Não estou aqui para desejar feliz ano de 2012 a ninguém, pois já lá vão sete dias, mas penso que todos sabem que os votos estão aqui, meio escondidos, como um sorriso que não quero mostrar porque não tenho vontade para mostrar os dentes. Tinha em mente em 2012 mudar algumas coisas em mim e o que é certo é que o destino me pregou uma rasteira, cai estatelado no chão e não tenho a mínima vontade de me levantar. Chamem-me de preguiçoso, mas o que sei é que a vida é madrasta para os filhos dos outros e sinto-me parte dessa prole.
Regra geral dispenso o final de ano, sou uma pessoa nostálgica, deixo-me enredar pelas histórias do passado e por mais insípidas que possam ser, fiz parte delas e sendo personagem principal, secundária ou um mero figurante estive lá, e por essa razão, saber que o meu patrão tinha tido aneurisma e que estava em coma no dia 31 abalou-me, foi como levar uma marretada e aos poucos e poucos sentia o meu corpo a enfiar-se num buraco. No dia 1, o primeiro de 2012 soube que tinha falecido, e digamos que já nessa altura todo o meu corpo estava confinado a um casulo e a minha vontade para sair de lá era pouca. Foi um choque, ainda o é, a minha vida de certa forma levou um abanão e se à partida tinha a intenção de mudar algumas coisas em mim, hoje sinto que já as comecei. Não me dou bem com a mudança, não posso dizer que esteja bem, pois não estou, ando triste, a pensar na vida, na minha, na dos outros e penso que é mais uma prova a mim mesmo que não sou egoísta..ok há dias que sou mas o que agora me passa pela cabeça é tentar encontrar algo me que faça sentir bem, porque sinto-me mal porque a vida é como é, dá lições quando não queremos aprender, e mostra-nos que o caminho nem sempre é o que temos em mente.
2012 prometia ser um ano de mudanças, e começou sendo. Sei que à partida, se tudo correr bem o meu amor será partilhado por um rebento, o da minha irmã. Se a vida por vezes é madrasta, por vezes é mãe e o que mais quero neste momento é deitar a minha cabeça no seu colo e que ela me diga que tudo irá correr bem. Eu mereço ao menos isso, nunca fiz mal a ninguém, contento-me com pouco e não sou exigente e porque razão terei que sacrificar mais do que sacrifico?
As palavras fogem-me das pontas do dedos, mas eu as sinto a cada minuto que o relógio os marca. 2012 será certamente o ano mais estranho, talvez o ano mais estranho anterior a este tenha disso 1992, e não posso parar, a vida pede-me para continuar, apesar de que a vontade é mesmo a de uma avestruz...truz truz quero enfiar a cabeça na terra mas não posso, porque não me vão deixar...