Vou ser breve.
Vou resumir ao máximo o que quero escrever.
É bem provável que hiberne neste espaço, ou fique a derreter como chocolate em banho-maria.
Não quero escrever o que me corre nas veias.
Nem quero sujar este espaço com manchas sociais.
Tentarei ser o mais honesto,
Tentarei ser o reflexo do que vejo ao espelho.
Serei uma cobra a mudar de pele,
Como já fui o general que manda em tudo e ninguém lhe dá a devida importância.
Se hoje disse o que estava dentro de mim,
Se hoje remeti-me ao silêncio,
Se hoje fiz tudo por tudo para ocupar a mente,
Se hoje tentei não julgar ninguém,
O que sinto é tão simples...
...sinto que sou uma autêntica fraude e as razões são tantas...
Vou ser breve.
Vou resumir o que sinto a uma migalha, e o pão é bem grande,
Vou esquadrinhar os cantos, e fragmentá-los em pequenas porções
Vou guardar parte, o resto lançarei aos pombos (não da paz),
Continuarei a ser um vórtice em que nem as estrelas alcançam
Continuarei a ser alguém que ninguém conhece e muitos desconhecem,
Serei uma fraude...
Se não digo o que sinto, é porque penso sempre mais nos outros do que em mim.
Ninguém sabe como me sinto,
Ninguém sabe o que penso,
Ninguém sabe o que sonho,
Ninguém sabe o que me espera,
E sinto que ninguém está para aí virado.
Se sou um chocolate em banho-maria, só posso esperar que derreta e que alguém me transforme. Num bolo, num pudim, não me importo, desde que fique de estômago cheio, é sinal que o meu já não está tão vazio.

















