terça-feira, junho 10, 2014

Snowpiercer


Não tinha expectativas para este filme. Já sabia que podia contar com um elenco de luxo e tinha uma vaga ideia da história e talvez por isso o filme surpreendeu-me em quase tudo.

Em 2014 por causa do aquecimento global um grupo de nações resolve lançar para a atmosfera uma fórmula mágica. A intenção era fazer com que a temperatura ficasse nos níveis normais, acontece que as coisas não resultam como o esperado, e o mundo gela. Grande parte da população morre, ficando uma pequena amostra de pessoas enfiada num comboio. Anos mais tarde somos levados para a história e...não conto mais, pois sendo um filme futurista, o melhor é não contar, já que o melhor é mesmo ver do principio até ao fim. É a minha opinião, vale o que vale, mas há filmes que são uma perda de tempo, e este não é.

Porque o elenco é interessante, posso dizer que gostei de ver o Chris Evans, actor que nada me diz, Octavia Spencer numa versão mais Tomb Raider e não posso deixar de mencionar uma atriz que é muito estranha, Tilda Swinton, sempre intensa e original.



 

Casse-tête chinois Vs Quebra-Cabeças Chinês


Finalmente arranjei tempo para ver "Casse-tête chinois" ou se quiserem o "Quebra-Peças Chinês". Se já tinha gostado de ver "A Residência Espanhola" e "As Bonecas Russas" desta vez Xavier depois de nos contar histórias passadas em Espanha e na Rússia vai até aos EUA. 

O filme tem a sua piada. Alguns diálogos são muito interessantes, um deles envolve um bordado, e tem tudo a ver com as fases em que uma pessoa vive. Se no primeiro filme Xavier era um estudante que vai até Espanha no programa Erasmus, no terceiro filme no qual já caminha para a casa dos 40 anos vê-se confrontado com a realidade e porque tenho visto os filmes praticamente na mesma faixa etária que as personagens isso ajuda um pouco a entrar no filme. Não estou a caminhar para os 40 mas dizem que é num instante...

O elenco tem algumas das personagens dos 3 filmes, e todas marcam com a sua presença, umas pela história, outras por quem são, como é o caso da Audrey Tautou. Sempre gostei dela, desde Amélie, tem daquelas caras que a mim me apetece apertar. Todo o elenco é muito bom, e mais uma vez o carismático Roman Duris deixa a sua marca.

O filme não é perfeito, mas na sua imperfeição deu-me para rir e pensar um pouco no que quero para mim. Mas não me façam perguntas difíceis, elas estão metidas num puzzle chinês. 





segunda-feira, junho 09, 2014

O Meu Lado Selvagem Vs Wild Way


Bendito novo álbum da Tori Amos, sinto que encontrei a minha alma gémea musical e isso faz-me regressar ao ano em que comecei a encher este oceano.


I hate you
I hate you
I do
I hate that
you're the one who can
make me feel gorgeous
with just just a flick of your finger
it is that easy

(...)


don't forget you were the one
who loved my wild way



Quem é que não tem um lado selvagem? Quem é que não gosta de se sentir um cavalo alado, envolto numa liberdade que faz chorar o vento e lacrimejar o sol? Eu tenho um, mas o prado em que ele cavalga é uma espécie de seara perdida algures no Alentejo. 

Se me dessem a escolher, preferia odiar alguém em vez de ser odiado. 

(Wild Way é das músicas que são demasiado pequenas para se ouvir em loop...pode ser muito mellow yellow, mas é disso que preciso agora. Sinto-me mais tranquilo assim, é o melhor que faço. Deixo passar a caravana, ouço os cães a ladrarem e quando abro bem os olhos só vejo a poeira no ar...é o tempo a falar...)

domingo, junho 08, 2014

Invisible Boy Vs Tori Amos


Quando entrei na adolescência comecei a sentir o peso da invisibilidade. Na altura era um peso leve, como se tivesse um "bando" de plumas sob mim e se por vezes sentia o toque que me dava comichão, noutras a comichão começou a ficar mais angustiante de a suportar. 

Hoje como homem, há momentos que me fazem recordar esses tempos. Mas se na adolescência é uma coisa, em adulto o cenário é bem outro. Faço de conta que grande parte das pessoas estão com alzheimer. Que triste coisa de se escrever, eu sei, e nem imagino o que é sentir o olhar de alguém que sofra dessa doença. 

Hoje comprei o novo album da Tori Amos, uma cantora que muito me diz, mas desde alguns anos que me distanciei dela. Não sei se a culpa é das operações plásticas ou porque deixei, ou melhor tento deixar de ser tão metafórico mas ela nas suas músicas tem algo que hoje ao ouvir o álbum me fez sentir novamente invisível. "Invisible Boy" é das músicas que aparecem nas alturas certas. Já a ouvi uma série de vezes.

Se a ouço não é porque me sinta invisível, mas porque se ontem deixei parte do meu coração algures, hoje senti o receio que ele algum dia possa sentir o que sinto inúmeras vezes ao longo de anos. 

24 horas passaram desde que me despedi dele, e agora sinto aquela saudade que parece arame farpado, que rasga o coração e o faz sangrar. Quando me for deitar, vou querer sentir-me invisível, pois acredito que se somos invisíveis, é sinal que não se sente e é isso que quero, pois se não sentir, não fico com dores. 

The Normal Heart


"The Normal Heart" do Ryan Murphy, telefilme do canal HBO já recebeu nomeações para alguns prémios e mesmo antes disso já o queria ver, não só pela história mas também pelo elenco que é muito bom. 

Não consegui vê-lo do principio até ao fim, e não há nenhuma razão que possa explicar o motivo. Ando cansado de drama e este não tinha espaço dentro de mim.

Há histórias, de ficção ou verídicas que em certos momentos da nossa vida não nos deixam apreciar o que nos é apresentado. Saltei algumas partes, noutras parecia que a pele queria ganhar vida para ir até a um outro continente, porque se a história é triste, é também humana, revoltante e arrepiante. 

Não posso deixar de mencionar o elenco. 5 estrelas com todo o brilho que as estrelas merecem. E o que me custa pensar é que se eu gosto tanto dos anos 80, esqueço-me que as mentalidades nessa época eram tão fechadas como uma câmara de vácuo. 

Posso ter saltado algumas partes, grande parte foram as que continham um teor mais político, mas não deixei de lado as que focavam o lado humano, em que o amor era descrito na sua forma nua e crua. 

Por vezes esquecemos que amor não requer requisitos e muito menos fórmulas mágicas para ser aceite pela sociedade. 

Se hoje num blog escrevi que tinha um nó no estômago que fez afastar as borboletas que lá estavam, agora digo que "The Normal Heart" é triste do principio até ao fim e só de recordar a cena de uma mãe a bater num carro porque o filho tinha sido "entregue" a um saco do lixo, não teclo mais nenhuma letra, até porque se um coração normal é um que bate e que sente, se faz isso, é porque está vivo...se está vivo precisa de amor. E o amor é...

Deixo o link da Dora sobre "The Normal Heart". Como sempre os seus post são sempre completos e interessante. Lá está tudo.

http://sixdegreeesofseparation.blogspot.pt/2014/05/the-normal-heart-de-ryan-murphy-2014.html

Ping Pong de Palavras


Há alguns anos eu e um amigo criamos um "jogo" a que lhe demos o nome de "Ping Pong de Palavras". As regras são simples. Penso que muita gente já fez esse exercício numa outra versão. 

Comecei uma história, escrevendo umas linhas e ele sem saber qual era a minha ideia por sua vez escrevia mais umas linhas. Porque a imaginação é sempre um campo demasiado fértil para a impedir de crescer, alteramos as regras e passamos a escrever uma página. Escuso dizer que a história ganhou asas. E dias passaram a semanas que deram lugar a meses. O estranho foi no passado mês de Maio ter ido a uma pasta no pc e verificar que nem eu nem ele voltamos a escrever fez 2 anos em Maio.

O tempo voa e não espera por ninguém. Cada vez mais acredito nisso. Deveriam de criar um travão para o tempo. Nos momentos bons tudo andava a passo de caracol, nos maus, a lebre tomava o lugar do caracol e lá íamos todos nós para melhores colheitas, já que a vida não passa de uma semente que se planta e dá frutos.

Porque ando numa fase menos boa, esse meu amigo mandou-me hoje uma sms e ele sabe que eu nos mais simples gestos consigo ver para além de...e ao ler a sms sorri mas ao mesmo tempo entrei em pânico, porque parei para pensar (coisa que não tenho conseguido) e fiquei na dúvida se ele fazia anos a 6 ou a 9 de Junho. Mandei-lhe logo uma sms a tentar remendar o meu esquecimento mas quando ele me diz que fazia anos hoje, fez com que o meu dia começasse mais risonho.

O tempo voa, já o disse, mas a nossa amizade não. 

Parabéns, este texto é para ti!

sábado, junho 07, 2014

A Vida Não É Um Sonho Vs Requiem of a Dream


Não tenho uma noção bem clara de como os outros vêem a vida. Sei como eu a vejo. Pinto-a com as cores que a paleta me dá e faço questão de a pincelar com o que tenho e com o que me dão. 

Se por vezes as pupílas engordam de tanto ver e sentir, e se mesmo assim emagreço porque me sinto a ser sugado, é um sinal: A vida não é um sonho.


Sinto-me desfragmentado como um disco rígido, de um pc que tenta estar actualizado e não consegue. Sinto-me como uma peça perdida no meio de tantas outras e quando preciso que tudo esteja dentro do razoável, o imprevisto veste-se a rigor e lá estou eu metido numa cerimónia que nunca a desejei. Se há dias que preciso de alguém que me faça sentir com uma pessoa e não um robot, sinto que ninguém me consegue dizer: A vida não é um sonho, mas eu farei isso por ti.

 
Não sou pessoa de vícios. Todos nós facilmente somos objectos de uma inveja esverdeada ou de uma cobiça de cortar a respiração. Se faço tudo por tudo para estar numa zona zen, facilmente deixo de o estar, daí começar a questionar certas coisas. Se a vida não é um sonho, se a camuflar com certas coisas será que tenho pelo menos alguns dias em que me esqueço disso?
 

Se há dias em que pensava que o melhor que tinha a fazer era o mesmo que uma avestruz, daquelas de pescoço alto e nariz empinado, estava enganado. Nada nos vale enterrar a cabeça debaixo da terra e muito menos gritar numa banheira cheia de água, mas se a vida não é um sonho, qual é a solução?!

Torná-la num?! Preciso da receita, com todos os ingredientes, e todos os passos a serem seguidos.


Amanhã certamente vou-me esquecer disto. Requiem of a Dream é um dos meus filmes favoritos. Já o vi não sei quantas vezes e é talvez o filme que melhor passa a mensagem de que a vida é o que nós fazemos dela. Apesar de nada ter a ver com a minha (vida) há momentos que não me consegui desprender dela, não pela história mas pela mensagem. 

Se plantamos uma semente, temos que colher os frutos. Acontece que quando o fruto que colhemos não é da nossa árvore, tudo o que vem dele por vezes é azedo. Por isso mesmo, a vida não é um sonho. Preciso dum fruto bem doce.
 

sexta-feira, junho 06, 2014

Desvio

Quem me conhece vai entender o porquê deste post ter o nome de "Desvio".

Quando um desvio é o caminho que sabemos bem que nada de bom tem, que funciona como um beco sem saída, é mais que provável que o resultado não seja o melhor. 

Acontece que este desvio até é um caminho que preciso, porque se estou esgotado, cansado e consumido até ao tutano, ao ter tropeçado neste videoclip da Chrissie Hynde, foi como se ele (o destino) me dizer ao ouvido: "A tua princesa está bem". 

Sentir isso foi um mimo, senti-me perto dela. Se num momento lembrei-me de a tocar, noutro revivi os seus últimos momentos de vida e mesmo assim senti que estava pronto para dizer ao meu coração: A Chantal teve uma boa vida.

Acho que o karma está a querer dizer-me alguma coisa. 

2014 já vai a meio e a meio estou de o mandar à merda.

O problema não é só esse, aqui praticamente ninguém me conhece.

domingo, junho 01, 2014

SHIT Vs As Palavras dos Outros



Primeiro...apetece-me dizer SHIT. Não dizem que quando uma merda aparece vem sempre mais uma atrás? É o que sinto, e melhor do que ninguém, eu me conheço. Neste momento estou a colocar uma espécie de banda gástrica na ponta dos dedos, pois não quero escrever o que não devo. Um dia fico queimado, e nesse dia as pontas dos dedos serão como beatas, perdidas no chão, mas agarradas ao coração.

Segundo...porque nunca sei quem "mergulha" neste espaço, há momentos em que quando sei que há alguém que lê e que sente o que escrevo da mesma forma como eu sinto noutros blogs é como se me tivessem dado uma prenda. E sendo hoje o dia da criança, imagino um mundo em que existe uma droga que impede as pessoas de crescerem. Nesse caso, quero que me levem de volta até ao inicio dos anos 90. E não é para amanhã, é para hoje se possível. Se alguém ousar dizer "Get a Life" então o melhor é empacotar essas mesmas palavras numa mala de cartão e imigrar até a um outro estado que não o meu. Pois eu tenho uma vida, mas as vidas dos outros parecem sempre mais interessantes que as nossas. Estou errado?

Nada é fácil quando tudo parece complicado, e quando o que mais quero dizer é...o melhor é ficar calado, pois por vezes mais vale ouvir, engolir sapos e criar dentro de nós um charco com sapos, rãs e girinos...

Lorde Vs Rock In Rio Vs Karma


O Concerto da Lorde no Rock in Rio para mim foi mágico. É daquelas cantoras que têm algo de diferente, que marcam por fugir um pouco do estereotipo de cantoras que nem 20 anos têm. Ela é estranha, mexe-se como se tivesse possuída por um demónio, e também só por isso eu gosto dela. As músicas funcionam como um relaxamento sonoro, que quando o ouço o que mais vontade tenho é de fechar os olhos e deixar-me levar pelo ambiente de som no qual mergulho. 

Uma das melhores partes foi quando cantou "Easy". Mas todo o concerto foi bom!

Tive pena de não ter visto ao vivo. Não fui por algumas razões, e mais uma vez perdi para o karma. Mas se tivesse gasto o dinheiro para o bilhete, mais a ida e vinda, mais comida e outras coisas, teria tido depois a triste surpresa de ter que gastar uns valentes euros no meu "filho" canino. O que não se prevê por vezes sai caro, e uma ida ao veterinário não fica barata. Resta-me pensar de forma positiva, se tivesse ido ao Rock In Rio o dia de ontem teria saído muito caro, e vendo bem as coisas, era como se tivesse pago pelo menos 3 bilhetes...

Eu adorei o concerto e não fui até ao parque da Bela Vista. Vi o concerto através da SIC Radical, sentado no sofá, noutro estava o Prozac remetido à sua bola de pêlo, a recuperar do seu mal estar. Depois de injecções, pós e comprimidos, era normal ele querer ficar no seu canto. Depois à minha frente, além da televisão tinha o meu sobrinho que não parava quieto. Será que a Lorde nele também tem um efeito estranho? Parecia que estava numa de dança contemporânea. 

E depois de ontem à noite já estou com dúvidas qual será o carreira que o sobrinho irá escolher. Há dias que mais parece um engenheiro, noutro dia parecia um toureiro (ele que tire o cavalinho da chuva, sou contra as touradas) e ontem parecia um concorrente do So You Think You Can Dance.