domingo, junho 08, 2014

Invisible Boy Vs Tori Amos


Quando entrei na adolescência comecei a sentir o peso da invisibilidade. Na altura era um peso leve, como se tivesse um "bando" de plumas sob mim e se por vezes sentia o toque que me dava comichão, noutras a comichão começou a ficar mais angustiante de a suportar. 

Hoje como homem, há momentos que me fazem recordar esses tempos. Mas se na adolescência é uma coisa, em adulto o cenário é bem outro. Faço de conta que grande parte das pessoas estão com alzheimer. Que triste coisa de se escrever, eu sei, e nem imagino o que é sentir o olhar de alguém que sofra dessa doença. 

Hoje comprei o novo album da Tori Amos, uma cantora que muito me diz, mas desde alguns anos que me distanciei dela. Não sei se a culpa é das operações plásticas ou porque deixei, ou melhor tento deixar de ser tão metafórico mas ela nas suas músicas tem algo que hoje ao ouvir o álbum me fez sentir novamente invisível. "Invisible Boy" é das músicas que aparecem nas alturas certas. Já a ouvi uma série de vezes.

Se a ouço não é porque me sinta invisível, mas porque se ontem deixei parte do meu coração algures, hoje senti o receio que ele algum dia possa sentir o que sinto inúmeras vezes ao longo de anos. 

24 horas passaram desde que me despedi dele, e agora sinto aquela saudade que parece arame farpado, que rasga o coração e o faz sangrar. Quando me for deitar, vou querer sentir-me invisível, pois acredito que se somos invisíveis, é sinal que não se sente e é isso que quero, pois se não sentir, não fico com dores. 

The Normal Heart


"The Normal Heart" do Ryan Murphy, telefilme do canal HBO já recebeu nomeações para alguns prémios e mesmo antes disso já o queria ver, não só pela história mas também pelo elenco que é muito bom. 

Não consegui vê-lo do principio até ao fim, e não há nenhuma razão que possa explicar o motivo. Ando cansado de drama e este não tinha espaço dentro de mim.

Há histórias, de ficção ou verídicas que em certos momentos da nossa vida não nos deixam apreciar o que nos é apresentado. Saltei algumas partes, noutras parecia que a pele queria ganhar vida para ir até a um outro continente, porque se a história é triste, é também humana, revoltante e arrepiante. 

Não posso deixar de mencionar o elenco. 5 estrelas com todo o brilho que as estrelas merecem. E o que me custa pensar é que se eu gosto tanto dos anos 80, esqueço-me que as mentalidades nessa época eram tão fechadas como uma câmara de vácuo. 

Posso ter saltado algumas partes, grande parte foram as que continham um teor mais político, mas não deixei de lado as que focavam o lado humano, em que o amor era descrito na sua forma nua e crua. 

Por vezes esquecemos que amor não requer requisitos e muito menos fórmulas mágicas para ser aceite pela sociedade. 

Se hoje num blog escrevi que tinha um nó no estômago que fez afastar as borboletas que lá estavam, agora digo que "The Normal Heart" é triste do principio até ao fim e só de recordar a cena de uma mãe a bater num carro porque o filho tinha sido "entregue" a um saco do lixo, não teclo mais nenhuma letra, até porque se um coração normal é um que bate e que sente, se faz isso, é porque está vivo...se está vivo precisa de amor. E o amor é...

Deixo o link da Dora sobre "The Normal Heart". Como sempre os seus post são sempre completos e interessante. Lá está tudo.

http://sixdegreeesofseparation.blogspot.pt/2014/05/the-normal-heart-de-ryan-murphy-2014.html

Ping Pong de Palavras


Há alguns anos eu e um amigo criamos um "jogo" a que lhe demos o nome de "Ping Pong de Palavras". As regras são simples. Penso que muita gente já fez esse exercício numa outra versão. 

Comecei uma história, escrevendo umas linhas e ele sem saber qual era a minha ideia por sua vez escrevia mais umas linhas. Porque a imaginação é sempre um campo demasiado fértil para a impedir de crescer, alteramos as regras e passamos a escrever uma página. Escuso dizer que a história ganhou asas. E dias passaram a semanas que deram lugar a meses. O estranho foi no passado mês de Maio ter ido a uma pasta no pc e verificar que nem eu nem ele voltamos a escrever fez 2 anos em Maio.

O tempo voa e não espera por ninguém. Cada vez mais acredito nisso. Deveriam de criar um travão para o tempo. Nos momentos bons tudo andava a passo de caracol, nos maus, a lebre tomava o lugar do caracol e lá íamos todos nós para melhores colheitas, já que a vida não passa de uma semente que se planta e dá frutos.

Porque ando numa fase menos boa, esse meu amigo mandou-me hoje uma sms e ele sabe que eu nos mais simples gestos consigo ver para além de...e ao ler a sms sorri mas ao mesmo tempo entrei em pânico, porque parei para pensar (coisa que não tenho conseguido) e fiquei na dúvida se ele fazia anos a 6 ou a 9 de Junho. Mandei-lhe logo uma sms a tentar remendar o meu esquecimento mas quando ele me diz que fazia anos hoje, fez com que o meu dia começasse mais risonho.

O tempo voa, já o disse, mas a nossa amizade não. 

Parabéns, este texto é para ti!

sábado, junho 07, 2014

A Vida Não É Um Sonho Vs Requiem of a Dream


Não tenho uma noção bem clara de como os outros vêem a vida. Sei como eu a vejo. Pinto-a com as cores que a paleta me dá e faço questão de a pincelar com o que tenho e com o que me dão. 

Se por vezes as pupílas engordam de tanto ver e sentir, e se mesmo assim emagreço porque me sinto a ser sugado, é um sinal: A vida não é um sonho.


Sinto-me desfragmentado como um disco rígido, de um pc que tenta estar actualizado e não consegue. Sinto-me como uma peça perdida no meio de tantas outras e quando preciso que tudo esteja dentro do razoável, o imprevisto veste-se a rigor e lá estou eu metido numa cerimónia que nunca a desejei. Se há dias que preciso de alguém que me faça sentir com uma pessoa e não um robot, sinto que ninguém me consegue dizer: A vida não é um sonho, mas eu farei isso por ti.

 
Não sou pessoa de vícios. Todos nós facilmente somos objectos de uma inveja esverdeada ou de uma cobiça de cortar a respiração. Se faço tudo por tudo para estar numa zona zen, facilmente deixo de o estar, daí começar a questionar certas coisas. Se a vida não é um sonho, se a camuflar com certas coisas será que tenho pelo menos alguns dias em que me esqueço disso?
 

Se há dias em que pensava que o melhor que tinha a fazer era o mesmo que uma avestruz, daquelas de pescoço alto e nariz empinado, estava enganado. Nada nos vale enterrar a cabeça debaixo da terra e muito menos gritar numa banheira cheia de água, mas se a vida não é um sonho, qual é a solução?!

Torná-la num?! Preciso da receita, com todos os ingredientes, e todos os passos a serem seguidos.


Amanhã certamente vou-me esquecer disto. Requiem of a Dream é um dos meus filmes favoritos. Já o vi não sei quantas vezes e é talvez o filme que melhor passa a mensagem de que a vida é o que nós fazemos dela. Apesar de nada ter a ver com a minha (vida) há momentos que não me consegui desprender dela, não pela história mas pela mensagem. 

Se plantamos uma semente, temos que colher os frutos. Acontece que quando o fruto que colhemos não é da nossa árvore, tudo o que vem dele por vezes é azedo. Por isso mesmo, a vida não é um sonho. Preciso dum fruto bem doce.
 

sexta-feira, junho 06, 2014

Desvio

Quem me conhece vai entender o porquê deste post ter o nome de "Desvio".

Quando um desvio é o caminho que sabemos bem que nada de bom tem, que funciona como um beco sem saída, é mais que provável que o resultado não seja o melhor. 

Acontece que este desvio até é um caminho que preciso, porque se estou esgotado, cansado e consumido até ao tutano, ao ter tropeçado neste videoclip da Chrissie Hynde, foi como se ele (o destino) me dizer ao ouvido: "A tua princesa está bem". 

Sentir isso foi um mimo, senti-me perto dela. Se num momento lembrei-me de a tocar, noutro revivi os seus últimos momentos de vida e mesmo assim senti que estava pronto para dizer ao meu coração: A Chantal teve uma boa vida.

Acho que o karma está a querer dizer-me alguma coisa. 

2014 já vai a meio e a meio estou de o mandar à merda.

O problema não é só esse, aqui praticamente ninguém me conhece.

domingo, junho 01, 2014

SHIT Vs As Palavras dos Outros



Primeiro...apetece-me dizer SHIT. Não dizem que quando uma merda aparece vem sempre mais uma atrás? É o que sinto, e melhor do que ninguém, eu me conheço. Neste momento estou a colocar uma espécie de banda gástrica na ponta dos dedos, pois não quero escrever o que não devo. Um dia fico queimado, e nesse dia as pontas dos dedos serão como beatas, perdidas no chão, mas agarradas ao coração.

Segundo...porque nunca sei quem "mergulha" neste espaço, há momentos em que quando sei que há alguém que lê e que sente o que escrevo da mesma forma como eu sinto noutros blogs é como se me tivessem dado uma prenda. E sendo hoje o dia da criança, imagino um mundo em que existe uma droga que impede as pessoas de crescerem. Nesse caso, quero que me levem de volta até ao inicio dos anos 90. E não é para amanhã, é para hoje se possível. Se alguém ousar dizer "Get a Life" então o melhor é empacotar essas mesmas palavras numa mala de cartão e imigrar até a um outro estado que não o meu. Pois eu tenho uma vida, mas as vidas dos outros parecem sempre mais interessantes que as nossas. Estou errado?

Nada é fácil quando tudo parece complicado, e quando o que mais quero dizer é...o melhor é ficar calado, pois por vezes mais vale ouvir, engolir sapos e criar dentro de nós um charco com sapos, rãs e girinos...

Lorde Vs Rock In Rio Vs Karma


O Concerto da Lorde no Rock in Rio para mim foi mágico. É daquelas cantoras que têm algo de diferente, que marcam por fugir um pouco do estereotipo de cantoras que nem 20 anos têm. Ela é estranha, mexe-se como se tivesse possuída por um demónio, e também só por isso eu gosto dela. As músicas funcionam como um relaxamento sonoro, que quando o ouço o que mais vontade tenho é de fechar os olhos e deixar-me levar pelo ambiente de som no qual mergulho. 

Uma das melhores partes foi quando cantou "Easy". Mas todo o concerto foi bom!

Tive pena de não ter visto ao vivo. Não fui por algumas razões, e mais uma vez perdi para o karma. Mas se tivesse gasto o dinheiro para o bilhete, mais a ida e vinda, mais comida e outras coisas, teria tido depois a triste surpresa de ter que gastar uns valentes euros no meu "filho" canino. O que não se prevê por vezes sai caro, e uma ida ao veterinário não fica barata. Resta-me pensar de forma positiva, se tivesse ido ao Rock In Rio o dia de ontem teria saído muito caro, e vendo bem as coisas, era como se tivesse pago pelo menos 3 bilhetes...

Eu adorei o concerto e não fui até ao parque da Bela Vista. Vi o concerto através da SIC Radical, sentado no sofá, noutro estava o Prozac remetido à sua bola de pêlo, a recuperar do seu mal estar. Depois de injecções, pós e comprimidos, era normal ele querer ficar no seu canto. Depois à minha frente, além da televisão tinha o meu sobrinho que não parava quieto. Será que a Lorde nele também tem um efeito estranho? Parecia que estava numa de dança contemporânea. 

E depois de ontem à noite já estou com dúvidas qual será o carreira que o sobrinho irá escolher. Há dias que mais parece um engenheiro, noutro dia parecia um toureiro (ele que tire o cavalinho da chuva, sou contra as touradas) e ontem parecia um concorrente do So You Think You Can Dance. 


sábado, maio 31, 2014

In The Flesh II

 

Porque já vi os episódios da primeira temporada (penso que ninguém na altura pensou que haveria uma segunda temporada...) não posso deixar de dizer que todos eles (os 3 episódios) formam um conjunto narrativo ambicioso. Apesar de ser previsível parte da história, sem dúvida que os últimos minutos do 3º episódio da 1ª temporada dizem muito. 

Apesar de já ter visto algumas imagens revestidas de spoilers nunca me passou pela cabeça ver uma cena familiar tão peculiar e sublime. Por vezes não são precisas muitas palavras nem imagens para se passar uma determinada mensagem. Em In The Flesh acontece isso, e por vezes um abraço entre um filho e pai, em que o filho comete suicido e que retorna ao mundo dos vivos tem muito que se lhe diga. 


Agora que já posso contar com um beijo entre pessoas com síndrome de desfalecimento parcial, o que mais me intriga é saber o que a história tem para contar já que pelo o que vi. 

A originalidade é uma valente dentada nas histórias pré-fabricadas de zombies.

E lá vou eu para o veterinário


Hoje até tinha feitos alguns planos, apesar de que ando esgotado e a vontade para fazer seja o que for é nenhuma. 

O meu pisco-doce (o Prozac, o meu "filho" canino) não está bem, desde ontem à noite que anda pelos cantos, e ele não tem esse tipo de comportamentos. Dá última vez que o vimos assim, e o levamos ao veterinário, foi um desenrolar de notícias que me deixaram triste, ou ponto de chorar pelos cantos, ora em casa, ora no trabalho...

Daqui a pouco vou com ele ao veterinário, não sei o que nos espera, mas só peço uma coisa, que o destino não me pregue uma rasteira, pois neste momento não tenho mais espaço dentro de mim para mais angústias nem forças para dar aos outros, preciso também me que dêem a mim. 

Preciso de estabilidade a todos os níveis e para isso o Prozac não pode estar doente.

In The Flesh Vs Série Gay Zombificada?!


In The Flesh não é mais uma série de mortos-vivos, além de ter a chancela da BBC, é inovadora. A história é muito diferente das que envolvem umas criaturas (zombies) que sempre habitaram a minha imaginação. A primeira temporada tem apenas 3 episódios, a segunda tem 5.


Para terem uma ideia da história basta imaginar o mundo com mortos-vivos a serem reintegrados na sociedade. Os mortos-vivos deixam de ser chamados com esse nome, passam a ser pessoas com o síndrome do falecimento parcial. Ao serem reintegradas na sociedade têm de levar todos os dias uma injecção que os impede de voltar ao estado anterior (de mortos-vivos). 




São ainda obrigados a colocar lentes de contacto (têm duas cores à escolha, azuis ou castanhas...achei piada a este pormenor) e a colocar uma base na cara para camuflar as "cicatrizes" da doença.  O problema é que essas pessoas afetadas por esse síndrome, no passado cometeram crueldades com outras pessoas, e ninguém esquece o passado...e por vezes o ser humano não gosta de misturas.

E foi com surpresa em jeito de spoiler que fiquei a saber que nesta série (aparentemente) teremos direito a um triângulo amoroso entre 3 pessoas portadores do vírus do falecimento parcial:





Nunca pensei que no mundo imaginário dos mortos-vivos, ou melhor, no das pessoas portadoras do vírus do falecimento parcial alguém tivesse a ideia original de criar uma história de amor. E pelo o que li na net dizem que esta é uma série gay. Só tendo visto um episódio, acho que as pessoas só querem ver o que lhes convém. Do pouco que vi, a série está a retratar uma sociedade fechada à diferença, com preconceitos e fanática na forma de evitar misturas. A série acaba por abordar só no primeiro episódio algumas questões que vão desde a família, o preconceito, o medo e a revolta. Quanto ser uma série gay de zombies...não tem nada a ver.