domingo, março 22, 2015

Estacas Vs Chris Millington No Limite Do Oceano


Estacas

"Os meus ossos estão espetados no deserto, não há um só no meu corpo que lhe escape. Cravados todos eles na areia do deserto, uns a seguir aos outros, alinhados. 

Seria absurdo falar-se de esqueleto.

A pele foi entretanto soterrada, há quem já tenha caminhado em cima dela. Quem diria? 
A pele, outrora hasteada, uma bandeira, quase uma coroa. 

O vento apoderou-se-me das vértebras. 
O próprio sol que entre elas brilha é descarnado, um sol deserto, onde o deserto penetrou. 

Talvez pudéssemos lavá-lo, este deserto, quem sabe, ou amarrá-lo, amordaçá-lo. 
A pele garante o espaço, o resto logo se veria." 

 De Luís Miguel Nava (Excelente texto enviado pelo meu 1º leitor ao vivo e a cores)

Sei que não devemos viver presos ao passado, nem devemos julgar os inúmeros “ses” da vida como encruzilhadas por onde passamos mas por qualquer motivo somos levados para um determinado caminho. Ao longo dele cravamos no chão as estacas do tempo, e são elas que nos regem, que nos orientam, que nos confundem e que nos maltratam. E se há fases na vida que não somos mais que vultos perdidos no deserto da indecisão, há fases que nos fazem questionar os vários anos onde cada estaca é um marco. Esta em que vivo, é a minha pele, a estaca com que cravo este chão que piso. 

Se soubesse o que sei hoje (mais um doce cliché cheio de acidez…) muita coisa seria diferente, não vivo num constante arrependimento, nem numa penitência por um crime que tenha cometido.  Deveria de ter cometido alguns, reconheço isso…como pessoa, tenho muitas falhas, umas guardo para mim, outras já as partilhei aqui. 


Talvez não saibam, eu não ligo muito para o corpo de uma pessoa, não ligo ao pacote que a forma nem dou importância ao rótulo que se cola a ela…crescer e envelhecer sem algumas coisas, deu-me outras em troca. Se pudesse trocaria o que tenho pelo que nunca tive, mas se isso me transformasse numa outra pessoa, pensaria duas vezes. Sei bem que nos olhos dos outros por vezes pareço que me divido em dois (ou até em mais), mas esta minha dualidade tem uma razão de ser, quero tentar chegar a todos os pontos que nos unem, e que nos afastam ao mesmo tempo.


Não vivo num colete-de-forças, mas há dias que me obrigo a vestir um, apenas por precaução, o Homem é louco, e loucos somos todos. Duvidam?


Dou um exemplo do que me faz parar, é ver alguém que me transmite algo com um simples olhar. É através dele que potencialmente a empática brota e faz com que o meu coração salte as rédeas de uma prisão sem grades. É no olhar que se esconde a alma, a verdade e a inocência dos tempos perdidos. Não é por acaso que por vezes desvio o meu! Não quero a vejam, ela está presente nas mais simples e pérfidas coisas da vida.


Deixo aqui mais umas imagens que me fizeram parar (do Chris Millington), e apesar do meu coração não ter saltado do lugar, os gostos não se discutem, partilham-se. É este tipo de olhar que me mata e desperta por dentro. Nunca me cruzei com um que me fizesse ser um louco, longe da minha prisão sem grades…








Almost the end...


Jamais recomeçaria uma vida, estaca atrás de estaca "A pele garante o espaço, o resto logo se veria."

I've been watching your kindness keep
A lonely company
Look at the fire and think of me
I've been watching you creep
Around my wandering feet
Trying for years to flee


8 comentários:

  1. Adorei as fotos do Chris Millington; estas cada vez mais poético; obrigado por partilhares Purity Ring comigo, em primeira mão, adoro

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    1. :-) Os Purity Ring são geniais, adoro o som ambiente que criam, e estou à espera de receber pelo correio o 1º álbum deles, o 2ª e mais recente álbum tem me feito companhia no carro.

      Quanto estar cada vez mais poético, eu sempre fui, aliás aqui neste espaço era o que mais gostava de escrever, mas porque enviaram-me uns textos brilhantes e por coincidência encaixam no que quero escrever, voilá...

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  2. Ganda Barbudo! É tudo o que tenho a dizer!

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    1. Mas Horatius é um barbudo com um olhar dos bons :D

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  3. O miúdo tem barba a mais para mim lolol

    Olha miúdo, a pior coisa que podemos fazer é questionar o que ficou lá atrás, e viver na permanente dúvida do "e se". Por vezes vale mais uma má decisão, do que nenhuma, porque assim já podemos concluir capítulos da nossa vida.

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    1. Eu já te conheço um pouco Namorado, barbas não é contigo, agulhas e dor também não e muitas outras coisas :-p

      E obrigado por me tratares por miúdo, por vezes pareço um lol.:-)

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  4. Sem dúvida alguma, um olhar importa bem mais, ao menos a mim, do que "o corpo". Gosto das pessoas pelo que são, e isso depois poderá projectar-se no todo.

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    1. Mark gostar das pessoas pelo o que são torna tudo mais simples, não se tem que manter a postura/imagem que têm de nós e nós dos outros.

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