Não tenho uma noção bem clara de como os outros vêem a vida. Sei como eu a vejo. Pinto-a com as cores que a paleta me dá e faço questão de a pincelar com o que tenho e com o que me dão.
Se por vezes as pupílas engordam de tanto ver e sentir, e se mesmo assim emagreço porque me sinto a ser sugado, é um sinal: A vida não é um sonho.
Sinto-me desfragmentado como um disco rígido, de um pc que tenta estar actualizado e não consegue. Sinto-me como uma peça perdida no meio de tantas outras e quando preciso que tudo esteja dentro do razoável, o imprevisto veste-se a rigor e lá estou eu metido numa cerimónia que nunca a desejei. Se há dias que preciso de alguém que me faça sentir com uma pessoa e não um robot, sinto que ninguém me consegue dizer: A vida não é um sonho, mas eu farei isso por ti.
Não sou pessoa de vícios. Todos nós facilmente somos objectos de uma inveja esverdeada ou de uma cobiça de cortar a respiração. Se faço tudo por tudo para estar numa zona zen, facilmente deixo de o estar, daí começar a questionar certas coisas. Se a vida não é um sonho, se a camuflar com certas coisas será que tenho pelo menos alguns dias em que me esqueço disso?
Se há dias em que pensava que o melhor que tinha a fazer era o mesmo que uma avestruz, daquelas de pescoço alto e nariz empinado, estava enganado. Nada nos vale enterrar a cabeça debaixo da terra e muito menos gritar numa banheira cheia de água, mas se a vida não é um sonho, qual é a solução?!
Torná-la num?! Preciso da receita, com todos os ingredientes, e todos os passos a serem seguidos.
Amanhã certamente vou-me esquecer disto. Requiem of a Dream é um dos meus filmes favoritos. Já o vi não sei quantas vezes e é talvez o filme que melhor passa a mensagem de que a vida é o que nós fazemos dela. Apesar de nada ter a ver com a minha (vida) há momentos que não me consegui desprender dela, não pela história mas pela mensagem.
Se plantamos uma semente, temos que colher os frutos. Acontece que quando o fruto que colhemos não é da nossa árvore, tudo o que vem dele por vezes é azedo. Por isso mesmo, a vida não é um sonho. Preciso dum fruto bem doce.