Sempre me considerei um outsider, coloquei-me nessa posição a jeito e a vida aproveitou-se e me fez o favor de cravar bem fundo um espeto no meu coração e foi-me apunhalando sempre que pôde. Passei a fase da adolescência sem saber quem era, e a frase "onde os outsiders se encaixam?" surgiu, um mantra que era como uma sombra, acompanhou-me sempre que eu deixava, e eu sempre deixei. O simples ato de me despir era como se estivesse a fazer um esforço desnecessário. Para quê?!
Depois veio a fase dos 20 anos, que deveria ter sido a fase em que descobria um mundo novo, e esse sentimento de que não fazia parte da realidade já não teria sentido nenhum. Como um florescer de uma rosa fui vivendo as "novidades" como se estive a renascer, mas a rosa foi perdendo as pétalas, e por mais bela que ela fosse, o que mais me recordo são os espinhos, o que fez com que voltasse costas à realidade e mergulhasse na neblina que acolhia o meu mantra - "onde os outsiders se encaixam?".
Entrei nos 30 e já não queria saber de nada, não me importava de ser um outsider sem que ninguém soubesse quem eu era, é que perante os olhos dos outros o que vêem não é bem o que sou. Porque já estava na fase "fuck off" o mantra morreu, já não me faria diferença tê-lo comigo. Os anos foram passando como um folhear de um diário, este que aqui tenho, e aqui nunca me escondi atrás das palavras, sempre escrevi o que sentia, e sempre lambi bem as pontas dos dedos para que cada virar de página significasse algo para mim. É estranho, não consigo ler o que escrevi ao longo destes anos todos.
Não sou cego, o que vejo no dia-a-dia dá-me aquele calor que o ego depois reclama por atenção, em que a fome de um olhar dá-me umas valentes sacudidelas, ao ponto de todos os ossos do meu corpo estremecerem de tanto ardor, paixão ilusória e fantasia erótica. Shame on me.
Se há algo que me faz perder o controlo é o simples ato de beijar. Pode ser um tímido beijo, ou um brusco rombo de lábios, porque é esse toque que é a chave para abrir o que não consigo dar.
Procuro pérolas, para fazer o mais belo colar.
Eu sei que por vezes vejo a vida como se fosse um conto de fadas, mas não vivo um, longe disso, talvez por isso quero o que não tenho.
Questiono-me, a que sabem os meus beijos? Nunca perguntei, pois se por um lado fico...
Por outro não quero parecer que estou a morrer por um, cheio de fome...não estou!
Se a vida assim o permitir, o beijo do meu conto de fadas, irá meter água, pois a minha vida tem muita água...
Este longo texto tem a sua razão de ser. Há alguns anos descobri a música "In This Shirt" dos Irrepressibles e desde então nunca mais a larguei. O sentimento com que ficava sempre que a ouvia era de negativismo, agora é diferente. Eu estou diferente. Sendo uma música brutal com um videoclip cheio de imagens que falam por si, achei que tinha todo o sentido dar forma ao que já senti e ao que sinto na companhia de um dos videoclips mais expressivos que vi até hoje. Este dia é apenas um virar de mais uma página.









Começo a ficar preocupado contigo.. é preciso ir aí ? :)
ResponderEliminarConheci esta musica há 2/3 meses.. é tipo B-R-U-T-A-L !
LOL Ricardo não há motivos para preocupações. Shame on you! Mas se quiseres passar por cá, não te esqueças da poncha!
EliminarSim a música é mesmo brutal :D
Limite, posso ser franco? Acho que pensas demais. Vive cada dia, aproveita, salta no vazio, bate com a cabeça, beija,...... No final, muita coisa se vai aproveitar.
ResponderEliminarNo restaurante onde vou habitualmente à 6ªf há um azulejo que diz "quem se contenta com a sorte é feliz até a morte". Lembrei-me disto porque, se olhar para a minha vida passada poderia pensar "que tristeza" e querer voltar atrás e fazer tudo de forma diferente mas a verdade é que, no momento, sempre fui muito feliz. Como?.... Não sei.
Era introvertido, não sabia que era gay nem queria saber. Não gostava de raparigas nem podia andar com gajos (estávamos nos anos 80, numa pequena vila, sem net nem cena gay) paciência!!! Gostava de andar de bicicleta, dos meus animais de estimação, de jardinagem e isso era suficiente. Não me sentia bem nu em frente aos outros e por isso tomava banho em casa. Tive a minha primeira relação sexual aos 23!!! Verdade. Como gostaria de a ter tido aos 13 e ter dormido com montes de gajos mas não aconteceu. Na altura nem pensava nisso. Estudava, lia, saia com amigos, passava horas no salão de jogos e isso era suficiente.
Agora estou a recuperar o tempo (fora dormir com montes de gajos que sou marido sério). Os meus pais deram-me uma educação boa e a vida não tem sido madrasta e por isso as coisas vão acontecendo, à medida do possível. Acho que esta minha postura me tem sido favorável e se não foi, pelo menos não penso nisso.
The Lady is Dead é uma coisa absolutamente brutal. Consigo ouvir vezes sem conta seguidas.
Grande abraço
Claro que podes ser franco Leonel, se eu não quisesse não tinha a opção dos comentários disponível, pois passei anos sem a ter. Eu sei que penso demais, aqui o faço, pois criei este espaço inicialmente para isso, eu sei que por vezes o que escrevo coisas que não me ajudam em nada, mas ao menos deito para fora o que não digo através da voz. Claro que no dia a dia o que penso é bem diferente do que aqui deixo.
Eliminar:-) Obrigado para partilha.
Como tu eu também ouço vezes sem conta esta música, entre outras.
Adorei este teu post.
ResponderEliminarAs tuas considerações são muito pertinentes. Aliás sempre o foram.
Obrigado João, a sério, é que por vezes não sei se vale a pena escrever certas coisas que deixo aqui, porque muitas das vezes é apenas para mim mas no fundo é uma parte de mim que estou a deixar neste oceano.
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