Nesta página em chamas escrevo o teu nome, com as cinzas desenho o teu perfil, e com o cheiro que fica nas pontas dos meus dedos, no meu imaginário perfumo a minha alma, pois os sentimentos são tão fortes, como uma corda com mil nós ou uma corrente de ferro na qual me prendo e tu me colocas uma venda, só assim não veria a realidade.
A minha sombra com a tua ocuparia o espaço deixado pela nossa presença, e na ambiguidade do que se tem e o que se quer, colocaria uma vírgula para criar uma pausa, pois um ponto final era uma amostra de que o fim está próximo.
Se as pessoas soubessem a avalanche que está dentro de mim, saberiam que por mais refúgios que existam, eu cá estou para provar o contrário. Não os há. Poderia ter sido um jovem rebelde, não o fui, poderia ter na altura ter sonhado com o futuro bem diferente deste meu presente, mas se não sangro perante tantas chamas, é porque não sou um sortudo, muito menos um mártir.
Hoje sinto que a minha silhueta precisa de um pouco de luz, só assim a minha sombra poderia ser encontrada. Bem que gostaria de ser um dos sortudos...preciso dum pouco de luz, apenas isso.
Os dias infinitos e indefinidos
não me deixaram vir aqui. Os outros dias, os intermináveis, como um beco sem
saída que diz que o melhor é fazer inversão de marcha e ir até um outro ponto
de encontro, me disseram “vira as costas que é o melhor que fazes, ignora o que
é óbvio”.
Onde me encontro hoje é o sítio
de sempre, uma cidade de papel, onde nada muda. Penso que nesta cidade algo se
transforma, mas apenas vejo para além do que a realidade me oferece. Mais vale
regressar ao passado e fingir que os boiões de comida de bebé eram o
combustível de uma nave muito especial. Era de esferovite e os seus ocupantes
de uma estirpe nunca vista. A saudade desses dias mata-me por dentro, a alma
ressente-se, e o espírito glorifica-se por ter tipo o privilégio de sentir algo
único, que esta cidade de papel não me dá, nunca me deu, e sei que nunca me irá
dar, é de papel, que mais posso eu querer…
Se por dentro tenho fios, por fora não tenho
nada além de uma máscara que não é de barro, nem de cimento. Ao longo dos anos
estes meus fios têm me pregado umas partidas, por vezes não os sinto, por vezes
penso que alguém os cortou. Nesses momentos quero os amarrar, noutros quero
esquecê-los. Há dias em que estão de tal forma intrincados na obsequiosidade da
minha alma, que chegam a gritar de tanta opulência sentimental. Malditos sejam,
benditos sejam…se não fossem eles certamente esta cidade de papel já se tinha
esfumado perante os meus olhos, enquanto os dos outros iriam povoar o limbo da
incredibilidade de quem julga que sabe o que se passa na cabeça dos outros.
Queria ver esta cidade de papel a arder…
Passo dias na ansiedade de que
alguém me veja, nem que seja pelas minhas fendas. Tenho dias que tento as
obstruir do entulho mundano, que sei que ocupa a mente de quem julga que o que
vê não é mais que mais um momento do dia-a-dia. Santa ignorância essa, já
deveriam de saber onde pisam, e nos dias de hoje o que há mais são ovos no chão
à espera de serem pisados, e telhados prestes a estilhaçarem. Que venham esses
telhados e as pedras de quem tenha vontade de as atirar. Estou prestes de ir de
viagem para uma pseudourbanização. Quem me encontrar será apenas porque eu
quero. Esta cidade de papel nada me diz, nem quero que sirva de cabeleira para
o meu próprio túmulo.
O meu medo não se contenta com o
singular, anseia que algo me aconteça, bom ou mau não lhe interessa. O problema
é que a mim me faz diferença, porque se uma cidade não se pode rasgar apesar de
ser de papel, se há fios que podem ser cortados e fendas tapadas e obstruídas e
erva que pode ser aparada, eu como pessoa existo ou não existo, e a questão é
essa.
Este texto tem como ponto de
partida o livro “Cidades de Papel” de John Green. Não é o livro da minha vida,
mas poderia de o ser, só não o é por causa duma infinidade de coisas. Mas mesmo assim
há passagens nele que me levaram para os escombros que a minha alma tanta
guarda e protege com muito carinho.
Se neste limite de oceano me
banho é por alguma razão, e uma delas é esta (os excertos do livro…):
“Diante deste edifício aprendo
uma coisa sobre o medo. Aprendo que não se trata das fantasias ociosas de
alguém que talvez queira que lhe aconteça algo de importante, mesmo que a coisa
importante seja horrível.”
“Uma criança perguntou: O que é a
erva? Trazendo-me uma mão cheia; Como poderia responder-lhe…Sei-o
tanto como ela. Imagino que seja a bandeira do
meu humor, de matéria verde e esperançosa tecida, ou imagino que seja o lenço
do Senhor. Uma prenda perfumada, uma lembrança intencionalmente largada, ou
imagino que a erva seja ela própria uma criança…ou imagino que seja um
hieróglifo uniforme que significa: nasço de igual modo em campos largos e
estreitos, crescendo entre os negros tal como entre os brancos. E agora
parece-me ser a bela e longa cabeleira dos ´túmulos.”
“Depois de ouvir aquilo tudo,
escreve: « Sinto-me exposto…ferido pelo granizo envenenado.»
“Era perfeito, pensei: ouve-se as pessoas para se conseguir imaginá-las, e ouve-se todas as
coisas terríveis e maravilhosas que as pessoas fazem a si mesmas e umas às
outras, mas, no fim de tudo, o ouvir expõe-nos a nós ainda mais do que expõe as
pessoas que estamos a tentar ouvir.”
“Também nunca pensei
verdadeiramente nele como uma pessoa. Um tipo que brincara na terra, como eu.
Um tipo que se apaixonara, como eu. Um tipo cujos fios se partiram, que não
sentia a raiz da sua folha de erva ligada ao campo, um tipo com fendas. Como
eu.
Quando pensava na morte dele,
que, devo dizer, não foram assim tantas as vezes, sempre pensei nisso nos
termos que usaste, que todos os fios dentro dele se tinham quebrado. Mas há
milhares de maneiras de olhar para a coisa: talvez os fios se partam, ou talvez
o nosso navio afunde, ou talvez sejamos erva, as nossas raízes interdependentes
de tal forma que nunca mais ninguém está morto quando alguém estiver vivo. O
que quero dizer é que não nos faltam metáforas. Mas temos de ter cuidado com a
metáfora que escolhemos, porque isso é importante. Se escolhermos os fios,
estamos a imaginar um mundo no qual podemos ficar irreparavelmente danificados.
Se escolhermos a erva, estamos a dizer que todos estamos infinitamente
interligados, que podemos usar esse sistema de raízes, não só para nos
compreendermos uns aos outros, mas também para nos tornarmos uns nos outros. As
metáforas têm implicações, percebes o que quero dizer?
Gostos dos fios. Sempre gostei.
Porque é assim que nos sentimos. Mas eu acho que os fios fazem a dor parecer
mais fatal do que realmente é. Não somos tão frágeis como os fios nos fazem
parecer. E também gosto da erva. A erva fez-me chegar até a ti, ajudou-me a
imaginar-te como uma pessoa real. Mas nós não somos ramos diferentes da mesma
planta. Eu não posso ser tu. Tu não podes ser eu. Podemos imaginar outra pessoa
bem as nunca na perfeição, sabes? Talvez seja mais como disseste há
bocadinho, que todos temos fendas. Como se todos nós começássemos por ser um
pequeno barco. Depois vão-nos acontecendo coisas: pessoas abandonam-nos, ou não
nos amam, ou não nos percebem, ou nós não as percebemos a elas, e perdemos,
falhamos e magoamo-nos uns aos outros. E o barco vai abrindo pequenas fendas.
E, sim, quando o barco abre fendas, o fim torna-se inevitável. Quando começar a
chover dentro do Osprey, nunca ninguém o vai remodelar. Mas há imenso tempo
entre o momento em que as fendas começam a aparecer e o momento em que
finalmente nos afundamos. E é só durante esse tempo que podemos ver-nos uns aos
outros, porque conseguimos ver para fora de nós mesmos através dessas fendas e
para dentro dos outros através das fendas deles. Quando é que finalmente nos
vimos um ao outro, cara na cara? Só quando viste as minhas fendas e eu vi as
tuas. Antes disso, limitávamo-nos a ver ideias um do outro, era como olhar para
os teus estores mas nunca ver para o interior. Mas, quando se abrem fendas no
barco, a luz consegue entrar. A luz consegue sair.”
“Depois de nos beijarmos, as
nossas testas tocam-se e olhamos nos olhos um do outro. Sim, consigo vê-la
quase na perfeição nesta escuridão quebrada por fendas”.
Hoje faz uma semana que acabei de ler o livro "A Culpa é das Estrelas" do John Green. Não me vou esticar nas palavras, pois acredito que elas seriam plasticina nas pontas dos meus dedos, e não querendo corromper a sua elasticidade, fico-me pelas imagens que aqui deixo. Dificilmente a Hazel, o Gus e o Isaac irão sair da cabeça, a Hazel com o seu carrinho com a botija de oxigénio, o Gust com a sua perna artificial e o Isaac com o seu olho de vidro.
Acima de tudo este livro fez-me ver o amor com outros olhos, e conhecendo-me como sei, por vezes as palavras mais leves conseguem suportar o peso da dor, da desilusão e dos sonhos desfeitos porque o tempo não pára, nem o cancro ajuda à vida...
Agora entendo porque a culpa é das estrelas, mas se pudesse iria fazer um brinde com champanhe, ao menos saberia que iria ser um privilegiado, mesmo não estando em Amesterdão, iria ter direito a uma bose dose de estrelas engarrafadas...
Há dias em que fomento a ânsia de poder ver os contornos que fazem os outros seguirem uma linha de racionicio que não me diz nada: Por vezes penso que sou mais que um peixe fora de água, e não há aquário capaz de me manter sob a superficie, quando o que eu quero é estar submerso, num mundo de reflexos antagónicos, estilhaços que cortam mas não magoam.
Sinto-me um pedaço de algo que não encaixa, mas que não serve para mais do que já faz...uma carta fora do baralho.
No fundo do meu poço sei bem que o quero é ser uma daquelas cartas que fazem ganhar uma jogada.
Porque não se trata de um jogo, nem duma competição, vou-me deixando ficar entre as paredes que me circudam, aguardo nas ombreiras das portas que me acolhem e hoje foi um daqueles dias que nada faz sentido. O norte diz-me para caminhar para o sul, o oeste sussurra-me que o Este é o pico da felicidade, mas sabendo bem que ela, é um oasis perdido entre o desespero e a fatalidade que assola uma alma, deixo-me ficar naquele estado em que as pequenas coisas são um refúgio de quem um corte poderia ser a alternativa.
Quando me vejo ao espelho, procuro encontrar a expectativa de...
Numa resposta a uma simples pergunta por vezes diz-se mais do que inicialmente se julga. Nem todas as pessoas estão sintonizadas na mesma onda que nós e o resultado é um camaleão de palavras, vogais e consoantes numa misturadora para bolos, e o resultado é uma massa líquida imprópria para um forno ansioso para dar calor. A minha intenção era mesmo essa, digo pouco mas o que está cá dentro guardo-o.
Dizer que a minha alma me dói, é o mesmo dizer que tenho a casa infestada de grilos surdos.
Doi-me a alma, e se fosse assim tão simples, amanhã iria já comprar um daqueles sprays capazes de deitar abaixo as paredes e os telhados dos insectos mais indesejados à face da terra.
Muitas das vezes, em certos assuntos, tenho o hábito de dizer que a minha alma é velha. Digo com consciência, e não eloquência. Digo porque o sinto todos os dias, e a razão prende-se com uma série de coisas que ao longo dos anos não me deixou ver para além do que é normal alguém com uma determinada idade ver. Resultado: alguns anos de frustração, outros de sonhos, e os restantes de desilusões. Os que vivo agora estão a dar-me uma resposta que já contava, mas essa eu guardo-a a sete chaves porque sei que facilmente perco uma, mas sete é mais dificil.
Há coisas que não se explicam, neste últimos dias a minha vontade de rifar a minha 2ª família (a do trabalho) é demasiado grande, e sinto que bem que poderia dar-me ao luxo em dar um abraço a um empréstimo do qual não poderia ter meios de o pagar. Sinto-me derrotado, parece que caminhei alguns anos para o passado. Queria livrar-me desse sentimento, não o consigo fazer, sinto-me preso, e durante 8 horas (não estou a contar com a hora de almoço) consigo apenas ver-me como o adolescente que fui, a navegar em territórios nos quais não me sentia bem. Resultado: não me sinto bem.
Volto a dizer, há coisas que não sei explicar. Nestes últimos dias tenho estado a ler um livro chamado "Atlas das Nuvens" do David Mitchell e antes de falar da história, tenho que dizer que em breve irá sair o filme com um elenco de luxo, mas porque não podia esperar, resolvi ler o livro...excerto...
"Só três ou quatro vezes na minha juventude tive uma visão
das Ilhas Felizes antes de se terem perdido em nevoeiros, depressões, frentes
frias, maus ventos e marés adversas…Confundi-as com a idade adulta. Partindo do
principio de que eram uma parte fixa da viagem da minha vida, esqueci-me de
tomar nota da sua latitude, longitude, via de aproximação. Que estupidez! O que
eu não daria agora por um mapa imutável do êxtase eterno? Por possuir, por
assim dizer, um atlas das nuvens."
Dizem-me tanto estas palavras...
A história do livro é mágica, ainda faltam-me algumas páginas. O livro é interessante, começa com a história de um americano, a navegar no pacifico e vai escrevendo um diário (no século XIX), depois a história é interrompida e com ligação à próxima, vamos para a história de um inglês que na Bélgica começa a trabalhar com um compositor de renome (em 1931), e após o intervalo na história, somos levados para uma história em 1975 sobre uma conspiração e num virar de página vamos para uma história passada na actualidade sobre um editor que é forçado a fugir de um grupo de irmãos e acaba por se ver metido numa daquela reviravoltas da vida. Porque o tempo não pára, vamos parar a 2144 (se não estou em erro) em que somos confrontados com o testemunho de uma clone e porque o fim não tem data, lemos a história de um rapaz num futuro apocalíptico.
Todas as histórias têm uma ligação, e quando se termina a sexta, retomamos as restantes histórias da frente para trás até acabarmos na história passada no século XIX. Ainda faltam-me duas, mas tendo já lido grande parte desta história épica, começo a pensar até que ponto a minha vida terá impacto na dos outros, será que daqui a 100 anos alguém terá alguma ligação ao que eu tenho feito ao longo dos anos? Não, penso que não, mas não é motivo para desmotivar. Mesmo assim quero um, acho que tenho direito ao meu atlas das nuvens. Quem ler o livro vai entender...
Deixo aqui o trailer do filme. A palavra que o define é épico, porque as grandes histórias o são.
Há um tipo de loucura que anda atrelada a mim, como se eu fosse o burro e ela a tralha que está em cima de uma carroça de madeira, cheia de bichos já a dar o berro…daqueles que se ouvem a meio metro de distância.
Há um tipo de loucura que me suga, entope e atrofia. O meu EU sensorial mais parece um emplastro colado ao reflexo dum espelho doutra pessoa. Tenho vontade de o partir para ver até que ponto me consigo encontrar na confusão de cacos e estilhaços.
Há um certo tipo de loucura que me seduz com os seus dedinhos fugazes, lambe-me de alto a baixo e cola-me um beijo nos lábios com sabor a desejo. Facilmente me esqueço do beijo, mas relembrá-lo, parece coisa de outro mundo.
Há um certo tipo de loucura, do género que desfaz castelos na areia, nuvens no céu e paixões ao luar. Talvez não tenho mais nada que ela possa desfazer, talvez até tenha…neste momento sinto que a tenho, uma espécie estranha de loucura, daquelas que nem o diabo se irá lembrar um dia quando mais os santos…
Não sei bem ao certo se já vi o fim, ou se já vi uma certa luz, mas uma coisa sei que preciso, preciso de amar, urgentemente…preciso dele, do amor.
"As coisas que te caem dos olhos" do escritor italiano Gabriele Picco é daqueles livros em que nele há um cruzamentos de pequenas histórias, com personagens um pouco deslocadas da realidade, no entanto, é mesmo esse fator que o torna tão especial, pois é acompanhado por uma série de pequenas gotas (e não são as lágrimas) repletas de imaginação que o fazem ser um dos livros mais interessantes que já li nos últimos anos. O final é assombroso, porque exige de nós, leitores, uma capacidade de imaginar um mundo onde o real é misturado com os sonhos, sim pode ser essa a palavra...e há lá uma referência que achei piada, porque quem consegue ver a cauda de um sonho é um bom sinal. Era isso que eu queria para o dia dos meus anos :-)
Quando um livro deixa-me com vontade de deixar pequenos excertos aqui, neste espaço é sinal que o dia que levei para o ler valeu e muito :-)
Aqui vão elas...
"PLIM...PLIM...Lágrimas. Imaginem vê-las cair dos olhos, e que dentro está a vossa mãe com rosto de menina, acariciando os cabelos, ajeitando-os atrás de uma orelha. Imaginem que veem dentro delas os rostos e lugares da vossa vida...as montanhas, com os céus encostados, autoestradas e passagens desniveladas, e árvores que nadam na água salgada de pequenas lágrimas. E rebentam no chão, salpicando tudo à volta. Para não voltar mais. Tudo transborda dos diques dos olhos, e escapou.
Para sempre. Como a história que está para começar"
"Ennio aprendeu a ver na escuridão dos quartos ainda antes de saber ler bem em voz alta. A música da escuridão é o silêncio, melodia pura que toca o coração e as pupilas, tão grandes quanto sexos abertos à espera de ondas de luz. A música da escuridão é devastadora, com a voz de Beniamino: passa através das portas, bloqueia os ossos, perdem.se as mãos, os dedos caem como água no chão e então já não se pode agarrar a nada, apenas ser-se salvo pela mão desesperada da mãe, a mão do mundo, pião louco na escuridão do universo. Um segredo. Os segredos são feitos para ser desvendados, soltos, como a neve. Os segredos são as peles que se formam nos lábios gretados das pessoas, retirados com pequenas mordidelas, com cuidado para não sangrar."
Por vezes quando os meus olhos se fecham, como se fossem conchas a protegerem uma pérola, tudo poderia passar pelo remoinho de nós dos pensamentos, mas nos dias de hoje, os nós estão entrelaçados nas montanhas que dão sombra à luminosidade dos olhares alheios.
Num túnel eu bem poderia caminhar, devagar, devagarinho, sem esperanças de encontrar fosse o que fosse, mas o destino é incerto, e a vontade é muita.
Vou fechar os meus olhos e mergulhar no desconhecido.
Sei que por mais incertezas que a vida possa ter, uma delas está concretizada...
E as palavras não cabem no tamanho dos sentimentos que tenho pelo pequeno raio de sol que chegou e iluminou-me de uma forma tão cristalina. Agora só quero ver os reflexos desse raio no cristal...não há palavras...
Disseram-me que eu um paparazzo, eu diria que sim, mas um paparazzo especial, daqueles que não escolhe o momento nem o dia em que resolve começar a captar momentos preciosos e únicos na vida de uma pessoa.
Diria até que um pequeno e ténue rasgo dilacerou o meu coração, nele abriu mais uma porta e deixei entrar um frágil pequeno e mimoso raio de sol. Depois abri uma janela para o poder ver. Quero-o ver todos os dias, isso eu queria, e não há palavras para explicar o porquê e avisaram-me...fiz que não ouvi, mas agora entendo, porque os raios de sol acompanham a noite...
Os dias passam sem que o meus pensamentos fujam para a luminosidade que esse raios me dão, e por vezes nem sei bem porque razão por mais portas e janelas que estejam abertas eu não me contento com o que tenho.
Não há lugar para tristeza, não há motivos para a melancolia e muito menos para devaneios, eu se pudesse afastaria sempre que pudesse o vento das cortinas que estão bem perto da janela, só assim poderei ser um paparazzo e ele um raio do sol, não é meu mas é como se fosse.