Quando entrei na adolescência comecei a sentir o peso da invisibilidade. Na altura era um peso leve, como se tivesse um "bando" de plumas sob mim e se por vezes sentia o toque que me dava comichão, noutras a comichão começou a ficar mais angustiante de a suportar.
Hoje como homem, há momentos que me fazem recordar esses tempos. Mas se na adolescência é uma coisa, em adulto o cenário é bem outro. Faço de conta que grande parte das pessoas estão com alzheimer. Que triste coisa de se escrever, eu sei, e nem imagino o que é sentir o olhar de alguém que sofra dessa doença.
Hoje comprei o novo album da Tori Amos, uma cantora que muito me diz, mas desde alguns anos que me distanciei dela. Não sei se a culpa é das operações plásticas ou porque deixei, ou melhor tento deixar de ser tão metafórico mas ela nas suas músicas tem algo que hoje ao ouvir o álbum me fez sentir novamente invisível. "Invisible Boy" é das músicas que aparecem nas alturas certas. Já a ouvi uma série de vezes.
Se a ouço não é porque me sinta invisível, mas porque se ontem deixei parte do meu coração algures, hoje senti o receio que ele algum dia possa sentir o que sinto inúmeras vezes ao longo de anos.
24 horas passaram desde que me despedi dele, e agora sinto aquela saudade que parece arame farpado, que rasga o coração e o faz sangrar. Quando me for deitar, vou querer sentir-me invisível, pois acredito que se somos invisíveis, é sinal que não se sente e é isso que quero, pois se não sentir, não fico com dores.
























