Nestes dias que passaram senti que o universo deu-me algumas respostas a algumas questões que estavam entaladas no tempo que insistia ficar preso ao passado. Não sei porque razão sinto isso, mas acho que faz parte da aura do desconhecido que fala com uma pessoa nas formas mais estranhas que possam existir.
Há cerca de algumas semanas, uma colega da primária encontrou-me, ou eu a encontrei (não interessa) pelo facebook, e é sempre uma animação encontrar alguém do nosso passado que nunca mais tivemos noticias. "Falamos" de uma forma como se o passado fosse uma página gasta pelo tempo, ora está escrita, ora me esqueço dela. Acontece que essa pessoa foi a que começou a "onda" de bullying que senti na pele. Claro que na altura esse termo não existia, claro que a vivência numa escola fazia parte da formação de uma criança, mas se soubesse o que sei hoje, jamais guardaria o que guardei dentro de mim enquanto criança e adolescente.
Não é um termo pomposo dos dias de hoje que muda alguma coisa, é que não muda nada. Se digo que o universo deu-me algumas respostas é porque deu-me mesmo. Há alguns dias um blogger sem o saber, na brincadeira tratou-me por um nome que não me sai da memória, e não é "Carlinhos", não é esse. De qualquer forma, por vezes não são precisos muitos fósforos para se fazer uma fogueira, basta um, e nem foi bem esse.
Depois da fase dos 11/12 anos em que uma "mean girl" resolveu fazer da minha pessoa o seu alvo, por mais invisível e pacato que eu fosse e mesmo que não chamasse à atenção, não entendia porque razão olhavam para mim como se eu fosse uma criança que tinha todo o direito de ser importunado. Não é de admirar que nessa altura tinha alturas em que a vontade de ir para as aulas era pouca.
Tive uma fase que não queria ficar atrás dos outros, e nos meus 12/13 anos numa situação fora da escola em que um colega me tinha chamado de "maricas" porque eu não queria saltar com a minha bicicleta a rampa em formato de meio "U" para os stakes. Arranjei coragem, e quando ele se foi embora, com os meus vizinhos mais novos eu resolvi fazer essa brincadeira. Acontece que a sorte não estava do meu lado, eu bem que lancei-me na rampa, em cima da bicicleta, como se estivesse num cavalo alado, mas a roda traseira ficou presa no cimo da rampa, fui projetado contra a relva, e a bicicleta caiu em cima de mim. Desmaiei, e fui arrastado pelos meus vizinhos, até casa. Lembro de me olhar ao espelho atarantado, com um enorme golpe dentro do lábio cheio de relva (levei uns quantos pontos). Ainda hoje sinto o sabor de sangue e relva, que magnifico cocktail para se beber na memória do passado. O pânico aconteceu quando pensaram que eu tinha sofrido um traumatismo craniano. Hoje ainda me lembro das perguntas que me fizeram quanto ia na ambulância, para verem até que ponto estava bem. Hoje quando me recordo disso, não entendo porque razão queria fazer o que os outros faziam e conseguiam. Saiu-me caro, ao menos tive muito mimos. Não sei se foi nessa altura que não era pessoa de mergulhar na mesma "ondas" que os outros.
Já nos meus 16/17 anos sofri na pele o bullying mais triste, mais físico e mais revoltante, é que eu nunca fiz mal a uma mosca, muito menos fazer frente a ninguém. Cresci durante alguns anos sem saber que anos mais tarde o termo "Bullying" seria o motivo para que eu hoje em adulto veja a vida num outro prisma que muita gente não vê, não entende.
Nunca apontei o dedo a ninguém, e aceito todos como são, e ainda hoje não entendo porque a "mean girl" e os outros viram em mim uma ameaça para a sua existência. Fuck them all.
Este post não se trata de reviver o passado, nem de recalcamentos do passado. Apesar de não me esquecer do que vivi, não faço dele (do passado) um motivo para lamurias, apenas começo a perceber o motivo de sentir uma certa fobia social. As crianças conseguem ser cruéis sem o saberem e os adultos são poças secas de ignorância quando o que mais há é agua a entrar por tudo o que é sitio.
Não sendo pai, e sei que seria um excelente pai, sou tio e espero ser um extraordinário tio para o meu raio de sol, e porque sei o que a casa gasta, acho que a lição que a vida meu deu durante aqueles anos todos é educar o meu sobrinho a não apontar o dedo e a aceitar todos com as suas perfeições por mais imperfeitas que elas sejam. Acho que é este o meu papel.
O termo "sair do armário" está mais que gasto, e eu como gosto de ser original, esse termo é como se fosse uma peça de uma mobília que temos numa sala, e queremos ela vazia para a decorar com o que realmente é importante. Hoje já saí do armário, duas vezes, uma aqui, agora, outra fora aqui que está arrumada fora da sala.
O motivo deste post é simples, as pessoas são como são por alguma razão, e se eu digo que sou um corvo branco no meio dos pretos, é porque sei do que falo.
Sinto-me livre, e hoje vou bater as asas, e voar para onde me sinto bem.

é levantar o queixo e ter orgulho na pessoa que és hoje!
ResponderEliminarEu Outros eu tenho andado com ele bem levantado! Apenas partilhei algo que está mais que resolvido, e sim orgulho-me de ser quem sou :-)
Eliminaróptimo!!! :D
EliminarBullying pode fazer de nós o que somos hoje mas na hora dói. Pior é quando os visados no seu tempo passam a bullyers depois.
ResponderEliminarBom que para ti tenha resultado bem e que consigas passar isso ao teu sobrinho
ps: como sempre, uma maravilhosa banda sonora a acompanhar.
Sim Leonel, é mesmo isso "Bullying pode fazer de nós o que somos hoje mas na hora dói." Apenas partilhei o que escrevi pois ando a deixar certas coisas no passado, nada me vale reviver o que já não tem justificação.
Eliminar:-) A música é excelente, Obrigado!!! E vem mais pelo caminho. Caso não saibas, quando coloco uma música aqui, é a música que ouço em loop enquanto escrevo. Por vezes é uma fonte de inspiração para além da vida.