sábado, março 15, 2014

Linfoma - Adeus Princesa - Fim dum ciclo

Porque ontem foi um dia cheio, partilho aqui um pedaço. Recebi ontem os resultados das análises da Chantal. Ela tinha um linfoma com invasão sistémica generalizada. 

Passado mais de um mês e não sei quantas semanas, uma coisa sei, a presença dela cá em casa é sentida. Hoje falou-se dela, e provavelmente será falada sempre que precisarmos. 

A Chantal foi uma princesa, o seu trono está vazio, e mais uma vez sentimos que continua presente de uma forma peculiar. 



Sexo Oral (reeditado)



POST DE 2009 reeditado (Sugestão do Blog Six Degrees of Separation)

"Primeiro a tua língua molha o meu coração,
num vagar de fera.

Estendo aurículas e ventrículos sobre a mesa,
entre os copos que desaparecem.

Não há mais ninguém no bar cheio de gente.

Abres-me agora os meus pulmões, um para cada lado, e sopras.

Respiras-me.

O laser das tuas palavras rasga-me o lobo frontal do cérebro.

A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando por dentro da minha cabeça.

As minhas cidades ruem como rios
Correndo para o fundo dos teus olhos.

O tempo estilhaça-se no fogo preso das nossas retinas.

O empregado do bar retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,
ao lado do exercito de chumbo.

Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas das palavras,
estremecendo no suor dos olhos abraçados,
fazendo sexo com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor."


Este poema da Inês Pedrosa tem a sua razão de ser. Há algumas semanas atrás, estava eu de regresso ao trabalho, era quase meio-dia. Digamos que a vida está sempre a nos surpreender...não tenho o hábito de falar com Deus, mas quando falo faço questão de lhe perguntar o que realmente me está na alma. E foi o caso. E até pode ser uma contradição esse meu tipo de conversa para algumas pessoas, mas confesso, perco algum do meu tempo, segundos infinitos a tentar encontrar respostas para perguntas que a mim não são descabidas. E penso que para Ele também não o são.

Com as mãos coladas ao volante perguntei-lhe porque porque razão é que eu estando entupido de amor não consigo ver-me livre dele, o amor que sinto, e me entope dia após dia e faço de conta que não se passa nada.

Passados uns segundos, ouvia na rádio Antena 3 (a rádio da minha eleição) uma das locutoras a declamar (e bem) o poema da Inês Pedrosa "Sexo Oral" (não conhecia) e creio que a resposta me foi dada. O amor tem muito que se lhe diga , eu sinto-o, mas não consigo deformá-lo nas formas que eu quero. Há dias que leio vezes sem esse poema, como se fosse uma das música da banda sonora do momento. Mas o momento que vivo pouco ou nada tem a ver com esse tipo de sentimento, em que a oralidade crava as garras no sexo e faz dele um transporte para explodir o que se sente. Sinto muita coisa e não há nada que o faça real. Um sonho, um pesadelo, a vida de outra pessoa que não a minha.

(Deixo aqui não o video que deixei no post original, pois esta música está sempre presente quando penso em beijos, e faz mais sentido agora colocar este, pois com a reedição cortei algumas palavras. Entupido de amor já não estou, mas guardei um pouco, não quero ficar seco & azedo.) 


Vinyl


Discos de vinyl? 
Já não os compro, ainda tenho os antigos, mas não os ponho a tocar. 

Quantas vezes a vida não é passa dum disco de vinyl que deixamos tocar? 

Discos sem riscos, a melodia é das que nos prende, mas quando temos que virar o disco, a melodia é a mesma. A expressão "vira o disco e toca o mesmo" quer dizer alguma coisa. Por isso para mim os cd's dizem-me muito, só têm um lado. 

Ficheiros digitais? Não obrigado, o som não é o mesmo.

sexta-feira, março 14, 2014

Prozac (Em estado de Fera)

Hoje foi daqueles dias que passei com um pensamento grudado em mim, tipo cola que é da boa e que não descola. 

Felizmente as notícias foram boas, deixaram-me respirar um pouco, e o que mais quero agora é agarrar no Prozac e forçá-lo a estar no meu colo e dar-lhe umas valentes festas, pois este pisco-doce é como se fosse um filho. 

Se a historia de vida que ele tem dá para um livro, com um prólogo bem promissor com uma entrega dos Oscars à mistura, sem esquecer as lágrimas que deitei por tudo de mau que lhe aconteceu, posso agora continuar a lhe dar os mimos que ele merece. É uma fera, tem mau feitio mas quando o levo para ir dormir, não há anjo capaz de ser tão mimoso quanto ele. 

Como podem ver, ele gosta de ler, e de tomar banho. :-) :-) :-) 

WHY THE FUCK I’M SO SELF-CONSCIOUS


Há já alguns dia comecei a fazer uma ronda por alguns blogs espalhados pela blogosfera porque se facilmente me perco nesse mundo, quero ver se me encontro nos que mais me agradam. A partilha seja de que tipo for é sempre bem-vinda.

Reforcei a ideia de que nas mais simples coisas que se escreve, diz-se mais do que se pretende. Talvez o meu erro é não conseguir simplificar o que quero escrever, acabando por inundar este oceano de coisas que espremidas por vezes nem uma gota se vê e se sente. Mas será que quero que me vejam e que me sintam? Se as palavras conseguem ser um fio condutor, então quero. 

Quando escrevo, faço-o para mim, pensava eu nos dias em que o meu refúgio era vir a este espaço, deitar tudo para fora, o que sentia e o que esperava sentir no futuro (que nunca chegou a acontecer). 

Quantas vezes nos enganamos? No fundo escrevo para mim na esperança que alguém me oiça através das palavras. Tenho momentos que tudo me inspira. Há fases na vida que sou profundo com um abismo, ou tão superficial como uma pessoa que vive unicamente de aparências.    

Fiz um pequeno exercício, tentei ler o meu blog como não fosse o meu. Vesti a pele de outra pessoa, oposta ao que sou e voilá WHY THE FUCK I’M SO SELF-CONSCIOUS.

Não escrevo tudo o que quero, tudo o que sinto e tudo o que desejo, porque até aqui, neste meu refúgio, neste oceano, o limite se impõe como uma barreira intransponível, porque por mais que eu queira, a minha mente não deixa passar para fora tudo o que o meu coração sente.  Mais valia ser com o narciso, olhar para o lago e ver o que o meu reflexo me dizia.

O que fica por escrever acaba por ser sempre mais importante, e nesse campo não há metáfora que ganhe a guerra que travo com as interlinhas que aqui deixo, refugiadas no dia-a-dia que me come vivo e me deixa em carne viva, tornando-me num morto-vivo. E eu até que tenho uma panca por histórias num mundo em que zombies habitam esta sociedade cheia de nada.

domingo, março 09, 2014

Desvio - Em Frente


Sinto-me como tivesse tido um daqueles embates ao estilo dos crash test dummies (e não estou a referir-me à banda). Não fiquei feito em pedaços, com eles espalhados por tudo o que é sitio. E como em todos os atos há pelo menos uma consequência, uma parte das minhas ideias ficou organizada. Não estão em gavetas, nem em armários e muito menos em rascunhos, pois esses facilmente são rasgados. 

O que para mim é precioso nem sempre é para ser encontrado no fundo do mar. Aqui a ostra sou eu, mas a pérola é outra história.

As mudanças são precisas, como o futuro é feito delas. Se quero ter um (futuro), ao menos tenho de dar o braço a torcer, e teimoso como sou, por vezes acabo por me resignar ao limites que imponho a mim mesmo.

Se um dia dei a conhecer este meu oceano aos meus pais e às pessoas que vivem diariamente comigo, hoje espero que o futuro me dê mais pérolas para poder fazer delas um amuleto da sorte e o partilharei a quem mais dá sem pedir nada em troca. A minha mãe.

Uma coisa sei, a vida é deita de mudanças, e a saída mais próxima certamente não é esta que aqui deixo. Mas porque se numa estrada encontramos atalhos, o mais provável é este ser mais um que deixo. 

O meu amor é uma pérola, e deixo aqui um pedaço dela.

(Porque geralmente escrevo ao som de uma música, estas palavras foram escritas ao som de "Everything Has Changed" de William Fitzsimmons")


O Meu Lado Romântico vs "Celeste & Jesse Forever"


"Celeste & Jesse Forever" foi daqueles filmes que tinha para ver há já algum tempo, e nunca o via porque aparecia sempre um filme (à partida) mais interessante. Vi-o há algumas semanas e posso dizer é que se soubesse que o filme era uma daquelas comédias românticas com um final feliz, talvez nunca o teria visto. Um autêntico tiro no escuro, não houve feridos, ou melhor, não feri o meu gosto já que o filme é um mimo, pelo menos para mim, já que não sou pessoa de gostar de comédias românticas com um final feliz, cheio de açucar e mel. Rashida Jones e o Andy Samberg perfeitos nos papeis.

Eu até gosto de histórias de amor, desde que metam pelo meio algo surreal, personagens desenquadradas da realidade e/ou cenários onde o amor tem uma trela, e o que se espera é um BIG FAT HAPPY ENDING. 

Eu até sou romântico, também tenho essa faceta. Ninguém a vê, e ninguém ainda a sentiu. E quando falo em trela, não estou a mentir, as pessoas ficam presas umas às outras, um elo de ligação que se justifica, um laço que muitos esperam que nunca se desfaça e que acaba por ser uma simples fita. 

Escrevo "ainda" porque há momentos na vida que me forçam ver o amor como jogo, mas eu não o faço. Não tenho culpa, as variáveis da equação do amor dão para isso, e nenhuma fórmula é irrefutável, ou há?

Se em criança brincava ao jogo da cabra cega, em adulto espero nunca ter que o jogar, já que o amor é um fardo demasiado pesado para jogos. Acabaria por ser sempre a cabra cega. E gosto do que os meus olhos conseguem ver.

O meu lado romântico tem muito que se lhe diga, mas está com a trela à espera dum BIG FAT HAPPY ENDING, o problema é esse mesmo, porque por mais que tentem, um final nunca poderá ser feliz, já que é um final de algo...

sábado, março 08, 2014

Mudar de Ideias


Não sei se alguém já passou por isso, mas quanto vezes já me passou pela cabeça decidir uma série de coisas, e não me estou a referir aos 12 desejos de final de ano e acabar por deixar de lado essas intenções. Para mim é como virar costas ao que sinto, e isso é ignorar o que me faz ser quem sou. Não tenho problemas de identidade, nem alter-egos (bem gostaria...e falo sem saber as repercussões...). 

Há fases na vida que abrem novos capítulos, que o que parece ser certo, é errado, e o que supostamente nos dá estabilidade, não passa de um grande e belo ilusório castelo de areia. Sinto-me enfiado num buraco com areia à minha volta mas ao menos tenho a cabeça de fora. E por mais irónica que seja a vida, eu na brincadeira dizia que me dava jeito ser uma avestruz que envia a cabeça na terra. Gaita, fiquei com ela de fora e tudo me passa à frente dos olhos. 

Se estivéssemos perto da meia-noite do dia 31 de Dezembro, um dos 12 desejos seria alguém me fazer mudar de ideias. 
E nada melhor que uma música para acompanhar o pensamento do dia...


Pequenos Gestos

Não sei se é um defeito, ou uma virtude. 

Sei que por vezes sinto-me sob a linha do horizonte.

E por mais coisas que tenha para contar ao mundo, há uma surdez doentia que corrói toda a comunicação que sobrevive nesta minha selva urbana.

Não sei se é pecado ou um vicio, nem sei se o que pretendo aparentar ser é o que os outros vêem.

Sei que nem sempre consigo ser coerente, mas nesta linha do horizonte quem o é.

E por mais coisas que deixo de dizer ao mundo, há uma surdez ávida de palavras que constroi um ciclo que sobrevive na opacidade que é viver, seja onde for, seja com quem for, e seja em que condição for.

A fragilidade aguenta até um certo ponto e a lei da sobrevivência subsiste a uma engrenagem que ganha ferrugem da noite para o dia.

É por isso que para mim os pequenos gestos dizem mais que certas maratonas de atalhos citadinos.

Talvez seja mesmo um defeito, e talvez eu viva num constante vicio pecaminoso...perante os olhos dos outros e não nos meus.



terça-feira, março 04, 2014

Her

Ainda não o vi, mas o tempo de espera vai ser como um pequeno chocolate da Milka. Irei o soberear até ao último pedaço.