Quantas vezes já dissemos ou ouvimos dizer que a nossa vida
dava um livro?
Comecei a pensar nas séries que vejo ou via que são sobre
famílias. 4 saltaram logo para a fila da frente “Six Feet Under”, “Brothers
& Sisters”, “Shameless” e “Parenthood”.
Imaginando que tipo de série a minha família poderia dar,
pequenas dúvidas surgiram: será que teríamos apenas direito a um episódio
piloto? Uma temporada completa? Ou seriamos daquelas séries que duram anos até
acabarem sem nenhum interesse para quem acompanhava desde o início.
A minha família não é certamente “Six Feet Under” por muitas
razões, os Fishers eram demasiado contidos (estarei errado?!...ironicamente escrevendo).
“Brothers & Sisters” tem algumas coisas
em comum, mas poucas, pois os Walkers tinham sempre festas sempre que podiam, e acabam sempre em discussões.
Tenho
também que colocar de lado “Parenthood” apenas porque apesar dos muitos laços
familiares que tenho, o núcleo principal é relativamente pequeno, e os
Bravermans são muitos…
Quanto a “Shameless” digamos que estamos a anos luz dos
Gallaghers.
Desde que li o livro “A Tempestade de Gelo” do Rick Moody há
mais de 10 anos, penso na minha família como os “Fantastic 4” não porque temos
poderes, mas porque 4 dizia-me alguma coisa e porque numa passagem do livro na
parte final o narrador faz menção aos “Fantastic 4” e isso fez-me pensar nela.
E ainda hoje não me esqueci desse pequeno momento de leitura
:
“É nessa altura houve um sinal no céu. Um verdadeiro sinal
no céu. A conversa parou e houve um sinal no céu que foi o nó que juntou todas
as pontas soltas dessas vinte e quatro horas. Foi por cima do parque de
estacionamento. Um algarismo, o quatro, flamejante. E não foi só por cima do
parque de estacionamento. Viram-no por todo o país…”
“Eles viram-no do firebird.
Viram-no e essa apoteose acompanhou-os todos o Outono.
Ou pelo menos, é como eu me recordo tudo isso. Eu, Paul. O
narrador. É isto que recordo. E esta história termina de facto neste ponto.
Tenho de deixar aqui Benjamin com as suas novidades e com o desejo de
reconciliação que irá guardar no fundo de si próprio; tenho de deixar Elena, a
minha mãe, que nunca cheguei realmente a compreender; tenho que deixar Wendy,
cheia de dúvidas, com um braço à volta do cão, e tenho de me deixar a mim –
Paul – no vértice da minha maioridade, no final daquele annus mirabilis em que as histórias de banda desenhada se
confundiam com a realidade, no início das minhas confissões. Tenho de o deixar
a ele e à sua família, aqui, porque depois de todo este tempo, depois de vinte
anos, está na hora de partir.
Acabou.”
Acontece que felizmente 4 deixou de ter o significado que
tinha há alguns anos atrás. 5 é o novo número e está a dar cabo da cabeça. Mas é
por um BOM MOTIVO!