Há dias em que fomento a ânsia de poder ver os contornos que fazem os outros seguirem uma linha de racionicio que não me diz nada: Por vezes penso que sou mais que um peixe fora de água, e não há aquário capaz de me manter sob a superficie, quando o que eu quero é estar submerso, num mundo de reflexos antagónicos, estilhaços que cortam mas não magoam.
Sinto-me um pedaço de algo que não encaixa, mas que não serve para mais do que já faz...uma carta fora do baralho.
No fundo do meu poço sei bem que o quero é ser uma daquelas cartas que fazem ganhar uma jogada.
Porque não se trata de um jogo, nem duma competição, vou-me deixando ficar entre as paredes que me circudam, aguardo nas ombreiras das portas que me acolhem e hoje foi um daqueles dias que nada faz sentido. O norte diz-me para caminhar para o sul, o oeste sussurra-me que o Este é o pico da felicidade, mas sabendo bem que ela, é um oasis perdido entre o desespero e a fatalidade que assola uma alma, deixo-me ficar naquele estado em que as pequenas coisas são um refúgio de quem um corte poderia ser a alternativa.
Quando me vejo ao espelho, procuro encontrar a expectativa de...
Numa resposta a uma simples pergunta por vezes diz-se mais do que inicialmente se julga. Nem todas as pessoas estão sintonizadas na mesma onda que nós e o resultado é um camaleão de palavras, vogais e consoantes numa misturadora para bolos, e o resultado é uma massa líquida imprópria para um forno ansioso para dar calor. A minha intenção era mesmo essa, digo pouco mas o que está cá dentro guardo-o.
Dizer que a minha alma me dói, é o mesmo dizer que tenho a casa infestada de grilos surdos.
Doi-me a alma, e se fosse assim tão simples, amanhã iria já comprar um daqueles sprays capazes de deitar abaixo as paredes e os telhados dos insectos mais indesejados à face da terra.
Muitas das vezes, em certos assuntos, tenho o hábito de dizer que a minha alma é velha. Digo com consciência, e não eloquência. Digo porque o sinto todos os dias, e a razão prende-se com uma série de coisas que ao longo dos anos não me deixou ver para além do que é normal alguém com uma determinada idade ver. Resultado: alguns anos de frustração, outros de sonhos, e os restantes de desilusões. Os que vivo agora estão a dar-me uma resposta que já contava, mas essa eu guardo-a a sete chaves porque sei que facilmente perco uma, mas sete é mais dificil.
Há coisas que não se explicam, neste últimos dias a minha vontade de rifar a minha 2ª família (a do trabalho) é demasiado grande, e sinto que bem que poderia dar-me ao luxo em dar um abraço a um empréstimo do qual não poderia ter meios de o pagar. Sinto-me derrotado, parece que caminhei alguns anos para o passado. Queria livrar-me desse sentimento, não o consigo fazer, sinto-me preso, e durante 8 horas (não estou a contar com a hora de almoço) consigo apenas ver-me como o adolescente que fui, a navegar em territórios nos quais não me sentia bem. Resultado: não me sinto bem.
Volto a dizer, há coisas que não sei explicar. Nestes últimos dias tenho estado a ler um livro chamado "Atlas das Nuvens" do David Mitchell e antes de falar da história, tenho que dizer que em breve irá sair o filme com um elenco de luxo, mas porque não podia esperar, resolvi ler o livro...excerto...
"Só três ou quatro vezes na minha juventude tive uma visão
das Ilhas Felizes antes de se terem perdido em nevoeiros, depressões, frentes
frias, maus ventos e marés adversas…Confundi-as com a idade adulta. Partindo do
principio de que eram uma parte fixa da viagem da minha vida, esqueci-me de
tomar nota da sua latitude, longitude, via de aproximação. Que estupidez! O que
eu não daria agora por um mapa imutável do êxtase eterno? Por possuir, por
assim dizer, um atlas das nuvens."
Dizem-me tanto estas palavras...
A história do livro é mágica, ainda faltam-me algumas páginas. O livro é interessante, começa com a história de um americano, a navegar no pacifico e vai escrevendo um diário (no século XIX), depois a história é interrompida e com ligação à próxima, vamos para a história de um inglês que na Bélgica começa a trabalhar com um compositor de renome (em 1931), e após o intervalo na história, somos levados para uma história em 1975 sobre uma conspiração e num virar de página vamos para uma história passada na actualidade sobre um editor que é forçado a fugir de um grupo de irmãos e acaba por se ver metido numa daquela reviravoltas da vida. Porque o tempo não pára, vamos parar a 2144 (se não estou em erro) em que somos confrontados com o testemunho de uma clone e porque o fim não tem data, lemos a história de um rapaz num futuro apocalíptico.
Todas as histórias têm uma ligação, e quando se termina a sexta, retomamos as restantes histórias da frente para trás até acabarmos na história passada no século XIX. Ainda faltam-me duas, mas tendo já lido grande parte desta história épica, começo a pensar até que ponto a minha vida terá impacto na dos outros, será que daqui a 100 anos alguém terá alguma ligação ao que eu tenho feito ao longo dos anos? Não, penso que não, mas não é motivo para desmotivar. Mesmo assim quero um, acho que tenho direito ao meu atlas das nuvens. Quem ler o livro vai entender...
Deixo aqui o trailer do filme. A palavra que o define é épico, porque as grandes histórias o são.
Há um tipo de loucura que anda atrelada a mim, como se eu fosse o burro e ela a tralha que está em cima de uma carroça de madeira, cheia de bichos já a dar o berro…daqueles que se ouvem a meio metro de distância.
Há um tipo de loucura que me suga, entope e atrofia. O meu EU sensorial mais parece um emplastro colado ao reflexo dum espelho doutra pessoa. Tenho vontade de o partir para ver até que ponto me consigo encontrar na confusão de cacos e estilhaços.
Há um certo tipo de loucura que me seduz com os seus dedinhos fugazes, lambe-me de alto a baixo e cola-me um beijo nos lábios com sabor a desejo. Facilmente me esqueço do beijo, mas relembrá-lo, parece coisa de outro mundo.
Há um certo tipo de loucura, do género que desfaz castelos na areia, nuvens no céu e paixões ao luar. Talvez não tenho mais nada que ela possa desfazer, talvez até tenha…neste momento sinto que a tenho, uma espécie estranha de loucura, daquelas que nem o diabo se irá lembrar um dia quando mais os santos…
Não sei bem ao certo se já vi o fim, ou se já vi uma certa luz, mas uma coisa sei que preciso, preciso de amar, urgentemente…preciso dele, do amor.
"As coisas que te caem dos olhos" do escritor italiano Gabriele Picco é daqueles livros em que nele há um cruzamentos de pequenas histórias, com personagens um pouco deslocadas da realidade, no entanto, é mesmo esse fator que o torna tão especial, pois é acompanhado por uma série de pequenas gotas (e não são as lágrimas) repletas de imaginação que o fazem ser um dos livros mais interessantes que já li nos últimos anos. O final é assombroso, porque exige de nós, leitores, uma capacidade de imaginar um mundo onde o real é misturado com os sonhos, sim pode ser essa a palavra...e há lá uma referência que achei piada, porque quem consegue ver a cauda de um sonho é um bom sinal. Era isso que eu queria para o dia dos meus anos :-)
Quando um livro deixa-me com vontade de deixar pequenos excertos aqui, neste espaço é sinal que o dia que levei para o ler valeu e muito :-)
Aqui vão elas...
"PLIM...PLIM...Lágrimas. Imaginem vê-las cair dos olhos, e que dentro está a vossa mãe com rosto de menina, acariciando os cabelos, ajeitando-os atrás de uma orelha. Imaginem que veem dentro delas os rostos e lugares da vossa vida...as montanhas, com os céus encostados, autoestradas e passagens desniveladas, e árvores que nadam na água salgada de pequenas lágrimas. E rebentam no chão, salpicando tudo à volta. Para não voltar mais. Tudo transborda dos diques dos olhos, e escapou.
Para sempre. Como a história que está para começar"
"Ennio aprendeu a ver na escuridão dos quartos ainda antes de saber ler bem em voz alta. A música da escuridão é o silêncio, melodia pura que toca o coração e as pupilas, tão grandes quanto sexos abertos à espera de ondas de luz. A música da escuridão é devastadora, com a voz de Beniamino: passa através das portas, bloqueia os ossos, perdem.se as mãos, os dedos caem como água no chão e então já não se pode agarrar a nada, apenas ser-se salvo pela mão desesperada da mãe, a mão do mundo, pião louco na escuridão do universo. Um segredo. Os segredos são feitos para ser desvendados, soltos, como a neve. Os segredos são as peles que se formam nos lábios gretados das pessoas, retirados com pequenas mordidelas, com cuidado para não sangrar."
Por vezes quando os meus olhos se fecham, como se fossem conchas a protegerem uma pérola, tudo poderia passar pelo remoinho de nós dos pensamentos, mas nos dias de hoje, os nós estão entrelaçados nas montanhas que dão sombra à luminosidade dos olhares alheios.
Num túnel eu bem poderia caminhar, devagar, devagarinho, sem esperanças de encontrar fosse o que fosse, mas o destino é incerto, e a vontade é muita.
Vou fechar os meus olhos e mergulhar no desconhecido.
Sei que por mais incertezas que a vida possa ter, uma delas está concretizada...
E as palavras não cabem no tamanho dos sentimentos que tenho pelo pequeno raio de sol que chegou e iluminou-me de uma forma tão cristalina. Agora só quero ver os reflexos desse raio no cristal...não há palavras...
Disseram-me que eu um paparazzo, eu diria que sim, mas um paparazzo especial, daqueles que não escolhe o momento nem o dia em que resolve começar a captar momentos preciosos e únicos na vida de uma pessoa.
Diria até que um pequeno e ténue rasgo dilacerou o meu coração, nele abriu mais uma porta e deixei entrar um frágil pequeno e mimoso raio de sol. Depois abri uma janela para o poder ver. Quero-o ver todos os dias, isso eu queria, e não há palavras para explicar o porquê e avisaram-me...fiz que não ouvi, mas agora entendo, porque os raios de sol acompanham a noite...
Os dias passam sem que o meus pensamentos fujam para a luminosidade que esse raios me dão, e por vezes nem sei bem porque razão por mais portas e janelas que estejam abertas eu não me contento com o que tenho.
Não há lugar para tristeza, não há motivos para a melancolia e muito menos para devaneios, eu se pudesse afastaria sempre que pudesse o vento das cortinas que estão bem perto da janela, só assim poderei ser um paparazzo e ele um raio do sol, não é meu mas é como se fosse.
Nos dias em que me sinto perdido no meio da multidão (no meio do nada), tenho comigo a pele que me veste. É nela que sinto os fragmentos dos outros e sinto os meus, confio neles, como se a minha maior arma fosse o principo do fim de uma série de coisas, com o prazo prestes a atingir a meta.
A pele que me veste é um casulo, uma vestimenta insuportável de a sentir. A carne reclama, os ossos choram de dor e a alma tem dias que já nem me fala. Se rodopio porque penso que estou num carrosel, se me sinto um fantoche nas mãos de outros, se a fala por vezes não acompanha a voz, se o impasse é uma dúvida por resolver não há razão para questionar os porquês...
A pele que me veste diz mais do que quero, e a vossa?
Há dias em que visito a infinidade imaginária que está atrelada a mim. Não são as formas nem os sons que perturbam a solidez emocional que me está pregada na alma. Há dias que carrego em botões, há dias que ligo o som, há dias que o atrelado perde-se e numa busca desenfreada procuro por ele, volto a carregar em botões e ligo o som...
Num beco sem saída encontro uma cidade de sonho, certamente não será a escolhida de muitos, mas é a minha. Em dias de sol, o reflexo dourado dos raios deparam-se com um banho azul-esverdeado como se o céu fosse um oceano e as paredes das casas o mar.
Com o caminhar sonolento do dia, com o bocejar melancólico da noite, a lua espreita por entre um manto pregado de estrelas e de veludo. Por vezes quando ela está cheia, os bosques anseiam e desesperam por luz, sussurram ao vento na esperança que a noite não se atrase, que não perca tempo nos meandros da palidez noturna. Pequenos ecos saltitam entre as árvores, são os meus passos, sinto-os, mas não os ouço.
Na periferia dessa cidade de sonho há um pequeno recanto, lá dormem as rosas, são preguiçosas, gostam das gotas de orvalho que deambulam nos jardins de pedra e picam quem se atrever a levá-las de lá.
No moinho do monte dá para ver o que resta do bosque, há árvores que me lembram pequenos chupa-chupas, uns com sabor a cereja, a mel, a maçã caramelizada...o doce facilmente se torna amargo, basta um rasgo na alma para que dela escorra o fel, ensopando-me da cabeça aos pés. E com simples mas majestosos tinidos os ramos agradecem a minha visita.
Hoje encontrei essa cidade de sonho, não preciso de bilhete nem de uma viagem para a visitar, não preciso de convite nem de companhia. Quando o atrelado se voltar a perder, espero poder descobrir novos mundos, visitar cidades que farão com toda a certeza parte deste oceano.
(As pinturas que aqui deixo são do Paul Klee, achei-as interessantes ao ponto de me darem motivos para aqui vir. Seguindo a ordem que estão dispostas temos: Dream City, Full Moon, The Rose Garden, Imaginary Garden e Small Rhythmic Landscape)
Na rotina do zapping, que tarefa mais ingrata essa, reencontrei uma música que gosto muito e é raro ouvi-la. "Damn I Wish I Was Your Lover" da Sophie B. Hawkins, dizem que é um One Hit Wonder, até pode ser mais conheço mais duas músicas dela.
Quando a ouço, o inicio é basicamente o começo de uma emoção, com pezinhos de lã, à procura de um abrigo que não precisa de barreiras para evitar as pragas mundanas. Mas não é preciso muito para que os contornos musicais ganhem relevo como um papagaio de papel a esvoçar no ar, e quem me dera ser um, ao menos estaria com os pés bem longe da terra e já em falo da mente.
Não é que eu queria ser um amante, mas é impossivel ficar indiferente a uma série de coisas. Preciso organizar as ideias, as emoções e os sentimentos, e com tanta tralha que tenho guardada o mais certo é trincar os dedos na gaveta quando a fechar. Eu conheço-me bem, por mais organizado que eu seja, farto-me de ver as ideias espalhadas em notas e papeis. E fico por aqui, já que as palavras escorregam-me dos dedos e não as quero ver magoadas...