas guardo-as comigo, até porque o lugar dos mortos é no nosso coração e não encafuados num cemitério a servirem de alimentos para os bichinhos. Não quero ser uma obrigação numa campa pois se não sou uma enquanto vivo, tenho a absoluta certeza que nunca o serei em morto.

Este post não tem nada de mórbido, mas se a vida por vezes me inspira, a morte não lhe fica atrás. 

Não quero que o negativismo fique colado às palavras que aqui deixo e uma certeza eu tenho: há que celebrar a vida, porque depois quem sabe o que teremos pela frente quando formos para o outro lado, e nesse para quê jogar pelo seguro, poderemos não ter nada para celebrar.


domingo, junho 29, 2014

500º Post - Parabéns a Mim!





Foi bem mais depressa do que estava à espera, pois hoje cheguei ao meu 500º post. 

Quando criei este oceano nunca pensei que viesse aqui deixar 500 textos, uns mais directos, outros mais abstractos e uma infinidade deles que ninguém entendeu e mesmo assim durante anos vim aqui deixar parte de mim. 

Posso não ter uma taça como prémio, posso não ter o ego que muito julgam que tenho e posso ser um mestre em confundir as pessoas, mas a realidade é esta, o que aqui escrevo é o que sinto e se em alguns anos não escrevi muita coisa, 2014 está a ser um ano em cheio, não só de coisas menos boas mas sabendo o que sei hoje, nada me vale andar com pezinhos de lã, fingir que tenho um ego em ponto de rebuçado e um olhar que diz alguma coisa mas não diz tudo.

Neste oceano só eu posso molhar os pés, mergulhar bem fundo e imaginar ver a pequena sereia na linha do horizonte, mas em dias como de hoje penso nas razões que me levam vir aqui. Posso ter uma vontade doida de fazer mil e uma coisas, mas só de vir aqui consigo sossegar algumas páginas que tenho que escrever e falo das folhas da minha vida.

500º Post- Parabéns a Mim!

Que venha o 501º post, se não vier é mau sinal.

Ain't Them Bodies Saints


"Ain't Them Bodies Saints" era um dos filmes na lista de espera e porque não tinha expectativas em relação a ele, foi uma boa surpresa. 

No elenco temos um trio muito interessante: Rooney Mara (excelente, magnifica e sensual como sempre), Casey Affleck (parece um predador apaixonado) e Ben Foster (com bigode).

A história é muito simples: um casal separado por causa de um crime. Enquanto ela espera que ele saia da prisão, ele foge e vai ao encontro dela passados alguns anos. E porque gosto de filmes passados em terriolas americanas, este acertou em cheio.

O que mais gostei no filme, para além do elenco e da história de amor à partida condenada, foi a forma como a narrativa foi construída. No inicio somos inundados por cenas com um belo jogo de luz e sombra, depois parece que a historia é contada através de retalhos de imagens e de poucos diálogos. 

Se no inicio é difícil entrar na história, depois é apenas uma questão de apreciar o filme. Não tem muita acção mas é compensado com o coração...e mais não digo.

sábado, junho 28, 2014

O Bolo Para o Meu Príncipe

Quando meto uma ideia na cabeça nem sempre é fácil deixá-la voar de mim. Já na semana passada tinha dito que neste sábado iríamos escolher o bolo de aniversário para o meu sobrinho que faz 2 anos no dia 8 de Julho. Por vezes sou de ideia fixas, e nem sempre são precisos pregos e muito menos um martelo.

Sou leigo no que toca a bolo cheios de decoração, com mil e uma coisas a terem que ser escolhidas, mas porque sou prático e não perco muito tempo em determinadas escolhas, lá fomos nós e apenas bastou ver 2 vezes o catálogo de bolos. O Mickey estava fora de questão (foi o bolo do ano passado) e acabamos por escolher o bolo que tem alguma coisa a ver comigo e com este oceano pois a cor predominante é o azul. Eu achei muita piada ao bolo, e tem pelo menos um polvo com olhos esbugalhados. Penso que foi a escolha acertada.

O problema nem foi esse é que eu andei a fazer pesquisa no site da loja dos bolos e há lá uma série de massas muito gulosas (e eu nem sou guloso) desde o bolo de massa floresta negra até ao bolo Vinicius. É certo que quem não está por dentro das coisas fica de boca aberta quando se depara com uma infinidade de coisas. Já que esses bolos não estão no grupo dos bolos com as decorações cheias de "ai não me toques" eu para os meus anos a escolha já está feita: bolo, biscuit de amêndoa, biscuit de chocolate com recheio de lima e creme mascarpone com frutos exóticos (manga, ananás e papaipa). O preço não são dos melhores mas o meu príncipe irá ter um bolo ao estilo deste oceano, que irei comer o bolo com os olhos e com a boca. Quanto ao meu, espero que seja tão apetitoso quanto aparente ser. 
 
 

O Primeiro Amor Vs Contagem Decrescente

O meu primeiro amor posso dizer que foi aos 12 anos e encaixa perfeitamente na categoria da inocência camuflada com amizade. Mesmo após muitos anos ainda o recordo, não com as saudades de um verdadeiro amor, mas numa mais de pré-adolescência, em que não tinha noção do que era o amor, paixão e desejo. 

Nos dias de hoje não sei o que é o amor na forma como muitos o vivem e o sentem, mas sei o que é uma paixão minorca e desejos infinitamente longos de desaparecerem. Se voltasse atrás no tempo mudava tanta coisa que o regresso ao futuro estava mais que riscado da lista de coisas a fazer. Mas quantos de nós regressam ao passado?


Se no meu post anterior falava de minha weirdiness neste reforço-a não por necessidade mas mais numa de tentar reinventar-me não aos olhos dos outros mas quando me olho ao espelho e não pensem que sou do tipo do smurf vaidoso. Se há pessoas que nem duas mãos chegam para contar o 1º, 2º, 3º, 4º...11º amor a mim bastaria uma e já nem falo em cortar alguns dedos, mas para as contas estarem certas teria de o fazer.


Mesmo com duas mãos e com todos os dedos a que tenho direito, sei que a vida não é para ser vivida numa espécie de redoma, ela não impõe nem exige que seja assim vivida, mas por algum motivo o faço, não porque preciso, mas porque tenho medo.


Já começou a contagem decrescente para livrar-me dos 35 anos, e todos os anos o que mais quero é ter um dia especial. Nem sempre o consigo, e bem sei que a culpa é minha, pois se preciso que alguém me dê corda, esqueço-me de uma coisa, não tenho quem o faça, pois à minha volta todos precisam do mesmo e acabo sempre por fazê-lo aos outros e esqueço-me que existo.

Tenho estado a ouvir em loop "First Love" da Jennifer Lopez e escrevo em parte este post por causa da música que me fez pensar no meu primeiro amor. As músicas da Jennifer Lopez nem fazem bem o meu estilo musical, mas de vez em quando lá aparece uma que gosto talvez por causa do toque anos 80 e tem um videoclip que é sensual na forma mais lasciva que um par de olhos consegue ver. Well Done!!!

sexta-feira, junho 27, 2014

Weirdo

Se a pele que nos veste é que diz o que somos, há dias que mais vale ficarmos nus.

Nem sei bem o que escrever, se por um lado o que mais quero é escrever em código pois mesmo que não o faça acho que sinceramente ninguém está interessado, não por causa do código mas porque o ser humano só vê nele o ego e o umbigo. Nada melhor que comer, evitar ficar com o estômago vazio e de boca cheia, depois é só esperar pela vontade doida de vomitar o que está a mais. Eu não faço nada disso, mas lá que vomito, vomito, e estou a falar de palavras e não de comida.

Começo a pensar que alguns traumas de adolescente me estão a perseguir, como um lunático em plena fuga, enquanto a sua sombra o que mais quer é algumas horas sob a sombra da bananeira. Hoje senti-me à parte, até parece que fui o último a ser escolhido para uma equipa de futebol. Fuck them all.

Sinto que sou um disco que por mais que o virem, a música é sempre a mesma, a melodia não muda, o risco está lá e quando a agulha lá chega, ora zumba na caneca, ou na caneca zumba (já dizia a Tonicha) a música é sempre a mesma.

Eu sei que pele me veste e sinto-a todos os dias, mas quando começo a sentir que sou apenas mais um weirdo entre não sei quantas pessoas "normais", não há ego capaz de aguentar com tudo. Eu bem que sentia que o dia de hoje estava destinado a ser uma daquelas professoras com uma régua na mão. Não levei com ela, mas já comecei a deitar de fora as patinhas, ao estilo de barata tonta.

Eu tonto não sou, posso ser um weirdo (eu sei que sou um) mas o que tenho a acrescentar é o seguinte:

Fuck Them All (e inclui uma infinidade de coisas num limite não apertado de pessoas, pois o mundo não gira sob os meus pés).


Cada vez mais sinto-me menos especial, e o problema é mesmo esse, é que dantes quando me olhava ao espelho sabia que havia uma pequena chama dentro de mim. Agora pareço um fósforo que teima em arder, mas que acaba por...

quarta-feira, junho 25, 2014

Orphan Black Clone Dance Party


Não há nada a fazer, "Orphan Black" é sem dúvida uma das séries que mais gosto, e com o final (em grande) da 2ª temporada, há lá uma cena que para mim é das melhores que já vi até agora, não só pelo contexto mas também pela "magia" que por vezes criam em séries de televisão. Nesta cena dá para ver a versatilidade da Tatiana Maslany, em que se multiplica em vários clones.

Também eu quero pelo menos 4 clones, e faria uma Clone Dance Party...

domingo, junho 22, 2014

As Estrelas Me Perseguem Vs Coldplay

Always in my head there's
Magic
Ink
and True Love.
Sometimes at midnight I dream
Being in another's arms
By the oceans
Under a sky full of stars
O...

Até parece que as estrelas me perseguem. 

Ontem foram as dum filme, hoje são as do novo álbum dos Coldplay, nomeadamente a música "A Sky Full of Stars". O álbum é ligeiramente diferente dos outros. Das 9 músicas facilmente sou levado para um céu picotado de estrelas nas músicas "Always in my head" que já tenho a quem a dedicar, "Midnight" que por vezes faz-me lembrar "Hide and Seek" da Imogen Heap e "A Sky Full of Stars" que não tem nada a ver com o som original dos Coldplay e é uma autêntica droga que vicia, é saudável e não deixa marcas. 

Por causa de "A Sky Full of Stars", agora digo: alguém se conhecer uma bruxa dos contos de fadas que me dê o seu contacto pois quero que ela me transforme ou em sapo para que alguém me beije e me transforme num principe...

 

Ou que me transforme numa tartaruga, ao menos hiberno durante parte do ano e certamente irei ver e sentir o tempo a voar a passo de um caracol...



sábado, junho 21, 2014

(O Universo) A Culpa É das Estrelas - O Filme

“That’s part of what I like about the book in some ways. It portrays death truthfully. You die in the middle of your life, in the middle of a sentence” 


Quando li o livro "A Culpa é Das Estrelas" do John Green, foi dos livros que mais gostei, por muitas razões, mas não me vou repetir uma vez que já aqui deixei a minha opinião sobre o livro.

Quando soube que iam fazer o filme, fiquei na dúvida se iriam conseguir passar a essência do livro, que é única, peculiar, agridoce e muito arrebatadora, na minha humilde opinião. 

Para o papel da Hazel a eleita foi a atriz Shailene Woodley, que conhecia mas tinha as minhas dúvidas em relação a ela, não porque não seja boa atriz, mas quando se gosta de uma história, tudo é motivo para criticas menos positivas. Para o papel do Gus o escolhido foi o ator Ansel Elgort, que desconhecia e não tinha opinião formada. Hoje fui ver o filme e...e além de ser minimamente fiel ao livro, as imagens na grande escala de uma tela de cinema foram uma picada no meu coração. 

Se no inicio senti um aperto no coração e facilmente as lágrimas me vieram aos olhos, durante o decorrer do filme as emoções estabilizaram até ao momento em que a história caminhou para a altura em que os meus olhos mais pareciam duas barragens e a água insistia em transbordar para fora dela. Em determinados momentos consegui me conter, noutros foi mais difícil. Quem me quiser chamar piegas está à vontade, mas o filme é muito humano, genuíno e especial. Para mim as histórias de amor não têm finais felizes, não acredito neles e esta é das que mais me corta o coração em pedaços.


Ver uma história de amor no cinema é algo que é raro eu fazer, mas foi do melhor que já vi. Os grandes planos da Shailene Woodley e do Ansel Elgort são pequenas histórias dentro de outras histórias. Não podiam ter escolhido uma dupla mais consistente que esta. O filme é dos que rasgou meu imaginário e me fez voltar a acreditar que as histórias de ficção conseguem ser uma ponte para as reais. Um filme humano acima de tudo. 

Os olhares trocados entre a Hansel e o Gus no filme são pérolas que fazem deste filme um dos que mais fizerem esquecer os minutos que lá passei, o tempo voa, voou e muito, queria mais...


Como no livro, o filme tem uma boa dose de metáforas, e o John Green é mestre nelas, pois já li praticamente todos os livros dele editados em português. Eu sou muito metafórico, nem sempre é fácil escrever o que sinto o que o quero da forma directa e descarada, e nos livros dele, revejo-me em algumas coisas. Se consigo ser romântico, consigo ser o oposto, não porque não acredito no amor, mas porque não acredito em finais felizes e nada melhor que uma metáfora recheada de sarcasmo, ironia e humor negro. Por vezes o escape é a melhor saída pois ninguém se quer enviar num beco sem saída.


Deixo aqui dois exemplos do filme/livro pois agora é me difícil separar os dois.



Por mais barragens que os meus olhos tenham, em dois momentos as lágrimas escaparam dessa barragem, e num desses momentos fugi do filme e pensei que a t-shirt que tinha vestido facilmente iria deixar as marcas dessas lágrimas e quando saísse do cinema estaria com ela marcada. Controlei-me ao máximo. Consegui mas chorei pelo filme, e pela história. Não sou piegas, mas tenho um coração.

A culpa não é das estrelas, mas quantas vezes não era bom atirar a culpa a elas?
O céu poderia ficar menos estrelado mas ao menos os nossos sorrisos seriam mais genuínos.