domingo, março 08, 2015

O Outro do Lado

"Quando comecei "a molhar os pés" no teu oceano, era predominantemente intimista, com textos de uma densidade emotiva, ora doce, ora ácida"

Em 2006 quando criei este espaço de água, ora de águas turvas, ora de marés revoltosas, foi sempre na perspectiva de escrever para mim, um escape sem fronteiras, sem destino, e sem bagagem para tirar de uma mala.

Hoje estando no ano de 2015, e apesar de continuar a escrever para mim, o escape está nas fronteiras de algumas pessoas, com destinos diversos e com um tipo de bagagem que não precisa de etiqueta para identificar quem são. 

A ironia graceja de uma forma ímpar, através de palavras, e não precisa de par para sorrir para mim, e sempre que as recebo (as palavras que contornam este espaço) fico de mãos atadas pois custa-me muito deslindar o que aqui faço, quem eu sou e o que quero ser. Aparento ser muito coisa, mas...

Se porventura o intimismo aparentemente já não existe, e a densidade está escondia entre o doce e o ácido, o que escrevo terá sempre o lado doce e amargo da vida.

Há coisas que não mudam. Transformam-se, camuflam-se ou transfiguram-se.

(Este post é para todos, as palavras para algumas pessoas, mas a música é para ti!)

8 comentários:

  1. Doces, ácidos e quase sempre enigmáticos. Tens muito mais de Oceano do que de Limite.
    Acho que vou passar a tratar-te por Oceano em vez de Limite.
    Dizias há dias que talvez não deixasses o blog chegar aos 10 anos. Espero que o deixes chegar bem mais longo pois é uma das minhas leituras imprescindíveis.
    Bom Domingo!

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    1. :D o limite é sempre um objetivo que nunca irei alcançar. Eu prefiro "Oceano".

      Leonel, quando disse isso dos 10 anos tem a sua razão, pois 10 anos é quase uma vida e assusta-me um pouco o avançar do tempo. E obrigado pelas palavras!

      Um bom Domingo para ti também!

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  2. O intimismo, de facto, tornou-se menos óbvio. Mais esparso. Continua, em todo o caso, a espreitar pelas entrelinhas. Ora sorridente, ora, por vezes, a debitar melancolia.

    Seja como for, escrever é sempre uma necessidade. Um prazer que, de certa forma, tende a abandonar a solidão inicial. Escrever - à medida que o tempo flui - passa a ser uma partilha, sobretudo quando os espectadores dão lugar aos leitores.

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    1. Driftin' eu reconheço que o intimismo está representado de uma outra forma, como tu já o disseste, e sabes o quanto as entrelinhas podem dizer, daí gostar tanto de letras, para criar palavras e na sombra de cada uma delas, há sempre algo mais :-)

      Sem dúvida que escrever para mim é uma necessidade, poderia passar uma semana sem falar, agora escrever já não o consigo fazer.

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  3. Conheci este blogue em 2008 (ou 2007?) e de lá para cá já assisti a muitos momentos diferentes. Fases mais calmas, outras mais revoltadas, outras mais herméticas e outras mais abertas. Acima de tudo, vi que iria reflectindo aquilo que ias. Quem assistiu, percebeu o teu crescimento até chegares aqui. E se me permites, estás a ficar crescido ;)

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    1. Eu sei dessas fases, já me chegaram palavras muito positivas, e umas que me fazem pensar e eu preciso também disso. E obrigado, e estamos todos a crescer...

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  4. Escreves bem, nunca é demais te dizer. Uma vida tem muitos ângulos, muitas nuances, muitas disposições.Todas elas merecem atenção. Doce e ácido não se anulam, complementam-se. Continua a escrever quando quiseres e como quiseres. E a dar muito boa música também...
    :-)

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    1. Obrigado Alexandre, e é como tu dizes, a vida tem muitos ângulos e nada nos vale vê-la apenas de um ,quando temos muito para ver, com as tais nuances que referias.

      E sim continuarei a escrever da forma que quero ao som de uma boa música (pelo menos para mim) :D

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