sábado, junho 14, 2014

Pergunta de Mãe II


Hoje tive que ir novamente com o meu filho canino ao veterinário, não porque esteja pior, mas porque tínhamos a consulta de acompanhamento, para ver se ele estava melhor. E está!

Porque a minha mãe consegue sempre fazer perguntas da espécie duma cauda de vestido de noiva, que por vezes atrapalha e não faz o vestido mais bonito, hoje disse que tínhamos que lá voltar (e vamos, para mal da minha carteira) porque...pois pois se aqui já tinha dito que a minha mãe era a Wonder Woman, pelos visto os seus olhos são tipo raios-X pois vêem em duplicado, os que os dela vêem e que os meus vêem.

O meu pisco-doce hoje "deu-me" um eye candy, e se a minha mãe não tem uma capa de super herói, é porque não precisa, veste-a todos os dias. É uma querida.

The Grand Budapest Hotel


"The Grand Budapest Hotel" é daqueles filmes que já estava na minha mira para ser visto há já algum tempo. Sendo um filme de Wes Anderson, e não sendo um conhecedor das obras deste senhor e tendo já visto o filme "Moonrise Kingdom" já sabia que podia contar com um filme com uma narrativa distorcida do habitual, com personagens caricatas em cenários de fazer arregalar os olhos. 

"The Grand Budapest Hotel" não fica atrás do outro filme que já tinha visto. É diferente porque a história não tem nada a ver, mas ao mesmo tempo a fórmula da diferença está lá. O elenco é muito bom, desde Ralph Fiennes até à enigmática Soairse Ronan, e confesso, queria mais da Tilda Swinton, pois tem um papel pequenino. O ritmo é mais da lebre do que da tartaruga. 

A história é muito simples, envolve uma morte, um quadro desaparecido, uma história de amor e uma investigação policial. 

O problema do filme não é dele, mas meu, porque por mais vontade que tinha em vê-lo o sono foi o maior obstáculo. Mesmo assim teimei em ver, se dormi em algumas partes não foi porque o filme fosse mau, antes pelo contrário, e da próxima vez o melhor é clicar no stop e passar pelas brasas, tipo sardinha, peixe que não como.

  

sexta-feira, junho 13, 2014

Bipolar Vs Dança da Chuva



Dei-me conta que quem lê este "oceano" possivelmente pensa "aquele gajo deve de ser bipolar". Não sou, por vezes o que escrevo é o que sinto num determinado momento, mas porque tento sempre colocar-me no papel dos outros, vejo-me como um blogger bipolar (shame on me), mesmo não sendo um (nem preciso de justificar-me). Ora escrevo coisas positivas, ora escrevo palavras carregadas de negativismo, mas não há vidas perfeitas.

Sou verdadeiro nas palavras, e tento o ser fora daqui, e esta lenga lenga justifica-se porque o calor chegou (e parece que veio para ficar) e está a ter o efeito contrário em mim, já que prefiro o frio, a chuva, o vento, as nuvens...o cinzento do céu e o castanho das folhas caducas. Até nisso gosto de contrariar as tendências mundiais do ser humano.

Apetece-me fazer tanta coisa. Despir a pele que me reveste, mesmo não sendo uma cobra fazia-me bem. No entanto estranho-me, pois sinto que ando a funcionar como um relógio com os ponteiros em sentido contrário. 

Não sou de modas, nem de seguir tendências, mas sinto-me a contrariar a mim próprio. A culpa não é minha, é das horas que culpam os minutos por serem demasiado preguiçosos, e restam-me os segundos, que os cobiço, quando me sinto bem.

Se este oceano fosse uma música seria a que aqui deixo, até porque tem tudo o ver com a bipolaridade em contrariar este meu estado de espírito. É como um sonho que tenho que facilmente seria concretizado, no entanto, a vida de uma pessoa é mais que um relógio, não há horas, minutos ou segundos capazes de fazer do tempo como nós queremos. Não falo do tempo que as estações do ano regulam, e muito menos o tempo que um relógio comanda, refiro-me ao tempo da alma, pois esse é um autêntico limite do oceano.



Por algum tempo não farei a dança da chuva



terça-feira, junho 10, 2014

Pergunta de Mãe


Hoje a minha mãe perguntou-me se estava triste, e eu que por vezes sou um diplomata desempregado, politicamente correto, disse que não.

'Não parece' disse a minha mãe. 

E o silêncio engoliu todo o resto, até porque uma pessoa não é de ferro e quando pode, despe-se de tudo, deixa de lado a máscara, guarda as pistolas e arruma a bagagem de mão.

Uma pergunta de uma mãe deixa sempre uma semente.

Snowpiercer


Não tinha expectativas para este filme. Já sabia que podia contar com um elenco de luxo e tinha uma vaga ideia da história e talvez por isso o filme surpreendeu-me em quase tudo.

Em 2014 por causa do aquecimento global um grupo de nações resolve lançar para a atmosfera uma fórmula mágica. A intenção era fazer com que a temperatura ficasse nos níveis normais, acontece que as coisas não resultam como o esperado, e o mundo gela. Grande parte da população morre, ficando uma pequena amostra de pessoas enfiada num comboio. Anos mais tarde somos levados para a história e...não conto mais, pois sendo um filme futurista, o melhor é não contar, já que o melhor é mesmo ver do principio até ao fim. É a minha opinião, vale o que vale, mas há filmes que são uma perda de tempo, e este não é.

Porque o elenco é interessante, posso dizer que gostei de ver o Chris Evans, actor que nada me diz, Octavia Spencer numa versão mais Tomb Raider e não posso deixar de mencionar uma atriz que é muito estranha, Tilda Swinton, sempre intensa e original.



 

Casse-tête chinois Vs Quebra-Cabeças Chinês


Finalmente arranjei tempo para ver "Casse-tête chinois" ou se quiserem o "Quebra-Peças Chinês". Se já tinha gostado de ver "A Residência Espanhola" e "As Bonecas Russas" desta vez Xavier depois de nos contar histórias passadas em Espanha e na Rússia vai até aos EUA. 

O filme tem a sua piada. Alguns diálogos são muito interessantes, um deles envolve um bordado, e tem tudo a ver com as fases em que uma pessoa vive. Se no primeiro filme Xavier era um estudante que vai até Espanha no programa Erasmus, no terceiro filme no qual já caminha para a casa dos 40 anos vê-se confrontado com a realidade e porque tenho visto os filmes praticamente na mesma faixa etária que as personagens isso ajuda um pouco a entrar no filme. Não estou a caminhar para os 40 mas dizem que é num instante...

O elenco tem algumas das personagens dos 3 filmes, e todas marcam com a sua presença, umas pela história, outras por quem são, como é o caso da Audrey Tautou. Sempre gostei dela, desde Amélie, tem daquelas caras que a mim me apetece apertar. Todo o elenco é muito bom, e mais uma vez o carismático Roman Duris deixa a sua marca.

O filme não é perfeito, mas na sua imperfeição deu-me para rir e pensar um pouco no que quero para mim. Mas não me façam perguntas difíceis, elas estão metidas num puzzle chinês. 





segunda-feira, junho 09, 2014

O Meu Lado Selvagem Vs Wild Way


Bendito novo álbum da Tori Amos, sinto que encontrei a minha alma gémea musical e isso faz-me regressar ao ano em que comecei a encher este oceano.


I hate you
I hate you
I do
I hate that
you're the one who can
make me feel gorgeous
with just just a flick of your finger
it is that easy

(...)


don't forget you were the one
who loved my wild way



Quem é que não tem um lado selvagem? Quem é que não gosta de se sentir um cavalo alado, envolto numa liberdade que faz chorar o vento e lacrimejar o sol? Eu tenho um, mas o prado em que ele cavalga é uma espécie de seara perdida algures no Alentejo. 

Se me dessem a escolher, preferia odiar alguém em vez de ser odiado. 

(Wild Way é das músicas que são demasiado pequenas para se ouvir em loop...pode ser muito mellow yellow, mas é disso que preciso agora. Sinto-me mais tranquilo assim, é o melhor que faço. Deixo passar a caravana, ouço os cães a ladrarem e quando abro bem os olhos só vejo a poeira no ar...é o tempo a falar...)

domingo, junho 08, 2014

Invisible Boy Vs Tori Amos


Quando entrei na adolescência comecei a sentir o peso da invisibilidade. Na altura era um peso leve, como se tivesse um "bando" de plumas sob mim e se por vezes sentia o toque que me dava comichão, noutras a comichão começou a ficar mais angustiante de a suportar. 

Hoje como homem, há momentos que me fazem recordar esses tempos. Mas se na adolescência é uma coisa, em adulto o cenário é bem outro. Faço de conta que grande parte das pessoas estão com alzheimer. Que triste coisa de se escrever, eu sei, e nem imagino o que é sentir o olhar de alguém que sofra dessa doença. 

Hoje comprei o novo album da Tori Amos, uma cantora que muito me diz, mas desde alguns anos que me distanciei dela. Não sei se a culpa é das operações plásticas ou porque deixei, ou melhor tento deixar de ser tão metafórico mas ela nas suas músicas tem algo que hoje ao ouvir o álbum me fez sentir novamente invisível. "Invisible Boy" é das músicas que aparecem nas alturas certas. Já a ouvi uma série de vezes.

Se a ouço não é porque me sinta invisível, mas porque se ontem deixei parte do meu coração algures, hoje senti o receio que ele algum dia possa sentir o que sinto inúmeras vezes ao longo de anos. 

24 horas passaram desde que me despedi dele, e agora sinto aquela saudade que parece arame farpado, que rasga o coração e o faz sangrar. Quando me for deitar, vou querer sentir-me invisível, pois acredito que se somos invisíveis, é sinal que não se sente e é isso que quero, pois se não sentir, não fico com dores. 

The Normal Heart


"The Normal Heart" do Ryan Murphy, telefilme do canal HBO já recebeu nomeações para alguns prémios e mesmo antes disso já o queria ver, não só pela história mas também pelo elenco que é muito bom. 

Não consegui vê-lo do principio até ao fim, e não há nenhuma razão que possa explicar o motivo. Ando cansado de drama e este não tinha espaço dentro de mim.

Há histórias, de ficção ou verídicas que em certos momentos da nossa vida não nos deixam apreciar o que nos é apresentado. Saltei algumas partes, noutras parecia que a pele queria ganhar vida para ir até a um outro continente, porque se a história é triste, é também humana, revoltante e arrepiante. 

Não posso deixar de mencionar o elenco. 5 estrelas com todo o brilho que as estrelas merecem. E o que me custa pensar é que se eu gosto tanto dos anos 80, esqueço-me que as mentalidades nessa época eram tão fechadas como uma câmara de vácuo. 

Posso ter saltado algumas partes, grande parte foram as que continham um teor mais político, mas não deixei de lado as que focavam o lado humano, em que o amor era descrito na sua forma nua e crua. 

Por vezes esquecemos que amor não requer requisitos e muito menos fórmulas mágicas para ser aceite pela sociedade. 

Se hoje num blog escrevi que tinha um nó no estômago que fez afastar as borboletas que lá estavam, agora digo que "The Normal Heart" é triste do principio até ao fim e só de recordar a cena de uma mãe a bater num carro porque o filho tinha sido "entregue" a um saco do lixo, não teclo mais nenhuma letra, até porque se um coração normal é um que bate e que sente, se faz isso, é porque está vivo...se está vivo precisa de amor. E o amor é...

Deixo o link da Dora sobre "The Normal Heart". Como sempre os seus post são sempre completos e interessante. Lá está tudo.

http://sixdegreeesofseparation.blogspot.pt/2014/05/the-normal-heart-de-ryan-murphy-2014.html

Ping Pong de Palavras


Há alguns anos eu e um amigo criamos um "jogo" a que lhe demos o nome de "Ping Pong de Palavras". As regras são simples. Penso que muita gente já fez esse exercício numa outra versão. 

Comecei uma história, escrevendo umas linhas e ele sem saber qual era a minha ideia por sua vez escrevia mais umas linhas. Porque a imaginação é sempre um campo demasiado fértil para a impedir de crescer, alteramos as regras e passamos a escrever uma página. Escuso dizer que a história ganhou asas. E dias passaram a semanas que deram lugar a meses. O estranho foi no passado mês de Maio ter ido a uma pasta no pc e verificar que nem eu nem ele voltamos a escrever fez 2 anos em Maio.

O tempo voa e não espera por ninguém. Cada vez mais acredito nisso. Deveriam de criar um travão para o tempo. Nos momentos bons tudo andava a passo de caracol, nos maus, a lebre tomava o lugar do caracol e lá íamos todos nós para melhores colheitas, já que a vida não passa de uma semente que se planta e dá frutos.

Porque ando numa fase menos boa, esse meu amigo mandou-me hoje uma sms e ele sabe que eu nos mais simples gestos consigo ver para além de...e ao ler a sms sorri mas ao mesmo tempo entrei em pânico, porque parei para pensar (coisa que não tenho conseguido) e fiquei na dúvida se ele fazia anos a 6 ou a 9 de Junho. Mandei-lhe logo uma sms a tentar remendar o meu esquecimento mas quando ele me diz que fazia anos hoje, fez com que o meu dia começasse mais risonho.

O tempo voa, já o disse, mas a nossa amizade não. 

Parabéns, este texto é para ti!